Fascínio

42 Apenas humano


Notas iniciais
Hey! Não postei na sexta porque estava difícil de raciocinar naquele dia, quem dirá escrever alguma coisa. Antes de lerem gostaria de dedicar o capítulo à lindona da gi magalhães que favoritou a fic. Obrigada fofa, adorei mesmo! Agora, boa leitura!

O conde pisou no peito de Ren se dirigindo à mim e eu instintivamente comecei a me afastar, empurrando Finn comigo. A cada passo que ele dava na nossa direção recuávamos.

– Está com medo Marianne? – O conde riu o que me deixou fervendo de raiva.

Eu não queria ser fraca e medrosa, eu era mais do que isso. Eu poderia enfrentá-lo, até mesmo se ele me matasse... Eu poderia conseguir tempo para que Finn escapasse. Minha vida já não valia tanto assim, e eu era forte o bastante.

– Não! – Gritei com convicção e parei de recuar. No próximo passo que ele deu ficamos cara a cara. Eu me mantinha séria enquanto ele continuava sorrindo, estava apenas se divertindo com toda a situação.

– Bom saber... – Vlad segurou-me pelo pescoço como havia feito com Ren segundos atrás. Ele me ergueu me impedindo de tocar o chão com meus pés. A falta de ar não seria problema para mim, se seu aperto não doesse tanto.

– Solta ela! – Gritou Finn.

– Resposta errada. – Avisou Vlad.

Antes que conde fizesse qualquer coisa eu chutei com toda força seu peito. Ele me soltou cambaleando alguns passos para trás e eu cai sentada no chão. Levantei-me imediatamente, o conde já voltava para cima de mim.

– Você está me irritando, mas não vou desistir tão fácil. – Os olhos do conde pareceram escurecer ainda mais, ficando vermelho quase negro. E seus dentes... Não somente os caninos, porém todos estavam se afiando.

– Você é doente. – Respondi.

Quanto mais o conde se enfurecia, mais sua aparência ficava medonha. Além dos olhos e dos dentes sua pele parecia estar ficando cinza e as veias escuras mais inchadas. Ele fez um som que pareceu um rosnado antes de pular – literalmente – para cima de mim. Eu me agachei puxando Finn comigo e escorregamos por baixo do corpo do conde enquanto ele estava no ar. Logo em seguida corremos para a saída da mansão.

O sol me queimou assim que me tocou. Finn ficou diante de mim, fazendo uma sombra com o próprio corpo.

– Finn... – Eu puxei o capuz da capa que usava para cobrir meu rosto, mas àquela hora o sol estava numa posição que ainda me feria. – Você precisa ir. Vou distraí-lo enquanto você escapa.

– Não. Chegamos até aqui, agora iremos embora juntos.

– Mas eu não posso... – Suspirei. – O sol...

– Vamos encontrar alguma sombra, talvez cheguemos até a floresta.

Lembrei que quando escapei da casa do conde pela primeira vez o que me salvou foi a floresta que cercava o jardim nos fundos da casa. Seguindo pela floresta dava para chegar à cidade antes do entardecer.

– Tudo bem, por aqui. – Corri seguida por Finn. Contornando a casa e chegamos rapidamente ao jardim cheio de rosas que havia na parte de trás da mansão. Também havia uma casinha, que eu sabia muito bem aonde levava. Logo que abria a porta da casa, degraus surgiam te levando para baixo da terra onde havia aqueles caixões, onde acordei no primeiro dia como vampira.

Mal encarei a casinha, continuamos andando direto para as árvores que me protegeriam do sol. Finn vinha logo atrás; Ele encontrou um ancinho jogado pelo jardim e o pegou, tirou o cabo de madeira e em seguida o quebrou levando o meio do cabo à perna, criando assim duas estacas improvisadas.

Ele sorriu quando me viu olhando para ele.

– Estamos com pressa. – O lembrei.

– Sim, mas isso pode nos ser útil. – Ele entregou uma das estacas para mim e continuou andando. Agora quem o seguia era eu.

Para a nossa tristeza escutamos as janelas de vidro da casa estourarem e dela passar um monstro, agora completamente irreconhecível. Aquela coisa era o conde? Não podia ser!

O monstro cobriu todo o espaço que havia da casa até nós com um único salto. Fumaça começou a sair da sua pele assim que tocou o sol, mas ele agiu como se não se importasse. Quando caiu atingiu diretamente Finn. Os dois rolaram para as rosas, Finn gritava toda vez que um espinho lhe penetrava a pele, mas não era só isso. A criatura demoníaca que um dia fora o conde aproximava seus dentes de tubarão da garganta de Finnick e o som dos dentes batendo toda vez que ele mordia o ar era agoniante. Finn empurrava a testa do demônio aparentemente irracional para longe de si, mas o monstro era mais forte e haveria um momento que conseguiria mordê-lo.

Sem muito tempo para eu reagir segurei firme a estaca que Finn acabara de fazer e corri na direção do monstro. A cravei nas suas costas esperando que, se não o matasse, ao menos o enfraquecesse. A besta se ergueu tentando levar as mãos às costas e tirar a estaca de si. Ele parecia incontrolável andando para todos os lados, se debatendo com tanta força que a cabeça parecia de borracha. O monstro descontrolado veio na minha direção e quando ergueu uma mão acabou arranhando meu rosto e o descobrindo do capuz. A luz do sol me atingiu em cheio. Puxei o capuz, mas ele agora estava rasgado e não servia de muito. Senti alguém parando na minha frente para tapar o sol. Ele me abraçou, os gritos da criatura soavam distantes assim como o chiado que o sol causava em sua pele.

– Vamos fugir daqui agora. – Disse Finn com o queixo apoiado em cima da minha cabeça.

Eu assenti. Olhei por cima do ombro o conde que havia se tornado aquele monstro. Ele havia alcançado a estaca nas costas e a removido, agora ele olhava para nós com um sorriso macabro e tomava impulso para mais um dos seus saltos extraordinários.

– Temos que correr! – Alertei Finn.

Sabia que não daria tempo, a besta seria mais rápida. Então olhei ao redor desesperada por uma solução. Encontrei a outra estaca que Finn devia ter deixado cair quando o monstro o atingiu. Ignorando a dor excruciante que a luz solar me causava me afastei de Finn para pegar a estaca. Ela estava diante da casinha que levava ao subsolo onde estavam os caixões. A casinha projetava uma pequena sombra que já serviu para me aliviar um pouco das queimaduras.

Quando me virei para encarar Finn e a criatura era tarde demais. O monstro me atingiu batendo com as minhas costas na porta da casinha com toda força. A porta cedeu e rolamos escada abaixo para a escuridão.

– // -

Senti que alguma coisa estava cravada na minha coxa esquerda e ardia. Como se alguém estivesse enfiado uma lâmina em brasa na minha perna. A dor era ainda pior que as queimaduras do sol. Abri os olhos percebendo onde estava. Assim que me adaptei à escuridão avistei cinco caixões e três deles pareciam ocupados. Também muitos túneis que deveria levar aos esgotos da cidade, ao menos era o que parecia...

Sentei-me. Sangue jorrava sem parar da minha perna onde uma estaca estava enfiada. A segurei e, mordendo os lábios inferiores para não gritar, puxei o pedaço de cabo. Senti que o buraco que a estaca deixara já começava a se fechar, mas era um processo lento.

Escutei passos apressados batendo nos degraus da escada de metal. Lembrei-me de como havia ido parar ali. Olhei em volta alarmada esperando encontrar o conde ou aquela besta para nos atacar, mas não estava em lugar algum. Levantei-me, com dificuldade de pisar com a perna machucada. Então manquei até as escadas onde Finn surgia com uma expressão apavorada. Ele forçava os olhos tentado enxergar alguma coisa, ele só me viu quando eu estava bem perto.

– Anne... Você...

– Vou ficar bem. – Entreguei a estaca que eu segurava para ele. – Fique com isso.

Ele assentiu.

– Vamos sair daqui antes que apareça o...

Uma risada ecoou por todo o recinto interrompendo minha frase.

Eu olhei para trás e vi que o conde caminhava lentamente de um dos túneis até os caixões. Ele parou no meio de dois e repousou suas mãos sobre eles. Sua aparência estava normal apesar de suas roupas estarem rasgadas. Os olhos castanhos haviam retornado, assim como a pele sem manchas e o cabelo liso e negro. Até rasgado como um mendigo ele era belo, mas agora que eu sabia no que ele poderia se tornar sentia nojo só de pensar em tocá-lo.

– Você não pode ir Annie. Sua capa já era, se ficar muito tempo exposta ao sol irá entrar em combustão e morrer.

Olhei para minhas roupas, estavam horríveis e cheia de furos. O maldito tinha razão.

– Mas o humano pode ir. Eu permitirei que escape vivo desta vez.

Encarei Finn esperando que ele compreendesse que era melhor assim. Mas ele balançou a cabeça negando.

– Eu não irei sem ela! – Gritou.

O conde suspirou.

– Que dó. Sinceramente Finnick, tenho pena de você. És tão tolo. Acha que vai fazer o quê? Destruir-me? Que Anne voltará a ser humana e vocês dois viverão felizes para sempre? – O conde lançou um olhar de completo desprezo a Finn. – Isso nunca vai acontecer. Vocês não nasceram para ficar juntos. Aceite antes que se machuque ainda mais. Ela é minha e você é o faz tudo, um escravo. Seu lugar é limpando pátio e bosta de cavalo.

Finn avançou na direção do conde, mas eu atravessei um braço na frente dele o contendo.

– É verdade. – Eu disse.

Finn me encarou surpreso e um sorriso formou-se nos lábios do conde.

– É verdade que não conseguiremos te matar – continuei. – Mas não é verdade que Finn e eu não possamos ficar juntos! Você é o desprezível aqui! Você é o monstro nojento e indigno de qualquer sentimento, tanto da minha parte quanto de qualquer ser no mundo. Quem sente pena aqui sou eu, de você.

O sorriso dele permaneceu, mas os olhos mostravam um brilho diferente. Assassino, raivoso, incontrolável.

– Meninas. – o conde disse. – Por que não se juntam à festa?

Então dos três caixões que estavam ocupados pessoas se levantaram: Lanore, Dábria e Ilona.

Notas finais
Então? O que achou? Comentar não estraga o dedinho de ninguém! Beijocas à todos que lerem, até o próximo!