Father

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Father

Por Pikenna

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Ele era minha razão de viver, meu companheiro, meu amigo, o único homem que eu confiava. Ele sempre foi gentil comigo, sempre me deu carinho, amor, tudo o que eu precisava. Foi ele quem cuidou de mim quando ela me abandonou na rua, naquela noite gélida. Então, por quê?

Por que eu fui fraca? Eu só precisava dizer apenas quatro pequenas palavras para aquele grande homem. Contudo... Eu permaneci calada, deixando meu orgulho sobrepujar o que eu acreditava ser o certo. A minha grande vontade de gritar aos sete vetos o que eu sentia por ele foi sufocada, reprimida por um orgulho idiota. Agora... Jamais terei outra oportunidade...

Dor! Nunca imaginei que fosse doer tanto. Sufoca-me e eu me desespero. Cada lágrima que encontrava a madeira dura do caixão é de um sentimento distinto. Perder alguém querido, amado é como arrancar uma parte de você.

Só agora, com a perda, eu pude perceber o quanto eu amo esse homem. Alguém insignificante para muita gente, mas, para mim, possuí uma importância sem tamanho. Sentirei tanta saudade de seu sorriso cativante, de seu abraço protetor nos dias tempestuosos, de seus conselhos.

Por favor, me desculpe! Eu implorava... Por que não fiz isso antes? Claro! Porque eu fui embora, deixando-o para trás, à sorte do destino. Sai da cidade, brigada com ele e nunca mais voltei ou, o procurei novamente... E, depois de anos é a primeira vez e a última que o verei...

Sofrimento, arrependimento, dor, melancolia, sentimentos e emoções que se mesclam, embargando-me. Eu desabei em cima do caixão e permiti chorar até que as lágrimas esgotassem. Nunca mais o verei novamente, nunca mais poderei ver o sorriso dele, nunca mais... Simplesmente porque ele se foi desse mundo. A culpa é só minha. Tantas oportunidades para vê-lo, porém, optei por esquecê-lo. Tudo, por causa de uma briga sem sentido, ridícula, onde lancei em cima dele palavras torpes, que devem tê-lo machucado muito por dentro.

Uma doença pode detonar vidas, como a minha. O câncer o pegou, tirando a pessoa mais especial para mim. Eu não pude salva-lo e nem ajuda-lo. Não estive ao seu lado quando mais necessitou. Contudo, esse homem maravilhoso sempre esteve ao meu lado, pronto para me proteger. Por mim, ele brigou com traficantes, com ladrões, lutou por mim na justiça contra minha criadora, apenas para poder me criar. Ele enfrentou o mundo por mim e eu não o retribui em nada. Estou em dívida eterna com ele.

Se eu estudei, se eu me formei em advocacia, se hoje eu sou alguém importante, se eu sou capaz de me sustentar, é porque ele me proporcionou isso. Devo minha vida a ele. Mas, o que eu fiz quando esse homem precisou de mim? Simplesmente nada...

Almejava dizer-lhe tanta coisa. Agradecer pelo o que ele fez por mim durante sua vida. Pedir desculpas por minha estupidez e falar... Falar que... Não consigo concluir minha frase... Sou muito fraca, tola. Infelizmente, quando a morte decide levar um ente querido, não há nada que possamos fazer e isso é o que mais dói.

Eu presenciava o enterro dele, belas palavras sendo ditas por seus filhos legítimos, enquanto eu, apenas chorava. A terra já estava sendo jogada em cima do caixão e minha dor só aumentava. É incrível como só damos valor a quem amamos quando ele se vai, quando ele nos deixa. Em vida, pisamos, brigamos, ignoramos, enfrentamos... Mas em morte, choramos, lamentamos, nos arrependemos, gritamos, sentimos dor. Um vazio se instalava em mim e eu vi... Vi minha essência esvair com o vento...

Todos se retiravam. O caixão já havia sido coberto por inteiro com terra e várias flores enfeitavam a sepultura. Chorei até que todas as lágrimas secassem. Nada mais importava, afinal, ele estava morto e eu tinha que aceitar isso. Apenas quatro palavras... Quatros pequenas palavras... Inspirei todo o ar que consegui e o soltei novamente.

Eu me encontrava sozinha o cemitério, não havia mais uma alma viva ali comigo. Apenas eu e os mortos. Medo? Eu nunca tive medo dos mortos, eles são inofensivos. Só desejava não vê-los. Deixei os devaneios de lado e joguei uma rosa branca em cima de se túmulo, onde o homem que eu mais amei na vida jazia. Engolindo o resto de orgulho que ainda sobrara em meu coração, gritei para os sete ventos as quatro palavras que eu nunca fui capaz de pronunciá-las pessoalmente para ele... E que eu sempre desejei dizer-lhe...

Eu te amo, pai!

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