Fantasmagoria

1 Capítulo único


O silêncio pairava sobre a madrugada

Taciturna, a última vela se apagava

E na mansão escura não havia alma acordada

Mas em meio às trevas uma sombra rastejava


E subitamente, ah! No espelho uma figura

A sombra estacou para mirar a aparição

E que horrenda expressão da própria amargura!

Um fantasma mutilado, que aberração!


Aterrorizada, a sombra afastou-se um passo

E o mesmo fez o terrificante fantasma

Notou finalmente o espectro seu engano crasso

Pois era seu próprio reflexo a figura pasma!


Como podia ser tão horrível criatura,

Como podia um fantasma temer sua imagem?

Mesclou-se às outras sombras, escondeu sua feiura

Criou para si próprio uma lúgubre miragem


E jamais se aproximou de espelho algum

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