Fangirl-ily

9 8. Ressaca, café e vizinhos simpáticos


Notas iniciais
Oie, gente! Tudo bem? Fiz uma enquete no Twitter, falando que eu estava com o capítulo pronto, mas que ainda não tinha terminado de responder os reviews dos dois capítulos anteriores (coisa que estou fazendo agora) e, como a grande maioria pediu que eu postasse antes de responder e, também, levando em consideração o fato de que é Domingo e que a maioria das pessoas vai poder ler hoje, antes que voltem as aulas e o trabalho amanhã, decidi vir postar. Estou muito contente com a aceitação que tenho recebido, principalmente de pessoas que se identificaram com a confusão da Lily a respeito de sua sexualidade, na fanfic. Sei o quanto representatividade faz diferença e, infelizmente, é muito difícil de encontrar personagens principais em fanfics passando por essa fase. Levando em conta este fato, gostaria de deixar aqui meu grande agradecimento pela confiança de vocês e pelo carinho que venho recebendo! Obrigada por me apoiarem e por confiarem em mim para fazer todas essas loucuras. Vocês são os melhores! ♥ Boa leitura! ♥

[SEXTA-FEIRA — 08 DE JULHO, 2016]

— James, estamos te esperando para o- — Mas para o quê eles o estavam esperando Sirius não terminou de dizer, pois, ao entrar no quarto-estúdio, deparou-se com uma cena um tanto quanto estranha: James estava sentado, totalmente parado como se nem ao menos estivesse respirando. — Aconteceu alguma coisa?

Erguendo os olhos para o amigo, assustado, James pareceu despertar de um transe. Piscou.

— Eu... estou bem. — Disse e sua voz soou engrolada. Limpou a garganta. — O que foi?

Sirius estreitou os olhos, aproximando-se do outro, observando-o com atenção.

— A única vez que eu te vi com essa cara, foi quando Gemma te deu o fora no momento em que você a pediu em namoro na formatura. Não foi um dia muito feliz. — Sirius acrescentou, encarando-o de forma perscrutadora.

James passou as mãos pelos cabelos, olhando rapidamente para a janela e percebendo, ao voltar-se para Sirius, que havia cometido um erro. O amigo acompanhou o seu olhar, a expressão de surpresa sendo substituída imediatamente por um sorrisinho maroto no canto de seus lábios.

— Oh. — Sirius murmurou e então sentou na cadeira em frente à de onde James estava antes de inclinar-se em sua direção, interessado. — Apreciando a vista,Prongs? — Indagou, divertido.

James bufou, rolando os olhos enquanto tentava disfarçar a coloração avermelhada que subia pelo seu rosto. Que patético.

— Deixa de ser idiota, Sirius. Está vendo coisa onde não tem.

O sorriso de Sirius aumentou.

— E eu, por acaso, disse alguma coisa? Só perguntei se estava apreciando a vista. Você é que parece estar vendo coisas. — E indicou a janela.

James xingou-se mentalmente, sabendo que Sirius jamais o deixaria em paz até ter nada menos do que a verdade. Suspirou, recostando-se na poltrona.

— Hm, eu estava olhando pela janela...

Espionandopela janela seria a palavra certa, caro James. — James estreitou os olhos, irritando-se com o amigo.

—... e então apareceu a vizinha...

Lily.

— Com uma amiga. Ou, bem, seja lá o que elas são, de fato. — James deu de ombros, mas sentiu aquela efervescência no estômago novamente, o incomodo de pensar no que havia acabado de ver, a vontade de... Nada, James. Vontade de nada.Sirius, por outro lado, parecia extremamente interessado, como se tivesse compreendido as palavras de James bem demais.

Seja lá o que elas são? — Sirius arqueou uma sobrancelha, encarando-o, sugestivo. — O que quer dizer, James?

— Quero dizer exatamente o que eu disse, Sirius. — James resmungou, erguendo-se e se empertigando. — O que você estava falando antes de começar o interrogatório?

— Nem pense que vai fugir de mim, James Potter. — Sirius também se ergueu, seguindo o amigo para fora do quarto. — Ainda não terminei minhas perguntas.

— Mas eu terminei as minhas respostas. — James deu de ombros, sorrindo de forma convincente para o amigo.

— Você não me disse porque estava com aquela expressão de passou-um-caminhão-por-cima-do-meu-coração.

— E tem uma expressão disso? — James estreitou os olhos, fingindo-se de desentendido. Sorriu ao ver a impaciência de Sirius aumentar e então suspirou. — Não foi nada, Sirius. Elas estavam juntas e eu pensei que... bem, não sei o que eu pensei. Mas também, isso não é da minha conta. Nem da sua. — Acrescentou de forma tácita.

Sirius estava prestes a continuar com a indagação, mas, agradecendo internamente, Remus chamou-os, impaciente:

— Andem logo! O Peter está no Skype e não vai poder ficar muito tempo online.

Sem mais delongas, os dois apressaram-se, descendo as escadas em direção à cozinha, onde Remus estava em frente ao notebook. Peter sorria do outro lado da tela.

E aí, seus idiotas. — Peter disse, acenando para Sirius e James que se posicionaram em frente à câmera. — Gostaria de dizer que estou com saudades, mas isso seria uma mentira: isso daqui é maravilhoso.

Worm! Você parece até mais bronzeado. Como está o tempo por aí? — James indagou, puxando uma cadeira para sentar ao lado de Remus. Sirius empoleirou-se sobre eles.

Eles estão no inverno, mas, cara, não senti frio ainda. — Peter respondeu e então sorriu. — E a casa nova? Fiquei sabendo que tem vizinhas bonitas.

James gemeu, lançando um olhar desconfiado de Remus para Sirius. Sirius deu de ombros.

— Ele me perguntou sobre o almoço, eu só respondi.

— Meu Deus, Sirius, você ainda vai morrer porque falou demais. — James bufou, rolando os olhos para o amigo antes de voltar sua atenção para a tela. Peter esperava pela sua resposta. — Elas são bonitas. — Disse, dando-se por vencido. — Mas uma delas é comprometida e a outra...

O que tem?

— É como a encarnação de todas as coisas nerds existentes. E bonita. E muito engraçada. E um pouco louca também, mas nada que possa assustar. — Sirius disse cheio de propriedade, antes que James pudesse responder.

— É... — James murmurou, segurando-se para não responder “e gosta de meninas” na frente dos outros. Ele lembrava dela ter lhe dito que não era lésbica alguns dias atrás. E, apesar de tê-la visto beijando uma menina apenas alguns minutos antes, James preferia acreditar nas palavras dela. O porquê de toda aquela necessidade de firmar-se nas palavras da menina, não saberia dizer. Apenas queria muito acreditar que ela dissera a verdade. E, mesmo que ela tivesse mentido, se havia negado com tanta veemência significava que ela não deveria querer que todo mundo soubesse, portanto não seria James quem abriria a boca para falar de um segredo que não era seu.

— E também é a famosa ruiva do snap. — Remus acrescentou.

Peter pareceu imediatamente interessado, aproximando-se da câmera com uma expressão de curiosidade.

Oh, então ela é a estrela do snap?James, cara, o pessoal está enlouquecendo nas redes por causa disso. Aliás, você viu? Encontraram o Twitter dela e-

— O quê? — James indagou, surpreso.

— Sim, cara, isso foi... — Antes que Peter terminasse de falar, porém, James já havia puxado o celular do bolso, acessando o Twitter, apressado. Estava desde o dia anterior sem acessar sua rede social – depois de Sirius ter roubado sua senha, James acabara desistindo e, quando Sirius parecera cansar da brincadeira, ele sequer se dera ao trabalho de entrar no Twitter. Percebeu o olhar de Sirius sobre si e deu de ombros, ansioso demais diante da expectativa de encontrar o perfil de Lily para se dar ao trabalho de se defender.

Abriu as notificações, que eram muitas já que havia mais de um dia que não acessava sua conta e desceu por elas, procurando por qualquer coisa que mostrasse a ele qual era o user de sua vizinha. Sabia que deveria estar parecendo desesperado, levando em conta que ouvia as risadas de Sirius e Remus e algumas piadinhas de Peter, embora não as absorvesse por completo.

Encontrou, por fim, alguns tweets de fãs que pareciam promissores.

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@vancemme: @jonews @fangirl-ily COMO ASSIM A LILY APARECEU NOS SNAPS DO @JamesPotter?

@vancemme: @jonews @fangirl-ily MEU DEUS O @JamesPotter É MUITO GATO (embora não faça o meu tipo), LILY, SO-COR-RO! SOU SUA FÃ!

@prngs: @vancemme @jonews @fangirl-ily QUE?

@prongslife: @snapeseverus @fangirl-ily OH MEU DEUS, ESSA É A RUIVA DO SNAP do @JamesPotter?

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E vários outros mais ou menos parecidos se seguiam àqueles. A grande diferença era que havia um user, destacado entre todos, do qual James lembrava perfeitamente. O @snapeseverus era, de longe, um dos haters mais incômodos que já tivera. O garoto parecia não gostar nada dele e, apesar de não o conhecer, James não nutria muita simpatia em contrapartida. @snapeseverus costumava tuitar bastante sobre o quanto o trabalho dos youtubers era alienado e que as pessoas que os seguiam eram mais alienadas ainda. Isso para falar o mínimo.

Normalmente o garoto apenas comentava, nunca o marcando nas mentions, mas sempre citando seu nome. James sabia daquilo pois, às vezes – certo, estava diminuindo a verdade: muitas vezes – jogava seu nome na aba de pesquisa do Twitter para saber o que as pessoas estavam falando a seu respeito.

@snapeseverus geralmente estava por lá, criticando tanto ele quanto os Marauders. E muitas pessoas concordavam com ele, embora, obviamente, a grande maioria o desprezasse.

James se perguntara muitas vezes o que havia feito para o garoto detestá-lo tanto. O mais engraçado era que, apesar de não ir com a cara dele, já era de praxe dar uma stalkeada em seu perfil, só para saber qual era a mais nova crítica do menino. Sirius costumava se exaltar bastante xingando-o no Twitter, descaradamente e, embora James se divertisse com aquilo, preferia que o amigo não o fizesse. Era uma pessoa pública e não gostava de ficar dando maus exemplos ao brigar por pouca coisa na internet.

— Ei. — James interrompeu a conversa dos amigos (qualquer coisa sobre futebol). — Olhem só: parece que o @snapeseverus conhece a vizinha.

Sirius imediatamente inclinou-se sobre ele, encarando a tela do celular. Clicou sobre o ícone do garoto, entrando em seu perfil. James notou algumas mudanças, como a capa e a alteração da foto por uma paisagem com os dizeres “Voldemort é a mudança que Hogsmeade precisa”.

— Esse Voldemort não é o cara xenofóbico que apareceu no jornal ontem falando da importância da “triagem dos ingressantes na universidade de Hogwarts”? — Remus, que também estava observando, indagou.

Ei, se não se importam, gostaria de saber qual é o assunto. — Peter reclamou, remexendo-se como se quisesse atravessar a tela para ver o celular de James.

Sentindo-se culpado, James sorriu.

— Lembra do meu querido hater, Severus Snape? — James disse e Peter assentiu, interessado. — Aparentemente ele conhece a nossa vizinha.

Como ele pode conhecer? — Peter indagou. — Isso é muita coincidência, James.

Dando de ombros, James voltou a encarar o celular, embora concordasse com o amigo. Quer dizer, quem, em sã consciência, poderia pensar que Lily conheceria seu hater?

Baixou pelos tweets, franzindo o cenho para vários posts, imaginando se haveria alguém mais extremista do que ele, perguntando-se como era possível que ele, de fato, conhecesse a vizinha. Eles não pareciam ter nada em comum, desde o fato de ele odiar youtubers – e todos sabiam que Lily era fã – como a adoração dele pela política de extrema direita. Não fazia o menor sentido.

Mas lá estavam os tweets dele, citando uma tal de @fangirl-ily com letras maiúsculas.

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@snapeseverus: @jonews @vancemme @fangirl-ily COMO ASSIM NO SNAP DO @JamesPotter?

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E, antes desses, baixando ainda mais na timeline, havia outros:

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@snapeseverus: @fangirl-ily [FOTO “Motivos pelos quais não se deve amar youtubers”]

@snapeseverus: @fangirl-ily é por isso que acho um desperdício de tempo você passar tanto tempo

@snapeseverus: @fangirl-ily acompanhando caras babacas como aquele Potter

@snapeseverus: @fangirl-ily você como uma pessoa inteligente deveria estar mais interessada em coisas mais relevantes

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A sensação de surpresa seguida de completa incredulidade tomou James. Ele clicou nos tweets, esperando para ver se as respostas da @fangirl-ily apareceriam, mas, aparentemente, ou ela havia excluído o Twitter ou mudado de user. Ou, quem sabe, bloqueado para ele. Lembrando dos últimos acontecimentos, o snap e o rebuliço de “ruiva do snap” pelas redes sociais, James podia entender o porquê.

Mas ele não precisava ver os tweets da menina para saber o que dizia neles. Ele lembrava. Lembrava bem demais do perfil da garota com uma foto de Leia Organade biquíni e do fato de ter se divertido à beça com a resposta que ela dera à Snape. Ele até mesmo havia curtido os tweets enquanto comentava com Sirius!

— Meu Deus! — Ele não conseguia acreditar.

Sirius, Remus e um Peter frustrado através da tela do computador o encaravam.

Quê? Encontrou um aplicativo que encontra comida de graça? — Peter indagou e sorriu. — Que cara é essa, James?

— Eu lembro dela! Eu lembro do Twitterda Lily! — James disse, erguendo-se da cadeira sem sequer reparar na expressão assustada no rosto de Sirius.

— Como...? — Remus indagou, completamente confuso.

James lembrava de Sirius ter confirmado aquilo várias vezes, de ter insistido e até mesmo das próprias desconfianças, tanto no almoço na casa de Lily quanto nos outros encontros, quando descobrira o nome do cachorro da garota e do fato de ela parecer extremamente desconfortável ao falar com ele.

Mas nunca levara a sério.

Parecia estranho demais.

Mas, aparentemente, era a verdade.

— Porque ela é minha fã.

[SÁBADO — 09 DE JULHO, 2016]

Petunia costumava dizer que “você sabe que está muito bêbada quando admite para si mesma que está muito bêbada”. E aquele era o caso de Lily.

Totalmente zonza, apoiou a cabeça contra a parede – ou o que ela pensava ser a parede – e fechou os olhos. O que foi pior, pois fez com que o mundo parecesse entortar à sua volta.

— Lily? — Ouviu alguém chamar, mas não sabia dizer se era homem ou mulher. Na verdade, no estado que estava, sequer sabia se era humano. — Ei, Lily?

Ela voltou a abrir os olhos diante da insistência, sentindo-se como se estivesse dentro de um redemoinho, tudo girando ao seu redor.

— Por Vader, faça isso parar. — Murmurou com a voz engrolada, erguendo a mão para afastar o cabelo dos olhos. Só que não era cabelo. Era apenas o álcool fazendo com que ela não conseguisse enxergar nada com clareza. — Ai, eu estou bêbada.

— Nossa, sério? Como você percebeu? — A pessoa indagou, puxando um de seus braços para apoiar em cima de seus ombros (ou Lily pensava que eram os ombros, mas não tinha como saber de certeza, pois nada estava fazendo sentido) e a segurando enquanto a guiava para longe da parede.

Cada passo era como uma viagem para um mundo diferente. A música soava aguda em seus ouvidos, fazendo com que ela quisesse tapá-los, mas não lembrava de como mover os braços, portanto teve de aguentar todo aquele estardalhaço exaurindo o restinho de sanidade que ainda havia nela.

Quando a pessoa a fez parar de andar, empurrando-a para dentro do que só poderia ser um carro, Lily respirou fundo, tentando acalmar os pensamentos turbulentos.

— Lily? Está me ouvindo? — A pessoa voltou a chamá-la.

Fazendo um esforço hercúleo, Lily encarou-a, estreitando os olhos para clarear a vista. Demorou alguns segundos até conseguir focar na face preocupada de Emmeline Vance.

— Emme. — Ela disse e piscou com força, o que ajudou um pouco para enxergar melhor. — Estou bêbada. — Repetiu.

Emmeline sorriu.

— É, você está. E foi uma péssima ideia te deixar beber. Você, obviamente, não está acostumada. — Disse. — Eu já chamei a Alice e o Frank. Você vai ir para a casa dele até melhorar.

— Acho que... é uma boa ideia. — Lily soluçou. — Desculpe... por isso.

Emmeline riu.

— Sério? Eu me diverti demais essa noite. Você foi ótima. Da próxima vez eu vou te deixar longe das bebidas. — E então, aproximando-se, deu um beijo rápido nos lábios de Lily, afastando-se para sair do banco traseiro. — Alice chegou. Boa noite, Lily.

Lily não respondeu, franzindo o cenho enquanto tentava entender tudo o que havia acontecido durante a noite.

— Hey, Lil’. Você vai precisar de uma ótima noite de sono. — Alice riu, voltando-se para o banco de trás, olhando para Lily com a expressão divertida.

Lily tentou concordar com a afirmação, mas somente um resmungo engrolado escapou de seus lábios e então Frank deu a partida no carro e ela apagou.

X—X

A dor de cabeça era atordoante. Fazia com que até mesmo abrir os olhos fosse dolorosamente difícil.

Lily gemeu.

— Bom dia, Lil’. — Alice disse, aproximando-se do sofá onde Lily estava deitada com um sorriso no rosto. — Parece que está com um pouquinho de dor de cabeça. — Brincou e então esticou um copo e duas pílulas na direção da amiga.

Sem questionar, Lily ergueu-se do meio das almofadas, sentindo a cabeça como se estivesse cheia d’água. Pegou o copo e os comprimidos e tomou-os rapidamente, respirando aliviada quando sentiu o líquido gelado descongestionar sua garganta.

— Obrigada. — Murmurou com a voz rouca. Limpou a garganta e tentou de novo: — Obrigada.

Alice assentiu e então sentou ao seu lado, encostando-se na almofada e voltando-se para Lily.

— E então? — Indagou, curiosa.

Franzindo o cenho, Lily tentou entender sobre o que ela estava falando, mas ainda havia muito álcool em sua corrente sanguínea para que pudesse discernir qualquer coisa em sua voz.

— E então o quê? — Questionou, sentindo uma fisgada atrás de seus olhos. Gemeu.

— Ora de que! E então o que você achou da Emmeline? Você descobriu? — Alice perguntou rapidamente, parecendo excitada e curiosa demais para o gosto de Lily. Seus olhos brilhavam.

— Ah... isso. — Lily murmurou e então suspirou, tocando sua fronte, imaginando se faltava muito para morrer, porque a dor era forte demais e ela não queria sofrer tanto nos últimos instantes de vida. — Hm... — Procurou as palavras para dizer, imaginando se era assim tão complicado dizer aquilo ou era apenas o álcool que estava afetando demais a sua mente. — Eu gostei. — Disse, por fim.

Alice deu um gritinho, como se tivesse acabado de ouvir sobre uma promoção de botas na Chanel.

Lily estremeceu.

— Por Vader, não faça isso. — Resmungou, encarando a amiga de forma irritada. — Sinto como se tivessem vários Wookiees dentro da minha cabeça falando e falando e falando sem nunca parar. — Disse e Alice riu.

— Meu Deus, você é fraca demais para bebidas. Eu acho que você bebeu o quê? Três copos de vodca com energético?

— Na verdade foram dois. E outro de alguma coisa que não lembro. — Estremeceu novamente, sentindo o estômago apertar. Respirou fundo. E então fez uma careta. — Ugh! Eu preciso de um banho, por Vader. Parece como se eu tivesse mergulhado em uma piscina de álcool e cigarros.

— Não está de todo errada. — A amiga disse. Frank apareceu no final do corredor, abrindo um sorriso divertido ao ver Lily acordada.

— Veja se não é a Bêbada Adormecida. — Ele brincou, fazendo Lily bufar. — Sem ofensas, Lily, mas parece que um caminhão passou por cima de você.

— Frank! — Alice reclamou, mas Lily riu.

— Você está diminuindo a verdade, Frank. Na verdade, é como se um exército de Ewoks tivessem me esfolado viva e deixado os pedaços para trás. — Ela brincou, afastando-se com alguma dificuldade do meio das almofadas, sentindo-se levemente zonza ao ver tudo girar a seu redor. Frank a segurou. — Eu preciso de um banho.

— Por aqui, senhorita. — Ele disse, conduzindo-a até a terceira porta a esquerda no corredor, abrindo-a para que Lily entrasse. — Tem toalhas no armário. Allie vai ver uma roupa para você.

Lily assentiu, agradecida.

Aquela era a segunda vez na vida dela em que ficava bêbada e, de longe, era a pior. Na primeira vez, Lily tinha dezesseis anos e havia acabado de sair de um relacionamento nada estável com Amos Diggory. Marley e Dorcas – uma de suas melhores amigas que, infelizmente, se mudara para Londres dois anos atrás – insistiram para que ela saísse. E então a arrastaram para uma balada. Lily não tinha virado nem duas doses de tequila e já estava se sentindo nas nuvens. Duas horas depois, estava atirada na grama, sentindo o mundo inteiro girar ao seu redor. Não conseguia lembrar como havia voltado para casa, só sabia que seu quarto inteiro estava cheio de vômito. Fora uma das piores brigas que teve com sua mãe, mas, pelo menos, não havia sentido tanta dor de cabeça como naquele momento.

Suas têmporas latejavam como se um exército estivesse marchando por ali. Soltou um gemido quando a água quente caiu sobre ela, aliviando um pouco a tontura.

— Por Moriarty, nunca mais vou beber. — Resmungou, apoiando-se na parede e ficando quieta, deixando a água cair e lavar a zoeira de sua mente.

Ficou um bom tempo ali, esfregando-se o máximo que podia, sentindo sua pele arder, até que não sentisse mais o cheiro de álcool exalando de si. Queria evitar eventuais conflitos entre ela e a própria mãe.

Ao pensar em sua mãe, Lily estremeceu. Justo quando Helena Evans começava a pensar que ela gostava de meninos, ela foi lá e decidiu se aventurar entre meninas. E gostou.

Não sabia exatamente como reagir àquilo. Lembrava quase perfeitamente de tudo o que fizera na noite anterior, mesmo que algumas partes parecessem bagunçadas em sua cabeça. Lembrava de dançar, de beber, de se divertir. Lembrava de Alice e Frank rindo e se balançando ao som da música. Lembrava do sorriso de Emmeline e da forma como ela se sentia inebriada com a presença dela. E do gosto dos lábios da garota.

Mas, embora tivesse gostado de beijá-la, não sabia como reagir diante daquilo. Emmeline era uma garota legal com quem convivera boa parte da vida, tendo sido colega no colegial. Mas daí a gostar dela como possível namorada? Certo, gostara de beijá-la, mas aquilo indicava que era lésbica? Ou, como Sirius, que era bissexual?

Suspirou, sentindo-se muito melhor do que minutos atrás.

— Seja o que for, pelo menos eu tive uma noite ótima. — Resmungou consigo mesma, sorrindo enquanto pegava a roupa que Alice havia deixado pendurada para ela. Era uma camiseta larga, obviamente do Frank, mas era de Star Wars, o que fazia com que ela automaticamente aumentasse o nível de Frank na sua consideração. Colocou a calça jeans de Alice, que, graças a Vader, era do tamanho certo e enfiou as sapatilhas nos pés. Encarou-se no espelho. — Ugh, a noite pode até ter sido ótima, mas essa sua cara... Vader, Lily, parece que rolou no asfalto. — Bufou, entretanto, como não havia nada a fazer a não ser aceitar que seu rosto não seria um dos mais bonitos que as pessoas veriam naquele dia, deu de ombros.

Saiu do banheiro, sentindo-se renovada.

— Bem melhor. — Alice disse. — Marley disse que vai ir no shopping hoje à tarde. Vou encontrá-la lá. Quer ir junto?

Lily negou.

— Tudo o que eu quero no momento é chegar em casa e ficar lá, sobre a cama, sem mover um único músculo todo o dia.

X—X

Então, talvez, Lily não estivesse totalmente recuperada do álcool. Sentia-se furiosa quando, pelo que parecia ser a milésima vez, tentou encaixar a chave no portão de casa e não conseguiu. Apertou o botão do interfone – também pela milésima vez.

— Petunia Evans, abra essa porcaria! — Esbravejou, mas novamente, não obteve respostas.

Quando, por fim, deixou a chave cair no chão, recusou-se a abaixar-se para pegá-la. Sentia como se fosse cair no choro a qualquer momento. Ergueu os olhos para o segundo andar, pensando em sua cama e na Netflix...

Tão perto, mas tão longe. — Murmurou e apoiou a cabeça, que estava latejando, contra as grades do portão. Foi bom. A frieza do metal aliviou um pouco a dor, fazendo com que ela fechasse os olhos e respirasse fundo.

— Problemas com a chave? — Porque, é claro, ele tinha que aparecer bem ali, justo naquele momento.

Desencostou-se do portão, voltando-se para encarar seu vizinho.

— Eu poderia falar mil coisas sobre o quanto você parece se materializar nos meus piores momentos, mas eu estou com muita dor de cabeça e, pela força, você pode, por Vader, abrir o portão para mim? — As palavras, como sempre, escaparam de sua boca, impulsivas demais e, talvez fosse o álcool, mas ela não conseguiu se importar. Na verdade, sentia-se aliviada por alguém ter aparecido e que, com certeza, teria mais sucesso do que ela ao tentar abrir o portão.

James Potter sorriu, divertido, e abaixou-se para pegar a chave, encaixando-a com uma facilidade Jedi no portão. E, como se fosse mágica, eles abriram.

— Graças a Vader.

— Você quis dizer “graças a James”. — Ele acrescentou, sorrindo ainda mais.

Lily piscou, imaginando se estaria vendo coisas, mas, por Vader, James Potter estava ainda mais bonito naquele dia. Talvez fosse a barba rala ou os óculos meio tortos em seu rosto. Ou ainda seus cabelos totalmente bagunçados que faziam com que Lily tivesse vontade de passar a mão por ali e puxá-lo para...

Bem, ela definitivamente não era lésbica.

— Obrigada. — Ela disse, por fim, sentindo-se constrangida devido aos pensamentos impuros que preenchiam sua mente.

— Disponha. — Ele respondeu e inclinou a cabeça. — Mais alguma porta para abrir?

Lily estava prestes a negar, mas lembrou que ninguém havia respondido no interfone o que só podia significar duas coisas: seus pais haviam saído com Petunia ou sua irmã não estava a fim de abrir a porta para ela, pois queria vê-la sofrer a ressaca como uma vingança. Logo, a porta da frente deveria estar trancada também.

— Na verdade, tem sim. — Disse, xingando-se mentalmente por deixa-lo encontrá-la naquele estado.

James, por outro lado, parecia estar adorando tudo aquilo, praticamente correndo na frente dela para abrir a porta.

— É a chave quadrada. — Ela murmurou para ele, sentindo a cabeça doer novamente. O garoto assentiu, fazendo a mesma mágica na porta de entrada e puxando-a para que Lily pudesse entrar.

— Obrigada. — Ela voltou a dizer, assim que entrou em casa. — Você provavelmente me salvou de ter de passar o dia inteiro na frente de casa, sonhando com a minha cama e Netflix e ouvindo os resmungos do Sr. Tom Riddle.

— Oh, o vizinho da frente? — James, que havia entrado atrás dela, indagou. Lily assentiu, ainda muito zonza para se importar com o fato de que, pela segunda vez em menos de duas semanas, James Potter, o Prongs, estava dentro de sua casa. — Ele parece ser bem legal. Quando não está reclamando.

Lily riu, passando a mão pela testa.

— Ele está sempre reclamando. — Disse.

James sorriu em resposta e então olhou para os lados.

— Está sozinha? — Indagou. — Ou sua família está em casa?

Lily voltou os olhos para o seu redor, finalmente prestando atenção no silêncio ali presente.

— Hm, acho que meus pais devem ter saído. — Disse. — E Petunia... — Mas interrompeu-se, sentindo-se imediatamente alerta. — Mas que merda, Tuney!

Sem responder à pergunta clara estampada no rosto de James Potter, Lily correu para as escadas, xingando levemente quando tropeçou no terceiro degrau, apressando-se até a porta do quarto de sua irmã.

— Tuney! — Bateu fortemente contra a madeira, impaciente. — Tuney! Abre essa porta! Mas que mer... PETUNIA EVANS! — Voltou a bater, tentando abrir a porta sem sucesso. — Argh!

— Hm, está tudo bem? — Lily soltou um palavrão, que teria feito sua mãe ficar de cabelos em pé, ao ver James Potter parado ao seu lado. Sem parecer nada constrangido por tê-la seguido até ali, o garoto deu de ombros. — Fiquei preocupado que você caísse das escadas e te segui até aqui.

— Ah... — Lily não soube o que dizer. — Obrigada? — Foi mais uma pergunta do que uma afirmação.

— Sua irmã está bem? — Ele perguntou, ignorando seu agradecimento. — Parece preocupada.

Lily assentiu, suspirando fortemente em seguida, irritada.

— Vernon, você lembra dele? Então, ele terminou com ela. Passei a semana inteira impedindo-a de ligar para aquele babaca, mas... — Suspirou novamente. — Só espero que ela não faça nada de que se arrependa depois.

— Nossa, me desculpe, eu... pensei que eles estavam bem. — James murmurou, parecendo confuso.

— Todos pensávamos. — Ela disse e deu de ombros. E xingou novamente ao fazê-lo. — Oh, por Vader. — Colocou as mãos na cabeça. — Preciso de café. — Disse e, sem esperar para ver o que o garoto iria fazer (provavelmente segui-la, afinal parecia ser o que ele fazia de melhor nos últimos dias), voltou a descer das escadas, com mais cuidado, e foi até a cozinha, colocando a água para esquentar enquanto abria o armário onde guardava seus preciosos potes de café.

— Meu Deus! Eu pensei que fosse o único que gostasse de café havaiano! — James, novamente parecendo surgir das sombras, disse, encarando-a com os olhos arregalados. — E você tem o da Albânia também! Céus, esse armário parece a consolidação de meus sonhos cafeinísticos.

Precisando se segurar para não soltar uma exclamação muito constrangedora, Lily sentiu as bochechas esquentarem tremendamente ao lembrar do porquê de ter tantos tipos diferentes de café dentro daquele armário. Era por causa dele e de suas centenas de vídeos em que falava e tomava café, ressaltando a maravilha que era aquele líquido, que havia tudo aquilo ali. James devia a ela mais do que apenas meses de salário. Devia também muito cálcio que a cafeína havia corroído em seus ossos. E, claro, muitas horas de sono, já que havia maratonado não apenas uma, mas várias vezes todos os seus vídeos sobre o assunto.

Sabendo que deveria estar parecendo uma retardada por ficar ali, apenas encarando-o, Lily sorriu, sem graça e puxou um de seus cafés favoritos.

— Quer também? — Lily perguntou, observando a expressão no rosto do garoto. Era como abrir um pacote de biscoitos na frente de uma pessoa esfomeada. Não, na verdade, era como abrir um pacote de café na frente dela mesma.

— Seria maldade se não me oferecesse. — Ele disse, tão facilmente que ela paralisou de novo.

— Você é sempre tão sincero assim? — Ela perguntou, mas colocou-se nas pontas dos pés para pegar duas canecas na parte de cima do armário.

— Na verdade sim. — O garoto respondeu, parecendo imensamente cômodo ao sentar-se junto à bancada da cozinha, observando-a.

Sentindo-se impressionada com a naturalidade dele, colocou o café dentro das canecas, batendo-os levemente antes de jogar a água em cima.

— Você quer com açúcar? — Perguntou, sentindo as bochechas esquentarem ainda mais.

— Não, obrigado.

Pegando as duas canecas, levou-as até a bancada, pegando a sua e colocando-a entre as mãos, aproveitando o calor que produziam em seus dedos.

— Está ótimo. Qual foi a quantidade de pó de café que você colocou aqui? Porque o que eu faço não fica com esse gosto. — James indagou, realmente interessado no assunto.

— Três colheres de sopa cheias. Mas isso depende da marca, você sabe. Já comprei algumas que tinha que colocar quatro colheres e mesmo assim não ficava tão bom.

E, como se fosse a coisa mais normal do mundo, como se James Potter não fosse James Potter, mas sim apenas um antigo amigo, eles ingressaram em uma longa conversa sobre tipos de café, marcas, medidas e a quantidade exata de açúcar para que não acabasse ficando doce ou amargo demais.

Dali, partiram para outros tópicos, como canecas e os ml que faziam com que elas fossem perfeitas para cada hora do dia em que iriam usá-las, as séries que assistiam e qual o tipo de café ecaneca que usavam, sites com informações valiosas sobre o assunto e, claro, reclamaram bastante do valor do alimento.

— Peter, meu amigo, está viajando para o Brasil agora. E, você sabe, eles exportam bastante para cá. Pedi para ele mandar algumas caixas de lá. Se quiser, posso pedir para você também. — James comentou, assim que terminaram a discussão sobre qual era o melhor clima para tomar café, tendo chegado à conclusão de que não havia um clima certo e que toda hora era uma boa hora para ingerir aquela maravilha.

— Oh, ele está no Brasil? Eu estava querendo saber onde... — A voz de Lily saiu um pouco mais aguda do que o normal quando ela percebeu o que estava falando e se interrompeu. Por Vader! — Estava querendo saber qual o valor do café lá. Dizem que é bem mais barato do que aqui. E que é ótimo.

James parecia estar se divertindo com a reação da garota, pois ele tinha um brilho de diversão nos olhos que fez com que ela se movesse, incômoda. Mas se ele havia notado a clara mudança de assunto, não se deu ao trabalho de comentar.

— Oh, sim, ele disse que é. — Assentiu e então eles caíram em um silêncio constrangedor (o constrangimento sendo todo da parte de Lily, obviamente).

— Mas então, o que estava fazendo quando me encontrou no portão? — Ela perguntou após o que pareceram ser horas.

O garoto sorriu.

— Estava vindo te entregar a Softbox. — Ele disse. — O meu novo chegou ontem.

— Ah, que legal! — Lily comentou e então franziu o cenho, confusa.

— O que foi? — Ele perguntou, encarando-a.

— Se você ia me entregar a Softbox... onde está a Softbox?

Para o espanto de Lily, James pareceu completamente sem palavras. Suas bochechas tingiram-se de uma coloração avermelhada e então ele sorriu, parecendo extremamente sem graça.

— Hm, acho que esqueci de trazer. — Disse e então pegou a caneca, tomando um gole de café numa óbvia tentativa de evitar continuar falando.

Lily não insistiu, embora estivesse extremamente curiosa. James fora legal em não insistir quando ela acabara por deixar escapar sobre Peter, então ela retribuiria o favor.

Eles terminaram as bebidas e ergueram-se ao mesmo tempo da bancada. James sorriu.

— Deixa que eu lavo. — Ele disse. — Você faz o café e eu limpo.

Impressionada com o gesto, embora não devesse se surpreender, pois o garoto sempre parecera muito educado – e vivia falando nos vídeos sobre ajudar seus pais em casa – esticou sua caneca para ele, observando-o se direcionar para a pia.

Enquanto James lavava, Lily aproveitou para apreciar a vista. Ele era incrivelmente bonito, percebeu. Quer dizer, ela sempre soube daquilo, afinal nutria um grande e inabalável crush por ele desde que começara a acompanhar seu canal, anos atrás, mas, embora soubesse de sua beleza, nunca havia pensado que ela era real.

Normalmente as pessoas eram bastante diferentes por trás das câmeras, contudo James Potter parecia ainda melhorfora delas.

Estava devaneando sobre o quanto ele era avantajadona parte traseira quando ele se virou e deparou-se com ela o observando. Mortificada, Lily imediatamente desviou o olhar para lugares mais seguros como, por exemplo, a geladeira.

Sua mãe havia colocado imãs novos por lá, percebeu.

— Pronto. — James disse e em sua voz havia algo extremamente constrangedor. — Canecas lavadas. Tudo em ordem.

— Obrigada. De novo. — Lily juntou coragem para encará-lo. — Acho que eu falei isso umas mil vezes só hoje.

Ele sorriu, meio de lado, o que fez com que o coração de Lily desse um pulo em seu peito.

Definitivamente não era lésbica. Possivelmente bissexual, mas lésbica nem pensar.

— Você está bem? — Ele perguntou, por fim, parecendo genuinamente preocupado. E, claro, Lily corou ainda mais. — Quando eu te encontrei você parecia...

— De ressaca. — Ela completou e então sorriu. — Como eu disse, você normalmente me encontra nos piores momentos. — E então riu, sacudindo a cabeça. — Não me dou muito bem com bebidas alcóolicas.

— Ah... você saiu ontem? — Foi a vez de James parecer estranhamente constrangido, embora Lily não conseguisse identificar o porquê.

— Sim. Saí. — Ela disse, sentindo-se desconfortável ao afirmar aquilo, a lembrança dos beijos que trocara com Emmeline ainda viva em sua mente. Céus!Ela havia beijado a menina horas atrás e já estava devaneando com o seu vizinho. Que tipo de pessoa ela havia se tornado?

Uma péssima, obviamente.

— Bacana. — James disse e então se afastou da pia, aproximando-se de onde ela estava antes de apoiar-se na bancada. — Tem muitas festas legais por aqui?

Aliviada pelo rumo da conversa, Lily meneou a cabeça e sorriu.

— Não sou a pessoa mais indicada para responder a sua pergunta, afinal não sou do tipo que vive em festas. Mas temos alguns pubs bacanas perto daqui. O Hog’s Heade o Três Vassouras, por exemplo, são ótimos!

— E você foi em algum deles ontem? — James Potter perguntou e, pela primeira vez, Lily notou algo diferente em sua voz. Estreitando os olhos, Lily sentiu seu rosto pegar fogo, tanto era o tamanho de seu constrangimento.

— Na verdade não. — Ela disse e, compelida por uma coragem que ela não sabia possuir, acrescentou: — Fui no Caldeirão Furado, uma boate gay perto daqui. — Falou com um tom de voz que ela achou ser bastante inocente.

James piscou e então corou.

— Ah... — Disse.

E então, contrariando qualquer bom senso que ela pensasse ter, Lily gargalhou. James encarou-a, confuso, observando-a segurar a barriga enquanto ria.

— O que...?

— A sua cara. — Lily disse, ofegante. — Foi hilária. — E voltou a gargalhar. — Você obviamente está pensando que eu sou lésbica. — Conseguiu dizer, após algum tempo.

— Não, eu... — Ele começou a dizer, mas interrompeu-se, corando fortemente de forma que seu rosto parecia ter a mesma coloração dos cabelos de Lily. James encarou-a. — Na verdade, eu acabei vendo você... e sua amiga.

A risada de Lily morreu em sua boca e ela sentiu todo sangue fugir de seu rosto.

— Ah... — Foi a vez de ela ficar sem palavras. — Aquilo. — Franziu o cenho, sem se incomodar com o fato de que James Potter havia acabado de confessar que andara espiando-a pela janela.

E, mais uma vez, eles ficaram em silêncio.

Por fim, Lily suspirou.

— Eu estava confusa. — Ela disse em um tom de voz autoexplicativo que não compreendia. — Na verdade eu ainda estou confusa. Mas tenho cem por cento de certeza de que não sou lésbica, se quer saber. — E sorriu, sem graça, sentindo-se estranhamente aliviada por expressar tudo aquilo para ele, afinal de contas fora ele quem comprovara para ela que ela não era lésbica com todo aquele potencial traseiro e tudo o mais.

Qual era a mágica que havia na composição daqueles garotos? Porque não era possível que, toda vez que um deles estava em sua frente, desatava a falar sobre seus problemas pessoais.

— Ah, que legal! — A voz de James parecia conter um alívio indescritível. Ele corou. — Quero dizer... que bom que você conseguiu se entender. Ou não conseguiu? Ah, eu... Hm-

Lily soltou uma risadinha divertida.

— Eu acho que sou bissexual. — Completou, por fim. — Mas não tenho como saber de certeza, pois só beijei uma garota até agora, o que não pode me dizer muita coisa, pode?

James não parecia saber o que dizer, portanto continuou em silêncio, somente meneando a cabeça.

— Pois é. — Ela suspirou. — Talvez eu deva beijar mais garotas, não sei. Quem sabe tem um número exato de pessoas que tenho que beijar de cada sexo para conseguir fazer essa equação. — Deu de ombros e então encarou-o só para perceber que ele estava, mais uma vez, com os olhos arregalados. Ela riu. — Estou brincando, James. Acho que só o tempo pode responder esse tipo de coisa.

— Bem, nisso eu preciso concordar. — Ele disse e então estreitou os olhos. — Hm, então você e aquela garota...?

— Não, nós não estamos namorando, se quer saber. Na verdade, foi só um teste. — Lily deu de ombros novamente, embora não estivesse de todo certa sobre aquilo. Para ela a troca de beijos entre ela e Emme fora apenas casual. Algo novo.

Mas e se a garota pensasse o contrário? Será que Emmeline pensara errado? Por Vader, por que as coisas precisavam ser tão complicadas?

— Céus! — James exclamou, assustando-a. Ele encarava o relógio de pulso, surpreso. — Preciso ir, tenho uma reunião com alguns produtores e... — Sorriu para Lily. — Várias outras coisas chatas. Vou ter que sair, Lily, mas juro que quando voltar vou trazer a sua Softbox. — E, dizendo aquilo, direcionou-se para a saída. — Obrigado pelo café. Foi uma ótima conversa. Normalmente as pessoas evitam falar sobre café perto de mim, porque sabem que eu acabo surtando um pouquinho.

Lily foi atrás dele, acompanhando-o até a porta e abrindo-a para ele antes de segui-lo até os portões.

— De nada, James. Foi realmente uma ótimaconversa. — Sorriu para ele. — Boa reunião.

— Obrigada. — Ele falou e então acenou para ela, afastando-se pelos portões que ela segurava aberto. Lily observou-o se afastar, sentindo como se finalmente entendesse o que havia acabado de acontecer. Antes, porém, que estivesse totalmente fora, James voltou a encará-la. — Hey, o que vai fazer hoje à noite? — Perguntou, sorrindo.

Lily sentiu o coração oscilar e então avançar em máxima velocidade.

— Eu... ah... nada? — Xingou-se por parecer tão patética.

— Por que não vai jantar lá em casa hoje? Sirius parece te adorar e, ah, Remus está melhor, juro. — O garoto a observava fixamente, seus olhos praticamente implorando que ela aceitasse.

E foi o que ela fez.

— Claro.

O sorriso no rosto dele aumentou ainda mais.

— Vai ser ótimo. — E então se afastou, deixando-a totalmente sem fôlego e desnorteada.

— Por Vader, Lily — resmungou depois de trancar os portões, subindo as escadas até a porta da frente. — Em que diabos você se meteu?

Notas finais
Capítulo revisado pela AliceDelacour ♥ E aí, minha gente? Confesso que ia colocar o jantar nesse capítulo, mas ele iria ficar gigantesco, portanto preferi deixar para o próximo hehehe O que estão achando disso tudo? Me contem! Amo vê-los por aqui, motiva demais! Dúvidas, sugestões, para xingar a autora, estou sempre no twitter.com/prongsnitch | FACE: https://www.facebook.com/groups/millerfics/ Estou sempre por lá e, claro, nas MP's aqui do Nyah! Até breve, amores! Beijinhos ♥ PS: vou responder todos os reviews antes de postar o próximo, juro, senão acumula muita coisa e nunca mais vou conseguir responder. Caraca, gente, a fic tem 500 comentários! É muito review para pouco tempo, mas não vou negar: adoro! Me cobrem se eu não terminar de responder antes do próximo, okay? ♥