Fantasia
6 Crença Narniana
Notas iniciais
"Nárnia, Nárnia, desperte! Ame! Pense! Fale! Que as árvores caminhem! Que os animais falem! Que as águas sejam divinas!"
O sobrinho do mago
O meu dia de pós noite depressiva, foi pro ralo. Todas minhas decisões tomadas durante a noite também. Em algum momento da noite passada eu quis que tudo desse certo, eu realmente quis. Mas minha crise existencial me faz questionar esse “tudo”. Tudo que eu não tive!?
A escola nunca me pareceu tão mórbida. Se levarmos em conta que o dia está chuvoso e esse prédio é mais velho do que a minha bisa, talvez ela seja mórbida todos os dias. As aulas do Sr. Mostard estavam sem magia. Tudo estava sem magia.
– Caso vocês não saibam eu já estou disponível para receber os seus trabalhos. — Pessoas superdotadas tendem a achar que o resto da população é igual as eles, pobre Sr. Mostard nem sonha qual seja a média do QI dessa sala. – Caso, é claro, não queiram ficar sem nota!
– E caso o Sr. não saiba, você passou esse trabalho a menos de uma semana!
– E caso você não saiba, meu caro Styles, o problema não é meu, muito menos a nota.
–Sr. Mostard tenho que concordar com ele, duas vezes em menos de uma semana, que é pouco tempo pra criar uma fantasia que lhe agrade.
– Que me agrade? Primeiramente você escreve para si mesmo. Segundo, você pode escrever sobre sua medíocre realidade, que ai sim tenho que concordar, não me agradaria.
– Mas a realidade não pode ser levada para a fantasia.
– Quem disse? Você, Styles? A fantasia nada mais é do que a nossa realidade. Nossos desejos. É a sua tediosa realidade, só que melhor. É a sua realidade aperfeiçoada por você. Feita a mão e exclusivamente para você.
– Exemplos?
– Lewis.
– O Lewis!? Nárnia não era a realidade dele.
– Mais do que qualquer coisa, Nárnia era sua realidade. Nárnia era seu desejo. Nárnia era sua válvula de escape. Nárnia era a sua realidade aperfeiçoada pelo próprio. Vocês realmente leram a biografia dele?
–Sim.
– Miopia complica um pouco, eu sei. Lewis era acima de tudo um católico convicto, vivia em uma época sem esperanças, cheio de guerras. Como todo católico, acreditava em um deus soberano, justo, poderoso, salvador da pátria. O Aslam. Sim o leão. Em Nárnia esse deus é representado pelo leãozinho, o poderoso Aslam, que os salva bem na hora certa, que é justo e soberano. Lewis levou seu cristianismo para Nárnia, claro que não é uma coisa explicita, mas ele representou sua própria realidade, suas crenças, seus valores e tudo aquilo que ele acreditava. Pra quem leu os livros, sabe de um fato que é mais que compatível com uma das cresças dos cristãos. Na verdade dois fatos. A ressurreição e a vinda de cristo para levar os vivos ao paraíso. Em Nárnia a ressurreição acontece também, Aslam ressuscita após ter sido morto pela feiticeira Branca, e no ultimo livro ele volta para levar, aqueles que acreditaram sempre em Nárnia, ao maravilhoso país de Aslam.
– E a fantasia onde fica?
– Acho que conta o fato que seu Jesus cristo não veio te pegar ainda, e que você nunca o viu, ao contrario dos narnianos que veem o Aslam. Acho que sendo um cristão tão convicto o seu maior desejo fosse ver o seu deus. Ele pós seus desejos nas suas obras. Fato é meus caros que sua realidade não é como vocês desejam, ou imaginam. Então imaginem a vida perfeita de vocês, pegue a sua realidade e tire tudo que não gosta, e se há alguém que não gosta de nada, espero que você tenha um Aslam de pelúcia que te salve.
Talvez eu e o Styles estejamos precisando de um Aslam...
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