Fated to Love You

15 I'll be at your door tonight


Notas iniciais
Oi suas lindas!!! Eu tinha um discurso enorme para agradecer os ultimos comentário, que me emocionaram tanto... mas eu não vou encher o saco de vocês com baboseiras... então vamos direto ao ponto. Meninas, não tenho como agradecer o apoio de vocês, vocês são pessoas iluminadas, muito obrigada por cederem um pouquinho do tempo de vocês para lê o que eu escrevo e me deixar saber o que vocês acharam... sou muito grata por isso. Esse capitulo, me fez andar na corda bamba, ao mesmo tempo que ele fluiu com uma facilidade, me fez lembrar do inicio dessa fic, onde eu não precisava pensar muito, apenas escrevia, mas ao mesmo tempo foi "exaustivo". Erros.............................................................ignorem!

When enemies are at your door
I'll carry you away from war
If you need help, if you need help
Your hope dangling by a string
I'll share in your suffering
To make you well, to make you well

Quando os inimigos estão na sua porta
Eu carregarei você para longe da guerra
Se você precisar de ajuda, se você precisar de ajuda
Sua esperança pendurada por um fio
Eu vou compartilhar seu sofrimento
Pra te deixar bem, pra te deixar bem

Gone, Gone, Gone — Phillip Phillips

Pai, ela tentou matar você, tentou destruir nossa família! Sua voz ecoou em sua cabeça, como um sino ressoando. Inconscientemente seu corpo se moveu em direção a ela, sua mão se erguendo para segura-la, mas antes que conseguisse alcança-la o caos se fez.

Paloma gritou. Félix virou por reflexo em direção a irmã, mas não conseguiu vê-la, algo se chocou contra seu rosto o fazendo cambalear para trás, sua cabeça batendo com força contra a parede. Milhares de pontos pretos explodiram diante dos seus olhos, enquanto um gosto metálico invadia sua boca.

– Seu filho da puta!

Paloma se agachou do seu lado, seus olhos assustados, podia ouvir gritos e passos, o lado direito do seu rosto começava a pulsa dolorosamente. Félix levantou seu olhar até encontrar Atílio, Persio e seu pai tentando conter Eron, os olhos dele estavam injetados de fúria, ele apertava sua mandíbula com tanta força, que seus ossos se destacavam.

– Calma Dr. Eron!

– Me solta! — ele gritou se debatendo.

– Dr. Eron se controle! Estamos no hospital!

– O que está acontecendo com ele?

Com a ajudar de Paloma, Félix se colocou de pé. Ajeitou sua roupa sem desviar o olhar da expressão de Eron, seus instintos gritavam para sair correndo, havia aprendido desde cedo que em um embate físico suas chances eram sempre zero, e sendo quem era, criou meios para nunca precisar saber o que aconteceria se alguém tentasse usá-lo como saco de pancadas, para isso seu dinheiro sempre foi muito útil.

Mas dessa vez era diferente. Félix podia ver que ele sabia. Eron sabia sobre ele e Niko. Não pode evitar que um sorriso de escárnio surgisse em seus lábios, o que fez o latejar em seu rosto aumentar de intensidade. Precisava que ele soubesse que não desistiria de Niko, e que se precisasse quebrar todas as suas unhas arranhando o rosto dele o faria, e se não fosse o suficiente sempre havia seus dentes.

– Félix vem... vamos — Paloma segurou seu braço e tentou leva-lo para a sala de reunião, Félix soltou-se da irmã.

– Podem solta-lo! — disse desafiadoramente sem desviar o olhar de Eron.

Pérsio e Atílio pareceram tão surpresos que afrouxaram o agarre sobre Eron que soltou-se com brusquidão se afastando dos dois.

– Dr. Eron — Paloma se colocou na frente de Félix assim que Eron deu o primeiro passo em direção ao irmão — Aqui não é o melhor lugar para resolver esse assunto...

– Você acha que pode se esconder atrás do seu pai e da sua irmã... — Eron vociferou, se aproximando mais, Paloma ergueu seus braços como se assim pudesse impedi-lo de chegar mais perto.

– Você é mesmo um idiota! — Félix disse com raiva, tudo que Eron estava fazendo era colocar Niko em uma situação constrangedora. Sua tia Priscila estava em um canto, olhando a cena com um interesse velado, mas Aline não conseguia esconder um sorriso de satisfação, ela espalharia tudo que estava acontecendo com riqueza de detalhes para todo o hospital.

Félix puxou Paloma a tirando da sua frente.

– Você quer mesmo expor sua vida privada para todos no hospital?

– Cala a boca! — Eron avançou novamente, mas dessa vez quem se pôs à frente de Félix, para sua surpresa foi seu pai.

– Aqui é um hospital não um ringue de boxe, Dr. Eron! — seu pai o olhou com dureza — Eu não gostaria de ter que chamar a segurança para expulsa-lo.

– Não será necessário! — Eron disse olhando seu pai, então desviou o olhar para Félix — Se você acha que vai destruir meu casamento... você não me conhecer... ele nunca vai ser seu... nunca!

Félix sorriu com desdém.

– Ele já é.

Félix se preparou para o ataque de Eron, mas ele não se moveu. Sua expressão mudou quando ele começou a rir. Seu olhar cheio de algo que fez o estômago de Félix revirar.

– Vamos ver por quanto tempo — ele disse e sem olhar para mais ninguém seguiu pelo corredor que levava as escadas.

– Será que vocês podem me explicar o que está acontecendo! — Cesar gritou olhando de Paloma para Félix — O que você fez Félix?

– Agora não pai! — Paloma disse puxando o rosto do irmão para que pudesse ver o estrago.

– Você acha que vai ficar alguma cicatriz? — Félix perguntou. Paloma sorria fracamente e balançou a cabeça.

– Não, você vai ficar com um lindo olho roxo...- então ela abaixou a voz para que apenas Félix ouvisse — Acha que devemos avisar o Niko?

Félix puxou o celular do bolso, mas Paloma o impediu que ligasse, segurando em sua mão.

– Aqui não! — ela disse, Félix levantou o olhar percebendo que todos ainda o olhavam.

– Eu preciso falar com ele... você acha que Eron foi atrás dele? — A ideia que Eron pudesse agredir Niko, fez o sangue de Félix ferve — Se ele se atrever a toca em um fio de cabelo do...

– Calma! — Paloma sussurrou — Vamos para a sua sala... então ligamos para o Niko.

Félix concordou e sorriu agradecido a irmã.

– Obrigada Paloma....

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Jonathan parou um instante olhando em voltar, não havia ninguém na pequena recepção, não sabia nem se podia chamar de recepção, já que havia apenas uma mesa em um canto, foi até a porta que ficava do seu lado direito, e que estava entreaberta. Seu olhar passeou pelo escritório, seu pai pela primeira vez tinha razão, o lugar era minúsculo.

– Jonathan.

Jonathan virou-se para encontrar Paulinha parada na soleira da porta.

– Oi Paulinha... Eu vir trazer isso — Jonathan mostrou o documento que segurava.

Ela acenou e forçou um sorriso.

– Meu pai precisou sair... mas ele não vai demorar...

Foi a vez de Jonathan acenar em entendimento. O silencio se fez duro e pesado.

– Eu preciso ir... — Jonathan resolveu quebrar o silencio — Nós vemos...

– Eu terminei com o Cassio — ela disse antes que Jonathan se movesse.

– Você terminou com ele? Por que? Quer dizer... se você quiser contar...

Paulinha riu, e Jonathan devolveu o sorriso a tensão sumindo por completo da sala.

– Eu já não gostava mais dele... e aquela garota do bar... eu vi vocês se beijando...

Jonathan encontrou os olhos dela.

– Foi idiotice... estava tentando esquecer outra garota beijando ela.

– E você conseguiu? Esquecer essa garota? — Paulinha perguntou se aproximando.

– Não!

Jonathan tocou o rosto dela, quando Paulinha estava tão próxima que sua roupa roçava na dela.

– Paulinha! — os dois se afastaram rapidamente e olharam ao mesmo tempo para a porta. Bruno vinha entrando segurando duas caixas uma em cima da outra. Jonathan foi até ele e pegou uma das caixas.

– Jonathan — Bruno sorriu para ele — Poe aqui! — disse mostrando onde ele poderia colocar a caixa.

– Meu pai pediu que eu trouxesse um documento — Jonathan disse, mas seu olhar estava sobre as caixas — Posso Bruno? — perguntou indicando os papeis enrolados dentro das caixas.

– Claro... são plantas de alguns prédios... eles estão no esqueleto... estamos pensando em transforma-los em salas comerciais...

Jonathan abriu uma das plantas sobre a mesa, passando os olhos por cima rapidamente.

– Esse prédio... vocês deveriam descarta... — Bruno se aproximou olhando Jonathan — Essas edificações... quem projetou podia até ter a intenção de criar salas comerciais... mas fez um trabalho desleixado... olhar — Jonathan circulou com o dedo alguns pontos.

– Eu sei o básico sobre engenharia e arquitetura, por que trabalhei muitos anos como corretor e você aprender alguma coisa...

– Vocês vão precisar de alguém qualificado que verifique essas plantas.

Bruno franziu a testa.

– Você tem razão... mas isso vai ser um pouco complicado... não temos muito dinheiro em caixa.

– Eu conheço alguém que pode fazer... — Jonathan olhou Paulinha e sorriu — De graça.

Bruno sorriu

– Quem?

Jonathan estendeu a mão.

– Muito prazer, Jonathan Khoury... seu novo arquiteto.

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Niko terminou de trocasse, guardou o uniforme no armário, puxou o celular e olhou as horas, teria tempo de se preparar para a conversa definitiva que teria com Eron, e quanto ele perguntasse por quem estava apaixonado, contaria a ele. Niko sentia que ele merecia saber da sua boca a verdade, por mais difícil que fosse.

Com um suspiro de resignação, Niko fechou o armário. Seu celular tocou, e seu rosto se iluminou quando viu quem estava ligando.

– Oi

– Oi... você ainda está no restaurante?

– Estou de saída... indo para casa

– Humm.... Aconteceu algo que você precisa saber.

Niko apertou o telefone inconscientemente, sentindo seu estômago se contorce.

– O que aconteceu Félix? — o que poderia ter acontecido em tão pouco tempo? Não fazia mais que uma hora que o tinha visto.

Eu não quero que você se preocupe... Ai Paloma!– Félix resmungou e Niko mordeu o lábio quando ouviu a voz da Paloma — Se você ficasse quieto...

– Paloma está com você?

– Sim, ela está aqui... me ajudando...

– Ela sabe sobre nós? — Niko perguntou.

Félix riu e depois deixou escapar um gemido

– Eu contei a ela– Niko se apoiou ao armário não sabendo ao certo como reagir a essa informação. Félix voltou a gemer, agora Niko tinha certeza que era um gemido de dor.

– Você está machucado? — perguntou alarmado, colocando a mão que não segurava o celular dentro dos bolsos da sua jaqueta em busca da chave do carro.

– É o que acontecer quando você levar um soco.

– Você levou um soco! — Niko parou em choque — Félix... quem?!

– O advogado do hospital San Magno

Niko franziu a testa, abriu a boca para perguntar por que esse advogado faria isso, quando lembrou-se quem era o advogado do hospital San Magno.

– Eron... bateu em você?

Félix fez um som de desprezo.

– Ele não me bateu... aquele lá, me pegou desprevenido... se eu tivesse visto ele chegar... ele teria ficado mais torcido que um lençol na máquina de lavar.

Niko fechou os olhos, ouvindo seu coração batendo tão forte que sentia dificuldade em respirar. Para Eron ter feito isso, é por que ele sabia a verdade. Mas como?

– Niko... você está bem?– Félix perguntou, sua voz mudando para um tom de preocupação.

Niko suspirou, não queria seguir por esse caminho com Eron, como o faria entender?

– Estou... você está bem?

– Não se preocupe... Eu quero ver você...– Félix disse um pouco mais alto que um sussurro.

Niko também queria vê-lo, mas... sempre havia um mas, precisava falar com Eron. Explicar.

– Preciso encontrar Eron... falar com ele...

– Não! Você não precisa!

– Félix...

– Não quero você perto dele!– a tensão em sua voz era palpável.

Não queria começar uma discussão, por isso Niko respirou fundo.

– Isso será um pouco difícil... ainda moramos na mesma casa.

Félix balbucio alguma coisa que não conseguiu entender e suspirou.

– Eu quero ver você– ele repetiu.

Niko pensou, dependendo de como fosse sua conversa com Eron, o melhor seria se afastar, dar a chance dele aceitar e entender.

– Podemos nós ver mais tarde.

– Carneirinho... — Niko sorriu com o apelido – Eu...

Félix se calou, Niko pode ouvir um barulho oco, uma porta sendo fechada com força.

– Félix...

– Eu ligo para você depois... Preciso desligar...

Antes que Niko pudesse perguntar o que estava acontecendo, Félix desligou.

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Félix abaixou o telefone, se recostou em sua poltrona, seu olhar preso ao do seu pai.

– Agora você vai me explicar o que aconteceu!

Explicar?

Podia sentir o medo da rejeição e do abandono rastejando para dentro do seu coração, exigindo que Félix se curvasse, desistisse e retornasse para o lugar sombrio e solitário que residia antes dos sonhos começarem.

Havia passado sua vida inteira se escondendo, para que seu pai o enxergasse. Era tão contraditório, que Félix não conseguiu se impedir de rir, um sorriso cansado e infeliz.

– Você acha toda essa situação engraçada Félix?

– Pai, Félix não teve culpa do que aconteceu... o senhor estava do nosso lado, viu que o Dr. Eron o atacou...

– Paloma saia, me deixe falar com seu irmão as sós.

Félix lançou um olhar para Paloma, que não conseguia esconder sua aflição.

– Não!

– Paloma — seu pai ameaçou.

– Eu não vou sair... a não ser que o Félix queira — ela disse olhando o irmão.

Félix sorriu agradecido, e voltou a olhar seu pai, que olhava de Paloma a Félix como se os visse pela primeira vez. Como se tentasse descobrir quando eles se tornaram melhores amigos.

– Você consegue me enxerga pai? — perguntou realmente interessado na resposta que receberia.

– O que você quer dizer com isso? — Ele perguntou irritado, como se a pergunta fosse tão insignificante que não valesse um segundo do seu tempo.

Ele não fazia a mínima ideia, o quanto havia lhe custado. Para que seu pai o enxergasse havia desistido de muito, sua chance de ser feliz, de ser quem realmente era, sua dignidade... sua humanidade.

Estava se justificando novamente, tentando encontrar desculpas para as suas escolhas, para seus erros... quando não havia.

– Você não o ouviu... ele acha que eu destruir... o relacionamento dele... — Félix trouxe de volta o assunto que levou seu pai a sua sala.

Cesar enrugou a testa, seus olhos quase fechando, como se pela primeira vez tentasse ver o filho.

– E você destruiu?

– Não! — disse e se odiou ao sentir-se um menininho carente e assustado diante do pai. Félix sustentou o olhar dele e se obrigou a dizer as palavras seguintes — Nós apaixonamos — sua voz saiu firme e calma, mesmo não sendo como se sentia por dentro.

Félix observou a expressão do pai ir do choque a raiva

– O que você disse? — ele cuspiu a perguntar.

Félix ergueu o queixo em desafio.

– Eu me apaixonei...

– Você se apaixonou? — ele gritou, suas veias saltando em sua testa — Você lembrar o que eu te disse... nessa mesma sala a uns dias atrás?

Félix desviou o olhar, a lembrança do seu último sonho aflorando em sua memória.

– Eu me lembro... — respondeu tentando não quebrar em milhares de pedaços — Pai... Cesar... Você não pode me aceitar... como eu sou? Não pode me deixar ser feliz?

Félix piscou afastando as lágrimas, novamente voltava a mesma estrada, mendigando migalhas de afeto do pai.

Mas a resposta estava no olhar dele, na repulsar que podia ver neles.

– Você não vai fazer isso... eu vou te dizer o que você vai fazer... você vai se afastar desse... desse... rapaz... vai retornar o seu casamento... se você não quiser continuar com Edith... pode escolher outra mulher...

– Pai! Você não tem o direito...

– Cala a boca Paloma!

– Chegar! — Félix disse sua voz baixa e tensa — Pai... Dr. Cesar, eu não vou desistir do Niko... o que eu sinto por ele... nem você, nem ninguém vai conseguir destruir.

O peito do seu pai subia e descia, como se ele tivesse corrido quilômetros. Suas mãos fechadas em punhos como se estivesse pronto a socar Félix.

– E por quanto tempo... ele... vai suporta você? — Paloma ofegou, e abriu a boca, mas Félix indicou que ela não dissesse nada — Quando esse rapaz enxergar quem você é de verdade... por que ele vai... como eu enxergo... quando esse dia chegar Félix... eu estarei assistindo a sua derrocada... e você Paloma, também vai descobrir quem o Félix é de verdade... e quando isso acontecer eu estarei esperando você me pedir perdão...

Dr. Cesar olhou os dois filhos, como se eles fossem seus piores inimigos, virou-se saiu, seus passos ecoando, até o som ficar tão baixo que não puderam mais ouvi-los.

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Niko ouviu a porta ser aberta, fechou os olhos por um segundo e respirou fundo. Adriana estava no quarto com Fabricio, com ordens expressas de não sair de lá até que Niko autorizasse.

Eron tirou o paletó que usava e jogou sobre o sofá ao lado de onde Niko estava sentado e sentou-se na poltrona em frente. Seus olhos se encontraram, mas Niko não conseguiu identificar o que havia neles. Magoa, raiva, ódio...?

– Félix contou o que aconteceu? — ele perguntou calmamente.

– Você não deveria ter feito isso...

Eron sorriu.

– Está preocupado que eu o machuquei?

– Não, estou preocupado que você se expôs... aquele é seu lugar de trabalho.

– Você se preocupa comigo Niko?

Niko respirou profundamente.

– Sim, eu me preocupo com você... eu nunca quis magoar você... mas nosso relacionamento está afundando a muito tempo... nós apenas não queríamos ver.

– Relacionamentos passam por crises — ele disse passando as mãos por seu cabelo — você está fugindo sem nos dar a chance de lutar.

Niko balançou a cabeça negativamente.

– Não há nada pelo que lutar.

Eron endureceu seu olhar.

– Mas vale a pena lutar pelo Félix?

– Falar sobre o Félix vai apenas te machucar... eu não quero isso...

Eron sorriu como se estivesse diante de uma criança travessa, mas adorável.

– Niko... eu conheço caras como Félix... eles podem parecer charmosos, cheios de auto confiança... e não nego que ele é muito atraente... mas a verdade é que eles nunca são o que aparentam... esse tipo de relacionamento que você quer ter com Félix é irresistível, mas completamente destrutivo.

– Agradeço a sua preocupação — Niko disse tentando manter sua voz neutra.

– Félix é um ladrão! — Eron começou venenosamente — Ele está superfaturando contratos no hospital...

– Você tem provas? — Niko perguntou tentando manter a irritação longe da sua voz.

Eron se levantou e sentou-se ao lado de Niko e segurou sua mão, a prendendo entre as dele.

– Niko... você está cometendo um erro, ele é casado...

– Ele está se separando...

– O pai dele nunca vai permitir... estou a pouco tempo no hospital, mas sei que o Dr. Cesar nunca permitirá que o filho saia do armário... ele é um filho da puta homofóbico... você quer se maltratado e humilhado?

Niko tentou puxar sua mão, mas Eron não a soltou.

– Eu sei sobre o pai dele... não será o primeiro ou último homofóbico que cruzara o meu caminho, posso lidar com ele.

Eron soltou sua mão e se levantou dando as costas a Niko.

– E o Fabricio?

Niko se colocou de pé, como se uma mola o tivesse impulsionado.

– O que você quer dizer com, e o Fabricio?

Eron encontrou seus olhos.

– Você acha que é saudável para uma criança ficar perto de alguém que tem um relacionamento tão conturbado com o pai... e que ainda por cima é um ladrão.

Niko sentiu uma ancora se formando em seu estômago, o puxando para baixo, sabia que tinha uma expressão perplexa em seu rosto, mas não conseguia acreditar que Eron estava fazendo isso.

– Eron...

– Achei que você amasse nosso filho Niko?

– Eu amo! Eu amo o Fabricio mais que tudo! — Niko disse com raiva de Eron por estar fazendo esse joguinho.

– Ama mais que o Félix?

– Chega! Isso é ridículo Eron, não vou deixa você usar meu filho para me chantagear!

– Chantagear você? — Eron riu — Fabricio também é meu filho! Eu quero protege-lo de ficar perto de um mal caráter como Félix.

– Seu filho? — Niko berrou — Você nunca trocou uma frauda dele... nunca passou uma noite em claro quando ele estava doente... os presentes de aniversário, natal... sempre sou eu que compro... reuniões e festas de escola sempre sou eu que estou presente... não se atreva...

– Não me atrever a que? Tirar o Fabricio de você?

Niko precisou de alguns segundos para que seu cérebro processasse a insinuação de Eron e quando o fez seu primeiro instinto foi quebrar Eron ao meio.

– Se você tentar tirar meu filho de mim... eu juro...

– Niko, eu te amo...- ele o interrompeu — Tudo que eu quero é proteger você e o Fabricio... e não duvide que eu faria tudo que estiver ao meu alcance para proteger a nossa família... e eu sei que você também faria o mesmo.

Niko o olhou, se perguntando quem era esse estranho que estava na sua frente.

– Estou cansado — Eron começou sobre o olhar atônito de Niko — Nos dois temos muitas coisas em que pensar... Boa noite Niko.

Niko acompanhou ele se afastar, apenas quando ouviu o som da porta do quarto dele sendo fechada é que percebeu que estava prendendo a respiração.

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Félix esperou que a dor o incapacitasse, mas ela não o fez, mas estranhamente era uma dor quase reconfortante. Paloma estava sentada na poltrona em frente a sua mesa, mas os dois não haviam trocado nenhuma palavra desde que seu pai os tinha deixados sozinhos.

Não havia nada a ser dito.

Havia tanto a ser dito. Félix sabia que seu pai tinha razão, talvez era por isso que ele não podia ama-lo, por que ele conseguia vê-lo, ver quem ele realmente era.

Por mais que tentasse lutar para escapar, nunca conseguiria. Félix suspirou e sorriu, como tinha sido burro, ao pensar que os sonhos eram um presente, uma segunda chance. Na verdade eram sua punição. O deixando provar um pouco de felicidade e então arrancando de suas mãos.

Quando contasse a verdade a todos, iriam repudia-lo, odiá-lo. Iriam enxerga-lo como realmente era.

Niko.

Quando contasse a ele, será que suportaria ver desprezo e o pânico nos olhos dele ao perceber o erro que tinha cometido ao se deixar envolver com alguém como Félix.

Paloma o odiaria para sempre.

Jonathan, seu filho sentiria vergonha de ter um pai como ele.

Jaime e Fabricio, os perderia também.

Mas você não precisa contar a eles. Eles não precisam saber.

– Você saber que não é verdade, não é?

– O que? — Félix perguntou encarando a irmã, o olhar dela deixando sua mente mais clara.

– O que o papai disse, não é verdade... não acredite nele nem por um segundo Félix.

Félix abaixou os olhos e a voz.

– Paloma... — não conseguiria, não hoje — Eu queria ficar sozinho.

Ela respirou fundo e se levantou, suas mãos tocaram levemente seu cabelo.

– Félix, eu te amo meu irmão... não esqueça disso.

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Paloma entrou no carro sem saber ao certo para onde ir. Por um segundo pensou em ligar para o Bruno, convida-lo para sair, mas descartou a ideia, ele vinha trabalhando insanamente e não queria atrapalha-lo.

E tudo que precisava agora era da sua cama. Precisava de um tempo para processar tudo que havia acontecido nesse dia terrivelmente cansativo. Félix e Niko. Paloma riu, quando seu irmão contou sobre eles, sua primeira reação foi de surpresa, mas agora não conseguia desassociar um do outro, e não havia ninguém melhor para Félix do que Niko.

Estava orgulhosa do irmão, nunca o tinha visto enfrentar o pai com tanta coragem e determinação. Esperava, pela felicidade dele, que ele não cedesse diante de todas as barreiras que seriam colocados em seu caminho, mas Félix estava diferente, Paloma não tinha certeza se o causado dessa mudança foi Niko, mas seja o que tenha acontecido transformou seu irmão em uma pessoa melhor.

Paloma girou a chave na ignição, quando seu celular tocou.

Niko.

– Oi Niko!

– Oi Paloma... estou atrapalhando?

– Você nunca atrapalhar — Paloma esperou, mas Niko apenas respirava pesadamente — Niko?

– Desculpa... eu...

– Você está bem? — a voz dele estava estranha.

– Sim... eu queria falar com o Félix... ele não atende o celular...

– Niko você está chorando?

– Eu preciso falar com ele...

– Ele está no hospital... Niko, sobre o que aconteceu hoje — Paloma o ouviu fungar — Você pode contar comigo... eu fiquei muito feliz quando o Félix me contou sobre vocês.

Agora Paloma tinha certeza que ele estava chorando.

– Niko, se você precisa falar com meu irmão... ele está na sala dele... vocês podem conversar tranquilamente, sem ninguém para atrapalhar... todo o pessoal do administrativo já foi embora.

Depois desse dia horrível, talvez tudo que eles precisavam era um do outro.

– Obrigado Paloma.

Paloma desligou o celular e ficou olhando a tela, o quão forte seu irmão precisaria ser para viver esse amor com Niko? O quão forte ela precisaria ser para se deixar amar?

Paloma respirou fundo e tomou a decisão.

No segundo toque ele atendeu.

– Oi Bruno... podemos nos ver?

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Paloma parou em frente a porta hesitante, respirou fundo e bateu. Seu corpo se tenso quando a porta começou a ser aberta.

Ela a recebeu com um sorriso iluminado.

Seu coração se deteve quando a viu, então saiu em disparada.

– Paloma! — ela se aproximou e para sua surpresa a abraçou. Tudo se aqueceu, e foi com alarme que Paloma percebeu que lágrimas transbordavam dos seus olhos.

– Você deve ser a Paulinha — disse tentando limpa as lágrimas que não sabia de onde tinham vindo.

– Entra! — ela disse segurando sua mão e a puxando para dentro.

Paloma sorriu a casa de Bruno era como imaginava, simples e cheia de calor. Ouviu risadas, Paulinha ainda segurando sua mão a levou até onde vinha o som. Paloma sorriu em surpresa ao encontrar Jonathan e Jaime.

– Tia Paloma — Jonathan veio abraça-la.

– O que vocês estão fazendo aqui?

– Estamos comemorando! — Jonathan disse enquanto Paloma beijava Jaime.

– Oi Paloma — Bruno encontrou seus olhos e se aproximou para beija-la no rosto.

– Estão comemorando? — Paloma olhou todos os rostos sorridentes se detendo um pouquinho mais no rosto da Paulinha.

– A nova contratação da nossa empresa — Bruno disse, Jonathan levantou os braços em sinal de vitória — Nosso novo arquiteto! — Bruno concluiu indicando Jonathan.

– Devíamos chamar o seu pai Jonathan... para a festa ficar completa! — Paulinha disse.

– Eu tentei ligar para ele... mas ele não atende o celular... você o viu hoje tia?

Paloma forçou um sorriso.

– Eu o deixei no hospital resolvendo um problema... acho que ele não conseguiria vir.

Jonathan a olhou com a sobrancelha levemente erguida, seu olhar questionando o que tinha acontecido. Bruno e Paulinha também perceberam que havia algo de errado.

– Hey Jaime, quer ver um jogo muito legal que eu tenho lá no meu quarto?

Jaime lançou um olhar para os adultos na cozinha, entendendo que queriam conversar sem a presença de uma criança.

– O que aconteceu? — Jonathan perguntou assim que ouviu a porta do quarto de Paulinha ser fechada.

Paloma suspirou.

– Eu vou deixar vocês conversarem a sós — Bruno disse saindo da cozinha e os deixando sozinhos.

Paloma não sabia o quanto Jonathan estava ciente do que acontecia na vida do pai.

– Seu pai e seu avô tiveram uma divergência.

– Uma divergência sobre o que?

– Ele quer tirar Félix da presidência.

– Por que ele não quer continuar um casamento falido! — Jonathan disse com uma expressão dura — Por que ele não pode deixar meu pai ser feliz?

Paloma analisou Jonathan com calma.

– Você sabe sobre o Niko?

Jonathan confirmou com a cabeça.

– Jonathan, Félix vai precisa muito do nosso apoiou... hoje ele teve um vislumbre de tudo que terá que enfrentar... Dr. Eron o ex-companheiro do Niko o atacou na frente da diretoria.

– Quando você diz atacou...

– Ele deu um soco no Félix.

– Meu pai está bem?

– O soco ele tirou de letra... mas depois... ele discutiu com nosso pai.

– Você sabe não é tia, que o magnifico Dr. Cesar vai fazer de tudo para que seu próprio filho seja infeliz.

Paloma se impressionou com a raiva com que Jonathan falou do avô.

– Ficar com raiva do seu avô não vai ajudar seu pai... Jonathan nós temos que ficar do lado do Félix e apoia-lo... e se precisar protege-lo.

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Niko atravessou a recepção do hospital, pegou o elevador e desceu no andar que ficava a sala de Félix, não sabia o que faria ou diria a ele quando o encontrasse. Assim que Eron o deixou sozinho, sua primeira reação foi chorar, o medo de que ele pudesse tirar seu filho o paralisando.

Mas logo a raiva pediu seu espaço, fazendo Niko reagir. Como Eron se atrevia a ameaça-lo e mentir sobre o caráter de Félix. Mas por mais que Niko quisesse manter a medo longe, podia senti-lo se infiltrando por sua corrente sanguínea, enfraquecendo tudo que o fazia lutar contra ele.

Por mais que a ideia de deixar Fabricio sozinho com Eron o angustiasse, precisava ver Félix, precisava que ele dissesse que ficaria tudo bem, que o abraçasse. Pediu a Adriana que ficasse com seu filho, chegou ao ponto de pedir a ela que trancasse a porta do quarto e só abrisse quando Niko voltasse. Nunca perdoaria Eron por aterroriza-lo dessa forma.

A ante sala, onde ficava a mesa da secretaria estava na completa escuridão, apenas uma fresta de luz que vinha da sala do Félix, iluminava o ambiente.

Niko empurrou a porta e Félix encontrou seus olhos. Ele parecia exausto, mas sorriu quando o viu.

Os dois ficaram se olhando, Niko em pé a porta as suas costas, Félix sentado sua cabeça levemente inclinada para o lado. Olhos negros. Olhos verdes.

Você saber que eu te amo.

Eu sei.

Eu faria qualquer coisa para ter proteger.

Eu sei.

Estou com medo de te perde.

Eu também.

Félix se levantou e caminhou até Niko, os olhos dele jamais abandonando os seus. Os braços dele os rodearam, sua cabeça indo de encontro ao ombro dele. Niko abraçou a cintura dele precisando se agarrar a ele.

E se Eron conseguisse tirar seu filho? E se fosse obrigado a desistir de Félix? Niko conseguia sentir a ligação entre eles. Seu coração batia no mesmo ritmo que o dele, seus braços sabiam onde segura-lo, seu corpo se encaixou ao dele, como se o reconhecesse.

Félix o segurou mais forte quando as lágrimas chegaram, seu corpo ondulando sobre o dele com os soluços que saiam de sua garganta. Ele sussurrava em seu ouvido, mas Niko não conseguia alcança o significado das palavras, uma das mãos dele estava em suas costas e a outra em seu cabelo. Se o perdesse, Niko sabia que nunca mais seria o mesmo.

– O que aconteceu? — Félix perguntou quando percebeu que Niko estava mais calmo.

– Ele disse que tiraria o Fabricio de mim — Niko respondeu ainda abraçado a Félix, pode ouvir os dentes dele rangendo de raiva, e o corpo dele ficando rígido.

Félix se afastou, seus olhos brilhando perigosamente, ele colocou uma mão em cada lado do seu rosto.

– Ele não vai tirar seu filho de você! Eu não vou deixar! — Niko acreditou nele, Félix não deixaria.

– Eu nunca imaginei que Eron fosse descer tão baixo assim... ele foi até capaz de caluniar você...

Félix soltou seu rosto, seus braços pendendo ao lado do seu corpo.

– Calunias?

Niko voltou a abraça-lo pressionando sua bochecha contra o peito dele, mas Félix não o abraçou de voltar.

– Ele disse que você rouba o hospital... — Niko começou indignado — Como eu não conseguir enxergar antes o tipo de pessoa que ele era...

– Niko... — Félix o segurou pelos ombros e o afastou, ele sorriu com tristeza — Ele não mentiu sobre isso.

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Niko ficou sério, então sorriu quando pensou que era uma brincadeira, mas seu sorriso morreu ao ver que a expressão de Félix não se alterou.

– Você... você é rico... o hospital é seu... por que você faria isso...

– Isso... roubar o hospital... é o meu crime mais leve. — Niko arregalou os olhos, Félix se obrigou a não pensar em mais nada que não fosse contar a ele a verdade. Devia isso a ele.

– Félix... — Niko recuou um passo e Félix quase riu histericamente ao ver a primeira fenda do abismo que os separaria quando ele soubesse toda a verdade.

– Eu passei a minha vida inteira tentando conseguir o amor e a admiração do meu pai... tentando fazer com que ele olhasse para mim... quando você é criança e seu pai não te ama, você começa a acreditar que a culpa é sua... que você está fazendo alguma coisa errada...

Niko continuava o olhando confusão e medo estampado em seu rosto.

– Quando Paloma chegou... um bebê lindo... — Félix recuou até suas mãos tocarem a mesa, segurando a madeira com força, tentando manter sua voz, suas mãos e seus olhos firmes — Acho que eu a amei. Não! Eu a amei. Mas enquanto eu dava tudo para conseguir um olhar do meu pai... Paloma precisava apenas sorrir... eu queria odiá-lo, mas como eu faria isso, se tudo o que eu queria era que ele me amasse... então eu transferir todo o ódio que eu sentia para quem ele mais amava... transformei minha irmã na minha maior rival... acreditava que se conseguisse me livrar dela... ele olharia para mim...

Félix respirou fundo quando sua voz começou a quebrar, ainda não tinha chegado a pior parte, não podia desmoronar, não ainda.

– Quando a Paloma conheceu o Ninho... o pai da filha dela, eu pensei... ela vai embora, vai decepcionar nosso pai de tal maneira que ele nunca mais vai querer vê-la... mas ela voltou, gravida... eu sabia que ele a perdoaria... sabia que ele...- Félix sentia seu peito sendo pressionado o sufocando, fechou os olhos com força, mais um pouco, apenas mais um pouco.

– Quando... todos descobriram... Paloma foi embora... eu precisava... eu precisava bancar o bom irmão... eu fui atrás dela... ela estava caída... eu achei que ela estava morta — Félix abriu os olhos e buscou os do Niko — O bebê estava do lado dela... eu a peguei...

Niko tampou a boca com as mãos, seus olhos cheios de horror.

– Ninguém viu... ela não chorava... eu dirigir por um tempo... então eu vi — Félix não podia mais, o primeiro soluço atravessou sua garganta, fazendo todo seu corpo tremer — Eu... joguei... eu joguei ela...- suas pernas cederam, o carpete era áspero contra suas mãos — Eu joguei... a filha da Paloma... em uma caçamba de lixo....

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O medo agarrava as pernas de Niko o prendendo ao chão. Era um pesadelo, estava tendo um pesadelo, Félix o acordaria com beijos e riria dele quando contasse o sonho absurdo que estava tendo. Por que ele não o acordava?

Mas Félix estava na sua frente, apoiado a mesa seus ombros curvados como se segurasse todo o peso do mundo neles. A voz dele oscilava entre o desespero e a agonia, o olhar dele... o meu Deus o olhar dele...

Niko quis grita para que ele parasse de falar, que ele parasse de se machucar.

Niko sabia, antes que ele dissesse, Niko já sabia. Mas quando as palavras foram ditas, não conseguiu esconde o horror. O que faria? O que faria agora? O que faria?

Tentou se transporta para longe, para algum lugar onde encontrasse uma resposta. Niko fechou os olhos, ouvidos os soluços dele se espalhando pela sala, o atingindo como socos por todo o seu corpo.

De repente a imagem de um menino um pouco mais velho que Fabricio surgiu diante dos seus olhos, cabelos e olhos negros como a noite, tentando fazer com que seu pai o amasse, implorando por um pouco de afeto. Niko desejou alcança-lo, protege-lo. Ama-lo.

Lentamente Niko abriu os olhos, suas pernas o levaram até ele, sem seu cérebro ter gerado o comando. Seus joelhos se dobraram, o fazendo sentar ao lado dele, seus braços o puxando, agora é ele que tem a cabeça apoiada em seu ombro, as mãos dele estão agarradas a sua camisa, enquanto o corpo dele treme descontroladamente. Niko o puxava para mais perto, mas por mais que tentasse não conseguia segura-lo mais forte.

Um longo tempo se passou até que os soluços cessaram e as lágrimas chegaram ao fim.

Félix murmurou algo, mas Niko não conseguiu entender. Ele largou sua camisa e se afastou. Ele estava uma bagunça e Niko sabia que não devia estar em um estado melhor.

Uma pontada de dor rasgou seu coração, quando os olhos dele encontraram seus.

Eu te amo.

Eu te amo.

Muito tempo depois Niko se perguntaria quem avançou primeiro, mas chegaria a conclusão que não tinha importância, o importante é que eles avançaram.

Todos os beijos que tinham trocado foram beijos doces com uma boa dose de paixão, mas esse não era um beijo doce ou apaixonado, era desesperado e bruto. As mãos dele puxavam sua jaqueta, enquanto as suas tentavam tirar o paletó dele. As roupas foram arrancadas com pressa, camisas, calças, gravata e espalhadas por toda a sala. As mãos dele estavam em sua boxer empurrando-a para baixo. Não demorou para a boxer dele se junta a de Niko.

Não havia delicadeza no toque dele, assim como não havia no seu. Niko sabia que não era assim que deveria acontecer a primeira vez deles, não quando os dois estavam sofrendo com a ideia de uma separação, não quando estavam com medo de perder um ao outro.

As mãos dele pareciam estar por todo seu corpo ao mesmo tempo, suas pernas, seu peito, suas costas, suas nádegas... A boca dele passeando do seu pescoço a sua boca, seus dentes arranhando e mordendo. Seus sexos se tocando, duros.

Quando ele o invadiu, não houve aviso, não foi gentil. Suas unhas se cravaram nas costas dele, seus dentes buscando o ombro dele, enquanto ele continuar indo e vindo. Mas seu corpo reagia ao dele, dobrando seus joelhos e os puxando em direção ao seu peito, com os gemidos guturais que saiam de sua garganta. O som de carne contra carne, se espalhando pelo escritório.

Ele o invadia duro e com uma rapidez furiosa. Niko estava próximo, podia sentir a pressão em seu baixo ventre, suas unhas se cravando mais fundo na pele dele, seu corpo se abrindo mais para ele, em uma urgência desesperada, até sentir algo se arrebentando em seu corpo, enviando ondas de prazer que o estraçalhavam em pedaços inconsertaveis, o ar não parecia chegar aos seus pulmões, e por um segundo foi tomado por uma sensação de desorientação ao ouvir gritos, até perceber que os gritos eram seus.

Félix veio ainda uma vez, até o corpo dele se contorcer sobre o seu, ele liberou um grito rouco, e colapsou sobre seu corpo, a respiração dele agitada batendo em seu pescoço, enquanto o liquido dele escorria do seu corpo.

Félix se apoio no cotovelo e fixou seus olhos nos dele

Eu te machuquei?

Não

Niko piscou sonolento.

Dorme.

Não está com sono?

Estou com medo de acordar e você não está aqui.

Eu estarei aqui.

Niko fechou os olhos, não conseguindo mais mantê-los aberto.

Félix encostou no ombro dele, fechou os olhos e sussurrou.

– Promete?

Félix não chegou a ouvir a resposta que veio mais baixo que um murmúrio.

– Prometo.

Notas finais
Eu tinha imaginado a primeira vez deles na casa de praia, em uma cena super romantica... MAS, eu não tenho controle sobre essa barco... ele vai onde ele quer ir... Carol, eu não tinha me tocado que tinha ficado tanto tempo sem atualizar, vou me esforça para que não demore tanto, vocês merecem! Você me deixando sem palavras e com as bochechas vermelhas, não há uma palavra boa o suficiente para descrever a pessoa maravilhosa que você é, eu sou sua fã garota, eu admiro muito você e sou muito grata também por que cada comentário seu é como uma pílula de energia para que eu continue escrevendo. Bjos. Pati, você merece muito mais, por se essa pessoa linda, que se importa e que é super carinhosa, muito obrigada e saiba que também estou aqui para o que você precisar, seja o que for, pode contar com essa amiga aqui! Eu te adoro dobrado... a lacraia mostrou suas garras venenosas, e logo será a vez da fura olho... eles ainda enfrentaram alguns obstáculos... mas enquanto eles estiverem juntos podem enfrentar qualquer coisa que se interponha na frente deles... Pati, bjos e abraços apertados. Rafa, eu que agradeço o seu carinho, e ele é reciproco, sempre que eu leio seus comentários queria que você estivesse do meu lado para eu te encher de abraços, sempre fico com um sorriso após lê-los, eu sou muito grata por isso, fico tão feliz que você tenha gostado do capitulo, e esse o que você achou? A lacraia mostrando as garras... Eles não foram interrompidos dessa vez... apesar de que eu quero que eles tenham uma primeira-segunda vez, como eles merecem... mais romântico... Bjos Rafa. Oi Dani! Não tivemos muito da Aline, mas acho que logo, logo ela vai mostrar a que veio, sim eu também não sei o que vai acontecer, essa fic vai se escrevendo sozinha... Obrigadão pelo seu comentário!!! Bjos linda!! Laize, minha diva! Obrigada, então acho que estamos quites, por que todas as suas fic, me deixam agarrada ao computador, olhos vidrados, completamente presa a cada palavra, e quando termino cada capitulo é com o coração em disparada. Eu sou fã das suas historias, da sua escrita, então quando você diz que o adorou o capitulo e que achou perfeito e imprimir e emoldura seu comentário e mostra para todos com um sorrisão no rosto. Mas eu sei que ainda terei que comer muito arroz com feijão, para te alcança. Bjos querida e muito obrigada. Marcele, você e suas palavras que são pura poesia, me deixando sempre com o coração nas mãos, pronto para entrega a você, toma é seu! E tenho certeza que não poderia está em melhores mãos. O que eu faço com você garota, por que você sempre me deixar com lágrimas nos olhos, suas palavras sempre me atingem em cheio, muito obrigada por suas palavras sempre carinhosas e que sempre me emocionam. Muitos, muitos bjos e abraços. Anne sua linda, obrigada. Eu fiquei com uma vontade de dar um ctrl-c no seu comentário, por que sua fic sem palavras de quão maravilhosa ela é, dizer que você arrasa é chove no molhado, estou ansiosíssima para saber onde o Félix levou o Niko, e estou com um pressentimento que o Anjinho vai aprontar fazendo o nosso carneirinho preferido sofre... Anne bjos.