Father
6 Capítulo 6
E foi no começo de novembro, sob a ameaça do cair da neve, que tudo desandou de vez. Também era um dia demasiadamente frio, e o vento parecia cortar sua face com violência, fustigando-lhe a pele delicada. Naquela manhã, ela precisou vestir seu mais denso casaco, na tênue esperança de conseguir se aquecer de alguma forma. Os lábios estavam rachados e secos, ardiam à menor sugestão de um pequeno sorriso. Quando chegou ao colégio militar, pôde finalmente perceber que as coisas eram capazes de piorar ainda mais.
Nos portões, a multidão o rodeava como um bando de corvos, e sorrisos sarcásticos pareciam vir de todos os lugares. Irônicos, estranhamente perversos. Como as flores de plástico, eles eram incapazes de morrer. Ela apenas viu os olhos vermelhos, o vergão abaixo do olho esquerdo. Ele brigara, e isso estava nitidamente marcado a ferro e a fogo em sua pele, em se corpo. Com uma curiosidade que não deveria lhe pertencer, ela tentou se aproximar e ajudá-lo de alguma forma.
Foi enxotada como um cão pulguento na porta de um bar, e lágrimas rolavam pela face de feições delicadas, torcidas numa careta incompreensível e dolorosa. Tentava entender o que acontecera, o que se passava ali, mas nada lhe foi dito. Mais uma vez, ela estava apenas perdida novamente.
Perdida na escuridão; sem um ombro amigo, sem ter um lugar para onde ir, para onde fugir. Seu único e latente desejo era se esconder. Se esconder e chorar por tudo o que acontecera, por tudo o que acreditava ter lhe pertencido e jamais de fato o fora.
A única chama que alimentava sua esperança aniquilou-se com um sopro, tal como um castelo de cartas quando a brisa chegava.
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