Far Away

1 Capítulo 1


Era apenas mais um dia qualquer na delegacia. Criminosos jurando sua inocência, vítimas chorando seu sofrimento, detetives mal remunerados com seu mau-humor habitual tomando seus cafés popularmente chamados de água preta.

Olivia estava em um interrogatório há pelo menos 4 horas, e o suspeito ao contrário dela e de fin, não mostrava aparente cansaço. Parecia muito confiante naquilo que dizia. Mas ela sabia que era sempre assim, porque como diz o ditado “uma mentira contada 100 vezes se torna verdade”. Era comum criminosos que mentiam tanto para os policiais e para as outras pessoas que acabavam acreditando em suas próprias mentiras. Além do mais já passavam das 9 da noite o que significava que mesmo se saísse do interrogatório a noite já havia se perdido. Olivia estava acostumada a trabalhar até tarde todos os dias, e sinceramente já nem se importava mais. Ultimamente sua casa vazia tinha se tornado uma espécie de tortura, aquele silêncio que havia se instalado desde que Calvin partira levando consigo um pedaço de seu coração. Preferia ficar no trabalho, resolvendo problemas, e amenizando dores aparentemente insolúveis. Ela tinha plena consciência de que seu trabalho não era o suficiente para trazer de volta tudo o que a vítima havia perdido, mas sabia também que a prisão do agressor trazia uma espécie de conforto e uma gostosa sensação de dever cumprido a ela.

Ouviu-se uma batida na porta, indicando que ela deveria sair para conversar com seu capitão que a assistia do lado de fora da sala. Ela lentamente se dirigiu para a saída, ainda com os olhos pregados no homem que interrogava.

- O que foi capitão ?

- Munch acabou de ligar dizendo que encontraram a calcinha da vítima na casa do sujeito. Pode sair do interrogatório, pois podemos ir ao tribunal mesmo sem uma confissão.

- Gostaria de tentar mais um pouco. Agora que temos evidência direta do crime na casa dele, quem sabe não decide abrir o bico ?

- Tudo bem, mas apenas por mais 10 minutos, e nada mais. Estamos entendidos ?

- Sim, senhor

Com um aceno de cabeça ele se despediu e ela voltou para a sala. E continuou insistindo firmemente por não apenas dez minutos como o combinado, mas por mais quarenta. Até que finalmente conseguiu o que queria. Uma linda confissão assinada.

Dirigindo-se a sua mesa pensava em como a noite terminaria de maneira agradável. Uma confissão, um banho quente, um filme e uma boa noite de sono. Mas antes que pudesse sair da delegacia o telefone tocou. Ela hesitou por um momento, pois um telefonema aquela hora poderia significar o fim de seus planos. Tocou de novo. Ela resolveu atender. Mal sabia ela, que aquele telefonema mudaria completamente os rumos de sua vida. E de um jeito nada bom.