Fantasia

11 Capítulo 8 - Sentimentos (Parte II)


Notas iniciais
Tadaima! Ainda bem que o mundo não acabou! AEEEEE o/ kkkkk Assim poderemos continuar mais um tempo juntos aqui em Fantasia. xP Ah! Não deixem de ler a nota final do capítulo, ok? Tem uma coisinha legal para vocês por lá. xP
E já em clima de Natal, eu digo: Naruto e seus personagens não me pertencem. Peguei emprestado de Kishimoto Masashi-sensei. *reverência*

Capítulo 8 – Sentimentos (Parte II)

“Eu sou uma banheira transbordando sentimentos. E não tem ninguém pra fechar a torneira.”

(Friedrich Nietzsche)

Aki teve uma crise de riso e quase derrubou um tubo de ensaio cheio de amostras, que tinha levado dias para conseguir, quando soube do acontecimento da calcinha da Betty Boop. Keiko levantou os olhos do microscópio que estava usando e fuzilou-a com o olhar.

– Eu não acredito nisso! – Aki disse, recuperando o fôlego. – O acaso faz acontecer um clima desses e você vem me dizer que não rolou nada? Qual é, Keiko! Ele está na sua casa há 3 dias! Você não sonhava em se atirar nos braços dele? Eu acho que já demorou tempo demais para isso acontecer. O que houve hoje de manhã serviu pra te acordar. Foi como se o destino estivesse te dizendo: “ataca logo esse homem, criatura!”.

Aki colocou o tubo de ensaio cuidadosamente em um suporte e virou-se para a amiga.

– Eu acho que você devia abrir o jogo. Conta logo pro Kakashi que você está caída por ele!

Keiko afastou a cadeira do balcão, espreguiçou-se e suspirou profundamente.

– Para você é fácil falar. – Ela disse, rabugenta.

– Olha, Kei-chan, pra ser sincera, eu não estou te entendendo. – Aki cruzou os braços, assumindo o olhar maternal que lhe era característico toda vez que ia dar uma bronca na amiga. – Você passa um tempão da sua vida chorando por um homem que não existe. De repente, um milagre acontece, ele se torna real e então você tem a oportunidade de realizar o seu sonho. Mas você fica deixando ele de molho, esperando o tempo passar, sem se assumir, sem dar sinais, sem fazer nada! – Ela levantou-se, indignada, e foi até a janela do laboratório. – Você já pensou que amanhã você pode acordar e descobrir que ele não está mais lá?

Keiko sentiu um aperto no peito. Sim, ela já tinha pensado nisso. Para falar a verdade, tinha experimentado um pouco desse pesadelo no dia em que procurara Kakshi e só o encontrara bem depois, fazendo flexões na área de serviço. Mas algo a impedia de se abrir com ele. Talvez fossem os longos anos de solidão, a vida pouco social, a timidez exagerada ou até mesmo tudo isso junto.

– Não é por querer, Aki. Se eu pudesse, já teria dito a ele o que sinto. Mas não consigo... – Sua voz soou triste.

– Então não diga. Faça. Da próxima vez que ele piscar pra você, pisque de volta. Ou então, quando sair do banho, não use o roupão e sim a toalha. A menor que você tiver.

Dessa vez, Keiko riu.

– Não é tão fácil como você faz parecer, Aki-chan.

– Mas é claro que é! É só você pedir ajuda para a Betty Boop de novo! – Ela riu e completou logo em seguida: – Ainda não acredito que você não o beijou hoje de manhã...

– Aki! – Keiko protestou e a amiga sorriu.

– Quando os homens ficam vermelhos é o melhor momento para se aproveitar deles... – Ela insistiu.

– Aki!!! – Keiko bradou enquanto Aki sorria, mais uma vez, e voltava a se concentrar nos tubos de ensaio sobre a bancada. Depois de um breve momento de silêncio, ela completou:

– Eu teria arrancado aquela mascara dele e...

–AKI!!!!!!!

A morena riu gostosamente e voltou ao seu trabalho. Quando o laboratório mergulhou novamente em silêncio, Keiko ficou pensativa. As palavras de Aki continuaram martelando durante longos minutos em sua mente, enquanto ela tentava, inutilmente, se concentrar no serviço que tinha para fazer.

Embora não lhe agradasse admitir, sua amiga estava coberta de razões. Os dias estavam passando e ela não queria mais perder tempo. Precisava vencer a vergonha, a timidez e o que quer que fosse para ficar com ele. Não podia deixar as oportunidades passarem. Seu amor por Kakashi era muito forte. E era essa força que a ajudaria a ter coragem de falar com ele.

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O sol estava alto no céu. Kakashi parou de correr quando se aproximou da orla da floresta, próximo do lugar onde havia se despedido de Keiko mais cedo. Depois do seu momento de reflexão, sentado na árvore, ele tinha decidido dar uma volta. Deixar que suas pernas o guiassem sem rumo, por um tempo, e aproveitar o vento no rosto para clarear as idéias.

No fim das contas, só conseguira se convencer de que era melhor deixar as coisas acontecerem. Ele sempre fora muito bom em controlar os seus sentimentos. Se, desta vez, não estava conseguindo, então estes sentimentos deviam ser muito fortes.

Enquanto corria, ele havia se lembrado de uma coisa que seu mestre dissera há muito tempo: “um sentimento quando é forte demais, é como um rio de águas caudalosas. Se colocarmos uma barragem de madeira, ele vai derrubá-la. Se colocarmos uma barragem de pedra, ele vai contorná-la. Se colocarmos uma barragem de metal, vamos detê-lo; mas ele vai encobrir todo o vale e matará as plantas e os animais. Depois, se tornará um lago manso, mas, dentro dele, haverá apenas a natureza morta. O melhor a fazer é deixar que ele siga seu caminho.”

A poucos passos de sair da floresta, Kakashi divisou um ponto vermelho se movendo entre as árvores e soube na mesma hora quem era.

Ela entrou na floresta, olhando para os lados, procurando-o. Até que viu seu contorno aparecer entre as árvores. Ele se aproximou com um sorriso e disse:

- Pensei que só te veria no fim da tarde.

- E eu pensei que teria que procurar você pela floresta. – Ela falou. – Como sabia que eu estava chegando?

- Senti seu cheiro. – Era uma mentira, a verdade é que tinha sido apenas coincidência; mas ele não podia perder a oportunidade.

Keiko ergueu as sobrancelhas.

- Espero que isso signifique que eu estou bem cheirosa, e não o contrário. – Ela disse, corando um pouco.

Kakashi riu e Keiko percebeu um brilho diferente em seu olhar. Ela sentiu que os tsurus em seu estômago estavam acordando.

- Fugiu do trabalho? – Ele perguntou em tom brincalhão.

- Ah, não! – Ela respondeu. – Eu tenho direito a um turno livre hoje, já que fiz horas extras ontem à noite para concluir aquele planejamento.

- Então... já vamos para casa?

- Na verdade, já que estamos aqui, pensei em te mostrar o Instituto. – Ela disse, esperançosa.

– Tem certeza de que não vai prejudicar o andamento do seu trabalho? – Kakashi perguntou num tom levemente preocupado.

– Tenho sim. A Natsume exigiu aquele relatório em cima da hora e eu trabalhei a noite toda para finalizá-lo. Posso compensar o trabalho extra com uma folga hoje. – Keiko respondeu com um sorriso.

- Por que vocês se odeiam tanto? – Ele perguntou de repente.

A pergunta pegou Keiko de surpresa. Ela suspirou, resignada, e respondeu:

- É uma longa história... Quando meus pais morreram, me deixaram uma pequena fortuna de herança. – Ela corou com aquela confissão. Não era o tipo de garota que se gabava dos bens que tinha. – Uma parte dessa herança estava na forma de ações deste complexo. Sendo assim, eu passei a fazer parte do conselho administrativo. Há dois anos, houve uma votação para a escolha do vice-presidente. A Natsume se candidatou. Por uma infelicidade do destino, ela empatou com outro executivo e coube a mim o voto de desempate... E eu disse não à Natsume. Escolhi o velhinho baixinho e gorducho, de cara simpática. Eu era uma recém-formada que tinha acabado de chegar ao Instituto e ela era uma veterana. O fato de uma novata ser sua superior fez Natsume me odiar ainda mais.

Kakashi permaneceu calado, prestando mais atenção do que de costume. Seu interesse na história já não era mais a rivalidade entre Keiko e Natsume, e sim a parte sobre a morte dos pais de Keiko.

A solidão de Keiko em seu apartamento não tinha sido algo que chamara sua atenção no princípio. Mas, com o passar dos dias, havia percebido que aquela mulher era realmente solitária. Seu círculo de amizades se limitava à morena de cabelos curtos e mais ninguém. Só saía de casa para ir ao trabalho ou ao mercado, e ele tinha certeza de que se não estivesse ali com ela, a ruiva gastaria seu tempo livre diante do computador, fazendo algum tipo de trabalho, ou lendo seus mangás. Chegara a se perguntar onde estava a família da garota, mas aquela tinha sido uma curiosidade passageira.

Agora compreendia. Ela era órfã — e isso ele entendia bem – e as poucas peças do quebra-cabeça que tinha, já lhe davam idéia do desenho que se formava: o de uma moça solitária, que não havia superado a morte das pessoas que amava e que se dedicava 100% ao trabalho para esquecer essa dor. Eles tinham pontos em comum nesse aspecto.

Kakashi deixou escapar um suspiro quase inaudível.

- Vamos deixar a Natsume de lado, ok? – Keiko interpretou aquele suspiro como sendo de aborrecimento, e resolveu parar de contar a longa e monótona história da sua vida. — Eu acho que vai ser divertido fazer um tour pelo complexo do Instituto. Só precisamos passar primeiro no meu escritório para avisar à minha secretária que vou tirar o resto do dia de folga.

Eles saíram da floresta e caminharam em direção ao prédio principal do IPF. Keiko notou que Kakashi estava muito próximo. Suas mãos quase se tocavam. Ela sentiu um arrepio e um pouco de tontura. Interpretou aquilo como sendo efeito da proximidade do ninja mascarado.

Ao se aproximarem do prédio principal, Kakashi parou. Keiko, que estivera muito concentrada em suas mãos, parou ao seu lado e olhou interrogativa para ele.

- Aquela não é a sua amiga? – Ele disse, indicando uma mulher de cabelos curtos e negros que descia a escadaria do prédio principal numa corrida desvairada.

- Aki-chan! – Ela exclamou.

Keiko ficou surpresa ao ver que a amiga vinha em direção a eles, segurando uma folha de papel na mão.

- Kei-chan! – Ela gritou ao longe, acenando a folha no ar e mostrando um sorriso largo. Quando parou na frente dos dois, ela disse: — Ohayoo, Kakashi-kun!

- Ohayoo, Aki-chan. – Ele respondeu com um sorriso simpático.

Keiko olhou de um para o outro. Desde quando se tratavam com tanta intimidade? Aquela era uma pergunta tola, ela devia saber. Aki tinha o poder de fazer com que as pessoas sentissem que a conheciam há anos.

- Qual o motivo de tanta euforia? – Ela perguntou para a amiga.

- Seu pedido de verbas foi aprovado novamente. – Aki respondeu. – Três votos a favor e um contra. Ganha um chocolate quem adivinhar quem votou contra.

- Natsume. – Kakashi respondeu, casualmente.

Keiko olhou para ele, surpresa, e Aki lançou-lhe um olhar divertido, dizendo:

- E temos um vencedor! Vejo que o Kakashi-kun já conhece a fama da víbora sanguinolenta.

As duas amigas deram risadinhas conspiratórias.

- Não foi dessa vez que ela se vingou de você, Kei-chan. – Aki piscou para a amiga.

- Eu tenho que agradecer ao Kakashi. Não teria entregado o planejamento a tempo se não fosse por ele. – Keiko disse, timidamente.

Kakashi olhou para ela e sorriu.

- Já disse para não agradecer, pois vou cobrar o favor mais tarde. – Ele falou.

Aki tossiu de propósito e fingiu engasgar.

- Senti que estou sobrando aqui. – Ela disse, olhando de Keiko – que a essa altura estava com o rosto em chamas – para Kakashi – que estava com um sorrisinho torto debaixo da máscara. – Ok, já dei meu recado. É hora de voltar ao laboratório. E você — ela lançou um olhar ameaçador para Keiko — nem sonhe em voltar ao trabalho. Você precisar comer e dormir. Hoje mais cedo você estava bem pálida e sonolenta. Pode deixar que eu aviso à Tsuki para agendar seus compromissos para outro dia. – E virando-se para Kakashi, disse: — Leve-a para casa, Kakashi-kun. E coloque-a na cama, por favor.

Keiko abriu a boca para protestar, mas foi Kakashi quem falou primeiro.

- Eu cuido dela, não se preocupe.

Aki se distanciou, acenando, com um sorriso maroto escapando dos lábios. Enquanto isso, Keiko travava uma luta interna, tentando vencer a timidez e olhar para o shinobi. Mas a visão de Kakashi colocando-a na cama estava dificultando as coisas. Ela sabia que ele estava encarando-a com aquele olhar travesso, se divertindo ao ver seu rosto completamente vermelho.

- Aka-chan, tolinha. – Ele disse.

Keiko se arrepiou dos pés à cabeça, pela segunda vez naquela manhã. Porém, desta vez, ela sentiu suas pernas fraquejarem e lhe pareceu que a quantidade de ar em seus pulmões era insuficiente. Será que era por causa da timidez?

Ela queria muito aproveitar aquele momento para dar a ele um sinal de que queria outra coisa ao invés do passeio no IPF. Ela queria voltar à floresta, ficar à sós com ele. Queria que ele a beijasse, e queria dizer o quanto o amava. Mas seu corpo não estava reagindo.

De repente, ela sentiu uma mão se entrelaçar na sua e outra mão segurou sua cintura.

- Você está bem? – Kakashi perguntou, soando verdadeiramente preocupado.

- Estou me sentindo um pouco tonta. – Ela confessou. O meio abraço que Kakashi estava lhe dando fazia com que respirar ficasse ainda mais difícil.

- Você está fraca porque não dormiu quase nada esta noite, Aka-chan. E tomou um café da manhã bem fraco. É por isso que está assim. Acho melhor comermos alguma coisa e voltarmos pra casa.

Keiko fechou os olhos por um momento, apreciando o toque da mão dele na sua. Depois, como que processando o que ele havia dito, olhou para cima, encarou os olhos de Kakashi e perguntou:

- Você disse comermos? – Sua voz saiu fraca.

Kakashi deu uma risadinha. Ele sabia o que Keiko queria dizer. Eles nunca comiam juntos, por motivos óbvios.

E agora, ele estava convidando-a para comer.

- Você não está em condições de fazer perguntas. – Ele disse.

Mas Keiko não ficou satisfeita com a resposta. Além do mais, tinha uma outra dúvida:

- O único lugar por aqui, que eu saiba, onde poderíamos comer é a praça de alimentação e, acredite, não tem um lugar isolado sequer onde você possa comer sem ser visto. – Ela disse.

- Hmm... – Ele murmurou. – Acredito que o único lugar para comprar comida seja lá, mas lugares para comê-la eu posso ver vários daqui.

Keiko ficou confusa. O que ele estava pensando em fazer?

- Não pergunte, — ele disse, como que adivinhando seus pensamentos – apenas nos leve até essa praça de alimentação e deixe o resto comigo.

Ela não disse mais nada. A vontade de comer ao lado de Kakashi e ter a oportunidade de ver seu rosto deu-lhe forças para sair daquele abraço e caminhar até a praça de alimentação. E a curiosidade para saber o que ele estava planejando, tornou tudo ainda mais divertido.

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~~Glossário dos Termos Japoneses~~

Tsuru: É um pássaro que, no Japão, simboliza a felicidade.

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Notas finais
Postei um dia antes para compensar o atraso da semana passada! Aeeee!!! o/ Mereço reviews, não é? E, como está chegando o Natal, vou fazer uma espécie de promoção! Ahoeoheahoea Quem deixar uma review, recebe, por mensagem privada, o comecinho do capítulo 9. Que tal? *o* Masssssss tem uma regra! O comentário precisa ter, no mínimo, 10 palavras diferentes! xD É sério! :P Não vale só escrever amei amei amei x10 ehehehe
Beijocas, meus amores! Vejo vocês no próximo sábado! E pra quem conseguir o comecinho do capítulo 9, vejo vocês na mensagem. *o* Chuac! =*