Fashion And Diamonds.

30 Capítulo 29 - Almost Christmas (Part 1)


Notas iniciais
Olá amores!
Muito obrigada por todos os reviews! Me animaram de verdade.
E vejam como estou rápida hein! Meu nome é trabalho queridos HDISADHAOIHDIOA.
Bem, esse cap tá bem "transitivo", porque logo vem a grande viagem pra Califórnia. Quis colocá-lo pra mostrar como o Cotter tá se sentindo depois do Edmure ter começado a agira diferente, e pra inserir o Ivan mais na história também!
Narração do Edmure e do Ivan.
Espero que gostem, e que não esteja muito cansativo ficar mostrando o abalo psicológico do Edmure. Tô meio batendo na mesma tecla, apenas pra mostrar que ele realmente está mal.
Muito obrigada!
Beijos!
Boa leitura!

— Meu Deus, devagar! — Cotter falou, tentando soar irritado, mas rindo e se encolhendo quando passei minha barba em seu pescoço. Eu sorri, e senti ele erguer meu rosto para o seu, envolvendo minhas faces com as mãos macias. Um de seus dedos tinha um anel de prata com esmeraldas incrustadas, que ele usava com alguma frequência, e gelava meu rosto. — O que você tem hein? — Ele perguntou com um sorriso.

A pergunta podia ser simpática, mas percebi que ele queria realmente saber por quais razões eu estava agindo estranho, coisa que eu estava tentando evitar. Forcei meu sorriso a ficar no lugar, mesmo sentindo o nervosismo relacionado com o fato de ter Albert em casa me atingir. Encarei aqueles lábios rosados, e mergulhei neles para afastar os meus medos e não deixar que ele percebesse mais nenhum sinal de que eu estava abalado, e também pra fugir da resposta.

Eu sabia que não deveria estar ali. Era uma burrice sem tamanho, ficar arriscando que Albert pudesse desconfiar de algo. Mas eu precisava ver Cotter pelo menos uma vez antes de ir viajar, nem que fosse apenas para inventar uma desculpa qualquer para não nos vermos até o próximo ano, e aquela podia ser a única chance. E depois de passar tanto tempo me encontrando com ele basicamente todos os dias, eu ia sentir certa falta dele, mas ao mesmo tempo ia estar tranquilo, já que o Albert não poderia fazer nada com Cotter se estivéssemos do outro lado do país, na Califórnia.

De qualquer forma, apesar de idiotice, eu tinha ido até a casa de Cotter, e fui direto pro seu quarto. Seus pais estavam trabalhando, e assim que ele atendeu a porta do quarto, usando um shorts de dormir leve e uma camiseta branca e confortável, com aquele rostinho confuso e surpreso, fiquei excitado. Eu o agarrei, trancando o cômodo. Tínhamos trocado algumas carícias, e agora eu o erguia pelas coxas, e prensava seu corpo contra a parede gelada do quarto. Ele apertava as pernas na minha cintura para se firmar, e parecia satisfeito — e muito corado — por estar com o rosto mais alto do que o meu. Ambos estávamos excitados. Bem excitados.

Eu precisava dele. Pra me acalmar, distrair e animar, eu precisava do Cotter.

— Às vezes eu tenho dúvidas sobre a sua sanidade. — Cotter falou, separando nossos rostos e passando as mãos por meus cabelos. Repentinamente seu sorriso esmoreceu, e ele ficou um pouco sério. — Olha, eu vou me esforçar pra falar uma coisa sem ficar com vergonha, então não faça graça tá? — Ele disse, encostando a cabeça na parede, e me encarando, e percebi um brilho sério em seus olhos. Mais uma vez, me esforcei pra manter meu sorriso.

— Fala. — Disse com simplicidade. Cotter querer falar alguma coisa dessa forma era muito raro. Mais uma coisa pra me deixar nervoso. Ele respirou fundo de forma ruidosa, e eu sabia ser pelo cigarro. Ia pedir pra ele tentar pelo menos reduzir a quantidade de cigarros que fumava por dia, aquilo fazia um mal do caramba. Seus dedos se apertaram mais nos meus cabelos.

— Edmure, tem uma coisa que eu gosto muito entre a gente. No nosso relacionamento. Namoro. — Ele falou sem jeito, desviando os olhos para os meus lábios, e mordendo a boca de uma forma sexy, apesar de distraída. — É que... Não temos muita frescura. Num geral eu digo. Apesar de brigarmos muito, fazemos isso porque sempre falamos tudo pro outro sem muita enrolação e tal. Às vezes tem uma ou outra coisinha que não falamos, mas no geral somos bem abertos em relação a tudo, acho que por isso nos damos... Tão bem. Desde o começo, entende?

Estreitei meus olhos, sem entender onde ele queria chegar. Mas aquilo deixou meu peito meio mole, e por um instante minha cabeça se livrou dos medos relacionados ao Albert. Tudo o que eu queria era ouvir o que Cotter tinha a dizer.

— Sei. — Respondi, e ele voltou a me olhar nos olhos. — Acho que nós brigamos tanto antes, e nos xingamos tanto, que no final, não temos tanto medo de falar as coisas. Sem muitas frescuras também.

Ele concordou com a cabeça, aproximando a testa da minha até elas se encostarem e nossos olhos ficarem próximos. O cheiro de cigarro de seus lábios me atingiu.

— É. Então, por favor, se sempre foi assim... — Ele encostou levemente os lábios nos meus, apenas raspando-os. — Me conta porque você está assim.

Meu coração deu um pequeno salto, e apertei mais os dedos nas coxas dele. Os pensamentos sobre tudo que podia acontecer me atingiram em cheio, e engoli em seco, fechando os olhos, deslizando as mãos pelas pernas de Cotter.

— Eu estou normal... — Falei, mantendo os olhos fechados. “Por favor, não insista, não insista...” pensei. Não esperava que meu namorado fosse perceber nada de errado, e não estava preparado pra inventar desculpas, muito menos pra explicar tudo.

“Pode me repudiar o quanto quiser, mas ambos sabemos que você se tornará idêntico a mim.” A voz de Albert rompeu minhas barreiras, e senti meu corpo estremecer.

Cotter afastou seu rosto do meu, e soltou um suspiro de cansaço. Abri meus olhos, e vi ele fazendo um gesto negativo com a cabeça. Desceu as mãos pros meus ombros e me afastou com firmeza, mas não bruscamente.

— Vai, me solta. — Ele falou quando tentei força-lo contra a parede novamente. — Vamos Edmure, me põe no chão.

O soltei e ele deslizou com as costas na parede, tirando minhas mãos de sua cintura e se afastando em direção o criado mudo ao lado de sua cama. Pegou seu maço de cigarros que estava ali, e puxou uma unidade, olhando em volta em busca do isqueiro. Merda, merda, merda.

— Cotter, escuta aqui... — Me aproximei dele e estendi uma mão para segurar sua cintura, mas ele fez um gesto de não com a mão que me paralisou. Em seguida caminhou pro outro lado do aposento e abriu o armário, arrancando uma caixa de fósforos.

— Merda, perdi meu isqueiro. — Resmungou de olhos baixos, focado em acender um fósforo e levar até a ponta do cigarro, tragando-o para acender. Fiquei observando-o com o coração aos saltos, sem saber o que fazer e sem conseguir pensar direito. Por fim, ele levantou os olhos na minha direção, e soltou a fumaça do cigarro. Sua expressão séria se abrandou um pouco, e ele soltou um pequeno gemido, acompanhado com uma careta de cansaço. — Edmure, por favor, olha pra você.

Ele se aproximou e colocou a mão livre em meu peito, deixando o cigarro que queimava na outra.

— Olhar o que? — Consegui responder, baixando o rosto para vê-lo melhor, enquanto ele tinha os olhos baixos, me observando.

— Relaxa a postura um pouco. Você está muito tenso. Seu sorriso anda trêmulo ou tão fixo na cara que acaba forçado. — Seus olhos subiram pro meu rosto. — Seus olhos não mentem que tem alguma coisa errada. Você não serve pra disfarçar as coisas, mesmo quando está quase convincente igual agora a pouco, dá pra perceber. Suas mãos ou perdem firmeza ou ficam firmes demais. E suas roupas, você nunca se veste tão bem. Uma camisa Armani com um jeans Dolce and Gabbana, além de sapatos sociais. — Seus olhos avaliaram todas minhas roupas conforme ele foi falando. — Isso também é sinal de nervosismo, tá tentando se vestir melhor pra fingir que está melhor, confiante.

Fechei minhas mãos, assustado com toda aquela análise. Sabia que não era lá a mais discreta da pessoas, meus pais e amigos sempre falaram aquilo. Mas achei que Cotter não perceberia, que com ele eu estava conseguindo fingir melhor.

A verdade era que a ideia de que Albert estava de volta na minha vida, nesse momento, me apavorava. Ele podia fazer qualquer coisa se desconfiasse de algo sobre minha sexualidade. Qualquer coisa. Desde aceitar o fato numa boa, até tentar destruir minha vida.

Eu não estava disposto a encarar aquilo. Não, porque eu não era forte o bastante para encarar.

— Cotter, não tem nada a ver... — Tentei relaxar um pouco enquanto ele se afastava e tragava o cigarro, e estralei os dedos da mão direita enquanto falava, me esforçando ao máximo parecer tranquilo, apesar de não estar nem um pouco. — Só quis me vestir melhor, porque vou viajar essa semana pra passar os feriados com minha família, na Califórnia. — Inventei rápido. — É isso. Talvez eu esteja estranho porque não queria ficar longe de você depois de nos vermos praticamente todos os dias.

Dei um passo em sua direção, puxando-o pela cintura e abraçando-o de forma atrapalhada, pra não nos queimarmos com o cigarro. Ele apoiou a cabeça no meu peito, e sua mão também estava na minha cintura, o braço do cigarro estendido pro lado. Encostei meu queixo em sua cabeça, pedindo a Deus que ele aceitasse aquela história.

— Quanto tempo você vai ficar lá? — Ele perguntou, e eu engoli em seco.

— Uma semana, talvez mais. — Respondi, deixando meus olhos perderem o foco. Uma semana junto com o Albert. No mínimo.

— Entendo...— Ele se afastou um pouco, mas mantive minha mão na cintura macia dele. O moreno tragou um cigarro, enquanto eu o olhava. Cotter significava muito pra mim, e eu precisava que ele acreditasse naquela história, pro nosso próprio bem. Se Albert descobrisse sobre ele... — Entendo... — Repetiu, me encarando sério. — Que não queira me contar a verdade. Sei que não é isso, porque ambos nos gostamos muito, mas somos maduros o bastante pra ficar uma semana sem nos vermos, sem esse drama. Não faz seu tipo, esse tipo de coisa, despedida dramática e tal.

Franzi minha testa. Ah, droga, ele era difícil de enganar, eu sempre soube.

— Eu confio em você o bastante pra acreditar que isso não é... Exatamente algo com que eu precise me preocupar, em relação a... Sei lá, você querer terminar comigo ou algo assim. — Ele desviou os olhos, sem jeito. — Sei que não é isso. Talvez seja algo que nem tenha a ver comigo, só que ver você assim, abalado, é ruim, e não saber porque você está assim, não poder ajudar, é o pior.

— Cotter, eu... — Comecei a falar, e senti meu olhos arderem.

— Se você não quiser me falar, não tem problema Edmure. Eu sei que tem algumas coisas sobre você que parecem não serem fáceis de enfrentar. Como o dia que eu te peguei chorando lá no colégio. — Mordi meus lábios, e minha respiração falhou de leve. Cotter tragou seu cigarro e esticou-se pra depositá-lo no cinzeiro. — Você ficou exatamente da forma que está agora nos dias depois desse acontecimento. Só que eu vou te falar uma coisa.

Ele deu um passo para trás, e vi seus olhos endurecerem, como aço cinzento e praticamente letal. Repentinamente lembrei que Cotter, o meu pequeno e delicado namorado, era altamente capaz em artes marciais, tinha uma força de vontade de ferro, fora membro de gangues e nunca apanhava pra ninguém. Era de certa forma, perigoso para quem mexia com ele.

— Se você não me contar o que acontece, e continuar assim, estranho e chateado, eu vou descobrir o que aconteceu. E vou te ajudar a encarar isso, porque eu sou seu namorado e não aguento te ver dessa forma. Seja o que for, se você voltar dessa viagem e continuar assim, vou tomar atitudes e dar um basta nessa história. Então se não quer me contar o que acontece, resolva isso nos próximos dias, ou esteja preparado, porque eu vou me envolver e resolver isso.

A obstinação me assustou, e eu senti minha garganta seca. Nunca duvidei que poderia contar com Cotter para qualquer dificuldade que eu passasse, era a pessoa mais forte que eu conhecia, que enfrentava tudo sem medo e sempre vencendo. O problema não era o que eu passava, se fosse apenas uma situação difícil, eu diria para ele sem hesitar. O problema era que a situação era muito mais séria do que qualquer pessoa poderia imaginar, era algo tão horrível...

Meu verdadeiro medo de contar, era perder o Cotter. Se Albert soubesse do meu relacionamento, ele faria tudo para que eu o perdesse, e se Cotter soubesse da história, podia me deixar por medo. Medo de que eu me tornasse meu irmão, medo de que eu fosse um perturbado, no final éramos tão parecidos...

Então minha decisão, foi continuar a fingir que nada estava acontecendo. Que estava tudo bem. E por isso forcei um sorriso, que possivelmente saiu amarelo.

— Cotter, isso são coisas da sua cabeça. — Aproximei-me dele e segurei suas duas mãos com as minhas, tentando parecer tranquilo. — Você não é de se preocupar assim, nem de duvidar de mim. Estou falando a verdade, acho que estou meio chateado porque não poderemos passar o fim do ano juntos. Até poderíamos, mas isso levantaria tantas suspeitas por parte de nossos pais e famílias...

Ele bufou, me olhando com cara de incredulidade.

— Tá Edmure, mas você me ouviu. Não me convence com essa conversa, principalmente por uma coisa. — Ele franziu as sobrancelhas, e pareceu corar um pouco, soltando uma mão da minha e apontando pra minha virilha. — Você perdeu toda a excitação assim que eu comecei a te questionar, e isso eu conheço bem o bastante pra saber que não acontece, só aconteceu na época que você estava abalado depois de chorar na escola. Mas vou continuar com o que fiz daquela vez, e deixar você se resolver. — Sua mão se apoiou no meu ombro com leveza.

— Pare de se preocupar... — Comecei, mas ele voltou a me olhar de forma severa.

— Edmure, nada e ninguém vai te deixar assim, sem que eu me incomode. Não vão mexer com você sem mexer comigo.

Então meu peito novamente se inundou de uma sensação mista de prazer com medo, e eu não soube o que responder até ele me beijar de forma intensa, como se tentasse me passar sua força através dos lábios.

— Posso oferecer pra vocês... Mil dólares por cada foto, não faz sentido pagar mais por isso. O rapaz apenas está no portão da casa, sem fazer nada demais, e a manchete não vai movimentar tanto assim. — Kyle falou, erguendo os ombros e me encarando. — E claro, não vamos pegar mais de cinco fotos. Vocês dois me entendem, sabem como é o ramo. Até que a família Prey tenha alguma notícia bombástica, as notícias não serão ainda o grande sucesso, logo as fotos também não tem lá tanto valor. Talvez se conseguirem mais fotos, tanto da família quanto de Dacey Florez, possamos fazer mais notícias e então chamar mais atenção do público. Aí as fotos dão uma valorizada.

Eu ergui uma sobrancelha, e ouvi Evelyn resmungar ao meu lado, enquanto Kyle acendia um cigarro. Era um colega de longa data, responsável pela área de fofocas do “Informante”, um jornal de grande circulação. Já tinha seus 60 anos e era meio careca, mas era um bom amigo em relação a negócios, sempre oferecendo bons preços pelas fotos.

Cinco mil. dois mil e quinhentos dólares para mim, dois mil e quinhentos para Evelyn, o que nem de longe era uma boa grana, e mal daria para que eu fechasse o mês bem, junto como dinheiro das outras fotos que tirara nos dias anteriores. Devo ter feito uma cara preocupada, porque Kyle se inclinou na minha direção.

— Vamos lá Ivan, eu sei que você precisa de grana, mas não podemos oferecer mais que isso. Talvez mil e quinhentos pelas melhores fotos, mas só. — Falou. Era nossa melhor proposta, alguns dos jornais de Nova York sequer se interessaram nas imagens.

Certo, não era tão ruim assim. A grana daria para pagar as contas que restavam daquele mês, e juntar uma graninha para uma boa celebração de natal e ano novo. Mamãe com certeza ia e ajudar com sua aposentadoria, e ainda era possível que eu vendesse o resto das imagens pra outra revista, site ou jornal.

Essa era a grande merda de ser paparazzi. Apesar de muitos acharem que os paparazzi tem grandes fortunas, e que toda foto pode ser vendidas por milhares de dólares, nem todo mundo conseguia uma “foto de ouro” como costumávamos dizer. Uma boa foto precisava ser de alguma celebridade que fosse centro das atenções, e realizando alguma atividade muito inesperada, como as fotos da Birtney Spears na época que raspou a cabeça, ou da Kristen Stwart quando foi pega traindo o namorado com aquele diretor. Fotos assim valiam ouro, mas eram difíceis de tirar. Tinham até fotos que alcançavam um milhão, como as dos bebês de Brad Pitt e Angelina Jolie. Mas apenas paparazzi muito bem sucedidos, que tinham equipes que os auxiliavam podiam conseguir esse tipo de coisa.

Eu não tinha equipe, mal tinha uma parceria com Evelyn. Equipes eram pra pessoas com dinheiro, e isso sempre me faltou. Até consegui, anos atrás, uma grana boa com algumas fotos de Pipa Middleton, a irmã da princesa Kate, fazendo Top Less em uma praia em Miami, mas foi a única ocasião, e o dinheiro só durou até eu ter de pagar uma cirurgia caríssima para minha mãe. No resto de minha carreira, apesar de ser considerado um paparazzi que consegue ótimas fotos, nunca consegui altas quantias. Sabia que era porque todos os compradores tinham conhecimento da minha necessidade financeira, então faziam ofertas baixas que mesmo assim, eu não podia recusar porque precisava pagar minhas contas.

Era um ramo ingrato e sem coração.

— Acho que é cabível. — Evelyn respondeu, mordendo o lábio. Sabia que ela também precisava de dinheiro para investir na faculdade de biologia que queria fazer o mais rápido possível, para então seguir seu sonho de fotografar a vida selvagem. — Ivan, fechamos? — Ela se virou para mim, e anui com a cabeça.

— Tudo bem, pode escolher as fotos e nos dar o dinheiro, vamos logo pra casa. — Encarei Kyle, que sorriu, e então os negócios caminharam rapidamente.

Vinte minutos depois, sai com Evelyn pela porta da editora do Informante. O trânsito de Mahattan estava louco como sempre, mas por sorte Nova Iorque era a cidade com o melhor transporte público do mundo, então tínhamos ido de metrô. Kyle nos acompanhara até a calça da, como era seu costume.

— Ivan e Evelyn, como sempre foi um prazer fazer negócios com vocês. Sinto muito mesmo por não poder oferecer, mas tenho certeza de que nos próximos dias os Prey estarão no foco de toda a mídia, lançando essas fotos do Florez nos portões da mansão já atiçaremos um pouco a balbúrdia em cima deles. — Ele sorriu, ajeitando seus óculos.

— Obrigado Kyle. — Apertei a mão do homem, e ele cavalheiramente beijou a mão de Evelyn, que agora arrumada, atraia olhares dos transeuntes. Notei que ia começar a nevar em breve. — Vamos ver se valerá a pena ir atrás dos Prey novamente.

Ele colocou as mãos nos bolsos da jaqueta, estremecendo de frio.

— Olha, eu vou dar uma dica pra vocês, porque são meus amigos. — Ele se inclinou na nossa direção. — Todos os anos, os Prey vão passar as festividades na casa de verão da família, na Califórnia. O que meio que não faz sentido, já que é inverno, mas eles vão. Toda a família. De qualquer forma, eu tenho certeza que qualquer foto de lá vale, no mínimo, cinco mil. Chutando baixo, mesmo. Podem conseguir fotos de dez mil, e até fotos de valores que eu nem posso falar se pegarem alguma coisa estranha acontecendo. A família vai pra lá no fim de semana. Tenho certeza que logo a mídia americana estará no pé deles, então confie no que eu digo: vão. Perderão os feriados com a família, mas a grana vai ser muito boa. E mais uma dica, tente entrar em contato com a imprensa italiana, essas fotos do Dacey Florez não valem muito aqui, mas podem ter valor no país de onde ele veio. Certo?

Ergui uma sobrancelha. Aquilo era informação das boas, boas mesmo.

— Certo, obrigado Kyle. Será o primeiro a receber as fotos se as tirarmos. — Falei, e ele anuiu, entrando no prédio novamente.

— Está pensando em ir? — Evelyn questionou, encolhendo-se em seu casaco. Comecei a caminhar, pensativo, enquanto ela me acompanhava.

— Sei lá. — Era uma boa chance de dinheiro. Talvez eu devesse falar com minha mãe e Olivia, elas aceitariam a ideia. — Preciso falar com as meninas em casa. Parece uma boa.

— Bom, eu vou. Minha família não comemora o natal, de qualquer forma. — A mulher ergueu os ombros, e eu sabia que seus pais eram islâmicos, apesar de ela não ser religiosa. — Tente ir. Olivia ficará chateada, mas é pro bem dela, você sabe.

Eu confirmei com a cabeça.

— Bom, Ivan, eu vou pra minha estação. — Ela disse, quando nos aproximamos da estação em que eu ficaria. — Pense bem, e depois entre em contato comigo. Vou ver se consigo vender algo pra Itália, e te falo. — Paramos, e ela sorriu pra mim. — Mande um beijo pra Olivia e sua mãe. Vou mandar um presente de natal pra ela depois, prometo. E se precisar de alguma coisa, me fala ok?

— Não precisa, Eve. — Eu me inclinei para beijá-la no rosto. Era uma ótima amiga, aquela mulher. — Obrigado.

— Pra você não precisa, mas a Olivia vai adorar. — Ela começou a seguir em frente. — Até mais, Ivan!

Eu sorri, e então desci as escadas do metrô.

Passei a viagem toda pensando naquilo. Eu devia arriscar novamente com aquela família? Era uma dica quente, porém as fotos de Dacey Florez não valeram o esforço que eu tive, e também era uma dica quente. Foi burrice não ter tirado fotos mais discretamente e depois aguardar para tirar fotos dos Prey propriamente ditos, mas eu tinha de dar uma de idiota e gritar pro rapaz.

Só que sei lá, não consegui me controlar. Como alguém pode ficar calado sabendo que outra pessoa é feita de capacho num relacionamento totalmente inaceitável? Se fosse relacionamento aberto até ia, mas uma relação assim, em que o Albert Prey era o único que tinha passe livre, não era normal. Aí eu precisei falar, ainda mais por Dacey ser um cara tão bonito, e que olhando parecia tão... Sei lá. Interessante, talvez.

Desci do metro e caminhei até meu apartamento distraído com esses pensamentos sobre Dacey Florez e seu relacionamento. Por que ele se sujeitava a isso? Por que o Albert fazia isso? Como ele se sentia? Eles se davam bem apesar da relação abusiva? Ele gostava de caras com tatuagem?

Ah, vamos lá, eu posso sonhar.

Bati na porta de casa, ouvindo o som da televisão. Repentinamente, afastei Dacey da minha cabeça: meu anjo estava do outro lado da porta.

— Quem é? — Ouvi a voz da minha mãe do outro lado, e sorri.

— Sou eu, mamãe. — Falei, percebendo que estava exausto. Merda de vida de paparazzi.

A porta se abriu, e vi a mulher alta de cabelos grisalhos de expressão enrugada e bondosa que era minha mãe. Ela sorriu assim que me viu, seus olhos verdes brilhando de felicidade.

Danyelle Hudson era o nome da minha mãe, e ela era o segundo anjo da minha vida. Viúva, me criou praticamente sozinha, e sempre foi uma mulher forte, decidida, maravilhosa. Aposentada aos 40 anos pelos problemas de saúde, sempre me deu a melhor criação que pudera com o pouco dinheiro da aposentadoria, e agora fazia o mesmo com Olivia quando eu não estava. Eu a amava demais.

— Oh querido, que bom que voltou. — Falou simpática, me dando um abraço carinhoso. Estava cheirando café. — Acabei de fazer um bolo e café, Olivia está vendo televisão.

Ela me soltou, e entrou no apartamento, ajeitando o avental que sempre usava em casa. Era um apartamento simples, de tamanho médio, e que eu podia bancar com alguma tranquilidade, e estava quente devido os aquecedores. Olivia não estava na sala, e ouvi os sons da televisão de seu quarto.

— Olivia, seu pai chegou! — Mamãe gritou, e sorri quando um gritinho esganiçado respondeu.

Era a voz que fazia tudo, toda a minha existência, valer a pena.

Minha mãe foi pra cozinha, e ouvi os passinhos no corredor, seguidos pela pequena figura de vestidinho florido e rosa que era minha filha, a coisa mais linda do universo todo.

— Papai! — Ela gritou, estendendo os bracinhos enquanto corria, e eu me ajoelhei para recebe-la em meus braços, e a abracei com força quando ela se jogou em mim, fechando os olhos com a sensação maravilhosa de ter minha filha ali.

Olivia tinha os traços característicos da Síndrome de Down, os cabelos longos e negros que lembravam Christine, e os olhinhos verdes. Era uma criança especial, não apenas por sua deficiência, mas por toda sua personalidade. Uma menina doce, linda, carinhosa, educada, e inclusive inteligente pros padrões em que se encaixava. Era sempre destaque em seu colégio, tinha mais facilidade para falar do que outras crianças com Down, e era muito animada e agitada.

— Oi minha azeitonazinha. — Falei, brincando com seu nome e beijando seu rosto com carinho quando a recebi, e me afastando em seguida, com as mãos em seus ombros, para olhá-la. — Você está linda.

Ela riu, fazendo uma careta, e colocando a língua pra fora, como era comum nas pessoas com a síndrome.

— Sua barba cresceu. — Ela falou, rindo, e cobrindo a boca com as mãos, me fazendo sorrir. — As fotos? — Perguntou, e entendi que ela estava falando sobre meu trabalho.

— Papai conseguiu um dinheiro bom pra passarmos o natal. E a tia Evelyn mandou um beijo na ponta do seu nariz. — Brinquei, tocando seu nariz com o indicador, ao que ela riu novamente, me deixando derretido.

Eu estava morto de saudades de Olivia, e brincamos por um bom tempo até ela se cansar e ir dormir. Por fim, me vi ao fim da tarde, enquanto a primeira nevasca do ano finalmente caía, sentado com minha mãe na cozinha, comendo um pedaço de bolo. Tinha falado pra ela sobre o dinheiro que conseguira, e da dica que recebi de Kyle, de ir para a Califórnia.

— É um dinheiro muito bom mãe. — Falei, encarando minha xícara de café. — Talvez eu devesse ir.

— Se você acha que deve... Olivia não compreende bem o que é o natal, então não vai ser tão diferente ter você ausente por uns dias. E esse dinheiro pode te ajudar filho. — Ela falou, tocando minha mão com a sua, e apertando. — Se esses Prey são mesmo a bola da vez, vá.

Ergui meus olhos pra ela, e a mulher sorria.

— Sim. Vou pensar mais um pouco, tenho até o final da semana pra decidir. — Comentei, me ajeitando na cadeira e tomando um gole de café. Minha mãe sorriu e soltou minha mão, levantando-se e indo para a pia, começando a lavar os pratos.— Mãe, me diz uma coisa, é errado gritar pra uma pessoa que ela faz papel de idiota numa relação, se essa relação é abusiva?

Ouvi ela soltar um risinho baixo, e percebi que ela sorria, de costas pra mim.

— Ora querido, é errado gritar pra qualquer pessoa. E julgar o relacionamento dos outros também. Por que, o que você fez?

— Não, é que eu falei pro tal Dacey Florez, de quem eu consegui as fotos, que ele precisa parar de fazer papel de idiota. O namorado dele o trai abertamente e frequentemente, quando bem quer, e ele não faz nada! — Falei, irritado, tentando entender o porque de Dacey ser burro daquela forma.

— Ivan, não fale assim, você nem conhece o rapaz. Às vezes eles só se passam como casal sério, ou alguma outra razão. Não julgue sem saber da verdade, sabe que isso é errado. — Ela colocou um copo no escorredor de louças.

— Eu sei, só queria entender então que tipo de relação é essa, e porque dela ser assim. — Confessei, abaixando os olhos pro tampo da mesa e fazendo um bico.

— Então descubra, pergunte pra ele. — Minha mãe respondeu com simplicidade. — Você faz cada tempestade em copo d’água. Interessou-se nele não é?

— Claro que não mãe, é só curiosidade. — Eu falei, me levantando,e tentando fugir do assunto. — Olha, vou tomar um banho e deitar, essa nevasca está me dando sono. Obrigado mãe.

— Curiosidade é interesse querido. — Comentou enquanto eu saia, e fazendo-me parar na passagem. Ora bolas, claro que era, mas um interesse diferente.

Saí sem falar mais nada. Bom, se eu fosse pra Califórnia, ia tentar descobrir algo sobre isso. Sobre Dacey Florez.

Por curiosidade, apenas.

Notas finais
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