Fases
2 Prambanan
Existe amor a primeira vista? Almas Gémeas? Realmente existe essa ligação instantânea ou é só baboseira? Eu sou bem antiga e devo admitir que por anos eu pensava nisso como historinha pra boi dormir, quão ridiculo é o pensamento de duas pessoas terem um sentimento tão forte que ultrapassa tempo e espaço?
Mas ai eu conheci esses dois garotos, eu tive que voltar atrás em cada palavra, foi uma vergonha, mas também foi incrível
E eu estou aqui para mostrar a vocês o maior amor quer eu já tive o prazer de ver.
Era noite quando o deus nórdico Loki foi para o festival de inverno na Indonésia, ele ia passando pelas barracas observando o céu estrelado, estava tão distraído que não viu um homem em sua frente, esbarrando no desconhecido.
—Oh, peço desculpas senhor- Pediu educadamente Loki- O senhor está bem? — perguntou ao ver o estranho tropeçar no ar
—Sai da minha frente idiota, você não está vendo o enorme ciclope que está ali? Ele quer me matar!- O estranho falou desesperado
—Ciclope? -Perguntou sarcástico — Ei,ei, melhor irmos para alguma pousada-ele diz preocupado ao ver o garoto de cabelos roxos vomitar.
Na pousada ele examinou o jovem e percebeu que ele estava sobre uma poderosa maldição, se sentindo bastante gentil naquela noite Loki o curou e passou a noite vigiando o rapaz
O sol surgiu às 5 da manhã acordando o residente mais novo do pequeno quarto. Em um pulo o menino se levantou e gritou
—Quem é você? Está sobre ordens de Hera?
—Sinto muito te decepcionar querido, mas não sei nem quem é Hera- sorriu de lado
—Podemos dizer que ela é a minha madrasta, foi ela que me jogou a maldição, se você não está aqui por ela, por que me ajudou?
—Se eu estivesse a mando dela por que eu te ajudaria? -questionou Loki
—Para me torturar de outro jeito talvez, eu realmente não sei, mas sei que ela é cruel.
—Bem, eu posso te dizer que te ajudei porque estava me sentindo gentil- O deus deu de ombros — A propósito sou Loki, o deus da trapaça, é o seu prazer me conhecer mortal.
O jovem levantou a sobrancelha e o olhou sarcasticamente
—Eu sou Dionísio, filho do deus dos deuses, é o seu prazer me conhecer imortal.
—Filho de Odin?
—Zeus
—Uma criança grega, te matar faria o rei enlouquecer? Seria divertido ver isso, o desespero nos olhos de um pai é um banquete-sorriu predatoriamente
—Duvido muito, fui criado por ninfas, nunca conheci meu pai, provavelmente ele nem saberia que eu morri- Falou Dionisio
—O fato de você nunca te-lo visto não faz os sentimentos dele serem nulos , digo por experiência própria garoto- O deus da trapaça sorriu tristemente — Mas quanto você se sentir triste olhe para o céu, veja a imensidão, as estrelas, a pureza e perceba como aquilo é lindo, veja como uma coisa tão simples traz tanta paz, talvez isso ajude a melhorar sua dor.
—Como assim?- perguntou o pequeno semideus
—É só um conselho garoto- disse revirando os olhos- Já paguei a estadia daqui por uma semana, divirtasse Dionísio
Dionísio viu o homem cujo nome era Loki ir embora e naquele momento pensou que seria legal conversar mais com ele, mas duvidava que se encontrassem de novo, ele era um mortal e o outro um deus, encontros assim são únicos.
Os anos se passaram, Dionísio criou o primeiro vinhedo na Ásia e posteriormente o vinho, ele virou um deus também, ele passou por suas dores ao ir viver no Olimpo vendo diariamente a assassina de sua mãe, de sua família, das ninfas que o criaram. Ele acabou seguindo o conselho do deus e diariamente olhava para o céu tentando diminuir sua dor.
Um dos dias em que ele não conseguia olhar na cara de sua madrasta ele foi para a Indonésia, era inverno lá e estava ocorrendo um lindo festival, eram lembranças bem vindas.
Em um momento de distração ele esbarrou em um senhor.
—Me desculpe senhor- pediu sem olhar o homem
—Ei cabelo roxo, já faz anos em- falou alguém ironicamente
—Loki, isso.. é uma surpresa te ver — falou sorrindo imensamente
—Devo dizer o mesmo roxinho, e pelo que vejo você é agora um deus, devo te parabenizar ou te dar as condolências?- Loki perguntou rindo
—Os dois provavelmente- respondeu também rindo- Ah, você que passear? Têm um templo bem bonito ao norte.
—Claro
Ambos começaram a caminhar em direção ao templo, ao chegar perto Loki viu muitas construções de pedras, lindas torres em um jardim com um pôr do sol deslumbrante, a natureza fazia aquele templo ser mais belo a cada minuto.
—Esse é o templo Prambanan , têm uma história linda sobre os deuses buditas, mas pra mim ele é especial porque foi aqui que eu virei um deus, na epóca eu estava mal, eu era um libertino de primeira classe — Contava o deus do vinho
—Não vejo mal em ser um libertino, se eu te contar o que eu já fiz, acho que ti coraria- Falou Loki em tom coquete
—Não tem problema na libertinagem- Riu Dionisio — O meu problema foi criar uma bebida pra esquecer, foi buscar prazer pra mascarar uma dor, aquilo não era certo, estava me matando, mas ai eu vim aqui ,eu segui seu conselho e olhei para as estrelas ,eu respirei fundo e olhei pro céu, e você estava certo a paz que eu senti me ajudou muito. — Dionisio contava
—Calhou que nessa noite meu pai me transformou em um deus , não por paternalismo obviamente, mas eu estava com uma fama muito grande, ser deus era vantajoso então eu virei um.- Falou dando de ombros
—Nem sempre viramos deuses pelos motivos certos, entretanto isso não quer dizer que não merecemos. — Loki falou
Os deuses ficaram olhando o céu por um tempo até que Loki sussurrou
—O céu é um mistério pra mim, lá não tem nada de mais, mas mesmo assim traz sentimentos bons, é incrível como algo tão simplório têm tanto poder.
—O deus da trapaça é profundo, isso é uma surpresa- Zombou o deus do vinho
—Eu tenho meus momentos- Riu levemente- Eu lembro que quando te vi eu senti algo por você , eu não sabia o que era mas sabia que tinha que te ajudar, já se passaram anos e eu ainda não sei o que era , mas sei que você é importante pra mim.
—É eu sei, tambem sinto o mesmo- Os deuses se olharam intensamente
—Se você quiser ser minha estrela, eu prometo sempre ser o seu céu — Sussurrou Loki
—Se você vai sempre ser meu céu então eu tambem serei sempre sua estrela- Sussurou Dionisio sorrindo
E em uma note de inverno ambos os deuses nórdico e grego se prometeram, uma promessa que eles nunca quebrariam.
—Por que o roxinho não me ajuda em uma travessura? Loki perguntou depois de uns instantes
—Que tipo de travessura? O deus do vinho perguntou curioso
—Fazer esse festival ficar um pouco mais animado, trocar as bebidas, comidas ficarem mais apimentadas e umas pequenas ilusões, coisa boba querido- O deus da trapaça falou com um sorriso sarcástico.
—Eu sei que vou me arrepender...
—Você vai é se divertir- Deu uma piscadela
—Bem, então me divirta deus das trapaças- Dionisio riu
Ambos saíram do templo e foram fazer pequenas travessuras, por anos aquele festival foi lembrado pelos assustadores monstros que apareciam de repente, a comida intragável e o misterioso vinho que virava água.
Os deuses passaram a semana no festival, conversando, se conhecendo, fazendo inúmeras travessuras e fortalecendo uma amizade que seria eterna, naquela noite no grande e belo templo Prambanan uma relação nasceu, eu não sei vocês mas qualquer coisa vinda do deus das travessuras e o deus do vinho e prazeres provavelmente não será bom, pelo menos não para os deuses e mortais desavisados, mas para os deuses, essa relação será a salvação de ambos.
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