Fatos Reais
3 Acidente
Notas iniciais
Boa Leitura ;)
Abri meus olhos bruscamente. A luz cegou parcialmente, mas eu ainda sentia o desespero daquele lugar, que me sufocava e me obrigava a levantar.
Entretanto, fios estavam presos em minhas narinas e boca, além das fortes cordas que me prendiam a uma maca. Onde diabos eu estava?
Rastreei com meus olhos o lugar e a lembrança me veio instantaneamente. Eu estava no hospital. Elisabeth e eu havíamos batido. Foi tudo tão rápido. O caminhão chegando, as luzes... Onde estava minha mulher?
Tentei chamar por uma enfermeira, mas minha voz não saia.
Aos poucos, a exaustão foi me vencendo e consegui adormecer. Porém, isso não me trouxe paz. Apenas serviu para recobrar todos os momentos da nossa batida.
***
Eu estava dentro do nosso carro, pensando no quanto seria maravilhoso nossa estadia a casa do Campo de meus pais. Elisabeth sorria, trazendo conforto a minha alma ao encarar seu lindo rosto. Ainda que sem maquilagem, ela reluzia, seus belos par de olhos cor d’ água brilhando como duas safiras, seus cabelos louros caindo-lhe pelas bochechas rosadas e descendo em finos fios pelos seus ombros, pequeninos e delicados. Ela tinha expressões fortes, boca fina e eu riso solto que preenchia o ar e fazia qualquer um ao seu lado suspirar de alegria.
Definitivamente, era a mulher mais linda que eu já vira. Além disso, sua fala culta encantava a todos e seus gestos graciosos a tornavam uma verdadeira luz de doçura.
Naquele momento, dentro do nosso carro, seguindo pela estrada deserta a noite, eu me sentia realmente completo. Tinha o emprego perfeito, a mulher perfeito, a vida perfeita. Agora, nossa alegria se tornara completa, ao conseguirmos tirar férias na mesma época, podendo assim aproveitarmos alguns dias de praia e amor.
Enquanto viajávamos, Elisabeth ia cantando e brincando com meus cabelos, me obrigando a juntar-lhe em duetos e gaguejar letras conhecidas. Quando ela se abaixou para trocar o cd, brinquei com seus cabelos, a deixando zangada.
_Preste atenção na estrada, Rupert! _rateou ela, ainda assim não rudemente para me magoar.
Sorri faceiro, olhando rapidamente entre seu rosto e a curva em que passávamos.
_É um pouco difícil, com você ao meu lado. _disse, lhe provocando.
Ela riu, colocando outra musica do Snol Patrol para tocar dessa vez.
_Então acho que vou seguir do lado de tras, o que você acha?
_Nem pense nisso garota! _mostrei-me indignado, balançando a cabeça enquanto girava o volante.
Foi quando voltei minha cabeça totalmente para a frente que eu o vi.
As luzes brilhantes taparam minha visão e Lizzie gritou ao meu lado, segurando em seu assento.
Girando fortemente o volante e apertando o freio, senti nosso carro deslizar pela pista em direção oposta ao caminhão. DE onde ele havia saído?
Eu não sabia. Só sabia que ele vinha em nossa direção, para a nossa pista, em alta velocidade, sem parar.
Ofeguei antes de sentir o impacto do carro ao chão. Ele rodopiou, uma, duas, três vezes e então caiu estatelado ao solo, as vidraças quebradas, a lataria amassada e nossas cabeças viradas. Minha cabeça estava tonta e eu podia sentir em meio a dor em meu ombro e em minha perna um cheiro forte de sangue, grama e gasolina; precisávamos sair dali antes que o carro explodisse.
Tentei me soltar do cinto de segurança, mas uma parte da porta havia se prendido a ele, não me permitindo movimento. Desloquei minha cabeça latejante até a direção de Elisabeth e me deparei com seu estado lastimante.
Lágrimas me vieram aos olhos quando vi sua blusa branca manchada com o sangue que escorria do corte grosso em sua cabeça, além dos reluzes filamentos de vidro que prensavam seus seios parcialmente expostos, deslizando pingos do liquido vermelho por todo o seu corpo. Seus olhos estavam desacordados e ela parecia respirar com dificuldade.
Onisciente, ouvi um grito ao longe, distante, entretanto não tive forças para responder ou me focar nele, apenas enxergando aquela linda mulher despedaçada a minha frente. Minhas mãos tentaram segurar seu rosto, mas uma dor latente me dominou e eu percebi a inconciencia chegando, enquanto novos gritos vinham em nossa direção e eu tentava bulbucionar o seu nome.
Depois, não vi mais nada.
***
Despertei de minhas lembranças assustado, novamente aquela sensação de pavor me sufocando.
_Elisabeth! _consegui gritar, mas não obtive resposta.
Foi quando a verdade completa me dominou, tão obvia que fez meu coração gelar: Elisabeth estava morta.
Ela não deveria ter sobrevivido, eu sabia. Mas, ainda assim, algo me impedia de aceitar tal certeza, algo superior ao meu medo e a minha dor. Eu simplesmente não podia perde-la.
O quê seria da minha vida sem ela?
Eu não sabia. A única coisa que eu sabia era que se Elisabeth estivesse morta, eu morreria também.
Então, com um longo e sofrido suspiro, apaguei.
Notas finais
Lice Carlie
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