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1 Capítulo 1-o Pinguim Zoado


Gente, como eu ja havia anunciado que estava criando uma fic com a mel venho lançar ela pra vocês, então aqui estás o 1° Cap.

FavelATF

Capítulo 1 — O Pinguim Zoado

- Alô alô dona-de-casa, alô gente batalhadora que acorda cedo pra pegar aquele busão lotado com um monte de gente que esqueceu de ver a validade do desodorante antes de usar! Alô alô trombadinha! Alô alô graças a Deus. Sempre unidos, sempre irmãos, sempre Brasil! — a voz grave e seduzente se ouvia em cada rua e beco da Comunidade do Pinguim Zoado — E pra te despertar de vez, vamos com o sucesso das divas do povão, "Vida de Empreguete"! Eu sou a Voz da Verdade e essa é a Rádio CPZ 69,9 FM!

"Todo dia acordo cedo, moro longe do emprego..."

-Ai eu não aguento mais esse barulho todo dia — Camila abria as cortinas da janela da sala enquanto reclamava — Ainda mais uma música nojenta dessas... Cadê que tocam meu Wando pra eu arrumar minha casa feliz?

Seu gato que parecia mais um rato. A olhava indignado, como se disesse:

" Vida de pobre é assim mesmo fiá, para de reclamar cu doce."

- Cara feia pra mim é fome. — Disse debochada para o gato que ainda a olhava indignado. Tinha semanas, ou até meses que a sua dona “Camila, aqui não entra linguiça " não lhe dava comida. Pobre fulano. Tinha que roubar comida do vizinho, Luan. Aquele que trabalha que nem um condenado e leva pepino na cara no final. Que ouve os gemidos da sirigaita da Mylena com o... Ops, falei demais. Com traição não se brinca, isso é coisa séria.

-Vamos acordar seu preguiçoso que não quer nada da vida — dizia Camila adentrando o quarto de seu Filho Theo.

- Puxa mãe já disse pra não adentrar gritando assim que me desconcentra- disse Theo já acordado com caderno e livro aberto sobre a mesa.

- Agora você vê, até parece que isso aí vai te dar futuro, nós que mora na favela tem que trabalhar num é ficar estudando não, nós não recebe as mesma oportunidade que os rico não garoto, aprende com sua irmã. -disse Camila aparentemente tentando dar um sermão

-Eu ainda vou me formar e te mostrar que a vida não é só esse morro mãe. — sussurrou Theo com lágrimas nos olhos enquanto a mãe saia do seu quarto.

- Vamos minha rainha acorda- Disse Camila pra Jana, sua filha mais velha, aliás, Jana não, Jandelícia Moranguinho, que era sucesso no Pinguim Zoado, top nas rádios comunitárias, que a presença era mais certa do que as próprias caixas de som no baile de sexta.

- Ah mãe só mais 10 minutos, esse é o meu sono da criatividade e da beleza, depois que acordar vou lá pro treino do Flamengo pra ver se consigo alguém -disse Jana meio sonolenta

- Ta bom, só mais 10 minutos até porque essa hora ainda não tem ninguém no treino deles, Isso sim é minha Filha, sempre tendo ideias boas, sempre procurando uma vida melhor pra ela — Disse a mãe orgulhosa, os olhos cegavam a brilhar.

Logo ali pertinho tinha o "Bar do Motta"... "Aqui ninguém sai de garganta seca" dizia o Slogan. Paulo, seu dono (deerr), tinha orgulho do bar onde diziam ter o preço mais barato do morro, porém só ele sabia que fechava o mês constantemente no vermelho, onde mal dava pra tirar o pagamento de $20 semanais pro seu ajudante, o outro Paulo, o Moreira. Ele sabia que tinha que aumentar os preços, sabia que tinha que reformar aquela espelunca, mas não queria perder o posto de preço mais barato, já que poucos andavam comprando ali devido ao aspecto sujo e velho do estabelecimento. Muitos tinham medo, ele sabia que precisava reformar, porém não tinha dinheiro pra isso.

Ao lado do bar víamos um depósito de gás, seu dono era meio louco, alguns até diziam que ele tinha sido assassino antes de perder todo o dinheiro e ir morar no morro, mas os poucos com quem tinha contato sabiam que ele era gente boa e de bom coração (na maioria das vezes), sabiam que ele tinha investido tudo naquele depósito e que se sustentava com o que ganhava ali que não era muito.

Luan sustentava sua família, os protegia e eram felizes, isso era o que importava a ele.

No pé do morro ficava o ponto dos mototaxistas. Martinho era o líder, chefe (se é que mototáxi tem chefe) e os organizava e também fazia as viagens. Todas as sextas a chefe da milícia vinha buscar um dinheiro que eles pagavam semanalmente, mas não entrarei em detalhes porque mototáxi nem é importante nessa história.

No meio da ladeira principal da favela ficava o Templo Ecumênico da Sagrada Adoração Onipotente, ou simplesmente T.E.S.A.O., como era conhecido. Lá, a Bispa Fernandinha Pipoqueira promovia o Sagrado Encontro da Xavante Oração (S.E.X.O.), que reunia todos os irmãos para uma forte corrente de orações.

- Aleluia meu bom Senhor ! — Fernanda entra na igreja como se fosse a rainha da cocada branca, porque de preto eu não gosto. Heil Hitler....

- Digam a aleluia! — Ordenou, folheando sua revista capricho. — Ai que delicia. — Mordeu os lábios depois de ver o tanquinho de seu macho favorito. Cloud... — Ai esse Chewbacca que ele tem no suvaco , me deixa excitada!

- Aleluia! — Todos disseram.

- Ai amiga, hoje eu matei um cachorro. — Comentou Lara para a sua amiga Dayene, que ficou boquiaberta.

- Por quê? — Perguntou de olhos arregalados. Seria sua amiga, uma assassina?

- Para comer, oras. — Deu de ombros. — As galinhas estão em extinção, não sabia?

- Não... — Ainda com os olhos arregalados, se acomodou no banco velho de madeira. — É agora, o que eu vou dar de comer para as minhas crias?

- Pão duro. — Pão duro? O do meu marido? Elas não são canibais não fiá. — Se alterou.

Então o silêncio se instalou em toda a igreja e uma música tomou o lugar. Mas não uma qualquer , era I Will Survive .

- Desculpa. — Pediu Sam quando o seu celular começou a tocar. Todos o olharam assustados.

- Que gay... — Giovana comenta.

- Celular do meu primo! — Gritou, já fora da igreja para atender o celular.

Atrás da “Casa do Senhor” um casal fazia saliências como se não houvesse amanhã

-AAAAAAI, não chupa tão forte, meu pai pode ver a marca no pescoço, imbecil!

-E você faz o favor de não gritar senão descobrem a gente aqui... Agora me chupa vai. Igual pirulito chup chups

- Com prazer – disse Isis com água na boca já.

O casal estava tão animado que nem notou que uma figura se aproximava deles. Alta e com um guarda-chuva na mão, a figura chegou de supetão já tacando o objeto na cabeça dos indivíduos promíscuos

-Que safadeza é essa bem aqui na casa do Senhor nosso Jeová Todo-Poderoso Glória a Deus e Amém? – gritava a irmã Francy enquanto continuava a bater nos dois

-Ai tia, para com isso, tá me desconcentrando – Thomas sentia um notável declínio em suas partes baixas, já longe da entrada oral de Isis, mas ainda para fora de suas calças.

-Tá dando pra ver... Põe essa minhoca dentro da cueca menino. Tá achando que isso é Sodoma e Gomorra é? Se querem fazer prevaricação que vão pro Motel Poleiro, só $19,90 a pernoite com direito a café-da-manhã incluindo um Toddynho e um Actívia.

-A senhora não tá sabendo demais sobre lá não, irmã?

-Não se meta na minha vida sua mini quenga. E aproveitando que eu passo na frente da sua casa, terei uma conversa séria com a sua mãe. A Renata vai adorar saber disso, uma filha puta. Aliás, puta não, que puta pelo menos lucra – A moça saiu rebolando os quadris por baixo de sua saia jeans de sempre.

Logo mais abaixo da igreja existia um salão, um salão de beleza que ficava entre a divisória dos morros. Doug era o dono dessa espelunca, quer dizer estabelecimento. Ele era o melhor cabeleireiro do Rio de Janeiro. Não saia do morro porque não queria, na verdade nem podia, pois o seu salão era a causa da neutralidade da guerra entre os morros que eram rivais. Ele era do Pinguim Zoado, porém pediu pra ficar na fronteira entre ambos para que atendesse aos dois, assim se tornando neutro e meio que controlando a rivalidade. Junto com ele trabalhava o Filipe (uns chamavam de Ben10 por causa do sobrenome tosco dele) e a manicure Paula. Esse salão era a origem de quase todas as fofocas especialmente porque a Thainá estava sempre lá. Ela não fazia o cabelo nem nada, só ia mesmo pra ouvir as bombas dos dois lugares e sair espalhando. Essa garota era até um caso interessante porque se não ouvisse da vida de ninguém no salão, ela mesma inventava algo da vida de alguém, que nem na vez que ela soltou que tinha visto a Mylena sair do motel acompanhada daquele cara lá, qual o nome mesmo? Ah deixa pra lá isso não é importante agora.

Logo mais um pouquinho acima, pouquinho atoa, existia um lugar onde só a Elite ficava, só as pessoas TOP, conhecida como "A Boca". Ali morava a mais perigosa e importante pessoa do morro, a Mylena, pois ninguém queria vê-la chamar a Esposa/marido(sei lá que porra é aquela), Dandara, a Mãezona do Morro. Ela era explosiva quando algo se tratava da sua menina. A garota até era conhecida como "Mulher-Chumbinho: comeu morreu”, porque a Mãezona não costumava perdoar. Micro-ondas, forno, incêndio, ouvir o CD todo da Banda Bala de Uva... era cada método de tortura que todos que passaram por aquilo ou ficaram loucos ou morreram.

Você deve estar se perguntando “Quem é essa pessoa que sabe tanto dessa favela escrota?”. Bem, eu sou conhecido como Voz da Verdade. Sou o humilde, porém gatíssimo locutor da Rádio Comunitária, cuja face você infelizmente não verá, pois trabalho apenas com a minha voz. Bom, eu serei também seu guia durante sua estadia aqui no morro. Seja bem-vindo e... boa sorte. HAHAHAHA.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.