Fantasia
30 Capítulo 22 - Sofrimento
Notas iniciais
Capítulo 22 – Sofrimento
“O sofrimento é uma condição passageira. Toda dor desaparece em algum momento na vida.”
(Sacerdotisa do templo Kokoro)
O vento passava veloz pelo seu rosto à medida em que ele acelerava a moto em direção ao templo. O caminho já era conhecido pois havia estado ali antes, com Keiko, quando ela lhe dissera que iria visitar uma “cliente”. Agora ele sabia que não era uma cliente. Era a sacerdotisa.
Seu coração bateu mais depressa ao recordar aquele dia. Keiko havia entrado no templo e ele havia esperado por ela, contemplando o fim da tarde e tentando lidar com os sentimentos que fervilhavam em seu peito. E então quando ela voltou, e ele a sentiu tão próxima, não resistiu e a beijou. Aquela foi a primeira vez que eles se beijaram. Naquele lugar, ele cedeu ao desejo de abraçá-la, de sentir seu cheiro, de tocar sua pele, de tê-la para si... Suas mãos se fecharam com mais força no acelerador, e os nós dos dedos ficaram brancos, no esforço de banir aquelas lembranças da sua mente.
Como pôde ter sido tão idiota? Tão cego? Como pôde ter se apaixonado tão facilmente? Anos exercitando o autocontrole, dominando suas paixões e desejos, controlando seus sentimentos de maneira cuidadosa para que não interferissem em seu trabalho como ninja e então, de repente, ele estava entregando o coração a uma mulher.
Decerto que Keiko não era uma mulher qualquer. Havia algo nela que o cativava de uma maneira quase surreal e ele não sabia dizer o quê. Sim, havia o fato de que ela era carinhosa e inteligente, mas isso não era tudo. Ela também não era exatamente o modelo perfeito dos padrões de beleza idealizada, mas certamente era linda à sua maneira, seus traços delicados e até muito juvenis para a sua idade lhe dando aquele ar de timidez que o fascinava.
Principalmente quando ela corava.
E aquele rosado que tingia suas bochechas combinavam perfeitamente com sua boca delicada, sempre tão convidativa...
Ele sacudiu a cabeça. Era exatamente isso que fugia à sua capacidade de formular explicações: todas as vezes que pensava em Keiko, sua mente divagava para águas mornas e tranquilas, que o faziam desejar ficar ali, naquela confortável companhia da mulher que conquistara seu coração. Havia uma espécie de magia que a cercava e o fazia perder a razão. Só isso justificaria sua súbita entrega à paixão por ela, e o fato de que, mesmo magoado, ainda pensava nela com carinho.
Uma pontada de dor fez seu coração falhar uma batida. Era difícil acreditar que ela o havia enganado. Mesmo que ela praticamente tivesse assumido sua culpa, ele ainda relutava em aceitar. Mas com a adrenalina pulsando em suas veias, fazendo sua mente ficar mais alerta, havia repensado algumas coisas que indicavam que ela era realmente culpada: o fato de ter aparecido exatamente na casa dela, a forma evasiva com a qual ela respondeu suas perguntas quando ele a interrogou naquele primeiro dia, a ligação dela com uma cliente no templo... Tudo se encaixava perfeitamente com a descoberta de que ela tinha procurado uma Miko para invocá-lo.
A certa altura do caminho, ele virou à direita e saiu do asfalto, entrando na estradinha estreita que levava ao templo. Diminuiu a velocidade, as pedras soltas do cascalho tornando mais difícil o atrito das rodas com o chão, mas não ao ponto de ir muito devagar. Ele tinha pressa para encontrar a velha sacerdotisa e pôr um ponto final nisso tudo.
Pouco tempo se passou até ele conseguir divisar a sombra negra da silhueta opulente da enorme construção em estilo xintoísta recortando o azul meia-noite do céu.
Kakashi estacionou diante da entrada e desmontou, deixando a moto e o capacete para trás ao caminhar até a corda grossa que pendia de um sino de metal que ficava ao lado da porta, balançando-a com mais força do que era necessário, descarregando um pouco da sua tensão no pobre objeto. Sua mão mal havia soltado a corda quando a pesada porta foi aberta por um monge forte, e assim que a abertura foi suficiente para que uma pessoa passasse, o monge se afastou para o lado, permitindo que Kakashi visse uma velha sacerdotisa, encurvada pelo peso dos longos anos vividos, se aproximando.
Sorrindo levemente, ela disse:
— Estava esperando por você, Kakashi.
—x-x-x-
— Levante-se, Keiko – Aki disse.
— O quê... Por quê? – A ruiva não queria sair dali. Sentia-se fraca e suas pernas ainda tremiam mesmo depois de muito tempo ter se passado desde o encontro com Natsume.
— Nós precisamos ir atrás dele. – A voz de Aki havia assumido um tom urgente e prático, muito familiar quando ela precisava liderar as coisas no trabalho e dar instruções aos estagiários, pondo ordem no eterno caos que eles provocavam.
A ruiva fez um esforço enorme para erguer o rosto e encarar a amiga.
— Não, Aki... É tarde demais – ela secou mais algumas lágrimas no lenço de Akira. – Não há tempo para tentar consertar as coisas. Ele só tem essa noite para conseguir voltar pra casa.
Aki e Akira trocaram um olhar misterioso, e Keiko ficou confusa quando os dois voltaram a olhar para ela com expressões indecifráveis.
— Por que vocês estão me olhando assim?
Ignorando a pergunta da amiga, Aki se virou para o namorado.
— Você acha que conseguiremos alcançá-lo?
Ele puxou a manga do smoking para revelar um relógio em seu pulso esquerdo, e depois de verificar as horas, perguntou:
— A que distância fica o templo?
— Uns vinte minutos – Aki respondeu.
Ele franziu as sobrancelhas e seus lábios se apertaram numa linha fina.
— A essa altura ele já chegou lá, mas acho que temos uma chance de encontrá-lo antes que– ele se interrompeu no meio da frase, olhando para Keiko de relance, hesitando em dizer o que tinha em mente.
Aki se pôs de pé num salto e agarrou a mão da amiga, puxando-a bruscamente para que se levantasse também, recebendo em troca algumas palavras grosseiras muito atípicas de Keiko.
— Vamos, não temos muito tempo.
A ruiva protestou enquanto era praticamente arrastada até o carro.
— Aki, você pode me dizer por que vocês estão sendo tão misteriosos?
Akira estrategicamente escolheu aquele momento para andar mais rápido, se adiantando para o banco do motorista, enquanto Aki abria a porta de trás, empurrando Keiko para dentro. Depois de dar a volta no carro e se sentar no banco do passageiro ao lado de Akira, ela disse:
— Eu explico pra você quando estivermos nos movendo – e então se virou para o namorado e começou a lhe dar instruções de como chegar ao templo.
Keiko não entendia por que sua amiga estava fazendo isso. Ela não queria ir para o templo, ela não queria reencontrar Kakashi e ter que lidar com a culpa e a dor de ver em seus olhos toda a tristeza por ter descoberto sua mentira de uma maneira tão cruel. Ela só queria ir pra casa, chorar até não conseguir mais ficar acordada, e depois tentar juntar seus pedaços no dia seguinte, como havia sido planejado desde o início.
Ela sabia que seria muito mais difícil se recuperar agora, quando as coisas tinham saído tão dolorosamente do controle, mas ir atrás de Kakashi, rever seu rosto transfigurado de dor, era um suplício que ela não queria vivenciar. Keiko não conseguia suportar a ideia de vê-lo daquela maneira de novo. Não conseguia suportar a ideia de que ele a olhasse com aqueles olhos cheios de decepção de novo.
Só quando as árvores que ladeavam a estrada para o instituto viraram um borrão difuso, o salão de festas desaparecendo ao longe, suas luzes desvanecendo na escuridão da noite, Aki se virou e encarou Keiko no banco de trás.
— Akira se atrasou por um motivo, lembra? – Ela disse, quebrando o silêncio pesado.
A ruiva estava com o rosto virado, olhando pela janela. Era difícil dizer se ela prestava atenção nas árvores que passavam, ou no próprio reflexo distorcido no vidro, que assumia um tom fantasmagórico de azul por causa da pouca luz que era emitida pelo painel do carro. Talvez, até, não estivesse prestando atenção em nenhum dos dois.
— Keiko... – Aki chamou baixinho.
Ela não se virou, mas estava ouvindo o que a amiga dizia, porque murmurou:
— Vá direto ao ponto, Aki – mais tarde ela se sentiria arrependida da frieza em sua voz, mas no momento não estava se sentindo muito aberta a conversas longas e cheias de sutilezas.
A morena suspirou, uma das mãos alcançando a de Keiko e apertando-a carinhosamente. Ela sabia que aquela frieza não era pessoal, que Keiko só estava tentando lidar com toda a dor que a consumia por dentro, então relevou o tom grosseiro da amiga. Seus olhos bondosos perscrutaram os dela, ou pelo menos o que podia ser visto deles, dado que Keiko ainda mantinha a cabeça voltada para a janela, e tentou ler o que se passava naquela cabeça bicolor antes de continuar:
— Ele descobriu algo na sequência da história que você não leu.
Keiko puxou o ar tentando conter a exasperação. Ela não queria saber do mangá e por mais que soasse egoísta e rude de sua parte, pouco se importava com o que estava acontecendo em Konoha. No momento ela só estava preocupada com o aqui e o agora, e com o destino de Kakashi.
— E o que isso tem a ver com o retorno de Kakashi para o mundo dele? – Keiko disse bruscamente, finalmente virando-se para encarar a amiga. – Eu só queria ir pra casa, Aki. Eu não quero mais me colocar no caminho dele! – Sua voz foi subindo à medida em que dava vazão aos sentimentos. – Eu já o fiz sofrer e não quero ser responsável também por ele perder a chance de voltar pra casa! – Agora ela estava gritando em meio às lágrimas inconvenientes que caíam sem a sua permissão. – Eu não sei por que você está fazendo isso comigo! Supostamente você deveria estar me consolando! Eu pensei que você-
— Kei-chan! – Aki gritou, interrompendo-a. O choque fez Keiko parar, respirando rapidamente, com a boca aberta e as sobrancelhas erguidas, olhando para uma Aki que ela desconhecia. – Você precisa falar com o Kakashi! Eu não faria isso com você se não fosse necessário! – Aki estava superando bravamente o bolo que havia se formado em sua garganta, ignorando o ardor das lágrimas nos cantos dos olhos. – O que Akira descobriu no mangá foi que Kakashi não pode voltar pra casa!
Keiko pensou ter ouvido errado. Ela permaneceu imóvel, olhando para Aki, tentando compreender o que tinha acabado de escutar, mas era inútil, então ela perguntou, incrédula:
— O que?!
Aki tomou fôlego, acalmando-se, antes de repetir:
— Não tem como o Kakashi voltar para o mundo dele.
A ruiva ficou encarando a amiga, sem conseguir dizer uma palavra sequer. Os únicos sons audíveis vinham do cascalho sendo esmagado pelos pneus do carro, agora que trilhavam a estradinha estreita que levava ao templo.
— Como não? – Ela perguntou num sussurro, sem forças, e sobressaltou-se quando a voz grave de Akira, que até o momento não dissera uma palavra, respondeu a sua pergunta:
— Keiko, o Kakashi não pode voltar para Konoha por que ele nunca saiu de lá.
—x-x-x-
Ela tentou respirar, mas o ar não preenchia seus pulmões de maneira satisfatória. Podia sentir sua traqueia contraída enquanto sua respiração ficava cada vez mais difícil.
— Pare o carro... – ela conseguiu sussurrar, mas o sussurro foi tão baixo que o casal à sua frente disse em uníssono:
— O que?
— PARE O CARRO! – Suas últimas reservas de ar formaram um grito agudo e rasgado.
Instintivamente reagindo com o susto, Akira pisou o pé no freio e Keiko se chocou contra o banco do motorista. Mesmo ainda zonza pela pancada, ela conseguiu abrir a porta à sua esquerda e lançou-se para os braços da noite escura, caindo de joelhos no cascalho grosso, sem forças para manter-se de pé.
Imediatamente Aki e Akira correram para seu lado, mas nada do que eles diziam ou faziam amenizava a súbita falta de ar que fazia o mundo girar ao seu redor. Ela puxava o ar frio com força, mas seus pulmões nunca pareciam satisfeitos.
“O Kakashi não pode voltar para Konoha por que ele nunca saiu de lá.”
Ela não queria acreditar naquilo. Kakashi esteve ao seu lado por semanas, como ele poderia não ter saído de Konoha? Que espécie de humor negro estava inspirando essa brincadeira que queriam fazer com ela?
Keiko teve que apoiar as mãos no chão, arqueando o corpo enquanto hiperventilava. Parecendo vir de muito longe, a voz de sua amiga chamava seu nome, mas ela não conseguia reagir ao som. Não conseguia reagir a mais nada.
Kakashi tinha sido real, não tinha? Ela havia sentido sua pele, sentido seu cheiro, ouvido sua voz. E ela o viu interagir com outras pessoas. Pelo amor de deus, Aki havia conversado com ele! Não havia possibilidade de que ele fosse fruto de sua imaginação.
“...ele nunca saiu de lá...”
O que a Miko havia feito, se não o tinha tirado de Konoha?
Pensar na Miko trouxe lembranças do dia em que ela voltara ao templo para falar de suas angústias. Para pedir que a velha sacerdotisa a enviasse para o mundo de Kakashi, na esperança de que eles pudessem ter uma chance de viver juntos.
“Então você ainda não percebeu...”— a voz da sacerdotisa ecoou das profundezas de suas lembranças.
“O que eu deveria ter percebido?”— Keiko havia perguntado, confusa.
“Certas coisas precisam ser descobertas por nós mesmos, criança.”— a Miko havia respondido com um olhar de mistério.
Keiko nunca mais tinha pensado sobre o enigma da Miko. Mas de que adiantava agora? Tudo estava desmoronando. Ela sentia como se estivesse afundando nas águas da insanidade, e a cada instante era mais difícil voltar à superfície para respirar. A cada instante era mais difícil distinguir o que era realidade do que era fantasia e ela sabia que estava perigosamente à beira da loucura.
“Certas coisas precisam ser descobertas por nós mesmos, criança.”
A voz da Miko se repetiu em sua mente e, com um grunhido de frustração, ela tapou os ouvidos, tentando fazer com que se calasse. Ela não queria mais dúvidas, ela não queria mais enigmas, ela queria respostas, mas sua tentativa de calar as vozes foi em vão, pois elas continuaram a dialogar em sua cabeça.
“O que supostamente eu deveria ter percebido e que tem a ver com minha ida para o mundo dele?”— essa era sua própria voz, vinda das recordações daquele encontro com a Miko.
“Eu não posso fazer isso duas vezes...”— e essa tinha sido a resposta da sacerdotisa. A resposta que a fizera sofrer sabendo que cada dia ao lado de Kakashi era um dia a menos do curto prazo que eles tinham para ficar juntos.
Ela só conseguia pensar na dor de perder o único homem que amara de verdade. Só conseguia pensar que, a essa altura ele já devia ter voltado para casa, sentindo raiva dela.
“Não tem como o Kakashi voltar para o mundo dele.”— a voz de Aki ecoou em sua mente, muito mais alta do que a voz da Aki real que agora se ajoelhava ao seu lado, agarrando-a pelos ombros, puxando-a para um abraço, misturando suas lágrimas com as dela, enquanto assistia, impotente, a amiga entrar em colapso bem diante dos seus olhos.
“O Kakashi não pode voltar para Konoha por que ele nunca saiu de lá”— o tom sombrio de Akira veio acompanhado de um calafrio.
Por quê? Por que todas essas vozes estavam falando com ela agora? Por que, de todas as lembranças, eram essas em particular que flutuavam até superfície de sua memória? Ela não queria ouvi-las. Ela só queria desaparecer. Ela estava começando a aceitar que não tinha mais forças para lutar contra as águas da insanidade. Na realidade, ela começava a pensar que seria um alívio mergulhar mais fundo nelas.
O que aconteceria se ela deixasse isso acontecer? Será que seu sofrimento finalmente chegaria ao fim?
—x-x-x-
Todos os sons, todas as cores e todos cheiros ao seu redor desapareceram quando seus sentidos finalmente se desconectaram do mundo exterior. Tudo estava escuro e isso era bom. Keiko sentiu-se envolvida por uma serenidade bem-vinda e por uma paz há muito desejada. Ali, naquele lugar no meio de lugar nenhum, ela não sentia mais dor alguma.
Um pequeno ponto de luz brilhou no meio do nada, mas aquilo não cegou seus olhos. Ao contrário, ela sentiu uma estranha sensação, algo parecido com o que sentimos quando estamos prestes a nos lembrar de algo. Ou prestes a compreender alguma coisa. O ponto foi crescendo e, com ele, a sensação estranha.
Agora era como se estivesse em um túnel e a cada instante conseguia ver mais e mais claramente o final dele. A um dado momento, sua abertura era grande o suficiente para que ela pudesse ver o que havia do outro lado.
Era uma floresta.
O raio do túnel aumentou um pouco mais.
Uma silhueta difusa começou a surgir no seu campo de visão. A princípio, era difícil distinguir a forma estranha, mas à medida que o túnel avançava lentamente em sua direção, ela percebeu que a silhueta se parecia com o contorno de duas pessoas. Elas estavam de pé entre as árvores. Uma das pessoas, um homem, colocava as mãos no ombro de uma mulher.
Keiko forçou os olhos para ver melhor, mas àquela distância era impossível distinguir muitos detalhes. Se ao menos ela pudesse apressar a chegada ao fim do túnel...
A imagem ficou um pouco mais nítida à medida que avançava no túnel e sua abertura ficava cada vez mais larga. Sim, eram, de fato, um homem e uma mulher. Ela tinha as costas voltadas para o peito dele, e suas mãos se estendiam à sua frente, como que tentando alcançar dentro do túnel, apontando em direção a Keiko. Seus dedos brilhavam com uma estranha luz violeta que quase ofuscava o brilho azulado que saía das mãos do homem.
Keiko piscou algumas vezes, acostumando seus olhos à intensidade da claridade, e então seu coração falhou uma batida quando ela reconheceu os fios de cabelo prateado na cabeça do homem. Fios prateados que balançavam suavemente com a brisa e adornavam um rosto mascarado que se revelava por cima do ombro da mulher. Aquele homem era Kakashi... Ele estava em Konoha. Mas quem era a mulher? O brilho arroxeado emitido pelas suas mãos ainda era forte demais para que Keiko conseguisse vê-la.
Ela estava tão próxima do fim do túnel agora, que quase podia sentir a brisa vinda da floresta de Konoha. Quando achou que finalmente atravessaria para o outro lado, Keiko conseguiu ver o rosto da mulher através da luz púrpura.
Os seus olhos se arregalaram e ela cobriu a boca com as mãos diante do reconhecimento do rosto familiar.
“...que tem a ver com minha ida para o mundo dele?”
“Eu não posso fazer isso duas vezes...”
—x-x-x-
(Continua no próximo capítulo...)
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