Fated to Love You
8 Cause boys don't cry
Notas iniciais
I would tell you that I loved you
If I thought that you would stay
But I know that it's no use
That you've already gone away
Eu diria a você que te amava
Se achasse que você ficaria
Mas eu sei que é inútil
E você foi embora
Boys Don't Cry — The Cure
Paulinha já não sentia dor onde tinha feito à cirurgia, mas seu corpo ainda estava rígido pelo tempo que ficou deitada sem se mover. Com um gemido, sentou-se olhando seu quarto temporário. Seu pai tinha trazido algumas das suas coisas, alguns livros, seu computador, uma foto deles, o ursinho de pelúcia que tinha desde os três anos. Sorriu ao ver o coelho, com a pelúcia degastada por anos sendo arrastado por todos os lados.
Uma batida na porta a arrancou das suas lembranças da infância. Ajeitou-se melhor sobre a cama e pediu para quem batia entrasse.
– Oi! — Jonathan entrou segurando um ramalhete de flores, e sorria para ela — Olha para você... você esta bonita! — ele disse simpático, o que a fez força um sorriso, não se sentia bonita, ao contrario. Ainda não conseguia se mover por conta própria, o que a obrigava a tomar uns banhos de gato, sem pegar sol e depois de perder tanto sangue, ainda conservava uma palidez doentia.
– Mentiroso! — disse tentando manter sua voz brincalhona. Ficou decepcionada quando ele não veio visita-la, mas agora, não tinha certeza se o queria vê, não quando não sentia-se totalmente limpar, saudável e bonita.
– Eu não estou mentindo — ele disse e se aproximou da sua cama colocando as flores em seu colo — Você é linda de qualquer jeito — seu coração pulou uma batida quando ele lhe ofereceu um sorriso de lado.
– Como você esta? — perguntou olhando para o braço dele imobilizado.
– Bem... eu desloquei o ombro, dentro de alguns dias já estarei sem isso — ele disse sorrindo mostrando a tipoia, ele ficou serio de repente — eu queria ter ver antes... mas...
– Não se preocupe! Meu pai me contou que você veio, mas que eu estava dormindo.
Jonathan se aproximou e tocou seu braço, fazendo sua pele se arrepiar com o contato.
– Paulinha! — a porta se abriu e Jonathan se afastou quando Cássio entrou no quarto. Ele se aproximou, lançou um olhar para Jonathan e encostou os lábios nos seus — Hey flores — ele se virou para Jonathan — E você deve ser o Jonathan!
Jonathan acenou.
– Sim — ele disse — e você deve ser o Cássio o namorando... — houve um momento de silencio constrangedor entre os três que Jonathan quebrou — Paulinha eu preciso ir...
– Nós vemos depois? — ela perguntou ansiosa ignorando a sobrancelha erguida do namorado.
– Claro... — ele lhe lançou um sorriso — nos vemos depois!
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No sonho. Félix sentia-se completamente relaxado, podia vê um pedaço do céu estrelado pela janela aberta. O corpo sobre o seu se moveu, mãos acariciavam o seu peito, lábios foram para o seu queixo o fazendo sorrir.
– No que esta pensando? — Niko perguntou se aconchegando nele.
– Em como somos perfeitos juntos — disse o puxando para mais perto.
– E como você chegou a essa conclusão? — Niko perguntou sorrindo, levantando a cabeça e encontrando seus olhos.
– Olhe para nós agora — Niko olhou para seus corpos nus, que se encaixavam com uma perfeição sublime. Ele fechou os olhos como se pensasse no assunto, e os abriu com um brilho travesso.
– Acho que você vai precisa de uma resposta melhor para me convencer — ele disse descansando a mão sobre o seu coração. Félix sorriu disposto a entra na brincadeira.
– Vejamos... como posso provar a você que somos perfeitos juntos... Nós nos amamos completamente e intensamente!
– Verdade! — Niko sussurrou contra sua pele.
– Eu impeço que você cometa burradas...
– Hey...
– ...E você me torna uma pessoa melhor... e... e...
– E?
– Calma... depois do que você fez comigo nessa cama, é necessário um tempo para que meu cérebro possa funcionar normalmente — Niko riu, sua risada se espalhando pelo quarto como o cheiro do mar que vinha de fora.
– E... eu sei tudo sobre você! — Niko encontrou seus olhos desafiadoramente.
– Qual o meu filme preferido?
– A princesa e o Plebeu.
– O nome do cachorro que eu tinha quando era criança?
– Anselmo... francamente Niko, isso é nome que se dar a um cachorro!
– Qual era o nome do meu primeiro namorado? — ele continuou o ignorando
– Gustavo — Félix respondeu com uma careta
–Minha cor preferida?
– Azul... e você adora chocolate, se emocionar com as coisas mais simples, sempre desejou ganhar uma caixinha de musica, você enruga o nariz quando acha que eu estou fazendo drama, você sentir frio mesmo estando 32 graus lá fora ... você tem seis tipos de sorriso, um quando uma coisa te faz rir de verdade, um quando você esta rindo apenas por educação, um quando faz planos, um quando você esta cozinhando, um quando esta olhando nossos filhos e um quando você olhar para mim...
Félix suspirou ainda sentindo a sensação de relaxamento espalhado por seu corpo, se mexeu, e algo embaixo da sua cabeça se moveu. Félix ficou tentado a ignora e voltar a dormir, a sensação era boa demais para abandona-la, mas dedos tocaram seu cabelo. Abriu os olhos lentamente, para encontrar um par de olhos verdes.
Sorriu e voltou a fecha os olhos.
– Félix? — a realidade o acertou como um balde de agua gelada, o fazendo se afastar de Niko, com um pulo se colocou de pé. Lembrando-se de tudo que tinha acontecido, seu pai, a dor, Niko no seu escritório, deitando no colo dele... o sonho.
– Niko! — começou — eu... você... o que você esta fazendo aqui?
Niko se levantou e sorriu timidamente.
– Enquanto você dormia fiquei pensando em milhares de respostas para essa pergunta... eu estava no hospital... ouvir que você tinha discutido com seu pai... pensei em vê se você queria conversar... então você dormiu... e agora acordou.
Félix piscou, ele tentava agir como se o que tivesse acontecido não tivesse importância, como se ele entrasse em escritórios de pessoas que ele mal conhecia, e as deixasse dormir em seu colo. Para o bem dos dois, Félix resolveu entra no jogo.
– Bem... obrigado?! — tentou lhe oferecer um sorriso, mas teve certeza que deve ter saído mais como uma careta.
– Eu preciso ir — ele disse indicando a porta. Félix balançou a cabeça em concordância. Mas antes que Niko pudesse alcança-la o chamou.
– Niko! — ele se virou e Félix desistiu de pedir que ele ficasse — Obrigado... se você precisar de qualquer coisa...
– No momento a única coisa da qual preciso é de uma ótima babá! — ele disse tentando aliviar a tensão, Félix o olhou sem entender — tchau Félix!
Félix o assistiu ir embora, como o diabo foge da cruz, e só conseguia pensar que se pudesse escolher gostaria de acordar todos os dias olhando para ele.
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Assim que saiu da sala dele, Niko escolheu descer pelas escadas, no caso dele sair e encontra-lo esperando o elevador, ou qualquer outra pessoa. mas após os primeiros degraus, se arrependeu da sua decisão, suas pernas não estavam estáveis o suficiente, com um suspiro tremido sentou-se em um dos degraus.
O que tinha feito? Enquanto o velava, pensou e pensou, qual era o motivo pelo qual ficou com ele, primeiro tentou se justificar dizendo que não podia deixa-lo no estado em que ele se encontrava, sofrendo e sozinho, e por alguns minutos foi o suficiente. Niko sabia que tinha um coração mole, sua mãe costumava dizer que era a sua maior bênção e sua maior perdição, mas enquanto acompanhava sua respiração e sentia seu coração batendo. Tudo o que conseguia sentir é que aquilo era o certo, não certo de ajudar alguém que precisa, mas certo estar com ele.
Com um impulso Niko ficou de pé, não! Não queria, e não podia seguir essa linha de raciocínio. O que precisava era se afastar dele, seu instinto lhe dizia que Félix Khoury era uma bomba relógio prestes a explodir, e quando explodisse destruiria tudo a sua voltar, e para o horror de Niko, pressentia que era ele que segurava essa bomba nas mãos.
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– Eron! — Amarilys chamou balançando o braço no ar. Eron sorriu e veio na sua direção desviando de algumas mesas da lanchonete até chegar a mesa em que ela estava. A cumprimentou com um beijo.
– Fiquei surpreso quando você me chamou para esse café!
– Por que? — Amarilys perguntou surpresa
– Não sei... é que não somos tão íntimos assim... não me leve a mal — Eron pareceu se constranger com sua resposta e Amarilys não pode deixar de pensar que ele ficava uma gracinha constrangido.
– Então, vou explicar qual foi o motivo para eu ter intimado você para esse café — ela sorriu mostrando os dentes muito brancos — o aniversario do Niko é dentro de alguns dias.
– Eu sei... — Eron disse não entendendo onde Amarilys queria chegar.
– Eron! — Amarilys o repreendeu — Eu quero fazer uma festa para o Niko! — ela disse empolgada.
– Uma festa? — Eron a olhou pensativo.
– Não é uma festa Eron, é a festa!... eu quero convidar todos os amigos do Niko, todas as pessoas que gostam dele — ela o olhou seria — você sabe que o Niko merece!
– Eu sei, o Niko é uma pessoa única, ele merece tudo!
– Que bom que você sabe disso... então de muito valor para o meu amigo... por que se você não der... você pode perdê-lo! — Amarilys disse em tom de brincadeira
– Com isso eu não me preocupo... Niko me ama! Ele nunca me deixaria... — Eron respondeu com confiança.
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Félix continuou olhando a porta, mesmo sabendo que Niko não voltaria. Ainda não conseguia entender o que ele estava fazendo em seu escritório, como ele tinha chegado até ali... era como se sua vida tivesse se tornado um grande ponto de interrogação.
Achou que quando o encontrasse, seus problemas estariam resolvido, só que agora sentia como se eles tivessem se multiplicando. Tinha um monte de perguntas, e nenhuma resposta. Precisava de alguma resposta, uma que fosse, para saber o que fazer!
– Pai?
Jonathan estava parado na porta do seu escritório o olhando com uma expressão surpresa, como se fosse a primeira vez que o visse.
– Jonathan... — os dois se encararam, até que Félix percebeu que estavam se olhando por tempo demais, nenhum dos dois sabendo ao certo o que dizer — você esta bem?
Jonathan balançou cabeça.
– Você que não parece muito bem — Jonathan disse ainda parado na soleira da porta.
– Eu?
– Você esta um pouco desalinhado... você é sempre tão elegante...
Olhou para suas roupas que estavam amassadas, passou as mãos pelo cabelo, percebendo que estava despenteado, provavelmente pelos carinhos do Niko.
– O dia começou um pouco... caótico...- Jonathan continuava parado na porta — Entra!
Ele deu dois passos entrando na sala.
– Eu vim me desculpar! — ele começou e Félix o olhou confuso.
– Se desculpa?
– Quando você foi me ver... — Félix encostou em sua mesa — Eu não queria ter dito aquilo... — Jonathan disse enfiando a mão que não estava imobilizada dentro do bolso da calça.
Félix sorriu tristemente.
– Acho que eu mereci ouvir aquilo... — o silencio voltou a cair entre eles.
Jonathan respirou fundo trocou o peso do seu corpo de uma perna para outra.
– Pai.. eu...
– Jonathan... tem algo que você precisa saber... — Jonathan o olhou como se já soubesse o que ele iria contar. Será que Edith já tinha contado a ele sobre a separação?– Eu vou me separar da sua mãe — Jonathan mudou sua expressão para uma completamente surpresa.
– Você... o que? — ele tirou a mão do bolso — por que?
– Eu não amo mais a Edith... — Félix respirou fundo se preparando para ouvir as recriminações do filho
– Alguma vez você a amou? — Jonathan perguntou tristemente, mas não havia nenhuma acusação em seu olhar.
– Sim... — Jonathan o olhou como se não acreditasse — Foram muitos anos juntos... você aprender a gostar da pessoa que esta do seu lado...
– Gosta não é amar!
Félix voltou seu olhar o lugar onde estava deitado com Niko, com um suspiro respondeu ao filho.
– Não... gosta não é amar... mas o que eu sinto por sua mãe... é um tipo diferente de amor... — um tipo bem diferente do amor que o Félix e o Niko do sonho sentiam um pelo outro, Félix pensou, esse tipo de amor poucos conseguem ter ou sentir.
– Por que agora... por que só agora? — Uma sombra passou pelos olhos de Jonathan — Você conheceu... — ele hesitou — Você esta apaixonado por alguém?
Félix levou sua mão até o peito, ainda podia sentir a mão de Niko, o Niko do sonho e o real.
– Não, eu não estou apaixonado por ninguém... eu só quero ser feliz Jonathan!
Jonathan o olhou serio, podia ver que milhares de pensamentos passavam por sua cabeça.
– Eu realmente espero que você seja pai... pode contar com meu apoio.
Félix sentiu alguma coisa sendo derramado em seu coração e percebeu que era gratidão. Quis correr ate ele e o abraçar, mas sabia que se o fizesse apenas constrangeria os dois mais ainda.
– Obrigado... obrigado meu filho.
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– O senhor esta bem seu Niko? — Edgar perguntou olhando o patrão com atenção.
– Eu estou Edgar! Por que a pergunta? — ele olhou cautelosamente para as mãos de Niko.
– Droga! — Niko disse ao ver que tinha estragado mais um peixe, era o terceiro que transformava em farelos com sua faca.
– Acho melhor eu termina isso para o senhor.
– Obrigado Edgar — Niko disse desanimado.
Niko não queria pensar em Félix, mas ele continuava deslizando por seus pensamentos, por mais que tentasse bloqueá-lo.
– Niko! — seu olhar foi de encontro a Amarilys e Paloma, que sorriam para ele.
– Oi Niko — Paloma o cumprimentou, a irmã dele.
– Paloma... que bom que você veio... — disse a abraçando.
– E, eu? Não esta feliz em me vê?
– Ciumenta! – Niko disse e sorriu — Venham... — Niko as acompanhou ate uma mesa.
– Como esta o Fabricio? — Paloma perguntou
– Esta ótimo... já fazendo travessuras!
Paloma e Amarilys riram.
– Isso é muito bom... criança quando estar fazendo travessura é por que esta saudável!
Foi a vez de Niko sorrir.
– Escolham o que vocês quiserem por que hoje é por conta da casa!
– Niko!
– O que?... não tem discussão, como eu poderia cobrar das minhas medicas preferidas.
Enquanto as duas faziam seus pedidos e eram servidas, Niko observou Paloma, ela assim como o irmão eram estranhos para ele, mas já gostava dela, ela era gentil e tinha uma fragilidade que Niko sabia que não era de todo real, depois de tudo o que ela tinha passado, ela era mais forte do que muito gente imaginava... o quanto ela e o irmão eram iguais... o quanto tinham em comum... eram amigos?
– Niko? — Paloma o chamou com um sorriso envergonhado, e Niko percebeu que a estava olhando fixamente.
– Oi? Desculpe... me transportei para outro lugar...
– Um lugar bom? — Amarilys perguntou maliciosamente.
– Amarilys!
– O que? Se eu tivesse um marido como o seu... todas as noites...
– Amarilys — Niko sentiu suas bochechas ficarem vermelhas. Paloma riu o sorriso dela era parecido com o dele.
– Vocês dois estão há muitos anos juntos? — Paloma perguntou.
– Há quase quinze anos...
– E eu que não consigo fica seis meses com um cara! — Amarilys disse e suspirou desanimadamente.
– E você Paloma?
– Eu não tenho ninguém...
– Por que ela não quer! — Amarilys a interrompeu — os homens se jogam aos pés dela! — Niko quase pode identificar uma pitada de inveja na voz dela.
– Tenho certeza que você vai encontrar a pessoa certa — Niko sorriu e segurou a mão da Paloma gentilmente sobre a mesa
– Pra você é fácil falar... você já encontrou a sua – Amarilys disse brincalhona, Niko forçou um sorriso, a voz dela reverberando em sua cabeça, eu já encontrei? Sim, Eron! Não era? Niko esperou seu coração se agitar em resposta, mas só obteve silencio.
– Ah, Paloma... e o Jonathan? — Amarilys perguntou mudando de assunto, o que Niko agradeceu.
– Ele está bem... amanhã ele terá alta... — Paloma suspirou — E terá que enfrenta outros problemas...
– Problemas? – Amarilys perguntou curiosa, Paloma hesitou.
– Os pais dele vão se separar...
– Félix e Edith vão se separar — ela perguntou espantada com a boca ligeiramente aberta.
– Félix? O seu irmão? — Niko também não conseguiu esconder a surpresa, mas é claro, como não tinha ligado os nomes, ele tinha dito que seu filho se chamava Jonathan.
– Você conhece o meu irmão? — Niko tentou pensar em uma boa desculpa para o seu deslize
– Ele... ele... achou a minha carteira...
Paloma sorriu.
– Ele me contou...
– Contou? — Niko sussurrou para sim mesmo.
– Mas por que dessa separação, depois de tantos anos juntos? Eles pareciam um casal tão feliz... — Amarilys sondou.
Paloma se mexeu desconfortável.
– Ela não era a pessoa certa para ele — Paloma disse com um leve sorriso e encontrou os olhos de Niko, o que fez seu coração revirar.
– Paloma, você esta querendo dizer...
– Eu não quis dizer nada!
– Vamos Paloma...
– Amarilys! — Niko a repreendeu com o olhar.
– Tudo bem... só fiquei curiosa... não precisa me olhar assim Niko — ela disse emburrada.
– Lamento pelo casamento do seu irmão — Niko disse e voltou a segurar a mão dela.
– Eu não... meu irmão nunca foi feliz com ela... — Paloma sorriu tristemente e apertou levemente a mão dele — Mas algo me diz... que ele encontrou a pessoa certa.
Niko a olhou, enquanto algo crescia dentro dele, algo que não queria nomear, e que o assustava terrivelmente.
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Félix estacionou em frente a mansão Khoury e agradeceu por Edith não esta em casa, provavelmente estava na loja, não tinha visto sua mãe em nenhum lugar, a casa estava silenciosa, ate os empregados pareciam estranhamente quietos.
Foi ate o seu quarto, tomou um banho rápido e trocou de roupa, nos últimos dias devido as consequências dos seus sonhos, tinha a sensação de que estava sempre emaranhado.
Já estava pronto para voltar ao hospital, quando sua avó vindo da cozinha o chamou.
– Félix?... o que esta fazendo aqui a essa hora?
– Precisava troca de roupa... a senhora esta sozinha vovótrix?
– Pilar foi a salão... mas eu estava na cozinha... você não quer comer algo antes de ir?
Seu estômago reclamou, não comia nada desde o dia anterior, mas resolveu ignora-lo.
– Vovó... — sua avó poderia ajuda-lo com algo que precisava confirmar. — podemos ir ao jardim... — sua avó o olhou desconfiada.
Caminharam ate o jardim. Félix esperou sua avó sentar-se
– Diga Félix o que você quer? — ela perguntou sabendo que o neto queria alguma coisa.
Félix pensou em uma forma de começa essa conversa, onde conseguisse todas as informações que precisava, mas nada do que dissesse tornaria mais fácil o que precisava perguntar.
– Cristiano... — falou e pode ver as perguntas se formando na cabeça dela, como ele conhecia esse nome? Quem tinha contado a ele...
– Cristiano... — ela repetiu o nome com uma tristeza enorme — Félix...
– Eu sei que ele é meu irmão e que morreu afogado... — informou antes que ela pudesse inventar uma mentira, mas estava enganado, ela não mentiria.
– Faz muitos anos que não escuto esse nome... seu irmão Cristiano — lágrimas escorreram pelo rosto dela — uma criança linda... a morte dele devastou a todos nós.
Félix segurou a mão de sua avó.
– O que aconteceu?
– Um acidente... um terrível acidente... a babá se distraiu e ele caiu na piscina... e você já sabe o que aconteceu...
Félix olhou para a piscina e desviou rapidamente.
– Por que nunca me contaram? Eu tinha o direito de saber sobre esse irmão... Paloma sabe?
– Não, ela não sabe... sua mãe... ela sofreu muito com a perda do Cristiano... toda vez que falávamos sobre ele, ou quando ela via uma foto dele, ela afundava em depressão... achamos melhor tira as fotos da casa... e paramos de falar sobre ele...
– E o papi? -
– Cesar também sofreu... do jeito dele... mas sofreu...
– Ele o amava muito... Cristiano — Félix perguntou sua voz tremendo, pois já sabia a resposta.
– Félix... — sua avó o olho gentilmente e acaricio sua mão — ele amava Cristiano tanto quanto amava você...
Uma mentira piedosa. Félix sorriu como se acreditasse nas palavras dela.
– Obrigada vovótrix... você é a melhor!
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Félix deitou-se em sua cama, perdendo toda a vontade de retornar ao hospital, sua avó não quis mais entrar em detalhes sobre o acidente do seu irmão. Queria saber mais sobre esse irmão, e principalmente sobre a relação dele com seu pai. Se Cristiano não tivesse morrido, tudo seria diferente? Ou ele seria mais um que precisaria tirar do seu caminho, como tinha feito com Paloma e Paulinha.
Lágrimas deslizaram por seu rosto, queria ter a mesma felicidade do Félix do sonho, mas o que ele tinha feito para merece essa felicidade? E o que precisava fazer para merecê-la?
Félix já não se importava de sonhar, os primeiros raios do sol começavam a nascer, podia ver a bola laranja e amarela no horizonte. Seu olhar foi para a cama, Niko dormia tranquilamente, suas costas nuas eram um convite ao toque, desejou acorda-lo com beijos e fazer amor com ele suavemente em sem pressa. Com um suspirou afastou a ideia, ele dormia tão lindamente que não podia acorda-lo.
Seus pés se moveram saindo do quarto, um longo corredor, o levou até as escadas, passou por portas, que sabia que pertencia ao quartos das crianças, seu corpo continuava se movendo, passando por porta-retratos, onde podia ver rostos sorridentes, queria se deter e vê as fotos uma por uma.
Félix se pudesse gargalhar o teria feito, nunca tinha fervido agua na sua vida, mas esse Félix sabia fazer café, café de cafeteira, mas ele manejou o utensílio como se o tivesse feito muitas vezes. Nunca se imaginou em uma cozinha, mas ele se movia nessa cozinha com naturalidade, como se tivesse passado muito tempo nesse lugar, e talvez tenha passado, Niko era dono de um restaurante e devia ser um ótimo cozinheiro, quantas horas o observou cozinhar, enquanto conversavam sobre como tinha sido o dia um do outro, enquanto contavam pequenos causos rotineiros.
O cheiro de café se espalhou pela cozinha, e ele se serviu em uma caneca, e olhou para a janela, já era dia lá fora.
– Café! Tudo que eu preciso, para começar o meu dia!
Félix voltou sua atenção para a voz. A mulher das flores no cabelo!
– Por que acordou tão cedo criatura? — perguntou enquanto enchia uma caneca com café para ela.
– Velhos hábitos só perdemos quando morremos — ela disse provando o café e suspirando — passe uma vida inteira acordando as cinco da manhã... — ela voltou a toma outro gole
– Não me fale... já tive minha cota de acordar esse horário.
– Você não acordava menininho... eu precisava ter arrancar da cama todas as vezes... esse café esta uma delicia.
– Mas é claro, não é aquela agua choca que você me dava...
Ela o olhou atravessado e depois sorriu.
– Era horrível mesmo não era menininho... pensa pelo lado positivo, se você não tivesse que provar aquele café você nunca teria dado valor a esse — ela disse erguendo a caneca.
– Verdade... precisei perder tudo o que eu tinha para... para aprender a dar valor ao que realmente importar...
– E você aprendeu menininho
– Também eu tive a melhor professora... — ela o olhou com tanto amor — ou melhor, os melhores professores...
– Carneirinho, Carneirão... que bom que ele não desistiu de você!
– Não me lembre... toda vez que eu penso que poderíamos esta juntos a mais tempo...
– Você foi muito burro menininho!
– Hey... eu nunca fui burro... eu sou inteligência pura! — os dois gargalharam.
– Tudo aconteceu no tempo que tinha que acontecer...- ela disse delicadamente.
– E a doida da sua filha? Por que ela não veio?
– O despacho de encruzilhada tinha um show e ela queria ficar com ele...
– Aqueles dois combinam direitinho... eu temo pela Mery, com uma mãe e uma avó piriguete...
– Quem que é periguete? Escute bem menininho, a Mery Jany e Mary Anny são duas mocinhas lindas e elegantérrimas... — Antes que pudesse responder alguém se fez presente na cozinha.
– Bom dia!
– Bom dia Bruno!
– Outro madrugador... bom dia Bruno... café?
Ele sorriu e balançou a cabeça afirmativamente.
– Velhos hábitos... — Félix e a mulher riram — o que foi?
– Já falamos sobre isso... — Félix entregou o café para ele — Paloma me contou que você esta comprando a parte do seu sócio...
– Ele quer se aposentar e não tem filhos... ainda estamos conversando...
– O despacho falou que você tem feito todo o trabalho... que todas as ideia que dão lucro a empresa são suas...
– Marcia, o Carlito fala demais... sou grato ao meu sócio... se não fosse a injeção financeira que ele deu as minhas ideias, não tínhamos chegado onde estamos...
Marcia! O nome dela é Marcia, mais um rosto a ganhar nome.
– Bom dia! — sua avó entrava na cozinha de braços dados com Lutero, por isso Félix não esperava.
– Bom dia vovó — Félix se aproximou da avó e a beijou — Bom dia vovô Lutero! — e também deu um beijo em Lutero, que revirou os olhos, mas sorriu para ele como se já estivesse acostumado.
– Bom dia Félix!
– Mas o que tinha na cama de todos? Formiga? Por favor, não diga que é habito...
– Não é habito meu neto e a idade... quanto mais velho se vai ficando, menos necessidade de se dormir se tem...
– É na idade de vocês dormi pode significar não acordar mais...
– Félix! — Marcia o repreendeu — um dia você também vai envelhecer...
– Mas é claro! Mas eu vou ser o velho mais lindo e inteiro... — Félix não completou sua frase, pois Paloma apareceu na porta.
– Bom dia! — ela cumprimentou a todos, e beijou Félix que estava mais próximo a porta, depois sua avó e Lutero, até chegar a Bruno, a quem ela abraçou e beijou levemente nos lábios.
– Vocês amanheceram animados...
– Seu irmão... que já acorda ligado no 220...
– Félix! — Niko entrou na cozinha atarantando — Por que você não me acordou?
– Você estava dormindo tão gostoso carneirinho... — ele disse e o beijou — Não vai dar bom dia a todos? — Félix mudou de assunto.
– Desculpem... bom dia! — Niko cumprimentou a todos — Félix deveria ter me acordado para preparar o café! — ele disse envergonhado.
– Acabamos de acordar Niko, não se preocupe!
– Vou preparar algo para nós... Dona Bernarda seu Lutero vocês desejam alguma coisa especial? — Niko perguntou atencioso.
– Não se preocupe... e quer saber... vou ajuda-lo a preparar o café...
– Eu também vou ajudar! — Marcia disse se levantando do banco onde estava sentada.
– Podem contar comigo também! — Paloma disse com um sorriso abraçada ao Bruno.
– Carneirinho você conseguiu muitas ajudantes! Eu saio para não atrapalhar...
– Preguiçoso... — escutou a voz de Paloma e ela disse mais alguma coisa, que não conseguiu entender pois foi abafada pelos sons das risadas.
O sol já estava alto no céu, Félix respirou fundo sentindo o cheiro do mar. Seria mais um dia perfeito na sua vida.
Félix continuou com os olhos fechados, tentando segurar a sensação de paz e felicidade que sentia no sonho, mas pouco a pouco a sensação foi sumindo, dando lugar as suas dores, medos e angustias... Mas esse sonho tinha lhe dado a resposta que buscava... agora sabia o que fazer para merecer essa felicidade.
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