Fated to Love You
11 Só pra eu ficar do teu lado
Notas iniciais
E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo
Preciso Dizer Que Eu Te Amo — Cazuza
Niko observou a secretaria enquanto ela falava com Félix, ela abaixou o telefone e o olhou.
– Pode entrar Dr. Félix o espera. — Niko agradeceu e respirou fundo tentando controlar suas emoções.
Os olhos dele foram de encontro aos seus, assim que entrou na sala, Niko desviou o olhar, passeando pela sala ate chegar ao lugar onde Félix tinha deitado em seu colo.
– Precisamos conversar... — começou, sua voz saindo estranhamente frágil — Precisamos conversar... sobre o que aconteceu — recomeçou com mais firmeza.
Félix indicou a cadeira em frente a sua mesa. Niko agradeceu, suas pernas começavam a vacilar sobre o olhar dele.
– Niko eu sei que você esta confuso com tudo que esta acontecendo entre nos dois — ele disse suavemente.
– Não esta acontecendo nada entre nós — disse desafiador — Eu contei a Eron o que aconteceu — Félix o olhou com calma, como se não se importasse com o que Eron sabia o deixava de saber — Mas não contei que foi você quem me beijou — ele continuava impassível.
– E você correspondeu — Niko tentou captar ironia ou cinismo nas palavras dele, mas ele apenas afirmava um fato.
– Eu pensei muito antes de vir aqui — disse mudando de assunto, estar ali já era difícil, e pensar ou falar sobre o beijo, apenas faria tudo fica mais complicado — mas eu precisava deixar tudo claro com você... eu amo o Eron — o olhar dele tremeu — eu amo a família que eu construir com ele... eu nunca destruiria isso por uma atração... por favor...- implorou — por favor não se aproxime mais de mim... você entender o quanto essa situação é difícil para mim... Eron trabalha para você... por favor não vá mais ao restaurante e se nos cruzarmos na rua...
– Devo fingir que não te conheço?
Niko suspirou manter suas emoções sobre controle era muito exaustivo.
– Você tem alguém... aquele rapaz que foi com você ao restaurante...
– Eu não o amo — ele disse com firmeza
Niko soltou a respiração que estava prendendo sem perceber, suprimiu a vontade de pergunta quem ele amava, sabia que era estupidez.
– Tenho certeza que você pode aprender a ama-lo — suas palavras machucaram mais do que imaginava.
– Você acreditar nisso? — ele perguntou sua voz estranhamente distante.
Niko fechou suas mãos em punhos e se forçou a não desviar o olhar.
– Sim — mentiu, sabendo que não havia outra resposta para a pergunta dele.
Félix o olhou fixamente, Niko sentia-se na beira de um penhasco um passo em falso cairia em um abismo sem fim.
– Você tenha razão... eu posso aprender a ama-lo — ele disse sua voz dura e fria.
Ficaram em silencio pelo que pareceu uma eternidade e Niko percebeu que já não havia mais nada a ser dito. Com um impulso se colocou de pé, agradecendo que suas pernas não cederam, agora precisava que elas se movessem.
– Adeus Félix — disse baixinho, ele não parecia disposto a responde a sua despedida, por isso virou-se, mas antes que chegasse à porta, a voz dele o alcançou.
– Adeus Niko.
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Félix não conseguia desviar o olhar da porta, sentindo-se vazio. O que esperava? Que ele largasse o companheiro dele e corresse para os seus braços? Félix riu ao perceber que era isso que esperava, era insanidade, mas se deixou acreditar que ele e Niko teriam uma chance.
Recostou-se em sua cadeira deixando que a pressão em seu peito que aumentava de modo constante se espalhasse por todo seu corpo. Félix se perguntou como podia doer tanto perde algo que nunca foi dele. Perguntou-se, se tivesse cruzado com ele antes dos sonhos começarem, teria se apaixonado por ele? Sim! A certeza o acertou com força, o fazendo perder o folego, de alguma forma sabia que esse sentimento sempre esteve com ele, como uma pequena semente, esperando o momento certo para brotar e criar raízes.
– Dr. Félix — Simone entrou e parou incerta, sem olha-la Félix indicou com um gesto que ela continuasse — Reservei uma mesa no restaurante que o senhor pediu, Dra. Paloma confirmou o almoço, mas disse que chegara um pouco tarde. Dr. Renan entrou em contato novamente... o senhor esta bem?
Félix olhou a secretaria, mas não a conseguia vê-la realmente, seus pensamentos estavam descoordenados, seus sentidos pareciam falhar. Respirou fundo tentando se concentrar na mulher a sua frente
– Obrigado Simone... — sua cabeça começava a latejar pelo esforço em se focar na secretaria — Por favor, eu não quero ser incomodado por ninguém.
Respirou fundo tentando juntar os cacos do seu coração. Por que ainda havia muito a ser feito.
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Niko caminhava sem rumo, parou ao perceber que pela segunda vez, seguia o caminho errado. A dor aguada em seu peito o impedia de raciocinar devidamente. Retornou de onde tinha vindo, tentando novamente encontrar a saída.
Niko continuou seu trajeto tentando encontrar a saída do hospital, tentando encontrar a saída da nevoa que o cobria, acreditou que a parte mais difícil havia sido falar com ele, mas ao sair da sala dele, sentia como se estivesse abandonando algo precioso e importante. Queria se encolher e chorar, mas não podia, não podia chorar por um homem que conhecia há alguns dias e que tinha revirado seus sentimentos e suas certezas. Nunca duvidou do que ele e Eron haviam construído, mas agora parecia tão frágil e instável.
– Niko? — olhou em direção a voz, desamparado — Tudo bem? — Paloma perguntou se aproximando e segurando seu braço — Você esta pálido — Niko se deixou guiar quando ela o puxou.
Tentou respirar fundo quando saíram do hospital, mas o ar parecia pesado e rarefeito. Paloma continuou a guia-lo, ate chegarem a um banco afastado.
– Obrigado — murmurou, as palavras custavam a sair de sua boca.
– O que aconteceu? — ela perguntou preocupada.
As lágrimas contra qual havia lutado desde que tinha entrado no escritório de Félix, escorreram por seu rosto. Paloma apertou sua mão com força.
– Eu estou com tanto medo... — ele disse sem olha-la.
– Niko... você recebeu alguma noticia ruim?
Niko olhou sobre seu ombro o grande hospital se erguia atrás dele, voltou sua atenção a Paloma que o olhava assustada, tentou força um sorriso, mas não conseguiu.
– Eu estou bem... eu acho... eu não tenho muitas certezas no momento...
Paloma suspirou e disse delicadamente.
– Fala... eu estou te ouvido.
Foi o suficiente para todas as defesas de Niko desmoronarem. Uma torrente de lágrimas jorraram dos seus olhos, os soluços que escapavam por sua garganta faziam seu corpo tremer. Paloma esperou até que ele se acalmasse o suficiente para inicia uma conversar.
Niko respirou fundo, precisava desabafar com a alguém ou enlouqueceria.
– Eu sempre desejei ter uma família... sempre. Quando Eron entrou na minha vida... eu vi meu sonho mais perto de se torna realidade... não que eu tenha ficado com ele para ter uma família... — se justificou — eu me apaixonei por ele...- Niko fechou os olhos — tudo estava no seu devido lugar... então ele... — Paloma pressionou sua mão lhe oferecendo apoio — eu não consigo para de pensar nele... — disse abrindo os olhos — de procura-lo em cada cliente que entra no restaurante... eu tentei dizer a mim mesmo que era apenas uma atração... mas já não posso mais me enganar... — Niko suspirou tremulamente — me apaixonei por ele... eu não sei como isso aconteceu... como foi que ele entrou dentro de mim... quando percebi ele já estava... eu não consigo arranca-lo...
– Niko — Paloma começou tentando escolher a melhor forma de aconselha-lo — Se você não ama mais o Eron...
– Não Paloma! — ele disse levantando-se — Eu não jogaria fora anos ao lado do Eron... por uma paixão que pode acabar amanhã...
– E se não acabar amanhã... ou depois de amanhã... e se essa paixão nunca acabar?
Niko a olhou uma mistura de desespero e pânico.
– Eu só preciso de tempo... E daqui a alguns anos eu vou me lembrar disso como um momento de insensatez, onde eu acreditei que estava apaixonado por essa pessoa... e eu vou rir de mim mesmo, enquanto tentarei me lembrar qual era o nome dele.
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Félix sentia-se zonzo e enjoado, passou a manhã inteira jogado no sofá olhando o teto, tentando controlar seus pensamentos para que não se dispersassem. Tentando não pensar em Niko.
– Dr Félix — Félix suspirou sem tirar os olhos do teto.
– O que foi Simone? — perguntou com a voz pesada.
– O almoço que eu agendei... o senhor chegará atrasado.
Félix respirou fundo e sentou-se. Não podia se deixa abater, havia tanto a ser feito.
– Obrigado Simone — disse tentando dar mais vigor a sua voz.
– Dr. Renan voltou a ligar... deseja falar com o senhor com urgência.
Félix apertou sua têmpora.
– Depois do almoço irei me encontrar com a Dr. Silvia... ligue para o Dr. Renan e o avise para me esperar que eu irei ao consultório dele.
Simone fez sim com a cabeça e se retirou.
Félix passou as mãos pelo cabelo os bagunçando, e ao perceber o que tinha feito tentou ajeita-los. Assim como sua vida, agora seus cabelos estavam uma bagunça. Precisava seguir em frente, sem Niko. Após pensar muito, decidiu fazer o que Niko queria, não o procuraria, e faria o possível para não encontra-lo.
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Félix agradeceu pelo restaurante não estar lotado. Sentou-se esperando Bruno que ainda não tinha chegado. A mesa que Simone tinha reservado era discreta como tinha pedido. Ainda sentia-se enjoado, e não estava com fome, por isso afastou o cardápio da sua vista.
– Félix! — Bruno se aproximou sorrindo para ele.
– Oi Bruno...
– Desculpe pela demora — ele disse enquanto se sentava
– Você não demorou... se importa se não pedirmos agora... estou esperando alguém... mas ela chegara um pouco atrasada.
– Ela?
– Minha irmã... espero que você não se incomode... eu pedi que ela se juntasse a nós..
– Não... não há problema.
– Então você já tomou uma decisão sobre a minha proposta? — Félix perguntou.
– Eu pensei muito... mas foi Paulinha que me ajudou a tomar a decisão — Félix ajeitou sua postura — Ela gosta muito de você. — Bruno riu — Eu aceito!
Félix não soube o que sentiu com a resposta dele, era como se tivesse entrado em um túnel de mão única, e não tivesse mais como voltar.
– Ótimo. Podemos agendar uma reunião segunda feira. Para discutirmos tudo, e deixarmos tudo muito claro... antes de assinarmos um contrato... vamos precisar de um advogado também.
– Concordo.
Félix sorriu, pressentia que ele e Bruno se dariam muito bem. Estava pronto a colocar mais alguns pontos, quando viu Paloma entrar no restaurante.
– Chegou quem estávamos esperando — Bruno seguiu seu olhar e viu Paloma.
– Espero não ter demorado? — ela disse olhando Félix e depois Bruno.
– Não demorou... Bruno minha irmã Paloma... Paloma esse é meu sócio Bruno.
Quando viu o olhar que eles trocaram, uma sensação de que estava fazendo o certo, ajudou Félix a se animar. O almoço correu melhor do que imaginava, Félix sentia a tensão crescer entre Bruno e Paloma.
– Me desculpem... mas preciso ir, tenho um compromisso e não posso me ausentar... aproveitem a sobremesa por mim. — disse sorrindo para os dois.
Antes de sair restaurante lançou um ultimo olhar para o dois. Bruno e Paloma sorriam um paro o outro, é não precisaria de muito esforço para os dois ficarem juntos.
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– Boa tarde... Tenho um horário com a Dr. Silvia... Félix Khoury.
– Dr. Silvia já o espera... me acompanhe por favor...
Félix seguiu a secretaria ate a sala, Silvia olhava uns documentos, mais levantou a vista assim que o viu na porta.
– Dr. Félix — ela cumprimentou se levantando e estendendo sua mão.
Félix apertou a mão estendida com um meio sorriso, a mulher a sua frente era idêntica a do seu sonho, talvez um pouco mais dura, menos feliz, pensou.
– Obrigado por conseguir um horário em sua agenda...
– Não se preocupe. Em que posso ajudar?
– Preciso de uma advogada que cuide do meu divorcio — Silvia fez menção de falar, mas Félix não permitiu — E a outra situação... um garoto de doze anos... Jaime, ele não tem família... ele esta na casa do meu filho... mas sei que se as autoridades descobrirem vão leva-lo para um abrigo... eu não posso permitir isso.
– Esse garoto... você pretende adota-lo?
Félix se surpreendeu com a pergunta, o que era tolice, mas não tinha pensado a fundo sobre o que faria com Jaime, sua única certeza era que não queria que o garoto fosse para um abrigo... o queria por perto, mas dai a adota-lo, a ideia não tinha passado por sua cabeça.
Mas que outra opção tinha? Encarando a Dr. Silvia respondeu.
– Sim... eu quero adota-lo!
– Seu caso é complicado Dr. Félix... manter o garoto com você não será fácil... você está se divorciando...
– A procurei por que ouvir maravilhas a seu respeito... da advogada competente que era. Confio em você Dr. Silvia... tenho certeza que você conseguira manter o Jaiminho comigo... e também que a minha mulher não me depene ate o ultimo centavo.
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A noite já tinha caído quando Félix retornou ao hospital, foi direto ao consultório do Dr. Renan, a sala de espera estava vazia, mas sabia que Renan o esperava pela musica clássica que se ouvia da sala do medico. Sem se anuncia Félix empurrou a porta e entrou.
– Olá Dr. Renan
Tranquilamente Renan pegou o controle, Félix fez um sinal para que ele não desligasse, Renan acenou com a cabeça e apenas abaixou o volume.
– Como se sente Dr. Félix?
– Que tipo de pergunta é essa?
– Uma pergunta valida depois da nossa ultima conversar!
Félix estreitou os olhos e sentou-se no sofá que sempre se sentava em seus encontros com o Dr. Renan
– Cansado — respondeu sinceramente.
Renan o olhou atentamente.
– Quero que faça alguns exames Dr. Félix — ele disse serio.
– Que tipo de exames? — perguntou como se pergunta as horas a um estranho na rua.
– Exames clínicos... quero que faça uma tomografia, e mais alguns outros exames específicos.
Félix suspirou.
– Não tenho tempo de fazer exames... e mesmo se estivesse disposto... não quero que teorias absurdas sejam criadas... assim que eu marcasse esse exame... não levaria um minuto para que todos soubessem.
– Você pode fazer em outro hospital — Renan insistiu — Tenho um amigo que pode fazer seus exames discretamente ninguém saberá no San Magno, apenas nos dois.
– O que está passando por sua cabeça Dr. Renan?
– Você esta tendo sonhos estranhos... na nossa ultima seção você sangrou... eu quero ter certeza que você esta bem Dr. Félix.
Félix encarou o medico, não estava com medo, talvez antes teria ficado assustado, mas tinha essa sensação de que estava tudo bem, que não precisava se preocupar.
– Eu não estou mais sonhando.
Renan franziu a testa.
– Como assim?
– Não estou mais sonhando — repetiu — desde a ultima vez que estive no seu consultório não tive mais nenhum sonho.
– O que acha que isso significa... posso ver que você tem uma teoria.
– A primeira vez que falei a você sobre os sonhos... você me disse que acreditava que sonhos eram pedaços do nosso destino...- Renan concordou com a cabeça — E se era isso mesmo, e se esses sonhos foram enviados para mim para que eu pudesse colocar tudo no seu devido lugar, no lugar onde deveriam estar.
– Nunca imaginei que você fosse uma pessoa crente...
– Eu não sou... mas preciso acreditar em alguma coisa ou vou enlouquecer.
– Entendo... e como você está encaixando as peças nos seus lugares corretos... os sonhos não são mais necessários!
Félix sorriu para o medico.
– Touché!
Renan pareceu pensar sobre suas próximas palavras.
– E se tudo estiver do jeito que deveria estar... e se você estiver cometendo um erro ao interferir?
– Eu sei que estou certo! — disse com confiança, não podia retroceder agora, não quando começava a sentir-se livre, era como se seu sangue estivesse congelado em suas veias, e desde que os sonhos começaram, sentia seu sangue fluir cada vez mais quente.
– Eu quero que você faça os exames Dr. Félix — Renan voltou ao assunto dos exames.
– Esta bem! — concordou, Renan o olhou cético, mas sabia que o medico não o deixaria em paz enquanto não fizesse os exames, e poderia até procurar Paloma para contar o que estava acontecendo — Marque os exames que quiser.
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Seis dias depois.
Félix se olhou no espelho e suspirou, não sabia se estava fazendo o certo, Niko tinha deixado claro que não o queria por perto, mas sentia tanto a falta dele. Queria apenas olha-lo, e ele estaria tão ocupado com seus convidados que não perceberia Félix. Ouviu a campainha tocando e soube que era Bruno e Paloma. Pegou o presente que estava sobre a cama e se dirigiu a sala.
Paloma estava abraçando Jaime, ele sorria para ela.
– Olha o que eu trouxe para o meu sobrinho mais lindo — ela disse dando um beijo estalado em Jaime.
– Hey, eu ouvir isso! Vou ficar com ciúme! — Jonathan saiu da cozinha sorrindo para Paloma.
– Oh... Você também é meu sobrinho lindo! Eu tenho os dois sobrinhos mais lindos desse mundo — ela disse beijando Jonathan
– E nós temos a tia mais linda né Jaime? — Jaime fez sim com a cabeça tímido, ele ainda estava se adaptando a essa nova família.
Cindo dias antes.
– Tem certeza que eu não vou incomodar Jonathan?
– Pai já discutirmos isso... eu conversei com o Jaime, você fica com o quarto de hospedes e eu e o Jaime vamos dividir o meu quarto.
Félix sorriu para o filho. Jaime estava vendo tv. Ele ainda usava as roupas do Jonathan, Félix precisava resolver isso.
– Então vou trazer minhas coisas essa noite... vou ligar para a Paloma, para trazer o resto das minhas coisas que estão na casa da mamy, para cá... mas Jonathan... eu não vou incomodar por muito tempo, assim que resolver tudo eu vou comprar um apartamento para mim... e eu não vou mais incomodar você...
– Pai — Jonathan o repreendeu — E o Jaime? — ele perguntou serio abaixando a voz para que Jaime não o escutasse.
– Precisamos conversar — Félix disse olhando Jaime que estava entretido assistindo a um filme. Acompanhou Jonathan até a cozinha, o filho lhe serviu uma xicara de café.
– Então quais são seus planos? — Jonathan perguntou curioso.
– Ontem estive com uma advogada — o filho assentiu — Para tratar do divorcio...- Félix buscou os olhos do filho — E para entrar com o processo de adoção do Jaime.
Félix esperou a reação do filho, Jonathan desviou o olhar para a xicara de café que segurava. Sua expressão indecifrável.
– Fico feliz pelo Jaime...você adotando-o ele terá uma chance — ele disse sua voz vazia de qualquer sentimento.
– Eu quero uma chance com você também... — Félix precisava dizer a ele — Por que eu te amo Jonathan — as palavras saíram tremidas, Félix sentia as lágrimas queimando seus olhos.
Jonathan voltou a encontrar seus olhos. O filho sorriu.
– Eu também te amo Pai! — ele disse segurando sua mão sobre a mesa.
O som de pés se detendo de repente, fizeram Félix e Jonathan olharem para a porta da cozinha onde Jaime olhava os dois envergonhado.
– Desculpa — ele sussurrou.
– Vem aqui Jaime... precisamos conversar! — Jaime sentou-se hesitante ao lado de Jonathan.
Jaime olhou os dois, assustado. Félix podia ver que ele se preparava para noticias ruins.
– Jonathan quer ter a honrar de contar ao Jaime a novidade — Félix olhou o filho, que sorriu e passou a mão sobre a cabeça de Jaime.
– O que acha de ser meu irmão?
Depois de explicarem a Jaime o que aconteceria, foram ao shopping, compraram roupas, tênis, cuecas, e tudo que Jaime precisava para começar essa nova vida. Félix estava se divertindo, até Jonathan sugeri que levassem Jaime para provar comida japonesa, mas Jonathan mudou de ideia assim que Jaime fez uma careta com a ideia de come peixe cru. Comeram fast food, com Jonathan e Jaime rindo das reclamações de Félix que ficaria uma baleia ao comer aquela comida calórica e gordurosa.
– Félix! — Félix piscou retornando a sala de Jonathan. Todos o olhavam.
– Viajei para longe — disse abraçando Paloma e cumprimentando Bruno — Você tem razão Paloma, meus filhos são lindos, sendo meus filhos o que se podia esperar!
– Convencido!
– Bruno, quero te mostra algo antes de irmos!
– Claro! — Bruno disse e acompanhou Félix ate o quarto, mostrou a ele os últimos dados do trabalho dos dois, e como esperava Bruno abriu um sorriso, estavam no caminho certo.
Quatro dias antes
Bruno terminou de ler o documento que Félix tinha redigido na noite anterior após voltar do shopping, nunca imaginou que um dia faria um documento tão justo para ambas as partes.
– Não poderia esta mais de acordo — ele disse com um sorriso, e estendeu o documento a Félix, que retirou um cartão do bolso e entregou a Bruno — Essa é a advogada que cuidara de todos os tramites para que possamos abrir a empresar... vamos precisar de uma sala... eu me mudei ontem para casa do meu filho... e sua casa também não é viável para trabalhar...
– Você tem razão... mas isso será fácil... esqueceu que eu sou corretor... já até encontrei uma pequena sala que podemos usar como escritório.
– Ótimo. A Dr. Silvia nos esperar as três... você podia passar no hospital e me pegar... antes de vermos a Silvia, passamos nessa sala e já a alugamos...
– Tudo bem!
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Félix avistou Paloma conversando com Amarilys, se aproximou das duas, passando os braços pelo ombro da irmã.
– O que duas medicas tão distintas estão cochichando no corredor?
– Não estávamos cochichando — Paloma falou brincalhona.
– Estou contando a Paloma sobre a festa de aniversario do meu amigo Niko... lembrar do Niko? O dono do restaurante japonês...
– Eu me lembro dele!
– Estou organizando uma festa surpresa para ele... você está convidado Félix... vai ser sexta feira...
– Eu vou pensar... Paloma preciso falar com você...
– Ok! Minha deixar para partir...
Félix esperou Amarilys esta bem longe para iniciar a conversa com Paloma.
– Então?
– Então? — Paloma perguntou se fazendo de desentendida.
– Bruno! Durante o jantar vocês estavam trocando uns olhares...
– Félix — ela semicerrou os olhos — Você fez de proposito?
– Eu? — Félix fingiu indignação com a acusação da irmã — Por que eu faria isso?
– Essa é uma boa pergunta? Por que você está bancando o cupido? Vovó me contou o que você fez com ela e o Dr. Lutero... — ela disse sorrindo.
– A vovó e o Dr. Lutero? O que aconteceu entre eles?
– Não se faça de besta! — Ela tentou impedir um sorriso — Mas foi bonitinho o que você fez e acho que deu certo.
– Como assim? Conta tudo Paloma! — Félix perguntou curioso de verdade, não tinha tido tempo de falar com a avó e não tinha encontrado Lutero pelo hospital para sabe o que tinha acontecido durante o almoço.
– Ontem eles saíram juntos de novo, foram almoça juntos, quando vovó voltou estava com um sorriso enorme.
– Pelo menos para uma coisa aquele velho serve...- Paloma balançou a cabeça em descrença — Acho que o Bruno pode fazer o mesmo por você — Félix disse baixinho.
– Félix! — Paloma advertiu, mas Félix pode ver os olhos dela brilhando e suas bochechas ficando vermelhas.
– Só digo que você é uma tola se deixa um bofe de ouro como aquele escapar das suas mãos.
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– O que acha? – Bruno perguntou mostrando a sala, que ele disse que era pequena, mas para Félix era minúscula.
– Não sei como você vai conseguir trabalhar nessa caixa de sapato...
– Para mim é perfeita — Bruno disse satisfeito.
– Será você que vai ficar mais tempo aqui... — Félix deu de ombros — Vamos alugar!
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– Obrigado por me trazer — agradeceu a Bruno quando ele o deixou na porta do hospital.
– Imagina Félix... amanhã eu já me instalo na sala! — ele disse assim que Félix saiu do carro.
– Talvez eu dê uma passadinha lá, amanhã a tarde...
– Eu espero você então! — Bruno estava prestes a sair com o carro, quando Félix viu Paloma sair do hospital, o destino estava do seu lado. Sabia que ela estava sem carro, devido ao rodizio.
– Bruno — impediu que ele saísse. — Paloma! – chamou a irmã, que sorriu ao vê-lo.
– Félix – ela franziu a testa — Esta chegando agora? — ela perguntou sem nota Bruno no carro.
– É tinha umas coisas a resolver... está indo embora?
– Estou...
– Você está sem carro?
– Não se preocupe vou pegar um taxi!
– Não precisa... Bruno pode te dar uma carona — Félix disse inocente, Paloma olhou para o carro surpresa quando viu Bruno — Bruno você não se importa de dar uma carona a minha irmã não é?
Paloma lançou um olhar assassino ao irmão.
– Claro que não... a não ser que Paloma não queira — ele disse ao ver a expressão dela.
– É claro que ela quer... — Félix não esperou que a irmã respondesse, abriu a porta do carro e a empurrou para dentro, e fechou a porta.
Bruno hesitou por um minuto, mas deu partida no carro. Você ainda vai me agradecer meu doce, pensou enquanto o carro se afastava.
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– Precisaremos fazer uma pequena alteração... mas estamos no caminho certo — Bruno disse ao terminar de ler o relatório.
– Foi o que eu pensei.
– Vamos chegar tarde... — Paloma disse parada na porta do quarto de Félix — Vocês não se cansam de trabalhar?
Bruno e Félix trocaram um olhar cumplice.
– Vamos logo ainda temos que pegar o Anjinho!
Três dias antes
Félix entrou na pequena sala que Bruno usava como escritório, ele tinha sido mais rápido do que imaginava. A sala agora tinha uma mesa, e sobre ela um computador e um telefone, uma impressora estava em um canto, assim como um pequeno sofá, o que deixava a sala menor ainda.
– Uau, você transformou isso em um pequeno escritório! — disse admirando.
– Obrigado! Eu comecei a dar contornos aquele projeto que eu falei para você no almoço... olhar — Félix jogou sua pasta sobre o sofá e parou ao lado de Bruno vendo os dados no computador.
– Esse gráfico não esta correto — mostrou com um dedo um dos gráficos
– Terei que revisar isso depois... já me deu um trabalhão faze-los... também preciso terminar isso — Mostrou os documentos sobre a mesa.
– Eu cuido desses gráficos... você cuida dos documentos... — disse tirando o paletó e pendurando na cadeira que Bruno sentava.
– E o hospital?
– Eu consigo termina isso em um pisca de olhos... e depois volto para hospital.
Mas não foi isso que aconteceu, ao termina os gráficos, um relatório precisava se criado, e logo que finalizou o relatório, uma planilha precisava se preenchida... Quando Félix percebeu a noite tinha chegado, suas costas doíam, e seu estomago reclamava.
Olhou Bruno que estava curvado sobre uma pilha de documentos.
– Não está com fome?
Bruno levantou a cabeça, puxou o celular e olhou a hora.
– Nossa! Eu não percebi o tempo passar!
Félix sorriu, pela primeira vez ele também não.
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– Você demorou! — Jaime disse assim que Félix entrou em casa.
– Estive ocupado com o trabalho... como foi seu dia?
– Assistir tv... e joguei vídeo game — ele disse satisfeito.
– Você não pode passar o dia inteiro vendo tv e jogando vídeo game... como o processo da adoção ainda está em andamento... e você não pode ir a uma escola... talvez possamos contratar uma professora particular... assim quando você for a escola... não estará tão atrasado.
Jaime franziu a testa pensando na ideia.
– Eu gostaria de ter uma professora — ele disse empolgado.
– Cadê o Jonathan?
– Ouvir alguém perguntando por mim? — Jonathan saia do quarto com o cabelo molhado — Chegou tarde hoje.
– Trabalho!
– Esta com fome?
– Vou tomar um banho primeiro!
– Ok... vou colocar a mesa para jantarmos.
Félix estava na porta do seu quarto quando a campainha tocou, Jaime correu para atender a porta.
– Oi... quem é você? — Félix reconheceu a voz e voltou para sala.
– Paloma... o que está fazendo aqui?
Paloma continuava olhando Jaime.
– Você pediu que eu trouxesse o resto das suas coisas — ela disse mostrando a mala que carregava.
– Jaime vem me ajudar a por a mesa... tia Paloma ficar para jantar com a gente? — Jonathan perguntou tentando ganhar tempo, para que o pai inventasse uma desculpa.
– Se eu não for incomodar.
– Você nunca incomoda!
– Quem é esse garoto Félix? — ela voltou a perguntar assim que Jonathan e Jaime entraram na cozinha.
– Eu vou adota-lo! — Félix disse a verdade, em algum momento Paloma saberia sobre Jaime.
Paloma tentou esconder a expressão de surpresa.
– Você vai adota-lo?
– Sim... agradeceria se você mantivesse isso em segredo por enquanto... se mamy ou o papi souberem sobre o Jaime... poderão atrapalhar mais do que ajudar.
Paloma olhou em direção a cozinha.
– Você tem certeza do que está fazendo? Adotar uma criança é muito importante — ela disse seria.
– Eu sei — Félix respondeu também serio.
Jaime voltou a sala olhando Paloma com desconfiança. Jonathan estava encostado na porta da cozinha.
Paloma olhou o irmão, depois Jonathan e por fim Jaime.
– Oi Jaime... eu não me apresentei... meu nome é Paloma... eu sou sua tia!
Félix não podia se mais grato a Paloma pelo que ela fez, o que também tinha suas consequências, por que a culpa o devorava por dentro.
Por isso se focou no trabalho, o que o surpreendia, por que começou a passar mais tempo dentro da pequena sala trabalhando com Bruno, do que dentro do seu enorme escritório no hospital. Mas enquanto estava com a cabeça enfiada no trabalho, tentava não pensar em sua culpa ou em Niko. Mas bastava chegar em casa, e encostar sua cabeça no travesseiro para seus pensamentos se dirigirem a ele, desejando que Niko também estivesse pensando nele, o que era uma ilusão.
Anjinho já os esperava, ele entrou no carro, cumprimentou a todos. Se aproximando mais de Félix para que Bruno e Paloma não o ouvisse, sussurrou baixinho.
– Você está melhor?
Félix forçou um sorriso.
– Estou bem! Eu expliquei o que aconteceu, não se preocupe!
Dois dias antes
– Esses são os exames que você fará — Renan disse mostrando os papeis que segurava. Félix o ignorou, enquanto retirava os objetos que o impediriam de fazer os exames.
– Renan — começou impaciente — Você já me explicou sobre os exames uma centena de vezes...você está mais nervoso que eu!
A porta se abriu e uma enfermeira entrou, Renan olhou Félix, que sorriu com confiança.
Não demorou a confiança dar lugar a uma inquietação, Félix entrava de uma sala a outra, enfermeiras tiraram seu sangue, médicos o cutucaram, sempre sobre a observação atenta de Renan.
Quando por fim terminaram, a tarde já tinha se iniciado.
– Vou leva-lo para casa, você precisa descansar — Renan disse abrindo a porta para que Félix passasse.
– Eu preciso passar em um lugar antes...
– Não aconselho você ir ao hospital Dr. Félix.
– Não vou ao hospital — disse cansado seguindo o medico pelo corredor que o levaria para longe desse hospital.
Assim que saíram do hospital, Félix sentiu sua energia retornando. Quando chegaram ao escritório que dividia com Bruno, se despediu de Renan prometendo que iria para casa descansar.
– Você demorou a chegar — Bruno disse sem tirar os olhos do papeis que analisava, assim que Félix entrou na sala.
– Precisei resolver um assunto — disse se jogando no pequeno sofá. O cansaço voltando com força.
– Você está bem? — Bruno perguntou o olhando.
– Estou! — disse indo até a mesa e pegando alguns documentos — Você já revisou esses daqui?
Bruno negou com a cabeça. Félix voltou ao sofá e se concentrou nos papeis a sua frente. Mas uma batida na porta quebrou sua concentração, virou-se para ver Paloma sorrindo, e atrás dela Anjinho.
– Surpresa — ela disse olhando Bruno — Viemos conhecer a empresa de vocês! — ela disse empolgada
Bruno sorriu abertamente. Ela entrou na sala e foi até o irmão, mas o sorriso que tinha no rosto se desfez quando ela se aproximou.
– Você está bem? — ela perguntou colocando a mão em sua testa. Félix afastou a mão da irmã.
– O que você está fazendo?
– Você está pálido! E está gelado!
– Médicos! Veem doença em todo lugar... agora se vocês dois quiserem entrar eu e o Bruno teremos que sair — disse tentando muda a expressão preocupada da irmã.
– Você almoçou? — ela insistiu
Félix não tinha almoçado, assim como não tinha tomado café da manhã, alguns dos exames exigiam que estivesse de jejum.
– Tive um compromisso pela manhã... não tive tempo de almoçar... olhou o relógio e surpreendeu-se ao perceber que já passavam das quatro horas.
Paloma suspirou irritada.
– Você precisa come... vou comprar algo para você se alimentar... você também não dever ter almoçado — ela disse olhando Bruno que não conseguiu esconder o espanto, por Paloma ter se preocupado também com ele.
– Ainda não... nós distraímos com o trabalho...
– Deveríamos comprar algo para vocês comerem. — Anjinho disse ainda parado na porta.
– Eu vou comprar!- Paloma falou impaciente.
– Eu vou com você — Bruno disse se levantando, Paloma sorriu timidamente.
– Você e Paloma se encontraram aonde? — perguntou a Anjinho assim que Paloma e Bruno saíram.
– Você está zangado por que estou aqui? — Anjinho perguntou triste.
– Não... só fiquei surpreso...
– Eu fui procurar você no hospital... encontrei a Paloma... ela estava vindo para cá...
– Sei... — Félix tentou se levantar, mas tudo ficou escuro quando ficou de pé.
– Félix! — Anjinho o segurou com força, fechou os olhos ate que tudo parasse de rodar.
– Estou bem — disse tentando se livrar do agarre dele.
– Você não parece bem... você desmaiou!
Félix sentia-se cansado demais para discutir com ele, mas precisava impedir que ele fizesse uma tempestade em um copo d´agua.
– Não seja exagerado... eu não desmaiei, fiquei um pouco zonzo... eu não comi nada hoje... é por isso. — Anjinho continuava o segurando — Pega um copo de agua para mim, por favor — pediu indicando uma garrafa de agua em um canto da sala.
Anjinho voltou com o copo de agua, Félix engoliu o liquido o que ajudou a clarear sua mente.
– Sente-se melhor?
– Não se preocupe... já disse que estou bem... e não conte nada disso a Paloma!
– Ela é medica...
– Eu não tenho nada! Por favor, você só vai preocupa-la à toa — Anjinho suspirou e confirmou com a cabeça — Obrigado.
Quando Bruno e Paloma voltaram com sacolas de onde saia um cheiro delicioso, o que Félix perceber que estava faminto. Enquanto comia, percebia os olhares apreensivos de Anjinho, e os atentos de Paloma.
–Félix você não se esqueceu do aniversario do Niko! — ela perguntou enquanto colocava os restos da comida em uma sacola, Félix abaixou o garfa que estava levando a boca, perdendo o apetite.
– Niko? Não é o dono do restaurante japonês? — Anjinho perguntou.
– É ele... Amarilys... lembra dela? Esta organizado uma festa surpresa para ele... na sexta...
– Ah... que legal... ele me pareceu uma pessoa muito legal
– E ele é! Niko é uma pessoa maravilhosa...
Paloma remexeu na sacola nervosamente.
– Gostaria de ir Bruno... comigo... e com o Félix — ela disse — Podemos ir os quatro, o que acham?
Félix olhou Bruno que parecia radiante, mas não tão radiante quanto Anjinho.
– Uau... que ótima ideia!
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Bruno estacionou o carro, Félix pensou em fingir que não se sentia bem, mas se fizesse isso, todos retornariam para casa preocupados com ele, e a vontade de vê-lo era tão grande.
Amarilys tinha se empenhado para que fosse uma festa de arromba. Musica alta, luzes, e muita bebida. Quase todo hospital estava presente, mas muitos rostos estranhos se esbaldavam na pista de dança.
Olhou em volta o procurando, mas não conseguia encontra-lo, no meio de todas aquelas pessoas, Amarilys tinha convidado a cidade inteira.
– Hey vocês chegaram! — Amarilys gritou para que pudesse ser ouvida.
– E o Niko? — Paloma perguntou
– Ele está ali com Eron! — Amarilys disse. Félix olhou para onde Amarilys apontava e o viu abraçado a Eron.
Um dia antes.
Félix olhou a casa simples, quando sentiu que tinha reunido coragem suficiente, apertou a campainha. Escutou a voz estridente avisando que estava chegando.
Havia postergado o máximo que pode essa visita, sempre que pensava em vê-la, o medo o fazia mudar de ideia. Tinha medo do que descobriria com essa conversar.
– Menininho — ela disse com um sorriso
– Oi Marcia... eu não estou atrapalhando?
– Não menininho... entra!
A casa era simples como havia imaginado, mas muito acolhedora.
– Desculpa por chegar assim sem avisar...
– Você pode vir quando quiser...
– Você quer beber um copo de agua... e só o que tem...
Félix riu.
– Não, obrigado.
Os dois se olharam, sem saber por onde começar.
– Você parece triste... aconteceu alguma coisa?
– Estou... — Félix se interrompeu, pelo que parecia a milésima vez, ia dizer que estava bem — Eu não estou bem...Estou me divorciando... sair de casa... estou abrindo uma empresa... adotando um garoto... e descobrir que estou apaixonado... mas ele não sente o mesmo por mim! — despejou tudo de uma vez só sem respirar — Eu não estou bem!
Ela sorriu compreensiva, se aproximou e o abraçou.
– Vai ficar tudo bem! – ela disse, enquanto deslizava as mãos em suas costas — Vai ficar tudo bem menininho.
– Venham vamos falar com Niko! — Amarilys os guiou entre as pessoas — Niko olhar só quem chegou — Félix observou o sorriso dele treme quando encontrou seus olhos.
– Parabéns NIko! — Paloma o abraçou e entregou o presente que segurava.
– Obrigado Paloma... que bom que você veio!
Félix estendeu a sacola que segurava, quando Niko se virou para olha-lo. Ele segurou a sacola, os dedos dele roçando nos seus levemente.
– Feliz aniversario Niko!
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