Fate

4 Capítulo 4


Bianca se deixou conduzir até um elevador de luxo escondido no fim de um dos corredores do saguão. Tudo ali representava a grandeza daquela empresa. Os funcionários, rigidamente treinados, eram extremamente eficazes. Nada deixava a desejar. Um apito fraco e discreto soou quando as portas do elevador se abriram.

“Minha nossa, oh meu deus...” não deixava de passar por sua cabeça sempre que olhava de esguelha para o homem alto e composto ao seu lado. Nunca, em toda sua vida, pensara que algum dia aquele fato ocorreria.

Discretamente, mediu-o de baixo para cima; uma figura, no mínimo, encantadora. Meneou a cabeça de leve: não podia ter tais pensamentos a respeito de alguém tão importante. A respeito de alguém que não estava muito interessado em sua inferior existência.

Silêncio... Apenas o som discreto das engrenagens do elevador e o ruído da respiração apressada da mulher ao seu lado. Sabia que ela estava nervosa, seu coração batia muito rapidamente dentro do peito e a respiração acelerada. Ela deveria estar fazendo um tremendo esforço para se manter firme.

Era desconfortável estar sozinho com os olhos verdes num lugar tão apertado. Pela primeira vez, foi tomado por uma ridícula sensação claustrofóbica. Sentia urgência para a abertura daquelas portas metálicas. Ele as encarou irritado, queria sair dali.

Não gosta de elevadores? ~ a voz descontraída o pegou de surpresa. Fye reprimiu o susto e sorriu jovialmente.

Por que a pergunta? ~ finalmente: as portas abriram diretamente no seu escritório. Bianca o seguiu tentando manter a calma. Quando ficava nervosa, tinha uma tendência a falar desnecessariamente.

Bem... Só estava imaginando que, se não gosta de elevadores, por que o último andar ao invés do primeiro?

Ela olhou ao redor do escritório. De fato, aquele lugar demonstrava o grandioso sucesso da empresa; o próprio Bernard o expressava em sua figura. Era uma sala ampla e bem decorada. Uma enorme prateleira coberta de livros ficava à esquerda e, do outro lado, um conjunto de sofás rodeava uma mesa de centro de madeira fina. No meio disso, estava disposta a mesa de negócios, e, ao fundo, uma parede de vidro escurecido que mostrava todo o bairro comercial da cidade. Era uma visão magnífica. Bianca teve vontade de se aproximar para dar uma olhada.

Nenhum motivo específico. ~ não era da conta dela. Odiava mulheres que falam demais. Sentou-se confortavelmente na larga poltrona preta de sua escrivaninha e completou. ~ Sente-se. Posso oferecer alguma bebida?

Não obrigada, não costumo beber. ~ ao ouvir sua resposta, Fye teve vontade de perguntar qual o motivo de estar cheirando a vinho naquela noite de chuva, mas guardou para si. ~ Só queria saber como minha bolsa foi parar em suas mãos.

De uma maneira bem incomum.

Poderia me dizer qual foi essa maneira incomum? ~ ela o viu suspirar de leve. Fye queria seduzi-la, mas aquela moça sensível não estava lhe dando muitas aberturas...

Na madrugada de ontem, levei um homem que passava mal até o hospital. Enquanto esperava por ele numa sala, percebi algo entre as almofadas do sofá. Quando vi, era uma bolsa de mulher. Pensei em entregar ao pessoal da organização...

Sim, eu procurei pelos “achados e perdidos” de lá. ~ ela o interrompeu ao se lembrar.

Enfim, como ia dizendo... ~ ele completou, irritado com a interrupção ~ Pensei em entregá-la. Contudo, fiquei extremamente interessado em saber que mulher poderia ter uma bolsa tão sofisticada. Foi aí que você ligou para seu próprio celular e eu o atendi. Agora que vejo, fiz muito bem em tê-la encontrado pessoalmente.

Ah...! ~ Bianca se surpreendeu com o elogio, e ele notou uma mancha rosada cobrir todo o rosto fino da mulher. Uma oportunidade.

Aceita uma taça de vinho? A melhor safra da região é a minha.

N-não, obrigada. Eu vim aqui apenas procurar pela minha bolsa. O senhor provavelmente tem bastante trabalho, e eu não quero incomodá-lo. ~ rejeitado duas vezes! Sentindo o incômodo subir ao peito, colocou o objeto em cima da escrivaninha.

Aqui está. Poderia me dizer seu número? ~ ele forçou um sorriso tímido. Faria o jogo dela e a conquistaria.

Hã..? O que nos liga já me foi devolvido. ~ ela disse ao pegar a bolsa ~ Não precisa se incomodar em...

Você é uma mulher interessante e, por isso, quero manter contato. ~ ele não desistiria. Ouviu o coração acelerar ainda mais e, agora, o rosto da mulher estava quase se assemelhando à cor do cachecol no pescoço. ~ Eu já poderia ter gravado seu número, mas queria uma aprovação.

Ah... Bem, eu... ~ sua língua embolou dentro da boca. Era impressão sua ou Bernard Glen estava interessado nela?!

Gostaria de convidá-la para sair algum dia. Conversar seria bom para nos conhecermos melhor. ~ agora, era ele quem estava se achando insistente demais. Fye não queria parecer desesperado.

Ah... Eu... D-deixe-me guardar esta bolsa dentro da outra. Saí rápido de casa, nem percebi que estava comigo. ~ Suas mãos não estavam respondendo direito, trêmulas; o papel da carta que estava dentro da bolsa maior caiu no chão. ~ Oh, perdoe-me.

Não se preocupe. ~ Fye se levantou para pegar a folha, então seus sentidos se aguçaram quando viu um nome mais do que conhecido grifado nela. Devolveu o papel.~ Aqui está.

Obri-obrigada. ~ ela o guardou de volta.

Desculpe-me a intromissão, mas como ouviu falar do nome Fye Willians?

Eu recebi esta carta recentemente. O s-senhor o conhece? ~ seria bom demais se ele soubesse quem era Fye Willians. Tinha tantos contatos...

Não. Apenas me soou familiar. Você o conhece?

Não, como disse, recebi a carta recentemente.

Queria saber por que seu nome estava naquele papel, mas não podia fazer mais perguntas. Melhor livrar-se daquela mulher, desistiu da idéia de tê-la nos braços e simplesmente a mataria. Já tinha seu endereço e dados pessoais, é claro. Quando estivesse sozinha, ele apareceria e ninguém mais saberia o que houve.

A cadeira fez um barulho discreto ao ser arrastada para trás, ela se levantou. Estava realmente envergonhada, não era todo dia que um homem lhe pedia seu telefone, muito menos alguém daquele status. A boca de Bianca se enviesou discretamente num sorriso de satisfação.

Já tomei muito do seu tempo. Devo me retirar. Obrigada por cuidar da minha bolsa, sr. Glen.

Espere. ~ mais rápido que qualquer ser humano, ele se levantou e a alcançou. Inconscientemente, preocupou-se em não machucar o pulso enfaixado. ~ Seu telefone?

Ah, bem... O-onde posso anotar? ~ ela respondeu ao final. Seu coração mal se continha dentro do peito.

Depois de conseguir o número, ele chamou por sua secretária e a mandou acompanhá-la.

Que merda de insistência foi aquela, afinal?! Qual o seu problema? Por que diabos aquela mulher estava procurando por Fye Willians?

Raios! ~ acabou por quebrar o copo de whiskey em sua mão, na qual cortes foram abertos.

A excitação que sentira quando a viu parada no saguão principal transformara-se em frustração no momento em que suas costas femininas deixaram o escritório. Estava irritado demais para raciocinar, quem era aquela mulher, afinal? Sangue pingou no tapete durante alguns segundos até que os cortes se fecharam naturalmente. Ela tinha algo que o atraía, ele pensou ao lamber o restante que escorria da própria mão. A vontade de matá-la ainda era pulsante, mas deixara de ser o objetivo principal. Passou o final da tarde sentado na poltrona de couro preto tentando pensar sobre o que faria com ela. Até que chegou o horário de ir para a reunião com o diretor da empresa que acabara de comprar. Queria vê-la novamente, concluiu ao entrar na sala do andar de baixo onde vários funcionários o aguardavam.

O que ocorreu no último andar do prédio da empresa Across dentro do escritório do presidente ainda lhe parecia uma ilusão, um sonho. Bianca ainda não acreditava que Bernard Glen dissera: “Gostaria de convidá-la para sair algum dia. Conversar seria bom para nos conhecermos melhor”. Na volta para casa, ela viu mais uma vez o anúncio com a foto dele. Olhou a imagem nos olhos, aqueles olhos frios... Uma voz rouca soou em seus ouvidos.

Chegou em casa sentindo-se exausta. O dia começara com aquela carta misteriosa, e depois teve que agüentar o suposto interesse de Bernard Glen.

Massageou a testa enquanto retirava as roupas. Zonza, deixou-se cair sobre a cama. Bianca ia enlouquecer!

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.