Fate or Something Better
11 11. It's time we met and made a mess
Notas iniciais
~ It’s time we met and made a mess ~
A coisa boa de o Natal estar chegando era que Laura e Clint levavam os menores para verem coisas em Forks ou Port Angeles e tinha a casa toda para si. Havia ido com eles duas vezes, mas preferia ficar em casa sentindo a paz de um local sem barulhos para poder estudar ou desenhar ou simplesmente fazer nada. O feriado de Natal chegaria logo e estava bastante ansiosa. Ao que tudo indicava, esse ano seria diferente do anterior, fazendo uma nova impressão de como as coisas se comportavam no interior.
Largou a caneta na mesa. Aparentemente, estava sozinha em casa. Completamente sozinha, pelo que poderia imaginar. Há algum tempo não sentia essa quietude toda. Se levantou da sua cama e desceu a pequena escada que dava acesso à porta do sótão que agora era o deu quarto.
“Pietro?”, chamou pelo corredor em vão e continuando a descer até chegar no piso térreo da casa. Abriu a porta ao lado da escada e começou a descer a escada que dava em direção ao porão convertido em quarto que pertencia ao seu irmão. “Pietro?”, perguntou novamente. Havia um bilhete em cima da cama escrito às pressas com a sua caneta de ponta porosa favorita que já havia notado o sumiço. “Nina... para variar um pouco as coisas”, disse irônica.
O aniversário deles era no dia seguinte e duvidava que ele fosse passar esse momento em casa com ela. Seria o primeiro que passariam longe um do outro mesmo estando tão perto. Não se incomodaria, de fato, se ele passaria com Nina, poderia muito facilmente passar com Donnie e Liz ou, se fosse mais ousada, poderia ir à casa de Scott para que aproveitassem mais a companhia um do outro.
Depois da última noite, havia ficado tensa com a possibilidade de as coisas ficarem piores do que com um simples beijo. Havia sido mais e definitivamente haviam se esquecido de todas as barreiras sociais que os impediam de se relacionar como pessoas normais. Nós poderíamos ser muito mais do que já somos. Se lembrou do timbre grave quem cantava essa música. Definitivamente haviam se tornado algo mais. Havia se assustado um pouco quando chegou em casa e havia uma mensagem dele no seu celular perguntando se tinha chegado bem uma vez que ele não poderia deixar Cassie sozinha no meio da noite para que pudesse acompanha-la, e entendia isso. A noite só havia de fato terminado quando ele disse que já haviam se tornado muito mais do que já eram e aí não houveram rótulos, era melhor assim.
Clint e Laura ainda demorariam um pouco para chegarem, então poderia fazer bom uso do seu tempo ocioso. Tinha silêncio e calmaria a seu dispor até que todos estivessem em casa fazendo barulhos diversos.
Poderia, realmente, usar esse momento... era quase fim de tarde e demoraria mais algumas horas até que todos estivessem em casa. Assim como havia devaneado junto de Scott algumas noites atrás, agora era o seu próprio devaneio que teria espaço, principalmente quando percebia que poderia colocar os seus pensamentos em ordem de forma realmente tranquila.
Subiu de volta para o andar térreo e pegou o seu celular de cima da mesa de jantar que estava carregando na tomada perto da janela. Olhou a hora e sim, teria tempo de sobra. Então subiu para o outro piso e andou calmamente até o banheiro no final do corredor. Trancou a porta atrás de si e sim, talvez um banho pudesse colocar os seus pensamentos em ordem. Colocou a banheira para encher e tirou de dentro da gaveta uma essência de lavanda para colocar na água. Destravou a tela do celular e abriu o aplicativo de streaming de músicas, selecionou uma playlist de músicas suaves e o apoio no banquinho perto do cesto de roupas.
Tirou a parte de cima do pijama e depois a parte de baixo, deixando a roupa íntima no cesto de roupa suja ao lado da banheira, o que continha o seu nome. Quando se olhava no espelho, sabia que às vezes não gostava do que via. Não era como se detestasse o seu corpo com todas as suas forças, mas tinha coisas que realmente não conseguia perceber como encaixes para o que gostaria de ter: o seu quadril parecia um pouco estreito e as suas pernas eram um pouco estranhas. Era estranho como estava bem consigo mesma em tão poucos momentos que precisava apreciar todos eles quando existiam, então agradecia a sua saúde mental por lhe deixar ter um momento em paz com Scott.
Enquanto a banheira ainda enchia, entrou na água e esperou que ela completasse o volume até conseguir lhe cobrir os seus seios. Soltou os cabelos e deixou que as pontas molhassem, lavaria eles depois do mesmo jeito. A água amornada tocava a sua pele e lhe trazia uma sensação de relaxamento, era isso o que precisava verdadeiramente, principalmente depois do último acontecimento.
Se falasse em voz alta, parecia que estava presa em um livro cheio dos clichês infinitos, dos de banca de revistas. Estava se relacionando com um homem mais velho que, muitíssimo por acaso, era um professor seu. Haviam começado como amigos, claro, e isso mesmo já era de certa forma proibido já que entre eles implicava certa relação de poder. Não deveriam se relacionar, era só que... entendia como isso não era socialmente bem visto. Em um outro caso, em outra circunstância, poderiam estar presos em uma situação completamente sem saída para os dois, mas ambos eram adultos e consentâneos de acordo com as leis do estado de Washington. Talvez dizer isso em voz alta devesse tirar um pouco da carga de como as coisas estavam acontecendo.
Talvez se repetisse isso mais vezes, isso finalmente entrasse na sua cabeça de que era real.
Mordeu o lábio inferior e olhou para a cortina plástica que cercava a banheira. Ouviu a música trocar e sabia qual era essa. “Me deixe pegar na sua mão e faça o que é certo, eu juro amar você por toda a minha vida. Espere, eu ainda preciso de você”, cantarolou junto com a música e suspirou. Amar não era um sentimento arrebatador que se sentia instantaneamente ao se ver uma pessoa e se frustrou um dia por a vida não ser exatamente uma canção de amor ao violão, mas acreditar que amar era uma escolha, uma construção, talvez até pudesse fazer uma escolha dessas um dia... se as suas fantasia novelescas se fortalecessem, talvez pudesse ser pelo homem que lhe disse que números imaginários existiam.
Encostou a cabeça na toalha de rosto que havia dobrado para fazer de almofada pequena. Continuou sentindo o aroma alavandado da água e tinha a esperança de sair dali mais enrugada que uma velhinha, pelo menos assim daria vazão para quando lhe chamavam de vovó na escola. Estava sozinha, não poderia fazer mau uso desse momento tão raro. Olhou para o teto com o forro pintado de branco, já havia algumas vezes feito isso ali, mas não muitas já que tudo era sempre tão barulhento e cheio da residência dos Barton. Era o seu momento de brilhar e riu ao pensar isso, definitivamente não deveria ser dito em voz alta.
Desceu a mão até a sua intimidade por baixo da água e se tocou. Estava sozinha, estava segura, estava tranquila, podia se dar ao luxo de se dar um pouco de prazer como recompensa por momentos tão tensos ultimamente. Fechou os olhos, respirou fundo e começou.
Sentia como isso era importante para a sua fantabulosa emancipação feminina. Para alguém que veio de um país tão retrógrado como a Sérvia, que ainda tinha resquícios de dominação soviética pelo menos nos modos de agir, o conservadorismo lhe pegava de jeito quando diziam que as suas mãos deveriam ficar quietinhas e bem longe da sua Pequena Wanda, num linguajar mais aproximado ao de Barney Stinson. Mas se não fizesse isso, não conheceria o seu próprio corpo e boa parte das coisas ruins que aconteciam com as garotas eram por falta de autoconhecimento. Sim, era uma justificativa bem plausível para o seu gosto.
Relembrava, então sentia como se estivesse incrivelmente mais leve depois do que ela e Scott fizeram na sala da casa dele, noites atrás. Deveria ter mil motivos para se sentir frustrada, mas compreendia que a situação não era a mais propícia para que fizessem o que tinham feito. Teriam outras chances para de fato concluir o que tinham começado. Pelo menos queria acreditar que teriam agora que já haviam se tornado mais do que já eram.
Houveram momentos em que sentiu uma pequena aflição por saber que ele estava tão afoito quanto ela indo com muita sede ao pote. Riu todas as vezes que ele se desculpou no seu ouvido por estar deslizando os dedos para fora do seu centro, fazendo um pouco de confusão com o que estava aos lados, e acima pelo menos perdoava quando ele acertava. Havia tido prazer com ele, principalmente quando se percebia realmente conectada a ele.
Se tocou novamente. E começou a movimentar os seus dedos calmamente enquanto sufocava um gemido aqui e outro ali para que pudesse se concentrar no seu próprio corpo. Manteve os seus pensamentos nos momentos em que Scott, nos momentos em que ele se preocupou com que se sentisse desejada naquele momento e percebeu isso. Continuou a dedilhar a sua intimidade e friccionar ainda mais os dedos no seu pontinho sensível para que chegasse ao seu prazer logo. Precisava um pouco disso. Continuou até sentir o seu corpo todo se contorcer levemente, ao ponto de fazer a água se agitar. A sua respiração se tornou errática e sentiu uma leve pontada na cabeça.
Ofegante, assumiu que pensaria em algo. Realmente, já estavam sendo muito mais do que já haviam sido.
[...]
A casa de Wanda era bastante parecida com a sua, ficavam na mesma vizinhança, então era normal que isso acontecesse. Na sacola de papel tinha gemada, uma garrafa de rum e dois bacon cheeseburgers com batata frita do restaurante de Helen. Para uma noite de Natal isso era só um pouco deprimente. Entrou pelo acesso lateral e chegou ao quintal pequeno dos Barton.
Já havia passado o aniversário de Wanda, então já havia visto nas redes sociais dela fotos com os familiares mais próximos e algumas com os dois amigos dela, Mary Elizabeth e Donnie, fora Eli, que sabia que eles todos tinham algum nível proximidade embora nunca tivesse vindo à tona o conteúdo da conversa que a havia desestabilizado na noite antes de se beijarem. Havia enviado uma mensagem dizendo que ela estava incrivelmente bonita e desejando feliz aniversário. A resposta dela havia sido justamente a que estava aguardando, de que poderiam ter passado essa data juntos.
A mensagem dela para este dia também o havia surpreendido
Bateu a neve dos seus sapatos no capacho deles e bateu três vezes na porta, esse era o código que haviam combinado. O irmão dela tinha ido passar o Natal na casa de Nina com a família do marido da irmã dela e todos os Barton tinham ido passar o feriado na casa dos pais da Sra. Barton. Sentia um frio na barriga por estarem se encontrando às escuras e na casa dela, sabia que na sua casa era mais seguro para os dois a essa altura.
Wanda não demorou para abrir a porta e sorriu, ela estava um pouco rosada nas bochechas. Estava vestida como a via sempre, só estava descalça dessa vez. E também estava tão bonita... como Cassie sempre frisava.
“Eu trouxe jantar se você estiver com fome”, disse entrando.
“Eu estou faminta, obrigada por se preocupar”, ela disse.
Era uma casa antiga e que precisava de reformas assim como a sua, mas parecia um pouco mais bem cuidada. As paredes claras eram iluminadas por luzes e podia ouvir o Quem Quer Ser Um Milionário? na televisão que provavelmente ficava na sala. Viu Wanda pegar dois copos e uma garrafa de refrigerante de cola. Ela tampouco disse aonde deveria deixar as suas compras. A viu seguir o rumo da escada e pegar o controle remoto de cima do aparador para desligar o televisor.
“Vamos para cima, é mais confortável lá”, foi o que ouviu.
O seu coração se acelerou um pouco. Uma coisa era ele se agarrar com ela no sofá da sua casa, outra era ela mesma leva-lo para o quarto que era dela. Isso conferia mais intimidade ainda ao que tinham, querendo ou não.
No topo da escada, a segunda porta à direita era a dela, percebeu isso por causa dos desenhos feitos com canetinhas permanentes. Ela abriu a porta e o guiou escada acima no sótão adaptado para quarto, sorriu ao ver o mundo dela ali. O laptop antigo, os livros que ela gostava de ler estavam perfeitamente enfileirados em uma prateleira sobre a escrivaninha, a cama improvisada no chão com paletes de madeira tinha um dedo de referência do Pinterest. Tudo naquele quarto tinha o toque dela e adorou conhecer. Ela tinha uma mesinha de centro para desenhar e entendeu o porquê de ela pedir para trazer o seu mini projetor. Colocou as suas coisas na mesinha e ainda estava tentando se sentir confortável ali.
“Você pode se sentar no chão comigo, se quiser, o quarto está limpo”, ela brincou. Tirou os sapatos e ficou somente com as meias assim como ela. Não sabia o que fazer, o que dizer, como agir, parecia que tinha dezoito anos novamente e isso foi há muito tempo.
“Você está bonita hoje”, disse sem gaguejar. “Assim, você é bonita, você está bonita todos os dias, mas hoje você parece mais bonita... santo Cristo, eu realmente não sei o que fazer depois de tanto tempo”.
“Obrigada... eu acho”, ela disse se lembrando do primeiro beijo que trocaram quando houve um diálogo parecido com esse..
“Como foi o seu dia hoje?”, perguntou.
“Foi... incrivelmente chato. O Clint viajou ontem e Pietro decidiu de última hora que iria para Port Angeles com Nina. Duvido um pouco que tenha sido de última hora, mas essa é a versão oficial”, a risada de Wanda era contida.
“Eu compreendo”, foi a única coisa que conseguiu dizer.
Se aproximou da sacola de papel e pegou a gemada e o rum, uma parte de gemada para uma ínfima de rum estava bom. Serviu isso e tomou um gole desesperado. Wanda riu, ela parecia muito mais à vontade agora que os papeis foram trocados e estavam na zona de conforto dela. Era diferente, era como se estivesse realmente posto no lugar dela na primeira vez que a levou para a sua casa para ficarem mais à vontade.
Wanda se arrastou lentamente até o seu lado. Ela se levantou se ajoelhando e colocou uma perna em casa lado do seu quadril, se sentando no seu colo. Já haviam passado por algo parecido, ficado assim na sua casa depois que havia tentado dar prazer a ela e se lembrou de como o seu corpo reagiu a tal estímulo. Os dedos de Wanda tocaram o seu rosto e agora sentia o que ela queria, o que ela faria. Deixou as suas mãos pousadas na cintura dela, brincando com o vestido e a curva do corpo.
O beijo empenhado tinha um quê de sentimento, entrega, sensualidade e inocência, Wanda conseguia ser tudo isso e mais quando o beijava. Desceu a sua língua pelo pescoço dela e mordeu levemente o ombro da garota. Ouviu-a gemer baixo. Nas suas pernas, Wanda se sentou ficou encarando-o por um tempo. As mãos dela foram de encontro com o primeiro botão do seu vestido preto. O colo dela começava a aparecer e quanto mais ela descia as mãos para abrir os botões, mais se sentia excitado pelo que vinha a seguir. Quanto mais os botões eram abertos, mais do corpo dela era revelado. O vestido logo foi colocado de lado quando desceu pelos ombros dela e o sutiã escuro lhe parecia desnecessário para o que supunha que fariam depois. Para os outros deveria parecia fácil dormir com alguém mais jovem, mas para Scott era uma sensação diferente pois se sentia conectado com Wanda verdadeiramente.
“Eu acho melhor você trancar a porta”, sugeriu.
Wanda se levantou e viu como ela ficava bonita nesse tipo de lingerie sensual rendado. Não era a primeira vez que admirava o corpo dela seminu, tinha gostado da visão da última vez, só não tinha sido a hora certa para isso acontecer. Duvidava que agora fosse a hora certa para acontecer também. A casa vazia era um sinal de esforço dela, admitia, contudo, tinha uma voz no seu interior dizendo que não deveria se aproveitar tanto da situação, era um homem adulto e velho o suficiente para se excitar com o pensamento do corpo dela nu no seu, só não entendia como ela se sentia atraída por ele.
Ela estava se demorando um pouco na porta, como se estivesse esperando que tomasse coragem para fazer alguma coisa. A única coisa que conseguiu pensar foi se levantar do chão e começar a tirar as suas roupas, era isso? Se sentou na cama dela e esperou até que ela chegasse. Retirou o seu cardigã azul escuro e ficou somente com a camiseta branca e o resto das roupas. Wanda se virou, percebeu o pequeno desapontamento dela ao lhe ver ainda vestido. As rendas da calcinha dela estavam mexendo com os seus pensamentos e deixando-os ainda mais desorganizados.
“Está nevando lá fora, sensação térmica de dez graus negativos, e eu estou usando uma calcinha de renda em um quarto onde o aquecedor não funciona muito bem, acho que você consegue perceber o quanto eu quero me comprometer com o que nós temos se é essa a sua dúvida”, ouviu a garota e deu ênfase na última parte, a de se comprometer com o que tinham. O que tinham? Wanda era a sua namorada? Estava velho demais para ter uma namorada como ela?
“Espero que você goste de hoje tanto quanto eu vou”, agarrou a garota pela cintura e a derrubou na cama para que ela caísse por cima do seu corpo. “Você tem certeza absoluta de que o seu irmão vai demorar?”, perguntou enquanto passava as pontas dos dedos pela barriga lisa da moça.
“Ele só vai voltar no próximo ano, Nina e a família estão planejando muitas atividades com Pietro. E o meu padrinho só retorna depois de amanhã, se você quiser dormir aqui...”, a garota tentou.
“É claro que eu vou passar a noite aqui, mas eu tenho certeza de que não vai ser dormindo”, disse no ouvido dela enquanto acariciava as costas macias da garota.
Wanda se sentou novamente no seu colo e também se elevou um pouco, brincando levemente com o fecho do sutiã sentindo-o se desprender não muito depois. A peça caiu no seu peito por cima da camisa, revelando seios médios e harmoniosos. Sentia a sua ereção latejar dentro das calças como da primeira vez, pulsando e desejando o corpo feminino que estava à sua frente. A mão quente dela se colocou por baixo da sua camiseta branca e se antecipou em se deitar novamente para retirar a roupa afoito. Os seios dela roçaram no seu peito quando ela se deitou no seu peito e sentiu os lábios quentes lhe beijando com sensualidade.
O ar faltou, ela também percebeu isso quando se forçou a quebrar o contato que estavam compartilhando. Wanda tocou o seu braço e deslizou para o seu lado na cama de casal, de costas. Beijou uma, duas, três vezes, sentindo a textura e o aroma natural que a pele dela tinha. Os seus dedos desceram pelo braço direito e chegou a mão, trazendo-a para perto e beijando delicadamente os nós dos dedos; depois, tocou o quadril de Wanda na direção que havia feito da primeira vez. Mais uma vez, tocou o tecido da peça que ela usava e brincou um pouco antes de sussurrar no ouvido dela o que queria que ela fizesse. Com mãos ágeis na medida, Wanda se esforçou para que a calcinha rendada descesse pelas pernas. Ela abriu um pouco as pernas quando se virou para lhe olhar nos olhos e percebeu que tinha a permissão que pretendia para fazer o que estava pensando.
[...]
Já havia pelo menos limpado o que estava há pouco escorrendo pelas suas pernas. Vestiu a parte de cima do seu pijama e se percebeu sorrindo um pouco. Olhou pela janela e viu a neve continuar caindo do lado de fora formando uma camada espessa na parte da frente da casa que mais tarde precisaria tirar pelo menos um excesso para não se acumular de forma desordenada. Olhou para a sua cama pelo reflexo formado no vidro em razão da iluminação no quarto e viu Scott deitado de bruços ainda nu. Ele tinha uma bunda bonita, isso tinha que admitir. Caminhou de volta para a sua cama e se deitou calmamente para não o acordar, apagou as luzes no interruptor que ficava ao lado da sua cama e o observou mais um pouco na expressão serena que ele tinha no rosto. Nós poderíamos ser muito mais do que já somos, se lembrou da música e de como, finalmente, já haviam se tornado algo mais.
Scott havia feito de tudo para que se sentisse confortável e desejada, somente com essa atenção já teria ganhado a sua noite. Ainda sentia calafrios imaginando os locais em que as mãos dele haviam tocado, os locais em que a boca dele havia beijado e como tinham se tornado um. Haviam trocado carícias e partes deles mesmos. Inclusive haviam feito o que não imaginaria que pudesse ser divertido e igualmente perigoso. Uma noite especial merecia uma comemoração especial.
Ele primeiro havia usado os dedos. Não se decepcionou quando ele não demorou a encontrar o seu clitóris e sabia da lenda urbana de homens que até desconheciam essa parte do corpo feminino. Por sorte não havia ninguém em casa para ouvir quando gemeu alto com ele massageando a sua parte sensível do modo como sabia que ele faria, mas dessa vez ele também havia feito algo novo. No começo era somente um dedo lhe penetrando e sentia o vaivém dele dentro de si enquanto ele desajeitadamente usava o polegar para lhe massagear. Tinha conseguido tirar o lençol da cama por tamanha a força que usou para se conter. Não havia tido uma primeira experiência muito boa e com certeza a sua segunda experiência – já com Scott – havia conseguido superar algumas expectativas que tinha sobre a sua sexualidade. Então depois ele inseriu um segundo dedo sentindo a sua lubrificação quente contra a pele da mão dele. E sabia que depois disso ele não teria muita paciência para continuar segurando o volume que sentia contra a sua coxa.
Scott havia se levantado e começado a desafivelar o cinto de couro sintético e um pouco gasto e quando desceu a calça, também desceu junto a cueca que estava vestindo. Ainda se lembrava das palavras dele quando finalmente abriu os olhos e espiou o que obviamente lhe esperava. Eu nunca vou machucar você, e sabia que ele não seria capaz disso. Ele tocou os seus pés na intenção de abrir um pouco mais as suas pernas e beijou as suas panturrilhas subindo pelo interior das suas coxas. Imaginava o que viria depois disso quando começou a sentir a respiração dele perto demais do seu íntimo. Obviamente o sentiu beijar os seus lábios inferiores, tanto que se surpreendeu quando sentiu a língua dele tentar invadir o seu meio para descobrir que gosto tinha. Ele também gemeu quando agarrou os cabelos dele pois sabia que estava fazendo alguma coisa de muito certa por ali.
Quando o sentiu entrar no seu corpo, em um primeiro momento havia sido de forma cautelosa e respeitosa. Ele estocava como se fosse uma boneca de porcelana que fosse se quebrar a qualquer momento e riu quando afirmou que ele poderia aumentar um pouco o ritmo e que isso não a machucaria, mas sabia que ele estava apenas mantendo a sua palavra de não a machucar. Sentia os pelos do seu corpo se eriçarem com os toques, com as sensações que tinha ao sentir prazer com Scott e percebia que o prazer dele tinha lugar no seu. Aumentando o ritmo, sentiu quando involuntariamente começou a se contrair ao redor dele. Não havia ficado desapontada por não conseguir atingir um clímax, mas Scott sim, e ele se desculpou bastante por isso. Era boa em ler as pessoas e viu nos olhos dele como ele havia ficado constrangido com o ocorrido. Sentiu o calor de parte dele dentro si, lhe preenchendo. Perigoso e divertido, era uma sensação nova e esperava que sentisse muitas coisas novas com ele.
O percebeu abrindo os olhos e novamente o viu envergonhado. Ele estava tão cansado e entendia que ele não fazia isso há um bom tempo, poderia ser que demorassem até encontrar um ritmo que servisse para os dois, teriam tempo.
“Quanto tempo eu dormi?”, ele perguntou bocejando. Coçou os olhos e os abriu um pouco mais.
“Meia hora, um pouco mais, um pouco menos”, disse a ele se virando para que o olhasse nos olhos.
“Me perdoe pelo que aconteceu. Não é o ideal, eu sei, mas eu ia... você sabe... fora”, Scott disse baixo.
“Eu sei”, disse a ele.
“E eu também não estou doente e nem nunca tive nada, eu fiz um super check-up antes de começar a trabalhar, exigência do meu empregador”, ele afirmou depressa, estava desesperado.
“Eu imaginei”, confessou se sentindo intimamente aliviada.
Tocou a mão dele e entrelaçou os dedos juntos, usando a outra mão para cobri-lo com o cobertor grosso. Por debaixo da coberta, Scott se aproximou e beijou o seu ombro, se aconchegando ali e sentindo os cabelos dele roçarem no seu rosto. Fazia um pouco de ideia de que ele gostaria disso, mas tinha ficado um pouco receosa de fazer e ser rejeitada. Não sabia de onde havia tirado isso, mas com Scott não era assim. Olhou para o relógio de Scott ao lado da cama, era hora.
“Já passa da meia-noite”, sussurrou no ouvido dele. “Feliz Natal, Scott”.
“Feliz Natal, Wanda”, ele falou beijando as suas mãos mais uma vez. Sim, já eram muito mais do que tinham sido um dia.
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