Notas iniciais
Na verdade, só a introdução das introduções mesmo ^^

Devo alertar que os personagens são TODOS pessoas reais que eu parodiei ;D Quem sabe se eu conhecer você, você não acabe aqui também, hein??

Prólogo

O dia estava belo em Hokan. Todos acordavam cedo, para o primeiro dia de aula. Era verão e o sol brilhava radiante. Os alunos entravam como em um formigueiro. Muito barulho, conversas animadas entre os colegas. No mural, a seqüência de nomes e salas.

Era o último ano de Akai e, também, a sua última chance de demonstrar aura mágica.

Hokan era uma cidade mágica, universitária, que formava os jovens dotados de aura poderosa e mandava-os para as florestas e santuários. Todos os alunos do colégio, além de aprender as matérias convencionais, treinavam sua aura a fim de despertar algum poder. Aqueles que conseguiam eram enviados para os santuários, para desenvolverem seus poderes e, os que não conseguiam, ingressavam em uma faculdade normal para exercerem profissões normais.

A menina aproximou-se do mural onde descobriria em qual sala deveria entrar. Lá estava seu nome. Sala B-4. Então ela foi. Entrou, ainda não tinha muita gente. Ela caminhou até a última mesa do fundo, colocou sua mochila no chão e sentou-se. Akai não tinha amigos, sempre fora muito tímida e sua reputação não ajudava muito. Arruaceira e escandalosa, ela estava sempre metida em alguma confusão por aí.

Deitou-se sobre a mesa. Seus longos cabelos vermelhos quase tocavam o chão. Os olhos verdes fitavam o lado de fora da janela. A sala foi enchendo-se. A professora entrou e começou a fazer a chamada.

Nesse lugar, a grande Gaia havia feito um pacto com Adonai. Gaia era a Deusa que cuidava da Terra e Adonai o Deus que cuidava das almas. Então ambos aviam feito um acordo e concordado em unir espíritos humanos aos espíritos dos animais, mas era lógico que não eram todos que possuíam essa fusão. Somente almas mais desenvolvidas possuíam os animais junto a si, como um anjo da guarda. Um protetor que os emprestaria partes úteis do instinto para auxiliá-los.

A lenda dizia que esse pacto entre Adonai e Gaia, havia ocorrido após uma guerra desastrosa entre o céu e o inferno para ficar com a Terra. Não houve exatamente um vencedor, mas Enkil, o demônio, havia deixado que Adonai fizesse amizade com Gaia se concordasse em doar uma das camadas do céu para o seu tão populoso inferno. Assim o inferno agora tinha dez camadas e o céu somente seis. Mas isso já ocorrera há muito tempo atrás.

Cada ser evoluído o bastante era regido pela alma de um animal e esse animal não se repetia em menos de 10 anos. Ou seja, não era possível encontrar alguém com o mesmo animal regente que você, a menos que a pessoa fosse dez anos mais velha ou mais nova. Porém, mesmo assim era um tanto difícil de se ocorrer, a repetição do mesmo animal em exatos dez anos. Até mesmo os outros seres não-humanos, podiam ter alguma regência presenteada por Gaia.

Descobria-se qual animal regia a criança assim que ela nascia, através de um ritual mágico, que, atualmente, era quase como registrar seu filho no cartório. Essa alma era usada como uma forma de identidade, por não se repetir com tanta freqüência. Quando o ritual mágico não refletia nenhuma aura, constatava-se de que era uma pessoa de aura inferior. Porém, essas pessoas nunca foram desprezadas por serem a maioria esmagadora da população.

A raridade era possuir Alma de Gaia, como chamavam. E havia no fundo no fundo a esperança no coração de todos, pois haviam aqueles que manifestavam sua magia somente no fim da vida e aqueles que nunca manifestavam, mesmo quando o ritual indicava que eles possuíam.

A professora chamava os alunos pelo nome. Akai estava indisposta sobre a mesa, respondeu com um grunhido não muito inteligível. A alma dela era a raposa. E, apesar de possuir uma aura mágica, jamais manifestou qualquer tipo de habilidade.

O primeiro semestre na escola de Hokan era voltado apenas para habilidades mágicas. Aqueles que possuíam Almas de Gaia e conseguiam manifestá-las, várias vezes eram capazes de desenvolver uma diversidade de habilidades mágicas que, através de um catalisador podiam ser usadas para vários fins.

Haviam, também, seis grandes santuários. Esses eram comandados por sacerdotes que já haviam alcançado o ápice de suas habilidades. Eram como magos dos elementos e ajudavam a manter o equilíbrio da Terra.

Trabalhar lá era sem dúvida o sonho de qualquer um, mas conseguir entrar lá era em contrapartida um pesadelo. Primeiramente era necessário possuir uma Alma de Gaia. Se isso não ocorresse, não adiantava nem tentar. Segundo, era necessária a magia. Quem não sabia usar magia era abandonado nos processos de seleção.

A escola mágica de Hokan havia inventado uma etapa classificatória, quase que um vestibular mágico enorme. Os testes para os santuários eram realizados no meio do ano. No segundo semestre, estudava-se apenas disciplinas convencionais, pois o vestibular para a universidade comum acontecia no final do ano.

Akai estava no terceiro ano, então esses eram seus últimos meses para tentar ingressar em um santuário. Caso não conseguisse, seria enviada para uma universidade qualquer, apesar de sua aura mágica.

A professora levantou e guiou os alunos até o pátio da escola, onde estavam montadas diversas arquibancadas para o desfile dos carros do santuário. Todo ano acontecia um desfile com carros temáticos, os sacerdotes e os regentes. Depois era realizado um sorteio entre as turmas dos três últimos anos, que definiria os times para um acampamento na floresta, onde os alunos passariam por diversos testes a fim de despertar suas auras.

Alunos posicionados, uma música ao fundo. O local estava barulhento e irritante. Todos estavam ansiosos para ver os carros decorados.

O diretor da escola, senhor Clodoaldo, tomou posse do microfone. Disse:

- Bem vindos, alunos da escola de Hokan, para mais um evento de verão. É com honra que recebemos os carros alegóricos dos santuários, seus sacerdotes e regentes. Por favor, entrem!

Todos aplaudiram. O primeiro carro a entrar foi o do santuário do vento. Ele era dourado, conversível. Na parte da frente, uma grande cabeça de água esculpida em ouro brilhante. Atrás, asas douradas balançavam com o vento e soltavam algumas penas.

De pé sobre o banco traseiro, com apoio de uma longa barra de ferro dourada, a sacerdotisa, posto mais alto do santuário. Seu nome era Andariel, e ela tinha cabelos encaracolados, compridos até seus ombros, loiros e brilhantes. Seus olhos eram verdes e ela trajava um vestido todo feito de seda amarela. Todos aplaudiam ainda mais. Dirigindo estava Linnel, a secretária do santuário. Ela com seus cabelos castanhos presos por uma trança e um vestido longo dourado, acenava para todos.

O próximo carro foi o do santuário da água. O carro era branco de vidro, atrás do vidro podia-se ver peixes nadando. Também de pé sobre o banco Eol, o sacerdote. Ele era um elfo marinho, possuía longas orelhas pontudas, sua pele era azulada. Seus cabelos eram compridos e da cor da noite. Seus olhos eram também azuis. Ele trajava uma túnica branca. Dirigindo, a regente, Andressa. De olhos cinza, cabelos prateados, curtos como os de um homem. Ela usava um top frente única azul e uma calça longa também azul.

Em seguida o carro da terra. Sobre o capô na parte da frente sentava-se Daedric, o Druida. Também com orelhas pontudas e compridas, trajava uma armadura verde brilhante, cobrindo seu tórax, abdômen, braços e ombros. Seus cabelos eram ondulados compridos e marrons, seus olhos eram amarelados. Dirigindo o regente, Kael. Seus cabelos curtos da cor verde, seus olhos castanhos ele trajava uma túnica marrom. Cipós pendiam no carro e arrastavam-se no chão.

O último carro era o do fogo. Sentado sobre a parte superior do banco, e com os pés onde deveria estar sentando-se, o sacerdote, Flame. Cabelos curtos lisos, vermelhos, balançavam com o vento. Seus olhos amarelos demonstravam tédio. Ele trajava um sobretudo preto, fechado, cobrindo seu corpo. Dirigindo estava a regente, Ravenna. Era morena, forte. Seus cabelos ondulados e volumosos lembravam chamas negras em volta de seu rosto. Olhos marrons que demonstravam determinação.

Luz e Trevas não entravam com carros, não auxiliavam a escola, mas mesmo assim pegavam os alunos bem sucedidos para trabalhar lá. Entretanto, a lenda dizia de que desde a guerra entre céu e inferno, as duas partes não se davam muito bem. Inclusive, há quem acredita que seja apenas conspiração. De toda forma, cada santuário protege a alma de um deus, para manter a ordem, e a paz no mundo. Assim como Adonai, Gaia e Enkil, existem dezenas de milhares de pequenos deuses e demônios, cada um com uma especialidade. E alguns são realmente específicos, como por exemplo, o Anjo sagrado dos sebos de livros usados. Esse inclusive atende pelas iniciais A.Z.. Mas isso é outra história.*

Todos aplaudiam bastante o desfile. Os sacerdotes e regentes saíram dos carros e dirigiram-se ao palco. Cumprimentaram a platéia e deram início ao sorteio. Cada equipe era formada por cinco pessoas e, deveria passar no mínimo três meses na floresta. Sobreviver a todas as armadilhas e dificuldades. Quase um Reality Show, daqueles que o campeão leva rios de dinheiro para comer testículos de boi.

As equipes eram sorteadas de acordo com o ano que estavam cursando. Seriam um membro do primeiro ano, dois do segundo e dois do terceiro.

Começaram finalmente. O nome era dito e a pessoa deveria ir para a sala que era indicada em seguida. O senhor Clodoaldo deu início ao sorteio. Enfiou a mão na caixa com o nome dos melhores alunos da escola e puxou um papel.

- Senhorita Hime. Sala A-1

Todos aplaudiram. Hime era uma menina linda. Porém, não muito jeitosa. Cabelos esbranquiçados, curtinhos e a franja pendendo sobre os olhos. Não era muito alta, mas tinha um corpo bonitinho. Ela trajava uma camiseta branca curta, mostrando sua barriga. Uma calça azul meio folgada. Era regida pelo gato. Ela correu até o prédio e subiu para a sala.

- Senhor Mark. Sala A-1.

O silêncio invadiu o lugar. Mark era quase tão odiado quanto o próprio diabo naquela escola. Seu animal era o morcego e à isso ele adicionava todo um ar sinistro a tudo que fazia. Os cabelos bem longos, negros, tocavam o final de sua cintura enquanto ele andava lenta e silenciosamente pelo salão. Ele possuía os olhos vermelhos da cor do sangue e vivia sozinho pelos cantos. Não há ninguém que se lembrasse da voz dele, do lugar onde ele morava, quantos anos tinha ou qualquer outra informação sobre ele. Estava sempre sozinho, sério e calado. Mark era um garoto bem alto, magro, e de vez em quando, suas expressões ou jeito de se movimentar eram um tanto femininos. Foi para a sala.

- Senhorita Yuu. Sala A-1.

Yuu deu um pulo de alegria. Ela era uma menina inteligentíssima, um gênio. Seus cabelos eram castanhos, lisos e curtos até os ombros, usava uma calça comprida e uma blusa verde de mangas compridas. Era da alma de guaxinim. Saltitou até o prédio e foi em direção à sala.

- Senhor Mikhail. Sala A-2.

Mikhail era um menino esperto. Também chamado de Mika, era um pequeno gênio. Aprendia magias como se já soubesse há anos qualquer uma delas. Seus cabelos eram brancos, lisos até os ombros, uma parte de sua franja sempre pendia sobre seu rosto. Ele tinha olhos da mesma cor dos cabelos. Era um enigma. Pequeno, parecia uma criança ainda, porém já estava no segundo ano. Suas feições eram delicadas e ele sempre fora bem simpático, apesar de sua genialidade. Era regido pela águia. Também, um ídolo entre as meninas e meninos. Caminhou até a sala.

- Por último, Senhorita Akai. Sala A-2.

Um sussurro de espanto ecoou por toda a multidão. Akai olhou para os lados. Cochichos encheram o local. “Aquela que não tem poder nenhum”. O cochicho estava aumentando. A menina retirou-se, timidamente e caminhou até a sala, acompanhada pelos olhares revoltados da multudão.

Ela entrou na sala, Mika e Yuu olharam-na. Ela abaixou a cabeça, foi para o canto e sentou. Yuu aproximou-se dela.

- Você não é a menina raposa? – Questionou.

- Sim, aquela que não tem poderes.... – Akai apoiou os braços na mesa e deitou a cabeça sobre eles.

- Mas então o que você faz aqui? – Perguntou Mika.

- Eu não sei, fui escolhida. – Akai fechou os olhos.

- Você só vai atrapalhar a gente. – Mika cruzou os braços. Akai suspirou. – A estranha e o estranho no mesmo time que nós, só pode ser suicídio. – Rosnou, olhando o moreno no canto. Mark sequer ergueu os olhos.

- Não diga isso, menino! – Yuu interrompeu. – A escola não erra nunca, se ela está aqui é porque tem algum motivo. Jamais duvide da escola!

- Certo senhora sabe tudo. Por que não olha qual a nossa missão então? – Mika apontou para uma caixa sobre a mesa.

- Missão... ?

Yuu caminhou até a mesa, abriu a caixa. Hime somente observava. Mark estava isolado no canto. De dentro da caixa, Yuu retirou um papel, pôs-se a ler:

- Caros membros do grupo A-1. Sua missão é encontrar o cristal sagrado do dragão. Ele encontra-se na floresta de vidro, um dos lugares mais perigosos da Terra. Lá, poderão usar qualquer tipo de magia ou truque para sobreviver e encontrar o cristal. Caso aconteça alguma coisa, desista e volte correndo. Os membros da escola estarão cientes da maioria das situações, mas como se trata de um local distante, magias de rastreamento são facilmente perdidas, portanto, cuidem-se.

O cristal é guardado por pelo dragão que o possui. Mas não enganem-se! O dragão pode assumir qualquer forma, então tenham cautela.

E lembrem-se. Devem encontrar o cristal e trazê-lo para a escola antes que o grupo adversário o faça.

Atenciosamente, a coordenação.

- Ah ta ótimo, tacam a gente no meio do nada pra matar um dragão transformista e trazer uma bijuteria pro colar da dona. – Mika enfureceu-se. – Mais fácil falar “joguem-se da janela, quem sobreviver pode comer de graça por um ano”.

- Haha, você é engraçado menino. – Yuu riu, guardou o papel no bolso. – Temos somente essa noite pra nos preparar.

Os dois saíram da sala e, não demorou muito para que Hime os acompanhasse. Akai estava deitada sobre os braços, na mesma posição. Dormira. Ela sonhava. Estava em uma caverna de cristal negro. Tudo era escuro e refletia o nada. O cristal negro era como espelhos que só refletiam sombras. Estava frio. Levantou-se. Saiu da caverna.

Lá na frente uma casa estava em chamas, ela podia ouvir gritos. Gritos de desespero. Akai aproximou-se. Viu duas crianças correndo. Uma delas era um menino e tinha os cabelos longos e negros, uma franja curta sobre seus olhos, estava usando uma camisola branca e corria puxado pela outra criança. Uma garota, aparentemente mais velha. Longos cabelos vermelhos. Ela também estava com uma camisola. Akai podia ver marcas no corpo dos dois.

O menino corria de mãos dadas às da menina, fugindo do fogo. Uma carruagem aproxima-se, para de frente pros dois e de forma repentina coloca o menino dentro dela e foge. Ele pendura-se na janela, estica a mão para fora. A menininha corre sem esperanças de alcançar o garoto na carruagem. Ele estica-se o máximo para fora até que ela desiste de correr e o observa partir.

Sua última palavra para ela, um grito seco e cheio de tristeza:

- Akai...!

Ela abriu os olhos, babara na mesa.

- Akai, acorde, delinqüente! – Um menino cutucava a Akai adormecida.

- Nham... Que horas são? – A raposa limpou a baba da boca. Abria os olhos com dificuldade.

- São quase 7 da noite e você não voltou pra casa ainda! – O menino arrumou o óculos no rosto e cruzou os braços.

- Makoto... Ah, ok, vamos pra casa. – Akai levantou-se e saiu, acompanhada pelo menino.

Ao olhar para trás, percebeu que Mark estava lá dentro ainda. Encostado à parede, de braços cruzados e olhos fechados. Desencostou-se assim que ela passou pela porta. Akai virou-se de frente, um pouco angustiada com a estranheza dele, mas não comentou nada.

Makoto era o irmão mais velho de Akai. Esperto e inteligente, não possuía nenhum poder mágico, mas era o número um da universidade clássica de Hokan. Ele estudava e conhecia computadores melhor do que ninguém. Para ele, mágica era perda de tempo, quando se possui um cérebro. Ele tinha cabelos encaracolados como os de um anjo, curtos e castanhos. Era magro e não muito alto.

Os dois foram para casa. A mãe de Akai saltava de felicidade por saber que a filha iria competir em um dos grupos da escola de Hokan. Tagarelava muito sobre isso.

O jantar estava na mesa. A raposa mal tocou na comida, foi para o quarto. Ninguém foi incomodá-la, afinal, o dia seguinte seria muito importante, mas ela mesma incomodava-se sozinha.

Deitou sobre a cama e ligou o rádio. Sua mente vagava por aquele sonho. O grito do menino sendo levado. Era seu nome. Mas por quê?

- Akai.... – Ela repetiu, fechando os olhos.

“Você não pode escapar da sua realidade... Dê-me mais da sua salvação... Hey, está me ouvindo? Por que não fala comigo?”

A música ecoava no local. Ela via paredes de cristal negro, refletiam chamas de um fogo inexistente.

“Tento vê-lo no meu futuro. Tento achá-lo no meu passado.”

A casa estava pegando fogo, ela tinha que fugir. Tudo estava quente e a fumaça atrapalhava a visão. Era um labirinto de cristal negro, não tinha para onde ir.

“Essa foi a escolha certa... Meus pensamentos são minha bíblia e é por isso que eu vivo.”

Alguém segurou sua mão. O menino de cabelos negros sorriu. Seus olhos brilhavam atrás da fumaça. Correram juntos para fora.

“Está me ouvindo? Porque não fala comigo?”

Suas sombras eram vultos no cristal negro, ele parecia saber o caminho, mas tudo estava turvo na visão de Akai.

“Você vive essa vida entre esses mundos. Cores giram em torno do seu corpo”

Os espelhos refletiam as sombras dos dois, à frente uma porta. Saíram. Tudo era escuro e um homem tirou o menino de perto de Akai e correu com ele para um grande vazio, negro e frio. Ele Gritou.

“Eu me perdi entre o arco-íris... Nossos sonhos nunca terminaram.”

- Akai....!

Ela abriu os olhos, a música havia cessado. Makoto desligara o som.

- Melhor você dormir, irmãzinha. Amanhã você vai ter muito trabalho.

O menino saiu do quarto e fechou a porta. A raposa suspirou, cobriu-se. Refletiu por um momento, o que seriam aqueles sonhos? Suspirou. Dormiu. Sempre sonhava com coisas do gênero quando criança. Mas há muito os sonhos estavam distantes.

No dia seguinte tudo estava tumultuado. Da escola, diversos ônibus partiam constantemente levando as equipes para lugares determinados. O ônibus da equipe de Akai partiu. Cada membro do grupo levava apenas uma mochila com suprimentos básicos.

Mika estava quieto, mascava chiclete e ouvia música. Yuu estava jogando um vídeo-game portátil e Akai apoiava o rosto sobre o parapeito da janela e observava o nada. Mark sentara-se no último espaço do banco. Hime lia um livro com a expressão de calma estampada no rosto.

Dirigiram por cerca de 5 horas e chegaram a um vale. O ônibus parou. Todos desembarcaram. O motorista esclareceu que a partir daquele ponto os cinco deveriam segui a pé. E assim eles fizeram, começaram a caminhar.

Mais três horas de caminhada e eles entraram em uma floresta feita de pinheiros de folhas brancas. Tudo parecia congelado, apesar do calor e do sol. O chão era feito de uma areia branca finíssima, que parecia neve, mas não era. A floresta de vidro ela linda. Tudo era branco e brilhoso.

Caminharam mais alguns minutos e encontraram uma clareira entre os pinheiros.

- É aqui que ficamos! – Mika tirou a mochila das costas. – Montem suas barracas!

- Seria bom comer alguma coisa antes, não? – Yuu colocou a mão sobre o estômago, sentia-o roncar.

- Eu posso ir buscar se quiserem... – Akai suspirou.

- Isso, faça isso! Busque comida para nós e nós montamos sua barraca! – Yuu Pegou a mochila das costas de Akai.

- Ok, eu volto logo.

A menina continuou caminhando. Meia hora de caminhada e começou a ouvir barulho de água. Animou-se. Correu até lá.

Um riacho largo corria por aí. Água cristalina, transparente e peixes, muitos peixes.

A raposa apanhou um galho do pinheiro, Retirou do bolso uma linha e um alfinete. Amarrou a ponta da linha ao galho e o alfinete à linha. Improvisara uma vara para pescar. Jogou o alfinete sobre a água. Sentou-se no chão e esperou.

O tempo passava e nada de conseguir um peixe. A mente dela divagava com os reflexos da água. Via o rosto do menino dos sonhos refletido. Seus olhos pesavam, até que uma voz trouxe-a de volta ao mundo real.

- A paisagem aqui é realmente linda, não acha? – Alguém estava sentado ao seu lado.

- Ah! – Akai assustou-se olhou para o lado, gaguejou. – M-m-MARK?! O que faz aqui?

- Ahaha... – O menino sorriu. – O mesmo que você. Olho para o nada enquanto penso em coisas estranhas.

- Como sabe que eu estava pensando em coisas estranhas? Há quanto tempo está aqui? Por que está falando comigo? – A menina gaguejava fortemente e estava assustada. Como não ouviu ou viu ele se aproximar?

- Calma, mocinha. Eu não mordo. – Sorriu novamente. – Não tem muito tempo que eu cheguei. E todo mundo pensa em coisas estranhas. Por que não devo falar com você?

- Você é tão estr... É... Eu que eu pensei que... – Akai abaixou a cabeça.

- Estranho... – Olhava pro céu, com a expressão novamente séria. – Não é você que faz aniversário no mesmo dia que eu?

- F-faço? – Ela riu sem graça. – Existe uma lenda que diz que não podem haver duas pessoas com regência animal nascidas no mesmo dia.... Se não... Só um dos dois tem poderes.... Você é do... Mesmo dia que eu?

- Sim... – Ele manteve os olhos no céu, ainda calmo.

- Então é.. Verdade... Que eu... Eu não tenho habilidade nenhuma... – Akai suspirou com bastante pesar.

- Ah não diga isso. Nós somos igualmente capazes. Afinal a força está em você e não numa data de aniversário. – Ele afagou os cabelos de Akai, levantou-se. – Vamos, vou te ajudar a pegar uns peixes.

- C-certo. – Akai levantou-se também.

A menina estranhara como ele não parecia tão sinistro como a maioria acreditava que ele era. Na verdade fora até bem simpático. Mark pegou um pedaço de pau, não muito fino. Retirou uma faca da bota e afiou o pedaço de pau até que se parecesse com uma lança. Ele posicionou-se frente ao riacho e arremessou a lança, fincando um peixe. Sorriu.

Akai apanhou umas folhas, as maiores que conseguiu. Colocava os peixes que Mark pegava e os embrulhava. O menino pegou dúzias deles. Até que um grito veio da floresta. Alguém se aproximava correndo.

- Onde você se meteu? – Mika vinha da floresta. Encarou Mark com nojo. – O que faz aqui com “isso”? Assim você me assusta. Ou melhor, os dois estranhos estavam tramando contra o resto da equipe? Façam me o favor!

- Estava só pescando. – Akai abaixou a cabeça.

- Vamos logo com isso então! – Acenou para que os dois viessem atrás dele. Para um menininho, ele era até bem abusado.

A raposa caminhava cabisbaixa, parecia triste. Após deixar os peixes, saiu mais uma vez para procurar lenha. Encostou-se a uma arvore. Refletiu por alguns minutos. Suspirou. Não ia perder mais tempo. Voltou para o centro acampamento, ajudando-os a montar a enorme fogueira.

Os outros dois estavam sentados. Mika parecia entediado e Yuu estava de olhos fechados. Uma grande aura branca cobria os dois. Akai achou estranho, colocou um punhado de madeira em cima do resto que já estava lá.

- O que é essa luz? – Questionou a raposa.

- A Yuu está tentando fazer a internet funcionar aqui. – Mika suspirou.

- Menina, a internet não vai pegar aqui no meio do nada. – Hime balançou a cabeça negativamente, ajudava Akai com a fogueira.

- Tem que pegar! – Yuu ampliava mais sua aura mágica, seu estômago roncou. – Droga. Achei que magia servia pra alguma coisa! Se bem que com essa fome eu não sou capaz de nada.

- Mais uma menina estranha. – Mika levantou-se, apanhou alguns gravetos. – Alguém aqui sabe fazer fogo?

- Supostamente eu deveria saber... – Akai olhava a madeira.

- Certo... Certo... Que desânimo! – Hime sorriu. — Faremos à moda antiga.

O atleta esfregou um graveto no outro até produzir faísca. Acendeu uma fogueira. Prepararam os peixes em espetos e colocaram para assar. Anoitecera nesse meio período. Os cinco comeram, estavam cansados. Mika despediu-se, entrou em sua barraca. Yuu fez o mesmo, disse que iria desenhar alguma coisa e estaria acordada, caso alguém precisasse dela. Akai ficou sentada, olhando para o fogo, enquanto ouvia Hime contar algumas coisas. Respondeu uma ou duas perguntas que ela fez para mantê-la no assunto.

A ruiva ergueu os olhos algumas vezes, procurando ver Mark nos arredores, mas não o encontrou. Possivelmente ele já estava em sua barraca. Pouco tempo depois Hime despediu-se e foi para sua barraca e Akai continuou lá, olhando o fogo.

O tempo parecia ter parado. Ela olhava o as chamas flamejando, lembrou-se de seu sonho. Por que estava fugindo da casa em chamas? Tudo era tão chato. Ela não queria estar lá.

Fechou os olhos, escutou uma voz. Não entendia o que a voz dizia, mas parecia estar tentando se comunicar. A menina abriu os olhos, viu o fogo. Sentia sua consciência indo embora lentamente. Levantou-se. Essa era a última coisa que fizera até que sua mente se apagasse por completo.

Abriu os olhos, não sabia onde estava ou quanto tempo tinha andando. Olhou ao redor. Tudo era vermelho. As paredes eram feitas de magma endurecido. O chão parecia mole, à frente um rio de lava. O calor era insuportável. Akai forçou os olhos, viu ao fundo um animal sentado sobre uma pedra.

A menina tentou ir até ele, saltou sobre as placas de magma endurecido que estavam sobre o rio de lava. Aproximava-se lentamente do animal, enquanto cruzava o rio vermelho. Estava quase chegando. Escorregou.

Ela caiu na lava. Seus olhos se fecharam fortemente, sentiu o grito se entalar na garganta. Esperou a dor invadir seu corpo prestes a morrer, mas, uma surpresa. Nada além da sensação do Magma grudando ao seu corpo, como parafina morna. A menina não sentiu nada além de uma sensação reconfortante do calor do verão. Ela levantou-se, olhou o animal sobre a pedra.

Caminhou por dentro do rio até o outro lado. Parou frente a frente com o animal. Era uma raposa vermelha. Os olhos amarelos refletiam flamejantes chamas alaranjadas. Uma voz ecoou pelo local:

- Olá, menina. Seja bem vinda.

- Q-Quem? – Akai assustou-se. Pensou ter ouvido a voz vir daquele animal. Olhou ao redor procurando por alguém.

- Sou eu. A Raposa. – O animal não mudara de expressão. A voz apenas ecoava.

- A Raposa? A Raposa falou! – Deu mais uns passos para trás e caiu de costas na lava, sentada no chão.

- Sou seu espírito guardião. Sua aura mágica. Estou aqui para explicar-lhe algumas coisas. Não tenha medo de mim. – A Raposa permanecia parada.

- Certo... Pode começar explicando onde estamos e por que você fala e como eu não morri queimada nessa lava? – Akai ainda estava assustada, arrastava-se para trás devagar.

- Estamos no meu santuário, dentro do vulcão. Aquela lava não é capaz de machucar você, pois sua aura de fogo deve ser capaz de controlar fogo, lava e magma da mesma forma como deve ser imune a ele.

- Mas eu nunca manifestei poder nenhum! Eu estou sonhando? – Ia beliscar o próprio braço quando foi interrompida pela fala da Raposa.

- Seu poder está preso dentro de você desde aquele dia... Aqui no meu santuário seu poder está livre. Não se preocupe.

- Que dia? Qual é o meu poder? – Akai levantou, irritada. Olhou novamente ao redor, queria pegar a Raposa. Avançou para cima do animal, um grande fogo subiu por detrás da pedra, a menina recuou.

- Ouça-me. Seu poder é infinito. Basta você acreditar nele. Quer saber o que aconteceu naquele dia? Alguém muito importante para você estava lá, Akai...

- Quem? Por que tudo pegava fogo? Onde eu estava? – Os olhos dela encheram-se de lágrimas. – Pare com isso! Se você é meu espírito por que eu não posso tocar em você?? O que é isso aqui??

- Akai... – A voz ecoava mais longe.

- Responda-me! – A menina caiu de joelhos, chorou.

- Akai...

Ela abriu os olhos, Mark estava tentando acordá-la.

- Akai, acorde... Já amanheceu... – Mark balançava bem levemente o corpo da menina.

- Você passou a noite toda aqui dormindo sentada! Devia ter avisado, eu não teria montado sua barraca. – Mark grunhiu enquanto saía de sua barraca. Mark se levantou para sair de perto deles.

- Ah.. Me perdoe. – A menina raposa esfregou os olhos, sua visão estava turva. Estendeu a mão como por instinto para segurar o moreno que havia se afastado, porém fora tarde demais.

- Como você é chato, Mika! – Yuu saiu de sua barraca. Tirava fones dos ouvidos. – Mesmo ouvindo música ainda consegui escutar seus gritos.

- Ah o que é isso na sua mão? – Hime apontou um caderno na mão de Yuu. Também já estava do lado de fora.

- Isso? Meus desenhos, você quer ver? – Yuu estendeu o caderno para a pequena felina.

- Claro... – Hime abiu a primeira página. O desenho era de um beijo entre dois meninos. – O que é isso?! Dois homens se beijando? – Espantou-se.

- Sim, qual o problema? – Yuu cruzou os braços.

- Não... É que parece interessante... – Ela estreitou os olhos, observando com um ar felino curioso.

- Você também gosta de ver meninos desse jeito, Hi-chan?! – Os olhos de Yuu brilharam.

- Na verdade...! Se você me acompanhar numa sessão de desenhos mais tarde! Também adoro fazer essas coisas! – Riu, toda animada.

- Bah... Chega de baboseira. Vamos andando. – Akai levantou-se. Caminhou em direção à barraca e começou a desmontá-la.

Acompanharam o ritmo uns dos outros, desmontando as barracas. Logo tudo estava dentro das mochilas, pronto para prossegui a viagem.

Puseram-se a caminhar. Mika olhava para os lados e apontava a direção do vento, assim os cinco se guiavam. Yuu apanhava um punhado de terra de hora em hora e cheirava-o, para ter certeza de que não passariam pelo mesmo lugar mais de uma vez. Akai apenas caminhava, olhando para frente.

Algumas horas de caminhada e logo viram uma vila. Animaram-se. Os cinco estavam com fome. Correram em direção à vila.

Na entrada uma placa dizia “Bem vindo à vila de Fred.”. Eles acharam curioso o nome da vila, mas entraram mesmo assim. Sem muito procurar, encontraram uma taverna, a “Taverna do Fred”. Entraram.

- Esse Fred deve ser bem famoso por aqui, tudo tem o nome dele, até a vila. – Mika sentou-se.

- Sim, quem será que ele é? – Yuu sentou-se ao lado de Hime. Todos acomodaram-se.

O atendente aproximou-se. Os três notaram o nome em seu crachá: Fred. Seria ele o Fred que deu origem ao nome da vila? Não tiveram coragem de perguntar. Pediram a comida. E aguardaram.

Logo a comida chegou. Eles deliciaram-se. Era uma das melhores refeições que os cinco já haviam feito. Agradeceram ao atendente e dirigiram-se ao balcão para pagar. O homem ao caixa também tinha um crachá com o nome “Fred”. O que seria aquilo? Mika e Yuu se entreolharam. Disfarçaram. Caminharam até a saída.

Uma mulher veio correndo e apontando para eles.

- Foram eles seu guarda, só pode ter sido eles! – A mulher apontava freneticamente para os três.

- Fomos nós o que? – Akai olhou para os lados. Os guardas vieram e algemaram os viajantes.

- Ei! O que você pensa que está fazendo? – Yuu debatia-se. O guarda segurava-a firmemente.

- Está tudo bem, eles serão presos, senhora Fred. Mantenha a calma. – Um dos oficiais acalmava a mulher escandalosa.

- Senhora Fred? – Hime intrigou-se, mas não refletiu muito, estava sendo algemada.

- Muito obrigada oficial Fred. Não sei o que seria de nossa vila sem o trabalho do senhor. – A mulher estava agradecida.

- ESSA PORCARIA DE CIDADE ONDE TODO MUNDO CHAMA FRED! Por quê? Por que todos se chamam Fred seu guarda estúpido! – Akai perdera a paciência, chutou a canela do guarda que grunhiu de dor, mas conseguiu prendê-la mesmo assim.

- Vai ser indiciada por isso, menina! – O guarda acusou, nervoso.

Os policiais arrastaram os cinco presos até uma pequena construção. Mark não fez absolutamente nada além de acompanhá-los. Hime e Yuu estavam, na verdade, mais curiosas que preocupadas com a prisão. Akai resmungou todo o percurso. Lá, onde foram levados, era a cadeia onde eles deveriam ser presos. A cela foi aberta e enfiaram todos lá dentro. O portão foi trancado e os guardas saíram.

- Ei espera! – Yuu levantou-se. – Pelo menos tira essa algema e mim!

- Não adianta Yuu... Eles já foram. – Mika murmurava, com seu rosto pressionado contra o chão. Era pequeno então acabou caindo com tudo.

- O que nós fizemos de errado? – Akai levantou-se e serviu de apoio para Mika.

- Eu não sei... Ah que ótimo! – Yuu sentou-se. – Sem internet, num fim de mundo... Presa num lugar onde todo mundo se chama Fred! As vezes eu me pergunto por que escolhi essa vida.

- Não reclama, podia ser pior... – Mika abaixou a cabeça. Um guarda entrou no local.

- O rei quer ver vocês. – Exclamou o guarda.

- Nunca diga que poderia ser pior... – Hime lançou um olhar de desgosto para Mika.

O guarda destrancou a cela. Os viajantes levantaram-se e foram arrastados pra fora novamente. Todos na cidade os encaravam com raiva. Não andaram muito até que viram uma construção. Parecia ser um pequeno templo, com torres e salas. Entraram. Uma escada levou-os até um salão principal onde não havia nada além de um grande trono.

Um homem sentava-se sobre ele. O homem era alto e rechonchudo. Seus cabelos eram lisos, castanhos e compridos até seus ombros. Ele trajava uma capa preta muito grande e uma coroa dourada.

Um rapaz que tinha uma preparação física ótima e estava sempre empolgado. Mantinha um ar muito poderoso e experiente. Seu corpo alto e atlético, com o porte perfeito de um esportista. Entretanto, seu senso de moda não era dos melhores. Usava os cabelos sem corte algum, com a parte de trás um pouco mais longa e a franja caindo em seus olhos. O que dava pra se saber era que a ponta mais longa dos cabelos despenteados dele não passava do pescoço. Eles tinham uma cor azulada bonita, não muito clara. Vestia um traje típico de um fiel escudeiro. Armadura peitoral, caneleiras, botas de couro, calça de couro, camisa de linho branca e carregava uma lança.

- Aqui estão eles meu rei. – O guarda reverenciou.

- Me deixe adivinhar o nome do rei.... Fred? – Mika debochou. Yuu segurou o riso.

- Não. Meu nome é Rei Panda. – O rei indagou. Fez um sinal para que o guarda se retirasse e o guarda assim o fez.

- Então o nome do engomadinho ali é Fred? – Hime apontou para o rapaz ao lado do trono.

- Não, é Zaphir. – O rei cruzou os braços.

- Então por que todo mundo se chama Fred, menos vocês? – Yuu fez cara de dúvida.

- Abraço, abraço... – O rapaz ao lado do rei aproximou-se dos viajantes, abraçou os cinco, inclusive Mark que ficou meio assustado.

- O que diabos está acontecendo aqui? – Mika estava ficando nervoso.

- Eu já vou explicar... Zaphir comporte-se. – O rei levou a mão à cabeça, suspirou. – O que acontece é que a senhora Fred achou que seu filho havia sido seqüestrado. E como vocês são os únicos turistas por aqui em milênios, ela achou que vocês eram os seqüestradores. Mas o filho da senhora Fred já foi encontrado, o pequeno Fred, coitadinho. Ele estava preso no porão e....

- Por que você foi inventar de arrumar confusão? Você só arruma confusão! –Mika brigou com Akai.

- Eu não arrumei confusão! Eu só perguntei por que todo mundo nessa porcaria de cidade chama Fred! – A ruiva arregalou os olhos, indignada.

- Parem de brigar vocês dois. Qual o problema de todo mundo chamar Fred? – Hime interrompeu a discussão. – Tudo bem que é a cidade inteira, mas...

- Certo, silêncio! – O rei gritou. – Ouçam. Tudo isso não passa de um mal entendido. Eu vou explicar. Fred é o povo. Todos se chamam Fred na vila Fred, certo? Eu também me chamo Fred, mas como sou o rei eu me autodenominei Panda! Entenderam?

- Então por que o simpático ali chama Zaphir? – Hime sorriu sarcasticamente.

- Ah! Eu não sei! – O rei levantou-se. – Certo, já chega. O que vocês procuram?

- Nós procuramos o Dragão que guarda um cristal sagrado em algum lugar por aqui. – Akai parecia entediada.

- Cristal sagrado?! – O rei tremeu. – Não creio que estejam perto dele. Isso é muito perigoso para um monte de crianças... Zaphir...

- Sim senhor! – Zaphir deu um passo à frente.

- Como símbolo das nossas desculpas, acompanhe os viajantes até o templo da floresta. Tenho certeza que a Madre saberá alguma coisa sobre esse cristal. – O rei impôs-se.

- Sim senhor! Mas primeiro... Abraço, abraço... – Zaphir abraçou os outros cinco viajantes e o guarda.

- Ah meu deus... – O rei levou à mão a cabeça de novo. – Vão embora antes que eu mande matar vocês....

Zaphir tomou a frente. O guarda retirou as algemas dos viajantes. O escudeiro começou a caminhar. Os cinco viajantes seguiram-no. Mark aproximou-se de Akai enquanto andavam. Perguntou sobre os peixes que os dois pegaram, a menina corou, nada respondeu.

Os viajantes retiraram-se da vila de Fred. Teriam de caminhar dois dias para pode alcançar a igreja onde a suposta Madre estaria. Andaram bastante, a paisagem era linda. Tudo verde e florido. À medida que caminhavam, aproximavam-se de uma floresta e inevitavelmente, entraram nela. A floresta ia ficando mais densa. Zaphir cortava os pequenos galhos que atrapalhavam o caminho. Logo atrás dele, Yuu discutia com Hime sobre a relação ente homens e mulheres. Os últimos eram Mark e Akai, calados, cada um preso em seu próprio mundo.

A menina raposa seguia, observando a mata. Suspirava. Sua mente divagava por entre os pensamentos. Ela realmente não queria estar ali, às vezes sentia-se fracassada por não ter poderes. Vagou em sua mente, já não tinha mais noção do tempo quando alguma coisa puxou-a para baixo.

- Ah! O que é isso? – Akai olhou para o chão, uma mão estranha e cadavérica saia do chão e segurava seu pé.

- O que foi? – Mika olhou para trás. Os outros pararam e olharam também.

- Parece que tem alguma coisa me seguran.... Ah!

Antes que a menina pudesse terminar de falar um buraco abriu-se sobre seus pés e ela caiu em um poço escuro. Os outros correram para ver aonde ela iria cair, perderam-na de vista, o buraco era fundo demais. Zaphir não hesitou, pulou atrás dela. Os outros assustaram-se.

- O que vamos fazer? – Mika arregalou os olhos. Parecia desesperado.

- Temos que ir atrás deles. – Mark adiantou-se.

- O que?! – Hime puxou-o pelo braço. – Pode ser perigoso, você não sabe o que tem nesse buraco!

- Eu vou atrás dela. – Antes que a felina pudesse interrompê-lo Mark soltou-se dela e pulou no buraco.

- Vamos também! – Yuu, puxou Hime pela mão e pularam logo atrás.

- Eu não quero, mas... Não me deixem aqui!! – Mika pulou em seguida.

Notas finais
Mark *______*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.