Father and Son

1 Capítulo Único


Notas iniciais
bem vindos ao meu clube "vamos fingir que yondu não morreu no segundo filme"
bjs

— Às vezes tudo o que procuramos está bem na sua frente. — Peter disse, limitando suas lágrimas pela vigésima vez.

Gamora mordeu o lábio e olhou para a porta onde Nebula tinha acabado de sair. Estava resistindo com todas as suas forças correr até ela, mas o funeral não era sobre ela, era sobre Peter e Yondu.

Drax colocou sua mão no ombro do Saqueador em uma forma de despedida. Gamora, Groot e Rocket fizeram o mesmo. Peter fechou os olhos e respirou fundo antes de ajeitar o casaco do capitão, como se fosse um quieto e ajustado adeus. Mantis notou Quill apertar a mão de Yondu e tocou sua testa em despedida também.

Suas antenas arrepiaram, brilhantes, e seus olhos arregalaram.

— Ele está vivo! — Mantis gritou e engasgou com a própria saliva. Todos olharam para ela.

— O quê?!

— Como é que é?!

— Yondu…?

Mantis assentiu e isso era tudo o que eles precisavam saber.

— Drax, leve Yondu para a enfermaria agora!

— Vou avisar os Saqueadores!

— Onde diabos está Kraglin?!

As primeiras noites foram as mais estranhas da vida de Peter — bem, com exceção daquela vez que ele foi abduzido por piratas espaciais —. Todos estavam inquietos, inclusive Nebula, que por algum motivo que só as estrelas sabiam escolheu ficar depois da confusão. Gamora a fitava com um olhar que Peter não conseguia identificar.

Houve uma bagunça na hora dos capitães dos Saqueadores captarem a mensagem de que não haveria um funeral naquela noite. Peter não se atreveu a sair do lado de Yondu, que estava deitado na cama não tão confortável da enfermaria — o que foi compensado com os cobertores mais aconchegantes que Quill tinha —, e não pôde conter a expressão desapontada toda vez que Mantis aparecia e, ao tocar na testa de Yondu, balançava a cabeça em negação. Nada tinha mudado. Ainda.

— Groot, o quê você tá fazendo? — Peter perguntou confuso, uma vez que chegou no quarto da enfermaria e avistou Groot criando flores brancas e as colocando envolta de Yondu.

Peter resistiu à vontade de correr e tirar todas as flores da cama por causa de algum sentimento de possessão que estava começando a aflorar. Nos últimos dias, Quill não estava se sentindo o mesmo, todas suas emoções cruas e à flor da pele. Depois que respirou por alguns segundos, percebeu que até que a cena era fofa. Groot posicionando delicadamente cada flor com extrema precisão e Yondu com os olhos fechados e cercado de pequenas margaridas e orquídeas, como Branca de Neve em seu caixão.

— Não sabia que Groot já podia criar flores, — Rocket falou de trás de Peter, que quase deu um pulo de susto.

— Eu sou Groot. — Groot sorriu.

— Ele disse que elas são pra ajudar na recuperação do Yondu, — Rocket cruzou os braços e sorriu. — Eu aprovo. Ele parece estúpido assim.

Groot gritou e correu até Peter, ofendido. Quill o pegou em seus braços e tentou confortá-lo. Ele viu o olhar arrependido de Rocket e suas orelhas abaixadas e rolou os olhos. Quanto drama.

Mais alguns dias se passaram. Alguns capitães dos Saqueadores passaram para uma visita. Uma mulher com um rosto não muito simpático e um cabelo preto embaraçado deu um tapa no rosto de Yondu e sussurrou furiosamente algumas palavras desconhecidas. Rocket riu por entre os dentes e Peter decidiu não perguntar. Só Deus — e talvez Mantis — sabia o quanto ele queria dar um tapa em Yondu pelo que ele tinha feito. Ou 5 ou até 10 tapas. Quem sabe talvez quando ele acordasse…

Um sujeito de cara séria com uma roupa um tanto exótica também apareceu e franziu o cenho ao ver Yondu e seu monte de flores brancas e agora rosas ao seu redor. Ele deu um sorriso de lado e saiu sem dizer nada. Peter esperava ansiosamente para Yondu acordar. Sua masculinidade estava seriamente em risco.

Peter, agora atormentado por pesadelos, não conseguia dormir senão na cadeira da enfermaria ou até mesmo no chão dela. Os Guardiões reclamaram, mas ele insistiu. Segurou a mão de Yondu e o fitou com olhos gentis.

— Idiota. — disse com afeição na voz.

Yondu abriu os olhos.

Peter quase pulou e retirou sua mão como se tivesse sido queimado.

— Achou que poderia me xingar enquanto eu estivesse dormindo, pirralho? — Yondu disse com uma voz mais rouca que o normal. Peter só conseguiu encará-lo boquiaberto enquanto Yondu começou a sentar, causando algumas flores a cair, e ele levantou uma sobrancelha. — Quê isso?

— Foi Groot. — Foi a única coisa que saiu da boca de Quill, e ainda saiu como um sussurro. Antes que Yondu respondesse, Peter levantou e puxou o casaco de Yondu para envolvê-lo em um abraço.

— Quill—

— Cala a boca, seu velho testículo de smuf. — Peter interrompeu. — Só aproveite o abraço enquanto eu ainda não estou te dando uma surra.

— Hah, é assim que você me agradece? — Yondu rolou os olhos, mas retribuiu o abraço, o que era um tanto estranho. Saqueadores não foram feitos para abraços. Assassinatos e furtos, sim. Mas não abraços.

Yondu balançou os cabelos de Peter, exatamente quando ele era criança, e Quill sentiu vontade de chorar de novo. Isso é, até que a porta se abriu e os dois saíram de suas posições na velocidade da luz. Peter quase caiu ao sentar na cadeira e Yondu evitou olhar em sua direção.

— Olá, — Mantis disse. Yondu e Peter agiram como se nada tivesse acontecido. — Senti uma atmosfera positiva de repente e assumi que Yondu tinha acordado, — Ela sorriu e mostrou uma tigela em suas mãos. — Eu fiz sopa.

Peter avistou a tigela e arregalou os olhos. As habilidades culinárias de Mantis eram as piores da galáxia. Ela não tinha muitas habilidades além de seus poderes telepáticos e Mantis queria ser mais útil para todos. O que a fez decidir entrar no ramo da culinária Peter não sabia.

— Obrigado, Mantis. — Peter pegou a tigela e deu um sorriso amarelo. Ele encarou a sopa com sobrancelhas franzidas quando Mantis saiu. Yondu o fitou com confusão nos olhos.

— Quê foi?

Peter virou para Yondu e colocou a sopa em seu colo.

— Come aí. Tá uma delícia. — Ele deixou escapar um sorriso malicioso e Yondu estreitou os olhos. — O quê? Você não pode reclamar, cara. Foi ela quem te salvou. Se não fosse por ela, você teria morrido no seu próprio funeral.

Yondu, com hesitação, pegou a colher e começou a tomar a sopa com uma expressão de desgosto.

— Ah, e os Saqueadores decidiram aceitá-lo de volta.

Yondu engasgou.

Peter cruzou os braços com uma expressão satisfeita no rosto. Logo depois ouviu leves passos andando até eles.

— Eu contei a notícia para os outros, — Mantis anunciou animadamente ao entrar pela porta. — Todos estão tão felizes, às vezes sinto que minha pele está vibrando com toda felicidade.

Yondu parou e a olhou como se ela fosse a mulher mais doida da galáxia. Em seguida virou-se para Peter, esperando uma explicação.

— Ah, você provavelmente não teve tempo de conhecer a Mantis muito bem, — Peter sorriu. — Ego usava ela pelos seus poderes empáticos.

Yondu simplesmente levantou uma sobrancelha.

— Eu posso demonstrar, se quiser. — Mantis colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Fazia isso quando estava nervosa ou insegura, Peter notou. Mantis queria muito ser aceita por todos os Guardiões, inclusive até Yondu e Nebula.

Peter estendeu sua mão para que Mantis pudesse tocá-la. Ele assentiu ao ver o olhar incerto dela e depois sentiu como se seu corpo inteiro estivesse todo arrepiado com o toque de Mantis. Suas antenas brilharam e sua expressão relaxou.

— Eu sinto... amor. Um amor único, de filho para com o seu pai, — Ela disse. Peter engoliu em seco e Yondu arregalou os olhos quando ela apontou para ele. — Por você.

Peter ficou corado e envergonhado com a situação, mas não teve coragem de tirar a mão do toque de Mantis ao ver a expressão de alegria de Yondu. Ele estava só com um sorriso de lado, mas Quill podia ver em seus olhos vermelhos.

— Um amor tão grande... tão bonito, — Mantis continuou e Peter começou a ficar desconfortável. A cada adjetivo que Mantis soltava, Yondu sorria mais e mais. — Nunca vi nada igual.

Ela soltou a mão de Peter com um leve suspiro e alegria nos olhos. Ela então fitou Yondu e este de repente tirou o sorriso do rosto.

— Agora você. — Ela disse e se aproximou.

Nem pensar. — Yondu disse e começou a sair da cama, derramando sopa nos lençóis.

As gargalhadas de Peter ecoaram pelo quarto.

Notas finais
gente não aguentei os feels e fiz essa fic
comentarios são sempre muito bem apreciados e respondidos com amor ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!