Fast And Furious- Miami

2 Federal Bureau of Investigation


2- FBI.


Kendall POV:


Eu venci o Grand Prix! Isso foi, no mínimo, surreal! A sensação de cruzar a linha de chegada em primeiro é incrível, o troféu, a festa, os repórteres... Meu pai estava tão feliz, era o meu primeiro Grand Prix na vida e eu ganhei! Assim que a festa acabou, fomos pro hotel, eu estava morrendo de cansaço, dormi em questão de segundos. No dia seguinte, coletiva, e voltamos para Nova York, para Manhattam, pra nossa casa. Eu era um recordista mundial, campeão, mas a vida volta ao normal. Faculdade, última semana de aulas de primeiro período, tempo limitado de televisão, Justin o dia inteiro na internet, e, mesmo se concentrando mais em jogos de tiro online conseguia tirar notas maiores do que todas as que eu tirei em toda a minha vida juntas, coisas desse tipo. Ok, talvez aquela não tenha sido a semana mais normal da minha vida, longe disso, foi a mais louca que já tive. Digo, uma das mais loucas.

Era segunda feira. O sol brilhava em NY, dava vontade de pegar um avião para a Flórida, ficar lá alguns dias, ir para a praia e pegar algumas ondas, mas resolvi ficar em casa, no ar-condicionado. Se preguiça matasse eu já teria morrido. Eu estava quase dormindo quando minha mãe me chamou para assinar um formulário de um pacote que eu tinha recebido. Não fazia idéia do que aquilo era, não tinha pedido nada, e a parte do endereço estava em confidencial. Fui para meu quarto e abri o pacote. Era uma espécie de prancheta, com uns botões embaixo e uma tela em cima. Aproximei-a de meu rosto quando vi um pontinho azul, que revelava umas palavrinhas.

– O quê? ... – Balbuciei. De repente um feixe de laser azul apareceu em minha frente, fazendo algo parecido com uma leitura facial.

– Identidade confirmada. Kendall Knight. – Uma voz computadorizada disse. Num sobressalto soltei aquele negócio e me afastei. O mesmo laser que fizera a leitura em meu rosto apareceu novamente e fez a leitura de meu quarto.

– Lugar seguro. Abrir mensagem. – A tela preta da pranchetinha se acendeu e revelou o rosto de uma mulher.

– Olá, Kendall. Aqui é do FBI. Eu sou Mirage. Venho aqui para lhe pedir ajuda para investigar uma gangue que atua em Miami. São rachadores que se envolvem em corridas ilegais. Suspeitam que eles tenham roubado seis microchips com informações cruciais do FBI. O suposto líder da gangue pode ser John Royalton.

– O quê...

– Ele encontra jovens humildes e os recruta para fazerem parte da “equipe”. Se você aceitar, terá que se infiltrar nesse sistema e conseguir recuperar os microchips. Teremos uma grande recompensa em dinheiro para você.

Opa! Dinheiro! Hehe, de repente me pareceu interessante...

– Você é o maior piloto da liga profissional, pode fazer coisas grandes... Ou, ficar assistindo a freqüência da polícia. – A mulher disse. Como ela sabia disso?! Eu sempre ficava ouvindo a frequência da polícia no rádio, era meu sonho de criança ser policial, e daí?! – Escolha! Você tem 24h. É só pensar...

Nisso, a mensagem apagou. Rachas? Miami? Royalton? Aquele cara era o dono da maior empresa de carros de corrida no mundo! Era com as indústrias Royalton que eu queria assinar, mas então eu apostei na empresa do meu pai. Um cartãozinho saiu da parte inferior da pranchetinha, me revelando o telefone da tal Mirage. Peguei o mesmo e fiquei olhando para o telefone. O que eu ia fazer?

– Atenção, essa mensagem irá auto destruir-se. – A voz computadorizada disse.

– Essa não. – Falei. Tarde demais.

BUM!

Aquela pranchetinha explodiu na minha frente, fazendo com que eu tivesse que abrir a porta, e a fumaça negra acionou o sensor de incêndio e tudo mais, foi uma loucura. Mas eu consegui desligar o mesmo antes que os esguichos fossem ativados e molhassem tudo. Assim que me livrei da bronca da minha mãe, me trancafiei no meu quarto e liguei para Mirage, aceitando o convite. Começava ali uma fase totalmente doida e fantástica da minha vida.

Mirage me deu um endereço, e mandou que eu fosse lá. De acordo com ela, era a central do FBI em Nova York. Não hesitei e fui logo. Assim que cheguei, fui recepcionado por uma mulher alta, morena, de olhos verdes. Ela usava um terno feminino preto e uma blusa branca de cetim com um laço no detalhe do decote em “V” por baixo do blaser, junto com um scarpin.

– Olá, você deve ser Kendall. – Ela disse, me cumprimentando.

– Sim, sou eu. – Eu respondi.

– Eu sou Mirage.

– Nome legal. – Disse. Mirage sorriu, e disse:

– Obrigada. Sabe por que está aqui, não é?

– Eu acho que é por que vocês me pediram pra investigar a gangue do Royalton que atua em Miami e recuperar uns micro chips.

– Exato. Precisamos que você vá para Miami, localize Royalton, se infiltre no sistema de rachas, recolha todas as informações que puder... – Ela fez uma pausa. – Eu disse todas... Encontre os chips, recupere-os e volte para cá.

– Fácil...

– Não muito. Os últimos que tentamos usar para investigar foram mortos. É uma missão de alto risco, e alta capacidade técnica.

– Capacidade técnica?

– Sim, computadores, comunicadores, escutas... Você tem um navegador?

– Não. – Disse.

– Precisa de um. É crucial. Se não tiver, arrumamos um para você. – Mirage disse. Uma pessoa veio à minha mente.

Quem era a única pessoa que conseguia fazer coisas dignas de Steve Jobs (que Deus o tenha) com um computador?

– Não, não. Eu já tenho um em mente. – Falei. Sabia que não iria ser fácil convencê-lo, mas, valia a pena tentar.

– Ótimo! Precisamos registrá-lo, precisamos dele aqui, ainda hoje, ok?

– Claro. – Falei. Ela me passou mais algumas recomendações, falou um pouco mais sobre o sistema de Royalton, eles me registraram, e eu pude ir buscar o navegador. Entrei no meu carro e corri até chegar em casa. Minha mãe estava na cozinha, eu a cumprimentei e perguntei onde Justin estava.

– No quarto. Por que? – Ela me perguntou.

– Ele é meu irmão... Não tenho direito de saber onde ele está? – Respondi, rindo. Minha mãe riu um pouco.

– Ok, ok... – Ela disse. Bati continência e fui até o corredor no qual ficava o quarto do meu irmão. Adentrei o quarto de Justin e o vi sentado na cama, com os olhos vidrados no seu MacBook. Clássico, nem sei por que perguntei aonde ele estava.

– Justin... – Murmurei.

– Justin Knight Bieber falando... – Ele disse, sem tirar os olhos da tela.

– Esses jogo de corrida estão fazendo mal a você. – Disse. – Venha comigo. – Falei, puxando-o da cama pela manga da camisa branca que ele vestia.

– O quê?! Ei, ei, espera, parece que você ta me confiscando pro FBI! – Ele disse, segurando seus óculos pretos de grau para que não caíssem de seu rosto, e se soltando de mim.

– Quase isso... – Murmurei. Justin disse “O quê?!”, e eu suspirei. – Vem logo e não reclama!

– Ok, ok, calma, Sr. Stress... – Ele disse. – Me fala o que está acontecendo!

– Eu não tenho stress... – Falei. Eu voltei a puxá-lo e ele berrou:

– PERAÊ, TÁ MACHUCANDO! MANHÊÊ, O KENDALL ESTÁ ME ARRASTANDO PRA... – Tapei sua boca antes que ele gritasse mais, e disse:

– Calma, Sr. Geek... Escuta aqui, vou ser claro e direto. Você gostaria de trabalhar para o FBI, no serviço de inteligência?

– Sim, claro, mas, por quê? – Justin indagou.

– Por que me chamaram para investigar uma gangue de Miami. E eu meio que preciso de você para fazer os serviços técnicos.

– Quer dizer que você precisa de mim? – Ele arqueou uma das sobrancelhas.

– Sim. – Falei. Ele sorriu, conseguiu se soltar de mim e pulou na sua cama de pé, bagunçando a coberta e jogando alguns livros no chão, dizendo:

– A-há! Peraí, para tudo! Você precisa de mim pra investigar a tal gangue? – Seu tom era de eu vou te chantagear. Acredite, eu sei, é a experiência. Irmãozinho safado esse que eu tenho, eu tenho 100% de certeza de que ele vai se aproveitar da situação com coisas do tipo:

“Eu faço tal coisa se você me pôr na fita com uma gata”;

“Eu não te cagueto pra mamãe se você me der seu celular”.

Coisas assim. Resumindo, quando quer, ele é uma peste. Digo, sempre.

– Hunf... Preciso... – Quase sussurrei.

– O quê? Eu não ouvi direitooo... – Ele colocou a mão em um dos ouvidos, imitando o pirata que narra a abertura de Bob Esponja.

– Eu disse que preciso de você! – Disse. Justin continuou se fingindo de surdo. – Caramba garoto, vai me torturar?! EU PRECISO DA SUA AJUDA!!! Pronto?! – Gritei, depois dele dizer novamente que não me escutava. Ele pulou da cama, disse que sim e perguntou “Vamos?”, com uma cara de santinho do pau oco que não enganava a mim. Talvez todas as meninas que eu já saí, e minha mãe, mas não a mim.

– Vamos... – Respondi. De repente estava sendo má idéia Justin ir comigo.

– A-ah-ah... – Ele me parou, e eu virei.

– Que foi agora? – Respondi. Ele disse que ia na frente.

– O quê?! Não, nem... – Protestei. Justin olhou para mim com uma cara de “Olha, eu posso desistiiiir!”

– Tá bom, desgraça, você vai na frente... – Murmurei. – Eu devia te jogar no porta malas logo á força, como sempre... Puxa, qual é o problema de ir lá?

Justin não me respondeu. Aquele era o grande momento dele, a única vez que ele ia no Mach-6 na frente, e não no porta-malas, tipo o Gorducho de Speed Racer. Ele sorriu sarcasticamente e fomos para o mesmo prédio que eu fui um tempo antes.