Fashion And Diamonds.

23 Capítulo 22 - Google


Notas iniciais
Oi gente!
Obrigada a todos os reviews, e perdão a demora. Foi meu aniversário essa semana haha, e aí acabei me enrolando entre as comemorações/ressacas. Mas tá ai! E obrigada a quem me desejou feliz aniversário :)
Capítulo do Cotter... Com pequenas surpresas.
Espero que gostem!
E atendendo a pedidos criei um Ask onde vocês podem fazer perguntas à mim e aos personagens! (eu ainda não falei isso aqui não é? DSHADIODHIASODHO).
Enfim, espero que apareçam lá! Adoro responder suas perguntas,e os meninos também: http://ask.fm/HenaPeople
Grande beijos a todos!
Boa leitura!

É engraçado como, simplesmente o fato de mudar o status de relacionamento de “nada declarado” para “namorando” mudava também o nosso humor. E por tabela, todas nossas atitudes, toda nossa rotina e nosso jeito de ver o mundo.

Fazia apenas uma semana que eu estava de namoro oficializado com Edmure, e as diferenças ainda me deixavam surpreso às vezes. Podia não parecer nada demais para quem olha de fora, afinal, nós já tínhamos alguma coisa antes, mas agora tudo me parecia muito melhor, em todos os aspectos. Agora eu sentia que Edmure era de fato o meu gigante. Eu conhecera a sua família, pessoas maravilhosas e muito legais, e também já não tinha mais tanto nervosismo ou vergonha em relação aos nossos “toques” depois que perdera a minha virgindade com o grandão. Sentia, mais que tudo, finalmente uma confiança nos meus sentimentos por ele e em sua reciprocidade, e percebia que ele também se sentia melhor. No geral, as coisas caminhavam muito bem. Tudo isso me deixava bobo de felicidade.

Provavelmente era por medo de destruir essa felicidade tênue que eu sabia ser o início de um relacionamento, que eu estava receoso com o que estava prestes a fazer. Ao mesmo tempo, eu estava anormalmente nervoso com aquilo, e ia acabar louco se não resolvesse aquela dúvida maldita:

Por que diabos, Edmure Prey, um cara aberto, que amava a família e em quem eu tinha uma grande confiança, nunca me contara que seu irmão mais velho era bissexual ou gay? Logo o Edmure, que não era muito envergonhado, não tinha me contado aquilo?

Denna havia deixado aquela informação escapar no fim de semana que passei na casa do grandão, enquanto fazíamos brigadeiro. Em certo momento, quando Edmure se afastou para fazer alguma coisa, ela sorriu animada, mexendo a mistura doce do meu lado com uma longa colher de madeira, e falou em tom alegre:

— Ai, se o Ed fosse como nosso irmão Al, que namora outros meninos, ele podia te namorar não é? Ou quem sabe você podia namorar o Al! Pena que o ele e o Ed não se dão muito bem...

Depois dessa parte, ela parou de falar para me socorrer porque eu engasguei, surpreso e envergonhado com a sua fala. Aquela menininha tinha uma habilidade de ser inconveniente que era surpreendente, e a suposição de que eu namorasse outro homem me fez perder a compostura. Edmure também correu até mim e bateu em minhas costas de forma cuidadosa, até que eu conseguisse retomar a respiração normal.

— Você tá bem? O que aconteceu? — Ele perguntou preocupado, mas com um pequeno sorriso, provavelmente achando divertido meu deslize.

Naquele momento, senti minhas sobrancelhas franzirem, e a confusão me dominou. Mas que droga, eu andava tão feliz com minha relação com o Edmure que nunca imaginei que ele pudesse me esconder alguma coisa, ou mentir pra mim, não em relação à algo sério. Não fazia o tipo dele, ele não era nem um pouco fechado ou reservado. Até hoje, só tinha uma coisa que ele nunca me contara, mesmo que eu insistisse, que foi naquela semana que o encontrei chorando no colégio e ele passou vários dias mal, sem querer me contar os motivos.

— Nada, tô bem. — Eu falei, com um sorriso amarelo, e voltei a fazer o brigadeiro com as crianças, tentando compreender o que Denna havia dito.

Eu não questionei Edmure sobre aquilo depois, nem Denna ou mais alguém falou sobre o tal irmão, Albert. Apesar de a informação me deixar surpreso e desconfiado por meu namorado não ter me contado aquilo, eu sentia que tinha algo a mais ali, algo delicado e que meu querido Prey não queria falar. Quando pensei naquela semana que Edmure estava abalado, não pude deixar de começar a pensar que talvez aquelas coisas fossem relacionadas, mesmo eu não conseguindo perceber onde poderia haver ligação entre Albert e o mal de Edmure. Tentava não levar muito a sério esta ideia, pois no fim das contas, era apenas uma intuição sem nenhuma prova, mas eu também nunca menosprezava minhas intuições.

Tentei esquecer essa informação, com todas minhas forças, durante aquela semana, e fingir que não sabia de nada, apenas aproveitando minha primeira semana de namoro. Até disse para mim mesmo que poderia ser uma mentira da Denna, mas ela era nova e inocente demais para soltar uma mentira daquelas, então eu precisava engolir que sua fala era verdade. Não é como se eu fosse querer brigar com o Edmure por não ter me contado aquilo, porque eu tinha certeza que se ele não me contara era porque a coisa era no mínimo, muito séria. Ainda assim, minha cabeça doía ao pensar que ele estava escondendo algo de mim, e a sensação de que aquilo estava relacionado com o dia que o peguei chorando atiçavam a minha curiosidade no limite do aceitável.

O que eu queria era que ele viesse me contar quando estivesse se sentindo seguro para isso. Não queria e nem ia força-lo a contar nada, porque sentia que isso não era um assunto que eu devesse insistir, e tinha medo de ele acabar magoado ou irritado comigo. Mas aquilo estava me matando já. Eu queria saber porque o Edmure não falava de seu irmão e sua opção sexual, sendo que aquilo era muito relevante para nós como casal gay. Será que os pais dele sabiam? Se a Denna sabia, era óbvio que eles deviam saber, mas será que eles aceitaram bem? Será que o Albert não morava mais com eles por isso? E porque ele era brigado com o Edmure? O Edmure também não gostava dele, e por isso nunca falava muito sobre ele?

Eu não tinha irmãos para entender, mas imaginava que os irmãos mais novos se espelhavam nos mais velhos, só que se isso fosse verdade, Edmure teria me falado mais sobre Albert. Pensando bem, Edmure só falara de seu irmão uma vez, que foi quando me contou que na sua família eram sete filhos. Droga, aquilo era muito mistério pra mim, nunca gostei disso.

E por isso, naquela tarde de sábado, eu sentei minha bunda na cadeira da mesa no meu quarto, e liguei meu notebook. Coloquei a xícara de café preto que tinha preparado sobre a mesa, e observei a janela, vendo o céu nublado do fim do outono. O dia estava muito frio. Em breve seria inverno, e os feriados de fim de ano. O que será que Edmure ia fazer? Seria agradável passarmos as festas juntos, mas acho que era difícil, pois eram comemorações muito familiares, e provavelmente cada um ia passar com os pais.

Tomei um gole de café e soltei um suspiro, encarando a tela do computador. Edmure tinha viajado com o pai para uma reunião da Prey Gioielli em Nova York hoje de manhã, e só voltava amanhã. Me enviou uma mensagem uma meia hora antes, dizendo que tinha chegado bem, e estava com saudades.

Admito que fiquei com a mão no touch pad do notebook por vários minutos, cogitando fazer o que tinha em mente.

Era meio que um “tabu” para pessoas como eu e Edmure, que tinham de alguma forma, certa fama devido nossas famílias, utilizar a internet para pesquisar umas sobre as outras. Pode parecer ridículo, mas era algo que mostrava que você não confiava na pessoa. Seria como contratar um detetive para saber mais da vida de alguma pessoa, só que no caso de pessoas levemente famosas como nós, os detetives eram os paparazzi, e já tinham feito sua parte de descobrir os podres de toda família mais conhecida, e colocar na internet para quem quisesse ver. Claro que, as informações dos sites de fofoca eram tudo, menos confiáveis, mas ainda assim dava pra sugar alguma informação.

Abri a página do Google, e respirei fundo quatro vezes antes de digitar “Família Prey” no espaço de pesquisa. Foda-se, ninguém ia saber. E era a única maneira de eu descobrir alguma coisa sobre o irmão do Edmure sem perguntar para ninguém. Eu precisava, no mínimo, descobrir se Denna havia falado a verdade ao dizer que o cara era gay. E, se houvesse algum podre sobre ele, deveria estar entre as primeiras notícias, já que pelo que eu sabia, a família de Edmure era muito respeitável, logo não deviam ter muitas notícias sobre eles.

Quando apertei para que a pesquisa fosse realizada, me engasguei com um gole do meu café, e tive de tossir bastante para desobstruir as minhas vias respiratórias do líquido quente e preto. Deus amado.

Os resultados da pesquisa foram totalmente inesperados. Mesmo após desengasgar, eu ainda fiquei encarando a tela com os lábios entreabertos por alguns instantes, meu coração batendo rápido pela surpresa.

Já tinha pesquisado sobre a minha família algumas vezes no Google, para ver como estávamos no mundo virtual. O primeiro resultado era sempre o artigo na Wikipédia sobre meu pai, seguido pelo artigo sobre a minha mãe e seu programa de TV, e os outros resultados variavam entre os sites oficiais de moda e culinária que sempre postavam sobre os eventos de moda que meu pai ia, ou sobre os programas da minha mãe. Até tinha um ou outro artigo que me citava, quando os paparazzi me pegavam junto com a minha família em algum evento. E também havia os poucos sites de fofoca que comentavam algo ridículo como “Jeremy Storm compra flores para a esposa” ou “A musa da gastronomia, Anne Storm, comemora prêmio de melhor programa de culinária”.

Agora, os resultados que eu tive ao pesquisar “Família Prey”, foram bem diferentes. Eu puxei meu maço de cigarros e acendi uma unidade enquanto encarava a tela.

O primeiro era uma notícia de menos de um mês atrás, do Fofoca Diária, um dos maiores sites de fofoca do mundo, especialmente famoso aqui nos EUA. O título da reportagem era “Albert Prey: uma joia rara de se encontrar e difícil de se manter”, e junto com o link já acompanhava uma foto de um homem idêntico ao Edmure, talvez só um pouco mais baixo, vestindo um terno Armani e óculos escuros, enquanto caminhava visivelmente apressado puxando uma bela mulher de cabelos loiros pela mão, tentando se livrar do paparazzi. Céus e terra me ajudem.

Abri o link numa nova aba, e observei o resto dos resultados. Havia um arquivo na Wikipédia sobre a Prey Gioielli, algumas notícias sobre a empresa e seus lucros, e outras sobre eventos que os pais do Edmure tinham aparecido, ou seus avós. Mas o que dominava totalmente os resultados eram postagens sobre o tal Albert Prey e suas “peripécias” na Itália. Pois bem, ele realmente era a ovelha negra da família então.

Entrei no primeiro link que havia visto, e li a notícia do Fofoca Diária. Precisei de mais um cigarro enquanto lia.

“ A fama do Diretor Júnior da Prey Gioielli é a de inegável Don Juan. E não era pra menos: com 26 anos e herdeiro de uma das maiores empresas do mercado de joias mundial, Albert Prey é considerado um dos maiores partidos da Itália atualmente, talvez até da Europa. E não é preciso dizer que o homem sabe utilizar isso à seu favor: bissexual assumido, muitas beldades, masculinas ou femininas, já passaram em suas mãos, e sabe-se lá onde mais. Como se não bastasse o berço de ouro do rapaz, o jovem Prey ainda por cima é dono se um físico escultural, que leva a todos os interessados no sexo masculino ao delírio, e que faz com que nenhuma criatura viva resista ao charme do herdeiro.

Sem se apegar a nenhum relacionamento, Albert faz a alegria dos paparazzi ao aparecer com um novo affair a cada mês, ou espaço de tempo ainda menor. E também faz a alegria dos esperançosos de plantão, que acreditam que podem acabar tendo seus quinze dias ao lado do príncipe das pedras preciosas. Mesmo assim, algumas polêmicas e críticas englobam sua imagem pela falta de comprometimento nos relacionamentos. Mas com esse rostinho bonito, e o corpo malhado, acho que podemos perdoá-lo não é?

De qualquer forma, segue a lista de sortudos (ou nem tão sortudos) mais marcantes que passaram nas mãos do nosso Don Juan das joias. Obviamente, apenas alguns deles, pois a lista seria gigantesca se tentasse citar todos os abençoados.”

Deste ponto, vinham as fotografias tiradas pelos paparazzi, com as legendas embaixo identificando as pessoas da foto. Passei o olhar por todas, reparando em Albert. Era a mesma coisa que o Edmure, alto, um pouco mais musculoso, com os cabelos pretos e belos olhos azuis brilhantes. Não usava a barba, pelo visto. A semelhança me assombrou levemente, e reparei que o homem era realmente muito bonito, como o Edmure.

Eram dez fotos. Em quatro, ele estava com mulheres: uma modelo loira numa mesa de bar, uma jovem atriz morena dentro do carro, uma moça de cabelos cor de chocolate desconhecida numa boate, e uma secretária da Prey Gioielli de cabelos loiros sendo puxada por ele pela mão numa rua não muito movimentada. As outras fotos, nas quais eu prestei mais atenção, eram homens que o acompanhavam.

Fernando Pascola, um jogador de futebol do Inter de Milão, que sorria na foto enquanto caminhava por uma calçada de mãos dadas com o Prey, que também tinha um sorriso discreto nos lábios. Stefano Voltan, um pintor que tinha certo sucesso e aparecia na fotografia de cara séria, sentado num bar com Albert. Duas fotos do rapaz com homens desconhecidos em uma boate, aos beijos. Giorgio Lore, que segundo a legenda era secretário do homem na Prey Gioielli, sorrindo ao entrar em um grande carro prateado junto ao chefe.

E o último foi quem me surpreendeu: Dacey Florez, o jovem fotógrafo de sucesso, cujo nome eu já conhecia pelos seus ótimos e muito bem falados trabalhos para revistas, inclusive para a Grease Itália. Na imagem, ele usava óculos escuros e envolvia o pescoço de Albert com os braços e com um sorriso em lábios. Pela legenda, dizia que a foto foi tirada na frente do apartamento que ele dividia com o moreno. E aquilo foi o que me surpreendeu: a legenda dizia que Dacey era o único caso mais “duradouro” do tal príncipe das pedras preciosas, apesar de ele sair com outras pessoas com uma frequência inquestionável.

Percebi que eu estava com a mão na boca, em surpresa com aquela informação. O irmão do Edmure era um canalha de marca maior que morava com um cara, pegava esse cara, e também saia pegando todo o resto da população italiana! Deus do céu, aquilo me parecia muito errado.

A minha preocupação, que já era grande pela dúvida sobre o porque Edmure nunca me contara sobre seu irmão, agora era gigantesca. Albert Prey não era uma pessoa boa, eu podia sentir aquilo só de olhar para ele nas fotos. Minha intuição não me enganava.

Mas mais que tudo, lendo aquilo sobre Albert, minha intuição de que ele estava relacionado com aquele choro de Edmure, apenas aumentou. Mesmo sabendo que não podia me agarrar nessa ideia, já que não havia nenhuma prova.

Só que eu era curioso como o diabo. Ainda que o Albert fosse a “ovelha negra” dos Prey, eu ainda não achava que Edmure guardaria segredos sobre isso, porque como eu disse, ele não é lá muito reservado. Não, tinha alguma coisa a mais ali, algo sobre o homem que eu ainda não tinha conseguido pegar pesquisando na internet.

Era melhor esperar Edmure vir falar sobre aquilo quando se sentisse à vontade. Eu ia esperar.

Mas não ia descansar enquanto não descobrisse sobre isso, e o porque Edmure chorara naquele dia, na escola.

Ninguém nesse mundo mexia com o meu namorado.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Não se esqueçam de aparecer no ask.fm/HenaPeople
Beijos!