Fantasia

24 Capítulo 16 - Coragem


Notas iniciais
Não, você não está vendo um fantasma. Sou eu mesma...

Capítulo 16 — Coragem

“...pois a coragem cresce com a ocasião.”

(William Shakespeare)

Kakashi estava parado na sua frente com um brilho nos olhos que ela não conseguia decifrar. Seria divertimento? Desejo? Felicidade? Ou, quem sabe, uma mistura de tudo isso? Ele notou que sua testa estava franzida pois sorriu e tocou o espaço entre suas sobrancelhas com a ponta do dedo, fazendo-a corar um pouquinho.

— Você está com seu típico olhar de dúvida – ele provocou, sorrindo.

Keiko deixou escapar o ar que nem percebera que estivera prendendo.

— Não é justo que você consiga ler expressões faciais e eu não – ela disse, tentando soar indignada, mas sem sucesso.

O sorriso dele ficou mais largo.

— Deixe-me tirar suas dúvidas... – ele prendeu os olhos nos dela e, com um movimento fluido, tirou a camiseta.

O coração de Keiko falhou uma batida e, então, aumentou o ritmo vertiginosamente. Ele tinha dito que não estava falando daquilo, não tinha? Então por que estava tirando a roupa e encarando-a como se fosse devorá-la?

— Vou ter que vendar você – ele declarou e sorriu quando ela protestou, com as bochechas corando daquele jeito que ele adorava. – Você tem a mente pervertida demais para alguém que me condena por ler Icha Icha. Quer desligar o modo racional e se deixar levar só um pouquinho, por favor? Coragem. Confie em mim.

O que dizer em resposta a um pedido desses? Keiko não conseguiu elaborar frase alguma, então só balançou a cabeça e virou-se de costas para ele. Kakashi dobrou sua camiseta e passou-a pelos olhos dela, amarrando-a atrás de sua cabeça.

Assim como no dia em que ele a beijara sem a máscara pela primeira vez, ao fechar os olhos, seus outros sentidos se aguçaram e os sons, cheiros e toques pareceram amplificados. Ela sentiu as mãos de Kakashi pousarem em seus ombros e gentilmente ele fez com que ela voltasse a ficar de frente para ele.

— Tire a roupa, Keiko... – ele falou, quase num sussurro.

Ela sentiu uma fraqueza repentina nas pernas, mas manteve-se firme. “Tirar a roupa, assim?” Foi difícil não abrir a boca para retrucar, mas, com um suspiro resignado, ela ficou em silêncio. Havia prometido confiar nele e “se deixar levar” como ele havia dito, mas precisou de algum tempo para reunir coragem suficiente antes de se despir. Ela não o via, mas praticamente podia sentir os olhos dele fixos em cada movimento que ela fazia.

Kakashi sentiu os pelos de sua nuca se eriçarem quando ela puxou delicadamente a blusa para cima, cuidando para não tirar a venda improvisada que ele havia colocado em seus olhos. Ele notou que as mãos dela tremiam quando ela desabotoou a calça jeans, e ele deixou escapar um suspiro quando ela tirou a peça, ficando apenas com sua lingerie.

Na noite passada, quando fizeram amor, o quarto estava escuro e, apesar da visão bem treinada de um ninja, Kakashi não conseguira admirar Keiko sem roupas. Obviamente naquela hora sua atenção estava focada em outra coisa, mas depois, quando a teve aninhada em seus braços, satisfeita, ele desejou poder contemplá-la nua. Porém agora era diferente. A luz do sol iluminava muito bem a clareira e a visão de Keiko vestindo apenas suas roupas íntimas o deixou sem fôlego. Era como ser pego num genjutsu. Não havia como saber o que era fantasia e o que era realidade. A pele dela era como um convite e ele precisou reunir todas as suas forças para não desistir da pequena brincadeira que ele havia tramado e amá-la ali mesmo, no meio de todas aquelas flores.

Não. Ainda não era o momento. Ele sacudiu a cabeça e fechou os olhos por um instante.

“Foco, Kakashi. Foco.”

Quando ela fez menção de desabotoar o sutiã, ele a impediu com um toque suave.

— Espere. – sussurrou.

Keiko ouviu alguns barulhos vindos de onde ela sabia que Kakashi estava. Algo que parecia ser um tecido foi jogado no chão e então ela soube que ele havia se despido também. Seu corpo tremia. Era impossível se controlar. Ele tinha insinuado que suas intenções não eram maliciosas, mas naquele momento Keiko desejou que ele tivesse mentido.

Ela sentiu as mãos dele acariciarem seus braços desnudos.

— Você está tremendo – ele a puxou para um abraço. — Está com frio? – Perguntou num tom gentil.

— Não... eu só... – Ela não encontrou palavras para se explicar – Não é frio...

Kakashi soube o que ela quis dizer. Ele sentia a mesma coisa.

— Tudo bem. Mas se ficar com frio, não se preocupe, o sol vai te esquentar em um minuto.

Keiko acenou a cabeça, em resposta, e estava se perguntando o que viria a seguir, quando ele subitamente a levantou nos braços, e ela soltou um gritinho. Kakashi andou alguns passos com ela no colo, e ela pôde ouvir seus pés tocando a grama, em passadas suaves, mas firmes. Até que ela ouviu os seus passos ecoarem dentro da água. O barulho dos passos foi desaparecendo à medida em que ele ia cada vez mais fundo e então, sem aviso e num movimento rápido, Kakashi mergulhou com Keiko na água gelada.

— Ah, meu deus!!! – Ela arfou, sem fôlego, quando eles voltaram à superfície. Keiko sentiu seus ossos congelando e todos os seus músculos se retesando, numa tentativa inútil de conservar seu calor corporal. – Como você pôde?! – Ela soou indignada, surpresa e divertida. Tudo ao mesmo tempo.

Kakashi, que ainda a mantinha em seus braços, riu.

— Você não teria tido coragem de entrar.

— Como sabe que não? – Agora ela soava mais indignada do que divertida.

Ele não respondeu e, mesmo com os olhos vendados, ela sabia que ele estava dando seu sorrisinho irônico. Uma brisa leve soprou e ela se arrepiou da cabeça aos pés.

— Vou soltar você para que se movimente, assim o frio vai passar rápido. O sol também vai ajudar. – Ele depositou um beijo em sua testa e ela notou que ele estava sem a máscara.

“Por isso ele me vendou...”

Os pés de Keiko tocaram o chão lamacento do lago e, ao contrário do que ela esperava, a sensação da terra entre seus dedos era boa. Ela deu alguns pulinhos dentro da água e em pouco tempo percebeu que ele tinha razão. O frio foi dando lugar a uma maravilhosa sensação de calidez e relaxamento.

— Melhor? – Ele perguntou.

— Sim... é maravilhoso – ela ficou surpresa quando um sorriso lhe escapou dos lábios. Um pensamento repentino veio em sua mente e ela o verbalizou, dizendo: – Você costuma fazer isso em Konoha?

— Costumo... – Keiko teve a impressão de que ele havia soado um tanto quanto nostálgico. – Quando eu tenho uma folga, entro na floresta em busca de um pouco de paz e sossego. Gosto de ler por um tempo e depois, quando fico cansado, dou um mergulho para relaxar.

Kakashi não disse mais nada e ela evitou continuar o assunto, por que falar de Konoha lhe lembrava que um dia ele voltaria pra lá e isso a machucava.

— Aposto que venço você numa disputa dentro da água – ele a provocou, mudando de assunto.

— Aposto que qualquer um me vence – ela retrucou, azeda. – Ainda mais estando de olhos vendados.

Ela escutou uma risadinha sarcástica. – Não seja ranzinza.

— Ranzinza não, realista. Além do mais, faz muito tempo que não nado.

— Não acha que é hora de mudar isso?

— Não acha que seria meio arriscado me aventurar neste lago às cegas?

— Não foi você quem disse que confiaria em mim?

Droga. Ele tinha razão.

Kakashi sorriu, vitorioso ante o silêncio dela. – Eu serei o seu guia. – Anunciou solenemente e segurou a mão dela.

—x-x-x-

Keiko perdeu a noção de quanto tempo ficaram dentro do lago. Kakashi a guiou gentilmente, como havia prometido, com uma mão em suas costas para que não se afastasse demais da área segura, sempre que ela nadava ou flutuava. Foi uma sensação diferente, mas maravilhosa, e Keiko levaria consigo, para sempre, a lembrança daquele dia.

Já fazia algum tempo que estavam flutuando de costas, de mãos dadas, quando ela suspirou e disse:

— Obrigada por me mostrar como é bom estar aqui.

Ele franziu as sobrancelhas.

— Você nunca mergulhou neste lago?

— Só uma vez, quando eu era bem pequena. Meus pais me trouxeram aqui poucas vezes.

Ele ficou em pé e a puxou para junto de si.

— Sinto lhe dizer que foi um grande desperdício.

Keiko riu. – Agora sei que foi mesmo. Depois de adulta eu vim aqui com a Aki uma vez. Mas a água fria me fez desistir de entrar e, depois disso, nunca mais me interessei pela cachoeira.

— Até hoje.

— Até hoje... – Mas quando Keiko se imaginou voltando à cachoeira, tempos depois, sem a companhia de Kakashi, sentiu um aperto no peito.

Ele notou a sua mudança de expressão.

— O que foi?

Ela buscou as palavras certas antes de responder.

— Quando você se for, não terei coragem de vir aqui. – Por Kami Sama, doía muito dizer aquilo em voz alta.

Kakashi a abraçou e ficou calado por um tempo. Ele queria dizer a ela que não devia pensar assim, que aquele lugar era um paraíso que precisava ser aproveitado, mas não conseguiu. Ele entendia o que ela queria dizer. E sabia que, quando estivesse em Konoha, num dia de folga, e fosse à floresta para ler, não conseguiria dar um mergulho sem sentir falta da pequena Aka-chan em seus braços.

Maldição. Como era possível um sentimento como esse existir? Ele achava que já tinha experimentado a paixão, mas nada do que viveu em suas curtas experiências amorosas se comparava àquilo. Ele não conseguia tirar Keiko de sua mente nem por um segundo, e isso nunca havia acontecido com as outras mulheres com quem havia estado. Cada minuto ao lado dela o fazia deseja-la mais e todas as vezes que os olhos dela encontravam os seus, ele se esquecia de Konoha e de tudo o que havia deixado para trás. Como isso havia acontecido em tão pouco tempo?

Ele sentiu as mãos de Keiko tocarem seu rosto e fechou os olhos. Ela deslizou os dedos suavemente pelo seu nariz, pelas suas bochechas, depois pelo seu queixo, contornando seu maxilar e, por fim, tocando sua boca, fazendo o percurso da linha dos lábios. Kakashi sentiu vontade de tirar a venda dos olhos dela e deixar que ela visse seu rosto por completo, mas ainda não se sentia pronto e não sabia dizer o porquê.

— Eu sempre quis saber o motivo da máscara – ela disse e o ouviu inspirar profundamente.

Algum tempo se passou antes dele responder:

— Meu pai foi um grande ninja em nossa vila. Todos o admiravam e quando eu nasci, todos queriam que eu fosse como ele... – Kakashi fez uma pausa, pensativo, e continuou – mas eu era orgulhoso e queria que reconhecessem meu valor por meus próprios méritos, porém a sombra da grandeza do meu pai tornava isso muito difícil. Eu sempre era comparado a ele, o que piorou quando fiquei mais velho. Minha semelhança física com ele era notável e todos faziam questão de dizer isso. Foi então que decidi cobrir meu rosto. As pessoas começaram a me questionar e eu simplesmente dizia: “para vocês se lembrarem de que eu não sou o meu pai”. E assim o tempo passou e elas pararam de me comparar a ele, mas a máscara já havia se tornado parte de mim e eu simplesmente não consegui me desfazer dela.

Keiko estava extasiada. Saber daquela parte da história dele o tornava ainda mais real e a fazia se sentir ainda mais próxima dele. Ela ficou na ponta dos pés, tateou em busca dos lábios dele e o beijou delicadamente.

— Deve ter sido difícil pra você...

Ele beijou o topo da cabeça dela.

— No começo, foi. Mas acho que me saí bem como ninja e acabei conquistando meu lugar.

— Você acha? Eu tenho certeza... – Keiko sorriu timidamente, ficando um pouco corada.

— Adoro quando você fica assim – ele tocou a bochecha dela com as pontas dos dedos – vermelha.

Ela ficou ainda mais corada e ele sorriu, aproximando os lábios da orelha esquerda dela e sussurrando: — Minha Aka-chan...

Keiko deixou um breve suspiro escapar antes de se apoiar nos ombros de Kakashi para se firmar quando sentiu, pela milésima vez, suas pernas ficarem bambas por causa dele.

Kakashi ergueu o queixo dela com uma das mãos e a beijou profunda e lentamente, buscando esquecer Konoha, a dor que aumentava cada vez mais quando ele pensava em se afastar de Keiko e as dúvidas que pairavam sobre sua aparição repentina no mundo dela. Ele sentiu Keiko relaxar em seus braços e o desejo de tê-la novamente, entregue, como na noite anterior, se apoderou dele.

Ele a ergueu nos braços e, da mesma forma como a trouxera para o lago, a tirara dali, beijando-a apaixonadamente todo o tempo. Deitou-a na relva macia e acariciou seu rosto, seus braços, seu corpo...

Keiko sentiu sua pele pegar fogo em cada pedacinho que ele tocava. Seus dedos mergulharam nos fios prateados do cabelo dele, que ainda estava úmido, e ela puxou o rosto dele mais para perto do seu, faminta por seus lábios e por seu toque.

Delicadamente, ele despiu as peças íntimas que ainda a cobriam, admirando-a completamente nua, por um breve momento, antes de deitar-se ao seu lado, tomando-a em seus braços, e distribuindo carícias por todo o seu corpo. Ele era gentil e parecia saber exatamente como fazê-la se derreter.

Com o sol, as flores e a cachoeira como testemunhas, Kakashi a amou mais uma vez, se perdendo no turbilhão de sentimentos que só ela havia sido capaz de despertar dentro de si.

—x-x-x-

Nenhum sonho ou fantasia poderia ser melhor do que aquele momento que Keiko estava vivendo. Ela e Kakashi estavam deitados na grama, abraçados, e o calor do corpo dele colado ao seu impedia que ela sentisse frio, mesmo com a brisa que soprava sobre sua pele nua. Tinha pousado a cabeça no seu ombro enquanto ele brincava preguiçosamente com uma mecha de seus cabelos.

A mão de Kakashi desceu até a camisa que ainda vendava os olhos de Keiko e ele disse:

— Isso deve estar te incomodando.

Ela assentiu timidamente e, com cuidado, Kakashi se afastou e se levantou. Menos de um minuto depois ele voltou e ajudou Keiko a se sentar, tirando a venda dos seus olhos. Keiko piscou, acostumando-se à claridade repentina, e viu o rosto mascarado de Kakashi aparecendo aos poucos à medida em que sua visão ia ficando menos turva.

Ele lhe sorriu e voltou a se deitar na grama, trazendo Keiko mais uma vez para o aconchego do seu abraço. Ela notou que ele tinha colocado apenas a máscara — e nada mais — e sentiu seu rosto arder em brasa.

Nas duas vezes em que se entregara a ele, estava privada do sentido da visão. Mas agora, exceto pelo rosto dele, que estava coberto, Keiko podia ver o seu corpo desnudo, e aquela imagem era de tirar o fôlego.

Tentando se concentrar em outra coisa que não nos músculos bem definidos do corpo de Kakashi, ela ergueu uma das mãos e tocou o tecido da máscara. Estava um pouco decepcionada por ele ainda esconder o rosto, mesmo que tivessem compartilhado o mais alto grau de intimidade que Keiko conseguia imaginar ser possível entre duas pessoas. Mas ela não diria nada a ele. Kakashi devia ter seus motivos para ainda usar a máscara diante dela, e Keiko achava que devia respeitar as decisões dele. Se um dia ele lhe mostrasse seu rosto, seria por vontade própria.

Desceu a mão, pousando-a em seu peito, e ficou sentindo as batidas ritmadas do seu coração. Ela não conseguiu evitar o pensamento de que cada batida era um segundo a menos do curto tempo que ainda tinha ao lado dele. Um suspiro escapou de seus lábios e ela sentiu a mão de Kakashi envolver a sua e apertá-la carinhosamente.

Keiko não precisava dizer nada para que ele soubesse no que ela estava pensando. O suspiro que ela deu foi o suficiente para que ele tivesse certeza de que Keiko remoía a ideia de que ele voltaria para Konoha em algum momento. Também foi difícil para ele conter a onda de tristeza que subitamente o abateu quando ele pensou nesse retorno. Não era para ser assim. A ideia de voltar para casa deveria ser sua esperança, ao invés de um martírio do qual ele estava se esquivando, tentando esquecer ao se perder nos beijos e nas curvas do corpo de Keiko.

— Você está com fome? — Ele tentou desviar a atenção de ambos para um assunto mais corriqueiro e menos doloroso.

A pergunta a pegou de surpresa e ela hesitou um pouco antes de responder:

— Hã... Não muito... Você está?

— Um pouco.

Ela fez menção de se levantar para buscar a comida que estava na mochila, mas ele a impediu.

— Deixe isso comigo.

Keiko observou Kakashi se levantar e caminhar até a mochila, voltando pouco depois com os dangos que Mizuki havia preparado e duas garrafinhas de suco.

Ele parou diante dela e admirou o contraste da pele clara e rosada de Keiko contra o verde da relva. Notando que ela estava envergonhada, disse:

— Você é linda... — e se ajoelhou ao lado dela, equilibrando as garrafinhas de suco na relva e colocando o prato com os dangos ao lado — mas sei que ficará mais confortável quando se vestir — então se levantou novamente e recolheu as roupas que estavam caídas no chão.

Depois de se vestirem, sentaram-se de costas um para o outro enquanto comiam. Quando terminou o último bolinho, Kakashi recolocou a máscara e sentou-se ao lado dela.

— O que quer fazer agora?

Ela pareceu pensar um pouco antes de dizer:

— Não há mais nenhum paraíso secreto que eu queira te mostrar — um sorriso sem graça apareceu em seu rosto. — Acho que podemos voltar pra casa...

—x-x-x-

Quando eles se despediram de Mizuki e Nobu e voltaram para o apartamento de Keiko, o dia já estava chegando ao fim.

Keiko terminou de pentear os cabelos recém lavados e se deitou na cama, enquanto Kakashi tomava seu próprio banho. Pegou o celular e notou que havia uma mensagem de Aki.

"Já falei com o Akira e ele topou. Precisamos nos ver para acertar os detalhes. Acha que consegue se separar do seu ninja mascarado por uma horinha para conversarmos?"

Keiko quase havia se esquecido do plano de fazer com que Akira se passasse pelo empresário de Kishimoto para enganar Kakashi. De repente ela se sentiu mal por esconder tanta coisa dele, mas decidiu se manter firme em sua decisão. Não correria o risco de que ele a odiasse se soubesse da verdade. Muito menos agora que eles estavam tão próximos. Ela queria guardar lembranças de seu Kakashi apaixonado, mesmo que isso significasse sofrer mais quando ele se fosse. Mas se ele a odiasse por ter lhe enganado todo esse tempo, ela sabia que seria destruída por dentro.

Olhou para a tela do celular e digitou:

"Amanhã pela manhã nos encontramos no IPF. Leve o Akira com você."

Uma batida discreta na porta do quarto a sobressaltou. Kakashi entrou logo depois, com os cabelos ainda molhados, cheirando a sabonete, e encostou-se na parede, ao lado da porta, cruzando os braços.

Keiko se esforçou para voltar ao momento presente, colocou um sorriso no rosto e disse:

— Que tal uma sessão de filmes hoje à noite?

Um sorriso apareceu debaixo da máscara e ele retrucou:

— E onde seria isso?

— No sofá da sala.

— Hmmm... — o olhar dele ficou malicioso, e ela sentiu o já familiar arrepio eriçar os pelos do seu corpo. – Tenho uma utilidade muito melhor para o sofá da sala...

A boca de Keiko se abriu em um perfeito “O”, seu rosto pegou fogo, como de costume, e ela não conseguiu dizer nada. Kakashi caiu na gargalhada.

— Eu nunca vou me cansar de te provocar... – Ele piscou um dos olhos, apagou a luz do quarto e caminhou sorrateiramente em sua direção. Sussurrando em seu ouvido, completou – E nunca vou me cansar da tentação de ter você outra vez...

***

Notas finais
Saudades de todos vocês. :*