Fantasia
15 Capítulo 10 – Perguntas e Respostas (Parte II)
Notas iniciais
Ahh!! Muito obrigada a todos que adicionaram Fantasia aos seus favoritos, e todos os que estão acompanhando a história! *-* Sei que nem todos deixam comentários (é hora de mostrar as caras, hein? hehehehe), mas é muito legal ver que o número de acompanhamentos está crescendo! *-*
Queria agradecer também a Erla Salvatore Cullen, que deixou uma recomendação linda! Fiquei emocionada! :') E também queria comemorar com vocês os 88 comentários!!! Uhuull Quero chegar na marca dos 100 essa semana, hein? ehehe Bom, eu adoro bater papo com vocês, mas como eu já disse antes, a atualização desta semana está... interessante. Ehehehe Então bora mergulhar nessa leitura, meu povo! XP
Naruto e seus personagens não me pertencem! Peguei emprestado de Kishimoto Masashi-sensei. *reverência*
Capítulo 10 – Perguntas e Respostas (Parte II)
“Não procure pelas respostas que não podem ser dadas,
pois você não seria capaz de vivê-las”
(Rainer Maria Rilke)
Keiko começou a conversa com a Miko falando sobre a sua angústia. Não achava correto esconder de Kakashi as informações que tinha sobre quem o havia trazido a esse mundo e sobre como ele poderia voltar. Porém, o medo de que ele a odiasse era tanto, que não conseguia revelar-lhe nada. Além disso, achava melhor que ele voltasse para casa, pois acreditava que ele não seria feliz nesse mundo, longe da sua vila, dos amigos e do seu trabalho como ninja.
A Miko ouviu tudo pacientemente, concordando com a cabeça de vez em quando, mas sem demonstrar surpresa em nenhum momento.
Quando Keiko perguntou sobre a possibilidade de ir para o mundo de Kakashi, ela deu um longo suspiro e falou em um tom triste:
- Então você ainda não percebeu...
Keiko franziu as sobrancelhas.
“Não percebi o quê?!”
Aquele era um comentário muito estranho.
- O que eu deveria ter percebido? – Perguntou, sentindo uma pontada de desespero soar em sua voz.
- Certas coisas precisam ser descobertas por nós mesmos, criança. – Disse a Miko, encarando-a com um olhar enigmático, e Keiko lembrou-se que Aki havia lhe dito algo semelhante. Mas que raios de ditado era esse que todos adoravam repetir?
- Não estou entendendo. O que supostamente eu deveria ter percebido e que tem a ver com minha ida para o mundo dele?
Ela estava exasperada e sentindo-se nauseada. Ela esperava uma resposta direta, algo concreto, mas a Miko estava silenciosa e misteriosa demais.
- Por favor, me diga alguma coisa... – Suplicou.
- Eu não posso fazer isso duas vezes... – A Miko disse, balançando a cabeça e esboçando uma expressão de tristeza. – É proibido e perigoso. – Completou, pensativa.
Essa resposta era tão obscura quanto a anterior, mas a presença do “não posso” foi suficiente para que Keiko compreendesse o que ela significava. Não poderia ir para o mundo de Kakashi.
A Sacerdotisa ficou em silêncio, observando atentamente a mulher sentada à sua frente. Seus olhos estavam tão envoltos em mistério quanto as suas palavras. Ela estudou as reações de Keiko, notando que sua respiração estava acelerada, que os olhos haviam se enchido de lágrimas e que suas mãos se entrelaçavam com força.
- Veja minha filha, eu compreendo você. – Ela disse, quebrando o silêncio pesado, sentindo piedade por aquela jovem mulher. – Sua intenção é nobre e devemos esperar decisões como esta de uma garota como você. O sofrimento é uma condição passageira. Toda dor desaparece em algum momento na vida.
Keiko não sentia mais o chão sob a almofada em que se sentava. Não importava mais o que a Miko tinha para dizer, nada poderia consolá-la. Seu estômago estava pesado e frio, como se tivesse engolido dezenas de pedras de gelo. Ela estava em choque. Sabia que essa resposta era uma possibilidade, mas afinal, quem está pronto para sofrer?
A Miko encheu novamente os copos de chá e fez sinal para que ela bebesse. Keiko deu um golinho tímido, agindo automaticamente. Seu raciocínio estava turvo pela realidade cruel de não poder seguir com Kakashi para Konoha.
O chá desceu morno e suave pelo seu peito, e logo depois aninhou-se em sua barriga, dissolvendo alguns cubos de gelo e aquecendo-a por dentro. Então, as lágrimas que estiveram presas nos cantos dos seus olhos rolaram livres, abundantes, molhando seu rosto.
Era vergonhoso e humilhante chorar assim na frente de uma desconhecida, mas ela não estava se importando com isso.
- Volte para casa, criança. – Aconselhou a Miko. – Aproveite o tempo ao lado de quem você ama. Viva cada dia ao lado dele como se fosse o último.
A Miko enfatizou a última frase, lançando um olhar significativo para Keiko.
- Volte a me visitar no domingo da lua cheia deste mês, no fim da tarde. Os astros estarão favoráveis para você realizar o que realmente deseja.
Keiko balançou a cabeça, concordando, sem conseguir formular frases ou ações mais complexas, pois sentia-se como que anestesiada.
- Não se esqueça, minha jovem: viva intensamente cada minuto ao lado dele.– A Miko repetiu e levantou-se devagar, apoiando-se na mesinha de madeira. Ela tossiu algumas vezes. – Ah a velhice... Uma perseguidora implacável. – E, sorrindo, acompanhou Keiko até a porta.
Quando a ruiva fez menção de sair, a sacerdotisa deteve-a, segurando-lhe o braço.
- Diante da dor da perda, descobrimos o que realmente sentimos. Reflita sobre o que eu lhe disse. As dúvidas são uma dádiva, não um castigo. Deixe o tempo correr livremente e ele lhe trará as respostas.
Elas se despediram. A Miko fechou a porta da sala e Keiko se viu sozinha no saguão do templo. A brisa ainda soprava, balançando os sinos do vento espalhados pelo templo. Ela sentou-se no banco de madeira em frente ao jardim. A Miko era como um poço de sabedoria e, embora Keiko estivesse confusa com tudo o que ela havia dito, algo lhe dizia para confiar nela. Com um longo suspiro, secou as lágrimas e tentou se recompor o melhor que pôde, antes de voltar ao lugar onde havia estacionado o carro.
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Ela caminhou de cabeça baixa até a metade do caminho e, quando ergueu os olhos, aquilo que viu tirou o seu fôlego.
Kakashi estava encostado preguiçosamente no carro, de braços cruzados, com o olhar perdido no horizonte alaranjado pelo pôr do sol. Seus cabelos ondulavam suavemente com o vento, refletindo o dourado daquele fim de tarde.
Ela sabia que ele estava ouvindo seus passos. Kakashi era um ninja experiente e muito bem treinado, mas ele continuou a observar o céu, e só desviou os olhos do entardecer quando Keiko parou ao seu lado, encostando-se no carro também.
- Demorei mais do que devia... – Ela disse, em tom de desculpas.
- Não se preocupe com isso. As nuvens são companhias interessantes. – Ele falou, voltando a encarar o céu. – Elas sempre têm algo para nos mostrar.
Dizendo isso, apontou para um conjunto de nuvens que estavam com uma coloração rosada por causa do entardecer. Keiko olhou na direção que ele indicava, analisando as nuvens. Uma delas tinha um formato que lembrava um coração.
“Um coração?!” – O pensamento fez sua pulsação se acelerar.
Ela olhou para o chão, sentindo o rosto corar.
- Elas são como o espelho da alma. Nós vemos aquilo que queremos ver. – Ele continuou e voltou a olhar para ela. – O que você viu, Aka-chan?
A pergunta pegou Keiko desprevenida. O que dizer? Seus olhos voaram para os dele e ela sentiu a intensidade que emanava deles. E eles pediam que fosse sincera.
- Eu vi o meu coração. – Respondeu e desviou o rosto, envergonhada.
Kakashi notou tristeza em sua voz.
- Me parece que você não gostou do que viu... – Ele disse, e o seu tom era grave e profundo.
Keiko suspirou.
- Eu não gostei. – Ela murmurou e apontou para a nuvem com formato de coração. – Veja, Kakashi-kun. Ele está se partindo...
A nuvem estava se desfazendo, levada pelo vento, e quando Kakashi localizou o ponto para onde a ruiva apontava, viu um coração borrado e quase sem forma. Ele entendeu o que aquilo significava: ela estava sofrendo – como ele – pois sabia que a diferença de mundos era um grande obstáculo para este amor.
Era tão difícil lidar com aquela situação. Kakashi nunca havia imaginado que um dia passaria por algo assim. Sempre colocava sua condição de ninja acima de qualquer relacionamento, mas desta vez...
Kakashi ainda tinha receio em falar sobre o que sentia. Era como admitir uma grande fraqueza, embora soubesse que todo homem corre o risco de cair nas armadilhas do amor. Mas, ao notar a expressão de sofrimento que estava estampada no rosto da sua Aka-chan, ele decidiu que era hora de desistir dessa luta. Havia chegado o momento de se render ao coração.
Keiko sentiu a mão de Kakashi deslizar na sua, encaixando seus dedos com perfeição. Ele ficou de frente para ela e, delicadamente, puxou-a para perto de si, envolvendo-a num abraço. A surpresa foi tão grande que, de início, Keiko não conseguiu reagir. Porém, logo depois, ela afundou o rosto no peito do seu shinobi mascarado, e as lágrimas correram pelo seu rosto, perdendo-se no tecido escuro da camisa dele, num choro silencioso.
Kakashi depositou um beijo carinhoso nos seus cabelos, apertando-a ainda mais contra si. Então colocou seu dedo indicador no queixo dela e, muito suavemente, fez com que ela erguesse o rosto e olhasse para ele. Com o polegar, secou uma lágrima de sua bochecha.
Havia tanta coisa a ser dita. Tantas explicações a serem dadas. Tantas perguntas a serem respondidas. Mas, algumas vezes, o silêncio consegue ser o melhor dos diálogos.
Ele inclinou a cabeça e encostou sua testa na de Keiko, fechando os olhos.
A maneira como ela havia invadido o seu coração era impressionante. Ela chegou como um tsunami, devastando em pouco tempo, todo o autocontrole desenvolvido em anos de treinamento. Ele nunca havia vivenciado nada sequer parecido com isso. Era intenso demais.
Os olhos de Keiko se fecharam automaticamente, assim que ele aproximou o rosto do seu. Naquele momento, ela se esqueceu do mundo e dos seus problemas. Todos os seus sentidos se concentraram no homem que lhe abraçava.
Ele encostou a ponta do nariz no dela e sentiu sua respiração morna, doce, convidativa. Devagar, selou seus lábios com um delicado beijo.
Keiko sentiu seus joelhos amolecerem, mas os braços de Kakashi estavam ao redor da sua cintura, apoiando-a, impedindo que caísse. O perfume dele era delicioso, inebriante, e sua respiração era como uma carícia em sua pele. O tecido da máscara era macio e não impedia que ela sentisse os lábios dele pressionando de leve os seus.
Eles ficaram, assim, abraçados, conectados por aquele beijo delicado e cheio de sentimentos, durante um tempo imensurável, até que a razão de Keiko abriu a cortina do sonho e gritou em seu ouvido:
“Ele vai embora para sempre.”
Um sinal de alerta soou em sua mente, dizendo-lhe que seria muito pior suportar a separação se ela se entregasse ao desejo de tê-lo. Estava convicta de que o retorno dele a Konoha era a melhor opção e não desistiria disso agora. Reunindo forças, ela colocou as duas mãos no peito de Kakashi, e delicadamente o empurrou, num pedido silencioso para que ele se afastasse. As lágrimas voltaram a cair quando ele afastou o rosto do seu, e ela desviou os olhos, envergonhada.
- Você vai voltar pra casa um dia, Kakashi-kun... – Justificou-se.
Ele passou uma mão pelos cabelos, arrepiando-os. Ele sabia disso e aquilo soava quase que como uma tortura.
- Aka-chan. – Chamou, segurando-a pelo queixo com carinho, fazendo com que voltasse a olhar para ele. – Venha comigo...
Aquele pedido atingiu-a em cheio. O seu coração explodiu em milhares de pedacinhos, deixando apenas um vazio profundo e doloroso em seu peito. Ouvir Kakashi fazer esse convite, de forma tão sincera e suplicante, fez com que a resposta da Miko se tornasse dez vezes mais insuportável.
“Não posso fazer isso duas vezes...”
A voz da velha sacerdotisa não parava de ecoar em sua mente, repetindo esta frase de novo e de novo, aumentando a ferida que sangrava em seu coração. Keiko não sabia como negar o convite, sem contar a ele sobre a Miko.
- Eu não posso...
Ela disse, ocultando os motivos, na esperança de que ele não desejasse saber o porquê.
No fundo, Kakashi compreendia sua decisão. Keiko tinha uma vida inteira em seu mundo, assim como ele tinha sua vida em Konoha. Porém, sua razão não conseguiu sufocar a nuvem de tristeza que o envolveu, fazendo-o ficar em silêncio, com o olhar abatido.
Keiko sentiu frio quando ele afrouxou o abraço e se afastou. A tarde já havia ido embora e as estrelas brilhavam no céu, anunciando a noite que acabava de chegar. A sensação de não saber o que dizer nem como agir era horrível. Ela precisava de um tempo para digerir tudo o que estava acontecendo e só havia um lugar para onde desejava ir agora: o seu quarto.
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~~Glossário dos Termos Japoneses~~
Aka no Onna: Mulher de Vermelho.
Miko: Sacerdotisa, mulher xamã, médium, profeta.
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