Far From Haven
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Depois de um começo ruim, espero que a continuação seja melhor...
Vou explicar melhor.
Eu sempre sou o último a sair da sala de aula. Não suporto aquela bagunça, mais encheção de saco... E todo o resto. Saindo da sala, vi um livro de baixo de uma mesa, e resolvi pegar. Era do Gustavo. Pensei em deixar lá, mas não agüentei e peguei, para devolver no outro dia (sabia que ia me ferrar depois). Em casa, fiquei folheando o livro dele, e encontrei uma redação... Com uma nota 10. Pensei "O que! O Gustavo tirou 10 em algo". Não acreditei, e comecei a ler. Realmente era muito boa a redação, tirando MUITAS PALAVRAS ERRADAS (estudava numa escola pública de bairro de pobres, só de ter entregado e de ter escrito em algo fácil de entender, e com um contexto ótimo, já era um motivo de 10).Era algo muito bom. Era sobre o "Amor Proibido". Ele discursou sobre Romeu e Julieta, colocando pós e contra... Até parecia que ele tinha um amor não correspondido... Mas não. Ele era bonito, alto, forte, participava do time de futsal da escola, popular, nunca que uma garota desta escola, iria dispensar ele.No outro dia, entreguei seu livro, e elogiei sua redação.- Estava muito bem escrita. - Você leu? — ele me respondeu arregalando os olhos — Como você lê algo que não é seu?!- Me desculpe, eu não sabia...- Cara, pelo amor de Deus, não conta pra ninguém isso. Ok?- Táh, tudo bem...Ele sorriu para mim. Nunca percebi que seu sorriso era bem inocente, parecia uma criança ganhando sua primeira bicicleta.Voltei para meu lugar, pois seus amigos já começaram as piadas do dia.A merda deste dia foi não conseguia tirar o sorriso do Gustavo da cabeça.Depois deste dia, passei a cumprimentar mais o Gustavo, e ele respondia. Ele começou a contra-pôr seus amigos, quando começavam a zuar minha cara. E como comigo, todo mel se transforma em "melda"... Já estávamos alguns meses para acabar o ano... Era numa quarta-feira, estava meio nublada... Bateu o sinal para irmos embora... E quando eu fui saí, tinham meninos da minha sala que estavam me esperando na porta. Alguns fecharam a porta, e só ficamos nós. Já comecei a ficar com medo.- Licença, me deixa passar! — eu disse- Você se acha mais esperto do que nós né — disse um deles.- Hmm, eu sou mais esperto que vocês — respondi.- Seu viadinho. Eu não sei o que você fez com o Gustavo, talvez realmente você tenha um pacto com o diabo, e é uma bruxinha mesmo. — disse o outro.- E sabe o que fazem com gente assim? Eles apanham.Eles começaram a vim para cima de mim, em um círculo, me fechando. Apenas fechei os olhos e depois de alguns minutos, comecei a sentir meu corpo indo para todo o lugar. Várias sensações de dor começaram a me cobrir... Só pensei "Deus se você ainda me ama me ajude".Quando eu ouvi uma voz, forte, brava. Pensei pronto morri e agora vim pagar "minhas dividas". Todos pararam e ouviram.- O que vocês pensam que estão fazendo?Abri meu olho, que estava meio inchado, e vi o Gustavo na porta, com um olhar de raiva na cara. Pensei "Sério, Deus, o Gustavo?!".- Vocês enlouqueceram? Querem ser expulsos? -disse ele para aqueles meninos.- Nã... Nã... Não Gustavo — respondeu um, com claro medo na voz. — É que ele... Merecia.- Cale a boca — respondeu o Gustavo — Vocês estão esperando o que? Vão embora antes que alguém apareça...Ninguém se mexeu, todos ficaram se entreolhando.- VÃO! — gritou o Gustavo.E todos eles saíram com o rabinho entre as pernas.Após eles irem, o Gustavo veio até mim, e me ajudou a ficar em pé.- Nossa... Eu não sabia... Eles são uns babacas — ele disse me consolando. — Vamos até o banheiro, para te limpar.Ele me ajudou a ir lá. Quando chegamos lá, ele me ajudou a se sentar num box (privada), de frente pra uma pia. Ele molhou alguns papéis e limpou minhas feridas, com cuidado.- Por que você está me ajudando? — perguntei.- Por quê? Tenho que dá um "porque" para te ajudar?!- Não... É que... Eu tenho que ir, minha mãe já deve está preocupada.- Certo. Vamos eu te acompanho.- Não precisa.- Deixa de ser besta. Vamos eu te levo.Fomos até a esquina de casa, num clima MUITO ESTRANHO. De um lado, ele, andando ao meu lado sempre pronto para me segurar se eu caisse, e de outro, eu, meio machucado, com dor em todo lugar, odiando está sensação de segurança vinda dele.Quando chegamos, foi MAIS ESTRANHO SE DESPEDIR. Ele queria me acompanhar até em casa, mas eu não deixei...- Obrigado — disse.- Que isso. Não foi nada. Você tem certeza que consegue chegar até sua casa.- É claro. Não fiquei aleijado.- Calma. Só tô preocupado com você. É que...- É que, o quê? — respondi perdendo a paciência.- Nada Kaio, nada. Bom você está entregue. Até mais.Ele saiu e cada um tomou seu rumo.Ao chegar em casa, e após todos de lá terem entendido o que me aconteceu... Todos começaram a gritar, diziam "como isso foi acontecer?", "quem são estes garotos?", "por que você não revidou?", "onde estavam os responsáveis pela escola?". Após quase 1h de questionamento e blá blá blá(s), pude finalmente tomar meu banho. Primeiro veio o ódio do que aconteceu... Cada hematoma era uma bomba explodindo dentro de mim... Merda de tudo e todos. "Cansei" pensei. E quando fechei meus olhos, após "saborear" o gosto de ódio, vi o sorriso do Gustavo. Senti novamente lembranças de como ele foi "bom" comigo, me aliviou por completo.
Foram vários dias de mais bagunça na minha vida. Minha mãe tinha feito um "barraco" na escola. Meus tios ficavam aconselhando minha mãe, a fazer B.O. Para os meninos e me incentivavam a revidar. Meu pai começou a me buscar (era muito constrangedor). E o Gustavo... Nada mais dele. Parecia que ele tinha morrido. Não bagunçava mais na sala. Quase não falava com ninguém, e depois do ocorrido, não me senti seguro de chegar perto dele.Meu primo, como sempre, foi o único que me ouviu e não falou nada desnecessário. Só me deu conselhos... E quando eu comentei do Gustavo, ele logo disse:- Hmm, você deveria conversar com ele.Isso é BEM OBVIO, mas era difícil. Eu disse também que já estava "cansado de tudo" e ele só respondeu com uma frase clichê "Vai Ficar Tudo Bem". Grande bosta é essa.No último dia de aula, todos já estavam se despedindo, e eu estava tomando coragem para falar com o Gustavo. As coisas já estavam mudando, eu iria mudar de escola, minha raiva me deu a coragem de terminar de cabeça erguida esse ano... Só faltava este assunto inacabado.Na saída, ele me chamou para um canto e disse:- Temos que conversar!- É mesmo? — respondi.- Olha — dizemos os dois juntos.- Comece você — ele me disse.- Ok. Hmm, eu não agradeci direito a sua ajuda... Obrigado.- Você vai realmente mudar de escola? — ele disse, sem perceber o que eu falei. - Sim. Por quê?- Isso é meio complicado...- Comece do início então. — disse.- Certo... Início... Bem... Eu meio que sempre gostei de você... Só que você sempre foi meio inalcançável... Por isso, eu brincava com você.- Então aquilo era uma "brincadeira?- Sim... Quer dizer... Não. Eu sei que passei do limite ás vezes... Mais depois que os caras fizeram aquilo... Eu me toquei que... Que...- Que? — eu disse, já sabendo da resposta.- Você ali... Todo indefeso... Precisando de mim... Kaio... Eu acho que te amo.- Hããã!- Você não vai me responder — ele disse.- ... Hahahah! Eu também gosto de você... Mas eu sei que é só de momento. Obrigado por ser a primeira pessoa a me amar!- Hã... Você acha que é brincadeira?- Não, eu sei que é sério... Obrigado. Obrigado por ter aparecido quando eu precisei! Obrigado por dizer que me ama! Era a força final que eu precisava.- Não estou entendo? Hã?- Gustavo... Eu também te amo só que é um amor inocente... Depois de um tempo, você vai buscar alguém melhor... E convenhamos você nunca ia se sair bem, sendo gay. Desculpe!- Hahahahha! Então o que eu faço? Senhor "sabe tudo".- Você vai continuar sendo você mesmo. Algum momento da sua vida irá aparecer uma garota especial... Há! Agora entendi o que meu primo me disse... - Hã? O que ele te diz?- Vai Ficar Tudo Bem!Nós nos abraçamos bem fortes, um abraço para ser lembrado por toda a vida.Ele foi para outro lugar e eu fui embora. Tinha muitas pessoas ainda se despedindo e muitas delas, eram todos que eu criei ódio. Mas depois da declaração do Gustavo... Esse ódio se foi. Senti-me forte... Passei por eles, com cabeça erguida. Atraí olhares de todos lá, e quando já estava na frente deles disse:- Hoje, vocês pisaram em mim. E quando eu voltar, e eu sei que vou voltar, estarei por cima, e quero ver quem ainda vai ter coragem de pisar em mim novamente.Dei à costa e fui para casa, com aquele silêncio e murmurinhos, criado por mim.O sol já estava indo embora, fazendo uma pintura no céu. Havia também uma leve brisa. Parecia que o "universo" me dizia "muito bem Kaio. Você está pronto para a vida agora".
Notas finais
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