Notas iniciais
Olá, lindas! Perdoem a demora, estou no meio da minha semana de provas finais e tem sido difícil conciliar todas as minhas obrigações com a escrita. Espero que gostem do capítulo!

"This is not the end of me, this is the beginning"

– Christina Perri (I Believe)

Ana Elisa

Acordei com uma leve dor de cabeça e um barulhinho irritante de bip no meu ouvido. Abri os olhos lentamente, absorvendo toda a claridade do quarto. Olhei ao redor, percebendo que estava num quarto de hospital. Tentei me mexer, mas meu pé doía um pouco e estava imobilizado. Percebi um peso a mais na minha mão direita e virei minha cabeça lentamente, encontrando uma cabeleira negra já bem conhecida.

Devo ter mexido a mão, pois o Dan logo levantou a cabeça, com um ar de sono, mesmo que seus olhos expressassem preocupação.

– Hey, você acordou! – ele disse, sorrindo.

– Oi. – respondi – O que aconteceu? Você parece cansado.

Jet lag. – respondeu – Mas você está bem, sente alguma dor?

– Eu estou bem, minha cabeça dói um pouco, mas nada demais. Na verdade eu estou com um pouco de sede...

– Que bom. Estou feliz que esteja bem, você me deu um baita susto hoje. – ele disse, enquanto segurava o copo com o canudinho perto da minha boa.

Bebi o suficiente para não sentir minha garganta arranhar, mas continuava com sede.

– Desculpe por isso – falei, sorrindo envergonhada.

Depois disso, um silêncio constrangedor veio, mas eu precisava conversar.

– Sobre a nossa briga, eu...

– Não precisamos falar disso agora, você acabou de sofrer um acidente, precisa descansar.

– Na verdade, precisamos. – falei, pronta para enterrar de vez o Felipe – Em toda a minha vida eu nunca fui muito fã do amor, mas ele me pegou de jeito. O Felipe foi uma grande parte da minha vida, mas está na hora de seguir em frente. Eu tenho um lindo futuro ao seu lado e não posso desperdiça-lo por viver com um pé no passado, eu só não queria mergulhar de vez no nosso relacionamento e acabar te perdendo, assim como aconteceu com ele. Eu amo você mais do que a mim mesma e eu nunca conseguiria me recuperar se algo te acontecesse. Eu só estava com medo, Dan, e peço que me desculpe por isso.

– Ana, você é uma mulher linda e forte e eu sou muito sortudo por tê-la. Talvez eu não quisesse admitir, mas eu também tinha medo. Medo de não conseguir tocar seu coração da forma que ele fez, medo de ser apenas a sombra de um homem para você. O meu erro, o nosso erro, foi não ter falado um para o outro como nos sentíamos sobre isso, foi ter guardado para nós algo que deveríamos compartilhar. Nós dois erramos, meu anjo, então eu aceito suas desculpas, mas só se você aceitar as minhas também.

Balancei a cabeça afirmativamente, o puxando para um abraço, e logo estávamos nos beijando, matando um pouco da saudade que estávamos um do outro. Fomos interrompidos, porém, pela Fani e o Leo, que entraram no quarto.

– Opa! Desculpinha. – falou a Fani, meio envergonhada.

– Sem problemas. – o Dan falou.

– Bom, devo assumir que está tudo bem entre vocês? – o Leo perguntou, apontando com o indicador de mim para o Danilo.

– Sim – respondi, sorrindo, enquanto sentia a mão do Dan se entrelaçar com a minha.

– Ótimo! – exclamou a Fani, enquanto sentava do lado esquerdo da cama. – Você está bem, amiga? Que baita susto, hein!

– Estou bem, não se preocupe! A maior parte da culpa foi minha, eu estava distraída. Mais alguém se machucou?

– Felizmente não.

– Isso é bom.

Passamos um tempo conversando amenidades, antes do Leo sugerir que ele e a Fani fossem para casa, pois ele estava cansado da viagem.

– Claro, amor. Eu só preciso falar uma coisinha para a Ana, será que vocês nos dão licença por dois minutinhos? – ela perguntou, me fazendo imaginar o que era tão importante que não podia esperar.

– Claro, Fani – o Dan respondeu, se levantando. Eles deixaram o quarto segundos depois, resmungando algo.

Olhei curiosa para a Fani:

– Então, o que você quer falar comigo?

– Aninha, lembra quando estávamos lá no apartamento e você me contou sobre os enjoos que você anda tendo e que você anda toda sensível, com mudanças de humor e tal? – assenti com a cabeça, curiosa demais para falar qualquer coisa – Então, eu liguei os pontos e cheguei a uma conclusão sobre o que você tinha. Queria te falar das minhas suspeitas, mas fiquei com medo de ser coisa apenas da minha cabeça e decidi confirmar antes. Quando fomos ao shopping, eu passei na farmácia em comprei isso. – ela disse, abrindo a bolsa e mostrando uma caixinha, mas foi tão rápido que nem consegui ler o que estava escrito – Mas acabou que eu nem precisei, já que você acabou se machucando. Falei para o médico incluir no seu exame de sangue a análise das taxas de Beta-hCG e voilà: deu positivo!

– Positivo o que, Fani? – perguntei, confusa.

– Ana, às vezes você me surpreende com sua inocência! Você está grávida, amiga!

– Eu... O que?

– Veja bem, quando você falou sobre as mudanças de humor, eu não me surpreendi muito, afinal, podia ser só a TPM. Mas aí você citou os enjoos, seus seios sensíveis e, para completar, quase não entrou na calça 36, e elas geralmente ficam folgadas em você! A partir daí, foi só fazer as contas e constatar o óbvio: tem um bebezinho crescendo aí dentro. – ela terminou, pousando a mão sobre a minha barriga.

– Você tem certeza? – perguntei, já sentindo as lágrimas nos olhos.

– Sim, o médico confirmou.

Expirei, sentindo a minha cabeça girar. Eu teria um bebê? Não, eu e o Dan teríamos um bebê.

– Mais alguém sabe? – perguntei.

– Não, eu imaginei que você preferiria contar ao Dan você mesma. Além disso, eu queria ser a pessoa a te falar, pensei que pudesse ser mais fácil de assimilar.

– Obrigada, Fani. – agradeci, a envolvendo num abraço.

– Então, está feliz? – ela me perguntou.

Pensei um pouco, antes de responder:

– Bem, eu estou bem confusa para falar a verdade. Mas, estranhamente, não me sinto mal ou perdida. Eu só vou precisar de mais algum tempo para assimilar isso aqui. – expliquei, descansando a mão no meu ventre e sentindo uma alegria tomar conta de meu coração. Eu já amava o pequeno ser dentro mim, como isso era possível? — Pode me fazer um favor?

– Claro!

– Você está com a minha bolsa aí? – ela afirmou, me mostrando a pequena bolsa que eu usava no shopping e me entregando.

Procurei um pouco dentro até encontrar o que procurava.

– Isso é o que eu estou pensando? – ela perguntou, ao ver a pequena caixinha preta nas minhas mãos.

– Sim, eu trouxe sem querer nas minhas coisas.

– Posso ver? – afirmei, entregando a caixinha para ela. – Uau. É lindo!

– É mesmo. – concordei, olhando para o lindo anel de noivado. Ele era basicamente de ouro branco, mas tinha pequenas pedrinhas no seu corpo e, bem no meio, um pequeno, mas lindo diamante.

– O que você planeja fazer com isso? Pedir o Dan em casamento? – ela brincou.

– Na verdade, era isso mesmo que eu tinha em mente. Alguma sugestão?

– Não, mas posso te ajudar com algo. – ela falou, vasculhando a bolsa e pegando vários pinceis – Vamos te deixar um pouco mais bonita para esse momento.

Sorri, fechando os olhos e deixando a minha amiga fazer a mágica dela. Era minha chance de consertar tudo definitivamente e eu não iria deixa-la passar, até porque agora tínhamos um bebê a caminho.

– Prontinho! – abri os olhos, vendo seu sorriso de orelha a orelha – Você está linda, amiga!

– Obrigada, Faniquita! – agradeci, sentindo os olhos marejarem. Droga, parece que depois que você confirma a gravidez fica ainda mais difícil controlar os hormônios!

– Eu vou indo, ok? Quer que eu chame o Dan?

– Sim, por favor!

– Tudo bem então, boa sorte! – ela falou, me dando um beijo na testa e deixando o quarto.

Respirei fundo, tentando controlar meus batimentos cardíacos, que pelo bip do aparelho estavam bem acelerados.

O Dan entrou um pouquinho depois, sorrindo para mim.

– Baby, está tudo bem? A Fani disse que você tinha algo para me falar.

– Sim, você poderia sentar aqui um pouquinho? – pedi, sentindo as mãos tremerem. Respirei devagar, olhando no fundo dos seus olhos e absorvendo cada pedacinho de seu rosto.

Era o momento decisivo, que definiria o meu futuro. Tomei coragem para falar, mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas não derramadas. Aquele era o começo do resto da minha vida, e eu mal podia esperar.

Notas finais
E aí, o que acharam?? Estou super ansiosa pela opinião de vocês sobre esse capítulo! Se porventura acharem qualquer erro, me avisem! Fiquei emotiva escrevendo e posso ter me exaltado um pouco rsrsrsrs Beijos e até o próximo!