Fantasma do passado
5 Merda
Eles trocaram olhares, a dúvida estava no ar.
Eles deviam ir para o lugar indicado por Ceasar ou não?
Éra uma armadilha?
No final, foi Kakyoin quem os convenceu depois de alguns minutos.
"Você sabe, ele é italiano, ele certamente conhece esse local melhor do que nós então por que não vamos para onde ele nos disse?"
"Porque ele pode estar tentando nos enganar e, em seguida, atacar?"
"Ele não querer lutar contra nós...."
"Como você sabe? Nós não o conhecemos! E se Sr.Joestar está em perigo? E se ele é o alvo?"
Jotaro apenas olhou enquanto Polnareff listava todos os possíveis cenários em que o jovem italiano é um cara mal do passado que queria matar seu avô.
Ele não estava realmente com medo disso, em primeiro lugar porque o seu avô não é completamente inútil e, segundo, porque ele sabe que tudo isso era para parar Dio e salvar a vida de sua mãe, o velhote conhecia bem as suas prioridades.
A discussão morreu quando ao pedir a conta Polnareff descobriu que tudo já havia sido pago — aparentemente fora Caesar que pagou. Nesse Polnareff decidiu que César era um anjo vindo do céu, um novo amigo, um aliado no qual poderia contar.
Kakyoin somente revirou os olhos e todos eles saíram do café apenas para se encontrar com Joseph e Avdol.
"Vocês já terminaram? Mas nós saímos agora a pouco!”
"Vocês ficaram fora por mais de uma hora. Nós não temos mais nada o que conversar ou comer.”
Joseph não escondeu sua decepção e Avdol deu-lhes um pequeno sorriso. Mas foi Polnareff que os colocou em movimento dizendo que a garçonete indicou um bom hotel para eles para passarem a noite.
Ele mentiu e enquanto Jotaro e Kakyoin não gostaram disso, eles entendiam o motivo.
Ninguém comentou a rapidez com que Joseph aceitou a oferta, quase como se ele estava desesperado para dormir e terminar o dia.
Eles podiam isso de ansiedade ou apenas de fome, uma vez que Joseph comeu durante todo o caminho até o hotel.
Chegando ao mesmo, eles deram de cara a cara com o mais belo hotel que tinham reservado até agora.
O lugar era bonito, com um estilo barroco, algo realmente especial, até mesmo Jotaro não conseguia segurar a admiração com a arquitetura local.
Porém o entusiasmo de Polnareff durou tanto tempo quanto a sua memória permitiu, porque quando eles entraram no hotel e viram o interior, Polnareff fez uma análise mental de qual seria o custo e rapidamente deixou claro que o hotel estava fora de aposta.
"Ei! A aposta que eu perdi foi apenas para a comida, não vou pagar a estadia de vocês!”
Kakyoin passou e colocou a mão nos ombros de Polnareff dizendo "Não se preocupe, a julgar pelo padrão desse lugar, eu duvido que vamos passar a noite aqui."
E foi assim que ele sorrindo ele seguiu Jotaro até a recepção.
Demorou um pouco para eles perceberem que Joseph tinha congelado no salão principal, Avdol e Jotaro sendo os dois primeiros a vê-lo assim.
Joseph estava lá com os olhos arregalados olhando para o lugar em transe.
Ele ignorou-os completamente e caminhou até a recepção parando ao lado de Kakyoin.
"Por favor, eu quero reservar três quartos, em nome de Lisa Lisa, é para seus alunos Joseph e Caesar."
A recepcionista deu-lhes um sorriso largo, deixando de lado todos os papéis que ela estava pedindo para Kakyoin preencher e pegando as chaves para quartos.
"Vocês são amigos do Caesar? Ou talvez do Joseph? O pobre Caesar não tem muitos amigos... bem, eu falei demais, ele passou aqui mais cedo, então aqui está as chaves. "
"Obrigado."
Joseph estava extremamente sério quando ele jogou as chaves para Jotaro e Polnareff.
"Eu gostaria de ter um quarto só para mim esta noite, tudo bem?"
Todos concordam, pois não havia nenhum problema para eles e Joseph parecia que precisava de seu tempo sozinho.
Eles estavam se preparando para ir para seus quartos e deixar as malas lá quando a recepcionista interrompeu-os.
"Desculpe incomodá-los senhores. Mas vocês viram Joseph? Caesar só vem aqui com ele e desta vez ele estava tão nervoso e preocupado.”
Jotaro viu como seu avô fechou os punhos e escondeu o rosto em seu chapéu ignorando-os e rapidamente caminhando para o andar de cima. Ele não tinha dúvida de que algo estava errado ali, aquele jovem estava machucando seu avô de alguma forma e ele queria saber qual.
"Não, infelizmente não vimos ele também."
Kakyoin notou sua falta de ação e rapidamente respondeu a mulher, sempre educado,ôh rapaz manipulador — mas que ele passou a apreciar mais e mais à medida que passavam tempo juntos.
Todos haviam ido para seus quartos, Jotaro e Kakyoin em um — porque eles são estudantes — e Avdol e Polnareff em outro e Joseph no que restou, o qual ele entrou rapidamente e se trancou dentro.
Eles trocaram olhares e combinaram de se encontrar em uma hora, para ir para o seu almoço e investigar a cidade.
~~~~ JOTARO E KAKYOIN ~~~~
Kakyoin sentou-se calmamente em sua cama e esperou uns bons cinco minutos para Jotaro para dizer alguma coisa, mas como sempre o outro estava deitado na cama e fingindo dormir.
"JoJo?"
Ele só recebeu um grunhido de resposta, mas que foi o suficiente para ele saber que Jotaro estava escutando.
"Você acha que o Sr.Joestar vai ficar bem?"
Um grunhido.
Isso foi possivelmente um sim.
"Não deveríamos deixar esta cidade agora, em vez de ficar aqui?"
Outro grunhido.
Era bom saber que ele não estava sozinho neste pensamento.
"Então, antes do almoço eu vou falar com os outros, este lugar não está fazendo nenhum bem para o Sr. Joestar e, provavelmente, só vai nos fazer perder tempo."
Mais outro grunhido.
"Não se preocupe, todos nós estamos preocupados, mas não vamos deixar nada acontecer com o Sr. Joestar."
"Eu não me importo."
E Kakyoin sorriu para Jotaro que agora estava de costas para ele, tal gesto poderia ofender um monte de gente, mas Kakyoin sabia que não se devia julgar Jotaro apenas por seus atos aparentemente insensíveis, no fundo ele estava preocupado não só com sua mãe, mas com o seu avô e amigos também.
Um homem de coração grande.
~~~~ AVDOL E POLNAREFF ~~~~
"Então me diga tudo!"
"Não há nada a ser dito."
"Séio? Porque pelo que eu vi o Sr.Joestar esta realmente chateado talvez até mesmo com o coração partido desde que vimos aquele jovem ".
Avdol olhou para Polnareff como se ele tivesse crescido uma segunda cabeça.
"O quê? Você pensou que eu não percebi?”
Polnareff colocou a mão no peito e fingiu que estava sentindo dor. Avdol revirou os olhos para a cena, mas ele tinha que admitir que Polnareff é um pouco lento às vezes e que ele realmente achava que ele não tinha percebido nada ou que seria o último a notar.
"Bem, eu não posso negar posso?"
"Oh, meu amigo, se é algo do coração você pode contar com o meu sexto sentido romântico!"
"Eu não acho que isso é um problema romântico ..."
"Não, não, não ... me escute, é o primeiro amor você sabe? Aquele que você não esperava, mas que bate como trem e você nunca esquece!"
Avdol não disse uma palavra, ele não queria alimentar a imaginação de Polnareff, que já é grande demais para seu próprio bem.
E conhecendo-o bem, se ele se deixar cair na conversa, Polnareff iria criar cenários e teorias e, provavelmente, iria abrir a boca para Joseph, que na situação atual já estava afetado o suficiente e não precisa deles para piorar as coisas.
~~~~ JOSEPH ~~~~
Ele não queria acreditar, mas ele viu, tocou e sentiu aquele cheiro, era Caesar e ele não tinha dúvida disso – e até ali ele podia lidar com isso.
Mas para reservar um quarto neste hotel era cruel, quando os garotos disseram a ele o nome do local ele não se lembrou de coisa alguma, mas quando ele viu o lugar, quando ele entrou, ele mal conseguiu segurar suas emoções.
Ele congelou.
Ele e Caesar tinham vindo a este lugar três vezes; quando se encontram pela primeira vez, antes de sua formação com Loggins e Messina e uma semana antes do ataque ACDC.
Na primeira vez que eles não fizeram nada além de irritar um ao outro, no segundo eles compartilhavam alguns momentos engraçados e estranhos, no último eles eram inseparáveis - eles completavam as frases um do outro, eles faziam as coisas sem o outro pedir, e em suas mentes se eles sobrevivessem nas próximas duas semanas eles fariam tudo que eles queriam fazer, mas tinham medo de fazer.
Joseph tinha até planejado em sua mente como ele iria chamar Caesar para acompanhá-lo de volta para Nova York. Ele dormia com mais facilidade quando pensava em mostrar a América para aquele italianinho.
Durante aquele tempo ele não sabia e nem pensou que no final Caesar não iria sobreviver, e seria com Suzie que ele iria compartilhar a dor de sua perda. Que ela seria a única que ele iria chorar na frente de, e que seria para ela que ele iria mostrar Nova York.
Suzie e sua fragilidade e delicadeza, suas belas curvas e pele macia, tão diferente do Caesar e seu corpo esguio, mas musculoso, suas mãos calejadas, e suas pequenas cicatrizes. Mas ambos tinham o mesmo cabelo loiro e macio, o mesmo rosto angelical, e os mesmos emotivos olhos verdes.
Ambos o faziam rir, ambos o faziam querer esgana-los de tempos em tempos.
Mas ele não podia ter os dois, a vida não o deixou, então por que ela estava fazendo isso com ele agora?
~~~~ CAESAR ~~~~
Era Joseph, mas ao mesmo tempo não era.
A energia que sentiu, aquela que lhe disse que era Joseph não poderia estar errada, mas o homem o havia abraçado com tal desespero e as suas palavras, apesar de ser doce e amorosa, não correspondia com os olhos — olhos estes que olharam para ele como se ele fosse um fantasma.
Ele até sentiu um arrepio na espinha quando ele percebeu isso.
Por que você me olha assim?
Por um momento, ele até se esqueceu de sua preocupação com JoJo, ou o fato de que JoJo estava velho.
E isso era outra coisa que o incomodava, por JoJo está velho? Quem eram essas pessoas? Por que aquele jovem, que parecia tanto com JoJo tinha aquela aura violenta dirigida a ele?
Ele estava confuso e irritado, só mesmo JoJo para tornar uma situação ainda pior do que já é.
Ele estava com nervoso, completamente bravo, mas acima de tudo ele estava preocupado. JoJo é descuidado e precisava de alguém para ajudá-lo a lembrar-se do que é importante.
Mas então quando JoJo gritou com ele e o chamou de inútil, de um fardo; aquelas palavras lhe doíam tanto que ele teve que socar o homem — sim, homem, porque ele não poderia ser o seu JoJo.
Sua JoJo nunca diria isso a ele, nunca.
E foi então que ele decidiu procurar respostas e exatamente quando ele notou algumas realmente estranhas, coisas que definitivamente não eram alemãs.
Ele perguntou pela vizinhança, mas ninguém parecia ter notado qualquer alteração, na verdade a maioria olhou para ele como se ele fosse louco.
A única coisa que ele conseguia pensar era que o outro JoJo e as pessoas com ele tinham algo a ver com isso.
Mas eles não pareciam serem maus; eles não pareciam ter qualquer ligação com os homens do pilar ou qualquer intenção maligna. Então ele pensou que eles poderiam ser de ajuda, se ele estava confuso talvez eles também estejam.
E ele estava certo.
Quando ele lhes disse que eles estavam em 1938, um deles quase morreu engasgado com próprio café. Nesse exato momento, ele sabia que eles iriam ajudá-lo mais cedo ou mais tarde.
E, sendo assim, ele começou a procurar por pistas, ele não estava brincando quando disse-lhes sobre os dois JoJo e como eles podem ser interligados.
Depois de algum tempo ele se sentou olhando para algumas crianças jogando futebol — ele não sabia o que procurar ou o que perguntar, ele não sabia o problema e sendo assim ele poderia encontrar uma resposta.
Ou pelo menos foi o que ele pensou, por algum motivo estúpido, ele perguntou o que um dos meninos pensava, e o menino disse-lhe para pensar em alguma coisa, não enrolar e ir direto para lá.
O que ele interpretou como, caminhe até o fim da cidade — e assim o fez.
Quando ele chegou a seu destino ele teve uma terrível conclusão, eles estavam ferrados e presos.
Ele ficou de pé em um precipício, olhando o buraco que existia onde o resto da estrada deveria estar ele pegou um cigarro e o acendeu e tentou se acalmar, mas a única coisa que conseguia pensar era...
"Merda."
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