Marcos e eu estávamos saindo de casa quando meu celular tocou. Era minha amiga Ana que mal podia esperar pra nos ver de novo. Faz mais de anos que não conversávamos então acho algumas coisas precisam ser colocadas em dia. Eu já havia pego as chaves do carro, checado se eu já havia trancado as portas de casa, já que moramos em um bairro um tanto perigoso para jovens. Ultimamente alguns pais têm reclamado do sumiço repentino dos filhos e já buscaram ajuda de várias autoridades como os bombeiros e policiais para que ajudassem na busca. Ninguém até agora encontrou nada que possa ajudar. Enfim! O Marcos está me apressando mais do que o normal. Parece até que ele na, primeira noite que Ana vai dormir aqui, já vai pra cama com ela. Deve estar louco de saudades. Aliás, Ana é a namorada do Marcos. Marcos é meu irmão.Finalmente chegamos no aeroporto que fica a quase uns noventa quilômetros da minha casa. Quase não encontro um lugar pra estacionar por causa de um evento de babacas que resolveram organizar bem no dia da chegada de viajem da minha amiga. Minha melhor amiga. Aquela saudade tentando sufocar você e cada parte do seu corpo falecendo aos poucos por querer muito ver alguém logo. Cada parte da minha cabeça faz um esforço a mais a cada segundo que espero. Agora digamos que o namorado que deveria estar mais ansioso do que a amiga não está presente nesta cena. Ele simplesmente me deixou esperando lá como um cachorro fica esperando, todo comportado, por um pedaço de carne suculenta que acabou de sair da grelha.Ana finalmente chegou! Ai meu coração...-Ana, Oi! Sou eu, Marian. Como foi a sua viajem? Alguma turbulência no seu voo? Quero saber cada detalhe!-Calma... eu sei quem você é. – Falou rindo – Relaxe um pouco. Você está mais ansiosa do que eu.-Okay. É que eu me empolguei muito com sua chegada. Já o Marcos... Bem, ele foi pra o restaurante que fica a uns vinte metros daqui pra assistir a final de beisebol que ele tanto queria ver. Vou chamar ele pra ajudar com as malas e irmos para casa! Já estou com fome de tanto esperar.-Tudo bem. Eu sei como é. Te sigo ou espero aqui mesmo?-Ainda prefiro que você venha comigo...Seguimos conversando sobre como a comida do avião tem gosto de plástico e as aeromoças são totalmente o contrário do que ela achava: Legais, gentis e amigáveis. Resolvi entrar no assunto de estudos dela. Ela se dedica a estudar umas coisas de física ou algo assim. História ou física ou os dois. Nunca vou saber exatamente qual, já que ela adora mudar de emprego assim do nada. Não consigo entender como uma pessoa pode se cansar tão rápido de um emprego fixo, que paga bem e que não se tem, praticamente nada pra fazer.Preparei um banho quente primeiramente pra Ana e depois pra mim. Marcos sabe se virar sozinho. Já é um homenzinho. Já sabe fazer as coisas ele mesmo. Depois de um dia estressante na porcaria da universidade eu pude ir pra casa relaxar um pouco, arrumar minha casa porque Ana estava lá e eu não queria que ela visse a bagunça que a Mel faz. A Mel é minha gata hiperativa que apenas come, brinca e me dá atenção quando ninguém mais dá.Eram quatro da manhã e ouvi um grito vindo da rua. Não parecia uma agressão, o que é de certa forma comum no meu bairro, era apenas um grito de dor ou um urro. Bem, como eu estava sem sono resolvi olhar. Poderia ser o Marcos pregando peças. Cheguei no parapeito da já nela, abri ela e ainda estava escuro, com as luzes da rua ainda acesas. Ainda me pergunto o que levaria uma pessoa a fazer isso a essa hora. Continuei olhando para o lado de fora sem ver nada além de carros estacionados, casas, postes e uma criança brincando no meio da rua.-Espera. Volta. O que uma criança está fazendo no meio rua a essa hora?Não estava acreditando naquela merda... acho que bebi demais ontem de noite. Resolvi sair um pouco da janela e passar uma água no rosto. Voltei correndo e passei direto pelo meu quarto. Queria que a Ana visse aquilo também pra que quando eu contasse não me chamasse de louca. Acordei ela às pressas e saí arrastando ela pelo corredor.-OLHA PRA RUA! TÁ VENDO AQUILO TAMBÉM?-Han? O quê, garota? A rua? Aham, tô vendo sim. Acho que só um cego não veria. Posso voltar pra minha cama agora? Posso. Obrigado. Fui.Okay... Vamos dizer então que eu apenas surtei por causa de uma garotinha que estava no meio da rua brincando sozinha às quatro da manhã. Acho que preciso, mais do que ninguém , de mais de oito horas de sono.

Notas finais
Espero que gostem... Se gostaram me avisem pra que eu possa escrever mais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.