Fantasy, um outro mundo.
3 Capítulo 3 - A história do anjo.
Notas iniciais
E enfim consegui!
Eu morava em um bairro rico de minha cidade, mas não gostava de interagir com os outros. Eles eram muito diferentes de mim, e sempre me olhavam torto.
Eu usava óculos quadrados médios, cabelos arrumados e presos, com blusa de botões, calças jeans e um tênis um pouco velho e desgastado. Estudava bastante, sempre estava com meus livros.
Em minha academia todos me olhavam como se fosse um alien, talvez por usar roupas diferentes... Por que eles usavam correntes, casacões, calças largas e tênis de marcas ricas.
Minha rotina era: Acordar às 5h da manhã, tomar banho quente, tomar café da manhã na lanchonete ao lado de meu prédio, ir assistir as aulas, almoçar na cantina, sozinho, depois ia à biblioteca, ficava lá até cair no sono e ser chamado pela bibliotecária...
Passava várias noites em claro estudando ou lendo meus mangás... Até que um dia isso mudou.
Eu estava a caminho da minha querida biblioteca até que um grupo de garotos mais velhos se aproximava de mim, segurando bastões de aspecto pesado. Mas, eu não havia percebido. Continuava andando perdido em meus pensamentos intelectuais e confusos... Eles se aproximavam mais e mais até que.
Acordei em uma pedreira muito mal cheirosa e não me lembrava de como havia parado lá. Levantei-me e olhei a volta... Folhas e capas de meus livros espalhadas por todos os lugares, umas queimando e outras rasgadas.
Parei por um momento e senti uma dor horrível, muito forte em minhas costas, sentia como se tivesse sido atravessado por algo muito afiado. Cai de joelhos sentindo aquela dor e via meu sangue escorrendo entre as pedras. Fui me ‘arrastando’ até a calçada que se localizava no alto da pedreira.
Um casal que passava caminhando me ajudou e me levou ao hospital.
‘Ele perdeu muito sangue’, ‘Não vai sobreviver’ e ‘Ele não tem chances’... Eram as únicas coisas que ouvia quando estava internado. Eu estava perdendo as esperanças, pois estava sozinho nessa, ou pelo menos era o que eu achava.
Um dia estava em meu quarto, no hospital, onde passaria o resto de meus dias... Estava observando os pássaros que cantavam em minha janela...
E escuto batidas na porta ‘toc toc toc’.
– Entre... – Eu já havia passado vários dias naquele lugar e estava sozinho...
Uma enfermeira entra acompanhada de uma mulher e um garoto. A mulher se vira e pede à enfermeira que saia... Ela possuía cabelos longos e brancos, usava roupas largas roxas e azuis, ela possuía um livro em seus braços. Já o mocinho que a acompanhava tinha um olhar desinteressado, cabelos curtos e bagunçados de cor azul, ele vestia roupas muito diferentes da senhora... Usava jeans e camisa branca, sempre com as mãos nos bolsos.
– Quem são? – Eu os olhava com certo receio.
– Somos amigos... Não se preocupe não te faremos nenhum mal. Fiquei sabendo que gosta de livros não?- A velha falava comigo como se já me conhecesse.
– Sim... Gosto de livros... – Continuava sem me alterar, pois estava pensativo... Pensando em meu estado.
– Trouxe um livro pra você! Já que o senhor não poderá mais andar. Espero que goste. – A velha fala colocando o livro em meu colo, se vira e sai.
Fiquei por um tempo olhando o livro que tinha um aspecto de ser bem velho, possuía as pontas feitas a ouro, era grosso, grande, e na capa dizia:
‘Fantasy
Seu mundo nunca mais será o mesmo’
Não me interessei pelo livro, pois gostava de ler coisas cientificas, receitas, entrevistas e não livros de contos de fadas.
E os dias se passavam... Eu continuava naquele quarto vazio, branco, sozinho, sem visitas ou alguém para me trazer livros ou conversar comigo. Ficava refletindo sobre o que deveria fazer por qual motivo aquilo aconteceu comigo? É crime querer estudar? Por quê?
Muitas coisas rodavam em minha cabeça... Até que eu resolvi ler o misterioso livro.
Quando o fui pegar alguém entrou e disse:
– Eu não leria se fosse você. — Era o garoto que acompanhara a senhora outro dia.
– E por que não? – Eu o olhava segurando o livro em minhas mãos.
– Eu já o li e acredite, não acontecerão coisas boas com você. É um livro enfeitiçado, quem lê fica preso nesse universo dele e nunca mais sai. – Ele dizia sério olhando para mim como se quisesse me salvar de algo que estava por vir.
– Bobagem! Já li mais de 500 livros, até livros de feitiçaria e nunca aconteceu nada comigo! – Eu continuava ignorando o que ele me dizia com tanta seriedade.
– É só isso que te digo. Não leia o livro. – Ele se vira e vai.
E então, comecei a ler o tal livro que se encontrava em minhas mãos.
‘Agora que jaz começou,
Não poderás más voltar
O feitiço invocou,
Seu universo mudou.
E o mundo acabou.’
Após isso senti uma energia muito forte, diferente e estranha. E para mim nada havia mudado até... Eu sentir uma dor horrorosamente forte em minhas costas, sentindo isso, comecei a me contorcer até cair da cama. Eu me arrastava em direção da porta sentido aquela dor que parecia algo ou alguém rasgando minha pele com algum objeto pontudo. Tentei me levantar, mas estava com muita dor. E eu lutava para não gritar e lutava para abrir a porta até que consegui e não havia ninguém.
Então me arrastei até o banheiro que ficava na frente de meu quarto, empurrei a porta e me apoiei na pia para ver minhas costas no espelho.
E foi depois desse dia que me arrependi de ter aberto o maldito livro com o nome Fantasy e de não ter escutado o rapaz que por certo virou meu inimigo. Pois a velha havia me procurado, pois eu possuía o que era preciso para estar em seu exercito. Eu me tornei um anjo negro que teria que lutar pela sua rainha (a velha), ela também possuía o rapaz que era outro anjo que se revoltou porque ela me queria.
Mas algo sempre me faltou... Meu nome.
Notas finais
ja ne o/
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