Father
7 Capítulo 7
O mês chegava ao fim, sem a promessa de um futuro melhor para aqueles ainda feridos pelos incidentes de outrora. Era um belo fim de tarde, com o céu tomado por delicados tons de laranja, repleto de fofas e brancas nuvens que davam mais suavidade à paisagem. E, mais uma vez, ela estava sentada sobre a beira da calçada, observando os movimentos de seus colegas. Porém, naquele momento, havia algum desinteresse em seu olhar. Por quê? Colegas. Seria essa uma palavra fria o bastante para defini-los? Não, minha pequena. Eles eram apenas desconhecidos; rostos vazios, sem alma ou motivação. Ninguém ali significava grande coisa, ou, ao menos, era o que parecia.
Entre a multidão, ela não podia evitar procurar os olhos de mogno, pois se via incapaz de conter o insano desejo de fitá-los ao menos mais uma única vez. Porém, ele havia partido, e para nunca mais voltar. Havia boatos, é claro, mas fazia questão de ignorá-los piamente, em prol da amizade que um dia compartilharam; era algo relacionado a drogas, ou bebidas. Ela não acreditava naquilo, pois a fé que depositava nele era grande demais para que sequer cogitasse a hipótese de algo ser verdadeiro.
Mas os dias se passaram, e o ano terminou sem que ele desse quaisquer sinais de vida. Na noite em que finalmente compreendeu o significado da palavra abandono, ela sentiu algo ainda mais forte que o pânico; dominando seu peito, fazendo seu coração apertar no peito.
Era algo pior do que as dores sentidas após todas as surras. Pior do que aquilo que sentiu quando ele a ignorou perante todos os rostos desconhecidos dos alunos daquele colégio. Algo infinitamente mais doloroso, deixando cicatrizes piores do que as existentes em seu corpo.
Solidão.
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