Fangirl-ily

7 6. SnapeChato


Notas iniciais
É um pássaro? Um avião? NÃO, minha gente, é mais um capítulo de FGLY sendo postado em menos de uma semana. ME AMEM, apenas ♥ A inspiração bateu na porta da tia Miller e se acomodou por aqui, de modo que estou aproveitando o momento e escrevendo o máximo que eu posso antes que essa querida vá embora rsrs Capítulo dedicado as lindíssimas Ana P e Lady Clarie pelas recomendações maravilhosas! Obrigada, suas lindas! Fico muito feliz em saber que estão gostando TANTO assim da fanfic ♥ Espero que gostem do capítulo, coisas mimosas ♥

[DOMINGO — 03 DE JULHO, 2016]

Lily não sabia dizer exatamente quanto tempo mais ficara lá, naquele quarto azul – que por dias havia sido motivo de suas especulações – junto de três dos integrantes do The Marauders – de quem era fã há anos – contudo, nunca se sentira tão deslocada quanto ali (certo, tudo bem, houvera outra vez, naquela maldita aula de canto onde percebeu que aquilo definitivamente não era para ela e que teria de esquecer o sonho de ser uma cantora reconhecida internacionalmente porque fizera uma garotinha de oito anos chorar por conta de seus gritos).

Quando, por fim, foi acompanhada até os portões de entrada por James Potter – e estava tão estressada que sequer assimilou o fato de que JAMES POTTER a estava acompanhando até a entrada da casa DELE – sentiu um alívio indescritível percorrer seu corpo ao sentir a brisa do início da noite tocar em sua pele.

Não conseguia deixar de pensar nos olhares reprovadores que Remus Lupin lançava para ela, como se ela fosse uma intrusa em seu Clube do Bolinha secreto. Quer dizer, tudo bem que ela nunca o havia visto antes e que, por serem youtubers famosos, logicamente haveriam garotas tentando se aproveitar, mas ele nem a conhecia para chegar à uma conclusão daquelas! E pensar que, de todos eles, Lupin fora um dos que ela mais quisera conhecer e trocar algumas ideias!

Patético.

Estava tão irritada e focada em seus pensamentos espumantes que nem sentiu o leve toque em seu ombro até que James a chamou.

— Planeta Terra chamando. — Ele brincou, fazendo com que ela corasse pela falta de atenção.

— Oh, desculpa! — Ela meneou a cabeça, sorrindo fracamente enquanto sentia o rosto esquentar ainda mais por conta do constrangimento. — Estava distraída.

O garoto assentiu, franzindo o cenho, pensativo.

— Me desculpe pelo Remus. — Ele finalmente falou, fazendo com que Lily arregalasse os olhos, surpresa pela percepção dele. — Ele nunca é assim, não sei o que deu nele...

Lily deu de ombros, como se não se importasse, quando no fundo sentia-se ainda mais enfurecida. Então quer dizer que ele não era sempre assim? Estava agindo feito um babaca especificamente com ela? Por quê?

Sentiu uma vontade avassaladora de voltar até o quarto azul e perguntar para ele qual, diabos, era o problema dele, mas controlou seu gênio, sabendo que aquilo somente contribuiria para a péssima opinião que o garoto parecia ter dela.

— Todos nós temos dias ruins. — Ela disse e tentou parecer compreensiva, mas temeu que tudo o que tivesse demonstrado fosse ceticismo. Suspirou. — Bem, eu vou indo nessa, James. Petunia estava tendo alguns problemas antes de eu sair e quero evitar ter de acabar meu Domingo limpando os restos mortais de minha irmã suicida.

Parecendo achar graça das palavras dela, James retirou a mão que havia depositado sobre seu ombro – e que havia deixado pousada ali por um longo tempo – fazendo com que ela sentisse um estranho frio diante da separação. Rapidamente, Lily afastou aqueles pensamentos.

Patético. Patético.

— Obrigado, Lily. Você salvou o meu dia. — O sorriso que ele deu foi tão brilhante que fez com que uma parte da irritação dela fosse instantaneamente, dando certeza a ela de que deveria estar babando.

Obrigando-se a fechar a boca, ela assentiu, esgueirando-se pelo portão que ele segurava aberto e direcionando-se para a própria casa.

— Por Vader.... — Resmungou, quando fechou a porta atrás de si e se encostou nela. Fechou os olhos, respirando profundamente enquanto tentava acalmar o coração que nem havia notado estar a mil por hora.

The Imperial March¹ soou em seus ouvidos, fazendo-a assustar-se. Puxando o celular do bolso da calça – que havia colocado rapidamente antes de correr até a casa do vizinho com um Softbox numa mão e biscoitos de chocolate na outra (Lily gemeu ao lembrar que havia deixado o pote de sua mãe lá, sabendo que aquilo poderia causar a terceira guerra mundial) – atendeu.

— Hey.

Me diz o que, por Deus, você está fazendo no Snapchat do Prongs?! —A voz de Marlene estava esganiçada.

— O que...? — Lily começou a perguntar, sem entender o que a outra estava falando.

Como assim “o quê”?— Marlene praticamente berrou, fazendo com que ela afastasse o celular do ouvido. — Lily Evans, nem tente ocultar qualquer coisa de mim, porque...

Mas Lily não a ouvia mais. As palavras da amiga finalmente fizeram algum sentido para a ruiva, fazendo com que ela se sobressaltasse por não ter lembrado daquilo de imediato. Desligando a chamada sem se dar ao trabalho de dizer tchau, abriu o Snapchat, xingando enquanto esperava carregar. Não havia nada no mundo que a irritasse mais do que uma internet lenta. Somente haters de Star Wars, obviamente.

Clicou sobre os Snaps de Prongs e assistiu, abismada, observando enquanto o garoto gravava absolutamente TUDO o que ela estivera fazendo, desde arrumar a Softbox de forma desajeitada até o enquadramento da câmera. Sentia-se frustrada por não ter percebido o que o garoto estava fazendo, contudo, sabia que seu medo de acabar surtando havia feito com que ela quase nem olhasse na direção de James mais do que o estritamente necessário. Observou-se pelo Snap, encarar a câmera, espantada, quando ele a chamou para logo em seguida ter a porta do quarto aberta e, por ela, Sirius e Remus entrarem no foco enquanto a cumprimentavam. Conseguia ler no próprio rosto o choque por causa da reação de Lupin.

— Céus, ele me gravou no meu pior ângulo. — Gemeu, atirando-se no sofá para terminar de assistir. — Pela força... — ela fechou os olhos quando o último snap, onde James finalmente passara a focar em si mesmo e não sobre ela, terminou.

The Imperial March soou novamente, estridente em seus ouvidos. Lily sabia que era Marlene.

Gemeu ao atender.

Vou fingir que você não acabou de desligar na minha cara, porque quero muito saber os babados. —A amiga disse, expectante.

— James Potter precisava de uma Softbox. — Ela disse.

E...?

— Eu tinha uma Softbox. — Ela conclui como se aquilo explicasse tudo o que havia acontecido. Gemeu novamente. — Marley, ele me odeia!

Ahn? Amiga, sério, depois dos snaps dele eu tenho certeza de que está longe disso. Deixa de ser neurótica! — Marlene disse e Lily podia imaginá-la rolando os olhos diante de suas palavras.

Suspirou, exasperada.

— Não o James, o Remus! Ele me odeia. A cara que ele me olhou... Era como se eu fosse um inseto ou... Argh! Eu não faço ideia do porquê! — Ergueu-se do sofá e foi até a cozinha, apoiando o celular entre o ombro e a orelha para ligar a cafeteira e encher uma caneca com café.

Como assim? Do que está falando?— Lily ouviu o som de algo sendo derrubado no outro lado da linha e imaginou que Marlene deveria estar cuidando do irmão. — Mas que merda, Jonas! VOCÊ VAI DESTRUIR TUDO! —Marlene soltou mais alguns xingamentos e então voltou a falar no telefone. — Lily, eu vou ter que te ligar mais tarde, Jonas está, como sempre, destruindo tudo. Meus pais vão me matar se eu deixar ele colocar o hotel abaixo. Tchau.

Suspirando, Lily guardou o celular e terminou de tomar o café. Somente então encaminhou-se para o seu quarto, trancando a porta de entrada antes de subir as escadas. Antes, porém, que chegasse até o cômodo, parou em frente ao quarto de Petunia, imaginando se deveria entrar.

Sabendo que seria uma péssima irmã se não tentasse consolá-la, abriu a porta, soltando uma exclamação de surpresa ao adentrar o quarto e encontrar tudo fora do lugar.

— Devo avisar nossos pais que os Sith passaram por aqui? — Disse, tentando parecer brincalhona. A irmã estava deitada na cama desarrumada, os olhos inchados de tanto chorar. Sequer se moveu quando Lily se aproximou. — Hey... — chamou-a, receosa. Petunia ergueu os olhos para ela, inexpressiva. — Sei que é estupido perguntar, mas... tudo bem com você? — Sentou na beirada da cama, tentando entender as expressões da irmã.

— Não. — Bem, ali estava o gene Evans, explícito na secura do monossílabo.

— Você quer falar sobre isso?

— Não. — Petunia negou e então voltou a chorar.

— Oh, meu Vader... — Lily deitou ao lado da irmã, puxando-a de modo que ficasse aconchegada em seu braço, do mesmo modo que Tuney fizera várias vezes em anos anteriores quando ela tinha pesadelos e acordava chorando no meio da noite. Sentiu-se inquieta e desconfortável, sem saber exatamente o que fazer. — O que aquela orca fez com você? Quer xingá-lo? Eu posso ajudar, sabe... não sou muito boa em consolar as pessoas, mas tenho um vasto vocabulário em xingamentos se quer mesmo saber.

Petunia soltou o que pareceu a Lily uma risadinha.

— Ridículo. — A irmã murmurou com a voz engrolada. — Idiota.

— Isso, Tuney, continue! Liberte sua alma desse babaca, infeliz, cabeça de bagre, Peppa Pig...

— Filho da mãe. Imbecil. Filhote de Chewbacca...

— Ei! Não ofenda os Chewie! — Lily interrompeu, sorrindo ao ver que a irmã parecia levemente melhor. — Vamos lá, Tuney, continue, coloque tudo para fora. Xingue o pai, a sogra, toda a arvore genealógica do babaca. Gaste suas cordas vocais com palavras sujas, isso é ótimo para a liberação dos sentimentos ruins... — E ela o fez, impressionando até mesmo Lily com a criatividade para xingamentos. Inclusive estava anotando mentalmente vários daqueles palavreados para utilizar em sua fic Han/Leia. Nunca havia imaginado que Petunia era tão poética.

Quando, por fim, esgotaram todo o vocabulário para xingamentos, elas riram. Era estranho, na verdade, pensar que era por causa de Vernon que estavam ali, juntas, rindo, afinal fora por causa dele que elas tinham se afastado. Claro, Lily entendia que a irmã daria atenção para o namorado, afinal sonhava em casar com o cara, mas no início se ressentira por ter sua atenção compartilhada. Com o passar dos anos foi se acostumando até que, por fim, parou de se importar – ou, pelo menos, era o que dizia a si mesma.

Naquele momento, porém, toda a empatia adquirida com o tempo sumiu, deixando apenas a raiva que Lily sentia de Vernon Dursley por causar tanta dor a sua irmã. Tudo bem que Petunia era muito pior que Palpatine quando queria, porém, ninguém tinha o direito de fazer aquilo com ela!

— Hey, Tuney, o que você acha de sairmos amanhã? Faz tempo que não vamos ao shopping... e eu realmente preciso de ajuda com umas calças novas. — Ela sabia que estava provocando sua própria morte, mas não conseguia parar. Ela queria que Petunia ficasse bem, nem que para isso tivesse de aturá-la sendo insuportável escolhendo roupas.

— Ugh, você realmente precisa de umas calças novas. — Petunia disse, recuperando um pouco de seu ar mandão. — Na verdade, você precisa de tudonovo.

Lily controlou um gemido, sabendo que teria de ser forte se quisesse sobreviver ao dia seguinte.

[SEGUNDA FEIRA — 04 DE JULHO, 2016]

— Atrasada, de novo. Espero que não esteja se tornando um hábito, Srta. Evans. — Aberforth disse, carrancudo.

Franzindo o cenho, Lily baixou os olhos para o relógio de pulso, sentindo-se injustiçada ao perceber que havia chegado apenas um mísero minuto atrasada.

Sabendo que seria uma batalha perdida, preferiu não contestar, murmurando um pedido de desculpas antes de largar sua bolsa no lugar de sempre, ligar a cafeteira e o computador e pegar o espanador para tirar o pó das prateleiras.

Mais de meia hora havia passado até que terminasse e, quando o fez, a loja encheu de clientes, fazendo com que ela perdesse metade da tarde indicando CD’s e discos antes de conseguir sentar em frente ao computador e tomar o seu café – que estava frio.

Pegou o celular enquanto esperava sua conta no Tumblrcarregar, soltando um suspiro resignado ao perceber que – como sempre – estava sem sinal. Lily estava começando a desconfiar que Aberforth tinha revestido as paredes da loja de modo que o sinal não chegasse até ali dentro porque, por Vader, não era possível! Lily queria conversar com suas amigas!

Estivera tão focada em Petunia na noite anterior que nem vira quando Marlene ligara novamente e, de manhã, quando tentou entrar em contato, a amiga não havia atendido. Nem mesmo Alice parecia estar disponível para conversas, pois seu celular só dava na caixa postal.

Sentia-se extremamente frustrada por não ter ninguém com quem conversar e desabafar sobre tudo o que estava acontecendo na vida dela. Desde que ficara encucada com “a coisa” e, logo em seguida, com o fato de Remus Lupin a odiar, ninguém parecia disponível para ouvir seus lamentos. Exceto Sirius.

Estreitou os olhos ao pensar naquilo. Sirius podia ser o ser humano mais irritante do mundo, mas também fora o único que a entendera quando deixara escapar sobre sua confusão a respeito do que era. E,adicionou, deve saber exatamente o porquê do Lupin me odiar.

Chegando àquela conclusão, Lily franziu o cenho, pensando numa forma de atrair o garoto a fim de poder conversar com ele. Ela riu, sem humor, pensando no quanto era irônico que, quando ela finalmente queria ter uma conversa com ele, Sirius não chegasse invadindo os lugares onde estava.

Tamborilando os dedos no tampo da mesa, suspirou em alívio ao ter a página do Tumblr carregada. Reblogou alguns posts – principalmente em se tratando de Han/Leia – respondeu algumas mensagens privadas e asks de leitores revoltados com sua demora assim como de alguns seguidores que gostavam de seus edits e somente então fechou a aba para abrir o Twitter. O trambolho que Aberforth denominava computador não carregava mais de um site ao mesmo tempo. O que à princípio era um inferno, mas, depois de tanto tempo trabalhando ali, Lily já havia se acostumado.

Ergueu os olhos em direção à porta, perscrutando a loja a fim de ver se ninguém havia entrado sem que ela visse e então voltou a atenção para o computador. Sorriu ao ver 20 notificações e 2 mensagens. Imaginou que Marlene e Alice deveriam ter tentado falar com ela já que ambas sabiam que ficava incomunicável quando estava trabalhando.

Clicou primeiro nas mensagens e descobriu que estava certa. Marlene havia falado com ela não apenas no grupo que dividiam com Alice, mas também em privado. Todas as mensagens eram de “ME CONTA, ME CONTA, ME CONTA”.Sorrindo, Lily pôs-se a digitar sua situação, sentindo-se aliviada em se abrir com alguém.

Quando terminou de digitar, voltou para suas notificações e sentiu seu estômago apertar ao perceber que deveria tê-las aberto primeiro.

****

@jonews: @fangirl-ily é a Guga. Te vi no snap daquele cara que você segue, o James Potter!

@jonews: @fangirl-ily acho que agora ele já sabe que você é fã dele, né? Hehe

@jonews: @fangirl-ily aliás, obrigada pelo contato da @vancemme, consegui um ingresso com ela! Você é demais!

@vancemme: @jonews @fangirl-ily COMO ASSIM A LILY APARECEU NOS SNAPS DO @JamesPotter?

@vancemme: @jonews @fangirl-ily MEU DEUS O @JamesPotter É MUITO GATO, LILY, (embora não faça meu tipo) SO-COR-RO! SOU SUA FÃ!

@jonews: @vancemme demais, né? A @fangirl-ily sempre foi superfã!

@snapeseverus: @jonews @vancemme @fangirl-ily COMO ASSIM NO SNAP DO @JamesPotter?

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— Ah, meu Vaderzinho, por favor, por favor... — Mas quanto mais notificações Lily via, mais sentia-se desesperada. Sentia vontade de matar Guga Jones, Emmeline Vance e Severus Snape. Queria sufocá-los com as próprias mãos, observando enquanto afogavam-se até a morte. — Mas que merda... — Ela continuaria a xingar, mas como se não fosse o suficiente, outro cliente chegou na loja e parecia tão tapado que não era capaz de ler as etiquetas sozinho, fazendo com que Lily precisasse se afastar do maior problema de toda sua vida para ajudá-lo.

Quando dispensou o garoto – que teve a cara-de-pau de NÃO COMPRAR NADA – literalmente correu até o computador, quase derrubando sua xícara de café no processo. Observou a hora de cada um dos tweets, percebendo que todos eles estavam na rede há quase duas horas. Por Vader, como se ela precisasse de maisaquilo.

Abrindo o perfil dos três, colou a mesma mensagem desesperada para eles:

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PELO AMOR QUE VOCÊS TÊM PELA VIDA, POR VADER, APAGUEM AS MENTIONS SOBRE O SNAP DO JAMES POTTER. EU EXPLICO TUDO DIREITINHO DEPOIS, MAS, POR VADER, APAGUEM.

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Sabia que achariam que estava desesperada, mas, por Vader, ela estava. Na verdade, estava até mesmo tremendo.

Mais rápido do que teria imaginado, Guga Jones e Emme responderam, dizendo que iriam apagar. Lily quase chorou de alívio quando o fizeram. Emme parecia curiosa sobre o ataque de Lily, mas Guga havia entendido perfeitamente. Lily sabia que ela deveria ter lembrado do dia em que encontrara James na loja e no fato de ter dito que ele não sabia que era fã dos vídeos dele. Contudo, com Snape, não teve a mesma sorte.

Aliás, quando tivera sorte com Snape?

As horas pareciam intermináveis enquanto passavam sem que ele respondesse. Lily perguntou-se se o garoto não estaria fazendo de propósito, apenas para vê-la sofrer depois do dia anterior. Se aquele fosse o caso, Snape sofreria as consequências. Oh, e como sofreria. Faria com que o ataque de Palpatine aos Jedi parecesse brincadeira de criança.

Algumas pessoas estranhas começaram a segui-la, incluindo dois fã-clubes do Prongs. Ela começou a enlouquecer. Estava suando, bloqueando cada uma delas a cada vez que aparecia um novo seguidor. As curtidas no tweet solitário de Snape aumentava, várias pessoas começaram a responder.

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@prongslife: @snapeseverus @fangirl-ily OH MEU DEUS, ESSA É A RUIVA DO SNAP do @JamesPotter?

@prongsdaluka: @snapeseverus @fangirl-ily TÁ BRINCANDO QUE É ELA?

@prongsdaluka: @snapeseverus @fangirl-ily QUERIA SER VOCÊ, MIGA, TROCA COMIGO!

@jamesprongssss: @snapeseverus @fangirl-ily VACA, O PRONGS É MEU!

@aluadoprongs: @jamesprongssss @snapeseverus @fangirl-ily na verdade ele é MEU, querida.

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Lily gemia a cada tweet, cada um deles pior do que o outro. E apenas aumentava. E ela continuava bloqueando os usuários e xingando a porcaria da internet daquela loja que pegava pior do que o incesto entre Luke e Leia. Como podia ser tão azarada?

Quando o expediente de Lily terminou sem qualquer resposta de Severus Snape, ela estava furiosa e sabia exatamente o que iria fazer: correria até a casa do maldito garoto e esfolaria a cara dele no asfalto. Como ele conseguia ser tão insuportável, por Merlin?

Argh, e Lily pensara que não conseguiria odiá-lo tanto!

Estava decidida do que fazer, entretanto, quando terminou de fechar o portão da Movie-Maker, Petunia pareceu materializar-se ao seu lado. As camadas de maquiagem em seu rosto minimizavam bastante o estrago do dia anterior, embora não o ocultasse por completo.

A irmã sorriu.

— Vamos ao shopping!

X—X

Lily xingava seu coração mole enquanto perambulava pelas lojas junto de Petunia. Nas únicas duas vezes que tentara mexer no celular a fim de ver a resposta de Snape – se havia alguma, obviamente – e de bloquear quem quer que a tivesse seguido, sua irmã quase tivera um ataque histérico.

— Não faça isso, Lily, por favor! Toda vez que você pega o celular eu tenho vontade de pegar o meu e de ligar para ele, me humilhar e pedir para voltar porque minha vida não tem sentido se ele não estiver comigo. Por favor, fique longe desse telefone! — Petunia dissera, desesperada e então nem mesmo no banheiro Lily conseguia escapar sozinha para que pudesse acessar as redes lá, afinal a irmã insistia em acompanha-la para “não cair em tentação”.

Mais frustrada do que havia imaginado ser possível, Lily começou a se sentir observada enquanto adentrava loja atrás de loja em busca de mais roupas do que sabia precisar. Desde quando precisava de uma touca naquela época do ano? Por Vader, tinha a impressão de estar gastando três anos de salário a receber naquelas poucas horas.

De qualquer forma, as pessoas a estavam observando mesmo. À princípio pensara que fosse apenas impressão, uma sensação incomoda e totalmente paranoica. Mas depois, quando Petunia indicara a ela algumas garotas que juntaram as cabeças e apontaram em sua direção, decidiu que não estava ficando louca.

— Tuney, nós precisamos ir para casa. — Lily disse, encarando as garotas sem conseguir piscar, sentindo seu estômago revirar. — Precisamos ir agora!

— Mas...

Vamos! — Lily puxou a irmã, sentindo o coração acelerado quase sair da boca ao apressar-se em direção à saída do shopping. Era segunda-feira e ela sabia que o local não deveria estar tão cheio, mas como a sorte nunca estava a seu favor, Lily sentiu-se como se estivesse participando de uma edição macabra de Jogos Vorazes onde era a única inimiga de uma horda de tributos que a observavam sem parar.

Sabia que Petunia estava confusa, pois não parava de dizer a Lily para parar de correr, mas não se importou. Queria ir para longe dali. Queria pular no pescoço do Snape e sufoca-lo até a morte. Queria se mudar para o Peru, pintar o cabelo e mudar o nome para Palomita e esquecer que aquele dia acontecera. Queria estar morta.

Estavam no estacionamento quando aconteceu.

Lily, em sua pressa, acabou esbarrando em um garoto que, surpreso, esticou a mão para impedi-la de cair. Petunia, que estava sendo segurada por Lily – e que também quase caiu – puxou o braço, afastando-o da irmã.

— Me desculpe. — Lily disse, erguendo os olhos para o garoto que havia acabado de atropelar.

— Não foi nada, moça. — Ele disse, sorrindo, encarando-a com simpatia. E então franziu o cenho, a expressão de reconhecimento tomando conta de seu rosto. — Ei! Você não é aquela ruiva do snap do Prongs?

Por Vader.

— O que...? Eu? Não, claro que não e-

Mas o garoto não pareceu convencido.

— Alexia! — Ele gritou e uma garota morena pareceu se materializar ao seu lado. — Olha, ela é a ruiva do Snapchat do Prongs!

— Eu já disse que não...

— Ah meu Deus! — A garota pulou para o lado da Lily, segurando seu braço direito. — Você o conhece? Está namorando ele? Meu Deus, eu-

Mas Lily irritou-se, sentindo-se completa e totalmente desesperada.

— Eu disse que não era eu! — Falou, furiosa, sem se importar em parecer grossa. Queria que o mundo se explodisse. Queria que eles se explodissem. — Agora, se me dão licença. — E afastou-se, sem esperar por uma resposta.

Petunia, que a encarava de olhos arregalados, correu atrás dela, parando apenas quando chegaram no carro.

— O que...?

— Não faça perguntas. — Lily resmungou, perguntando-se quando teria paz em sua vida.

Aparentemente, nunca.

X—X

Foi pior quando chegou em casa e encontrou o bilhete. Isso depois de ter aguentado por todo caminho uma Petunia histérica de tanto rir diante da desgraça que era a vida de Lily.

Sem se importar em ser legal com a irmã de coração partido ou de parecer simpática com os pais que a cumprimentaram, subiu as escadas correndo, quase caindo no corredor ao pular para seu quarto.

Atirando as sacolas de qualquer jeito sobre a cama, apressou-se para o notebook, iniciando-o. Parecia como se o mundo dela estivesse em slowmotion, porque nem mesmo o computador estava iniciando com a velocidade habitual.

Sentiu o celular vibrar, mas ignorou-o. E foi quando o viu: caído ao lado da janela aberta, um pequeno quadrado de papel.

Abaixou-se para ver do que se tratava, curiosa. Em uma letra bonita e inclinada, estavam os dizeres que pareciam mais cabíveis em seu obituário:

“Ruiva, tudo bem? Espero que este bilhete não caia em mãos erradas... ou será que espero?

Só queria dizer que, se quiser continuar escrevendo suas histórias pornográficas sem que o James a descubra, seria bom que bloqueasse o seu Twitter e mudasse seu user.

Invadi a conta dele e mudei a senha. Ele está me xingando bastante agora, então espero que entenda todo o meu amor por você. E, claro, o grande favor que me deve.

James pode ser meio lerdo, às vezes, mas se continuar vendo os tweets das fãs mencionando a ‘ruiva do snap’, vai entender rapidinho.

Do perfeito e maravilhoso, Padfoot (o original)”

— Pelo visto o bilhete caiu nas mãos certas. — A voz irritantemente conhecida de Sirius Black a assustou.

Voltando-se rapidamente para a porta de seu quarto, deparou-se com o garoto apoiado no umbral, encarando-a, divertido.

— O que está fazendo aqui? — Ela indagou, sentindo sua voz sair estrangulada devido ao susto.

— Bom, como não vi movimento pelo seu quarto, imaginei que tivesse saído. Então, quando ouvi o barulho de carro estacionando, decidi vir aqui e ver se você ainda estava viva ou se já tinha morrido de vergonha.

Bufando enquanto sentia o rosto esquentar, Lily correu para o computador que, finalmente, estava ligado.

Acessou o Twitter que já estava logado em sua conta, abrindo as configurações sem se importar que Sirius estivesse a observando atentamente. Aparentemente o garoto já sabia tudo o que havia para saber sobre ela.

Até mesmo as fanfics com smut.Como se ele não fosse irritante o bastante sem aquela informação.

Lily sentia como se estivesse sem respirar, o alivio preenchendo seu corpo quando, por fim, bloqueou o próprio Twitter – e todas as centenas (sim, centenas) de pessoas que haviam mencionado o fato de estar no Snapchat de James Potter – mesmo tendo de ouvir alguns murmúrios de deboche de Sirius Black. A dor em seu coração ao mudar o user de “@fangirl-ily” para “@fangirlily” não foi nada comparada com o peso que pareceu ter sido tirado de seus ombros.

— Céus... — Murmurou, amolecendo sobre a cadeira.

Estava suada e cansada, como se tivesse corrido uma maratona. Mas sorriu, girando a cadeira de modo a encarar Sirius Black.

— Muito obri... — Começou a falar, mas o garoto sorria, maquiavélico, enquanto limpava a garganta e encarava o celular, preparando-se para ler algo que fez com que a voz de Lily morresse.

O que você quer? Han perguntou, com a voz rouca de excitação. Diga, Leia: o que você quer?” —Ouvir Sirius Black ler aquilo em voz alta era como assistir a própria execução.

— BLACK! — Lily bradou, estupefata. — NÃO OUSE CONTINUAR ISSO... — Correu em sua direção, mas, com a cara-de-pau maior do que o mundo, o garoto subiu para cima da cama, erguendo o celular de modo que ficasse alto demais para que ela pudesse pegá-lo.

Han...”, “ Diga, Leia.”, “ Eu quero você – ela murmurou, sentindo-se inebriada tanto era o tesão que sentia”, “ Você me queronde?”, “Leia sussurrou: Dentro de...”.

— AH! MAS QUE MER- — Ela pulou sobre ele, fazendo com que ambos caíssem, embolados, sobre os travesseiros. — Me dê esse celular, Black. Me dá essa merda! — Eles se embolaram ainda mais, enquanto o maldito garoto gargalhava, afastando o celular das mãos dela cada vez que se aproximava.

Quando, depois do que pareceram horas, Lily conseguiu arrancar o aparelho das mãos dele e erguer-se da cama – os cabelos no rosto e a roupa toda amassada – sorriu, vitoriosa.

Mas o momento não durou muito, pois, ao subir os olhos na direção da janela, percebeu que estavam sendo observados. Sentiu o rosto esquentar ainda mais, se era possível, e, por um momento fugaz, indagou-se se sua face não estaria derretendo.

Sirius, percebendo o comportamento dela, ergueu-se da cama e caminhou até onde ela estava. Os olhos do garoto acompanharam os dela. Ele não parecia nada feliz com o que viu.

— Oh, merda. — Ele resmungou, no que Lily foi obrigada a concordar.

Na janela do quarto azul, que ficava exatamente em frente ao do quarto dela – a mesma que ela passava quase todo o tempo que estava no quarto observando – James Potter e Remus Lupin observavam-nos, boquiabertos.

Repassando tudo em sua mente, Lily gemeu ao dar-se conta do que a cena deveria parecer aos olhos de quem visse de fora e não entendesse o que exatamente estava acontecendo.

Baixou o olhar para suas roupas, amassadas, sentindo-se mais constrangida do que jamais havia pensado ser possível.

E então percebeu que, se antes Remus Lupin a odiava apenas por pensar que ela estava tentando se aproveitar de algum deles, naquele momento o garoto deveria ter confirmado todas as suas suspeitas.

Como se ela precisasse de mais algum motivo para querer morrer naquele dia.

Oh, por Vader, quando aquela maré de azar iria acabar?

Bem, talvez ela estivesse começando a entender a resposta: nunca.

Notas finais
Nota¹: The Imperial March é a música Tema do Darth Vader, mozão. Claro que a Lily tinha que se dar mal nesse capítulo, afinal se não fosse assim não seria a Fangirlily que conhecemos e tanto amamos não é? Espero que tenham gostado, amores! To AMANDO escrever essa história doida e cheia de reviravoltas. Me divirto demais! Não esqueçam de me contar o que estão achando, certo? PS: mais uma vez peço desculpas por não estar dando conta de responder aos reviews em tempo... Talvez se eu postasse somente depois de responder eu conseguisse deixar tudo em dia, mas quem disse que eu consigo me controlar? Acabo postando antes e me ralo bonito por ter ainda mais comentários acumulados para responder. Mas é a vida, né, gente? Como aquele ditado: vamo faze o q PS²: capítulo ainda não está betado, portanto relevem eventuais erros ortográficos ou palavras comidas hehehe Dúvidas, sugestões, para xingar a autora: estou sempre no twitter: @prongsnitch e no face: https://www.facebook.com/groups/millerfics/ ♥ Beijinhos e até breve, amores ♥