Fangirl-ily

13 12. Atração


Notas iniciais
Socorro. Estou podre de cansada, mas vim aqui correndo para postar esse capítulo antes que eu acabe morrendo sobre a cama e deixe vocês mais um dia sem saber o que vai acontecer nessa história doida e totalmente sem noção que é Fangirl-ily. Sou uma alma caridosa, portanto, cá estamos nós hehe Esse capítulo é dedicado às maravilhosas carolgirelli, Marota e Patricia m prongs pelas recomendações INCRÍVEIS que mandaram na fanfic. Sério, gente, eu tive uns dias bastante ruins e, ver essas recomendações incríveis por aqui e todos esses comentários lindos que tenho recebido na fanfic me deixam MUITO feliz e MUITO motivada! Obrigada, vocês são nota mil! Ah, avisinho básico de que ESTE CAPÍTULO CONTÉM CENAS +18. Se não gosta, recomendo que pule, contudo já adianto: vai perder BOA PARTE do capítulo, sem falar nas MELHORES, né non heheh Espero que gostem, amores! ♥

[QUINTA-FEIRA — 21 DE JULHO, 2016]

Lily andava de um lado para o outro sem saber exatamente como reagir. O celular estava sobre a cama onde ela o largara depois de surtar o suficiente para uma vida inteira.

Certo, tudo bem que, depois da foto que a menina havia tirado, ela deveria ter imaginado que uma coisa daquelas poderia acontecer. Mas, por mais idiota que fosse, ela estava esperando que a menina tivesse compaixão. Que acabasse esquecendo. Que, por algum motivo qualquer, desistisse de divulgar aquela foto tão constrangedora.

Mas, Lily suspirou, resignada, se ela fosse a garota, com certeza teria postado a foto muito tempo antes. Na hora do beijo inclusive, só para divulgar ao mundo uma novidade como aquela: seu ídolo estava aos beijos com alguém.

Só que ela não era aquela menina e a pessoa com quem James Potter estava aos beijos era Lily Evans. Sentiu-se ultrajada, a vontade de vagar toda a noite a procura da casa da menina apenas para esfolar a cara dela no asfalto era intensa. Tanto que Lily estava indo em direção a porta quando se deu conta do que estava prestes a fazer.

— Por Vader, Lily, se acalme. — Ela disse e respirou fundo.

The Imperial March soou, assustando-a.

Correndo para o celular, deparou-se com uma ligação de Marlene. Atendeu.

— Alô?

Lily Evans, como você ousa?! Como pôde me esconder algo tão importante quanto esses agarramentos com James Potter no Três Vassouras? — Marlene tinha a voz levemente engrolada de quem estava com sono. — Estava indo dormir agora e entrei no Twitter para ver as novidades e, meu Deus, adivinha o que eu vejo sendo retuitado na minha timeline? VOCÊ, SUA FILHA DA MÃE, AOS BEIJOS COM JAMES POTTER! Você está pensando o que comigo? Está achando que eu sou trouxa para me esconder as coisas desse-

— Marley, calma. — Lily interrompeu-a, sabendo que aquilo iria longe se ela não a acalmasse. — Tudo bem, eu não contei...

TUDO BEM É UMA OVA, SUA-

— CALMA! — Lily se exaltou, interrompendo a amiga novamente. — Eu já estou surtando o suficiente sem você azucrinar os meus ouvidos, obrigada. — Reclamou e ouviu Marlene murmurar, contrafeita. — Desculpa por não contar, okay? Vocês estavam bêbadas demais depois da festa e com todo esse rolo com a Petunia quase não entrei no Twitter ou falei com vocês

Respirando profundamente, numa óbvia tentativa de se acalmar, Marlene respondeu:

Tudo bem, eu te perdoo, mas só se você me contar nos mínimos detalhes como é que foi esse beijo com James Potter. Pela foto vocês parecem estar bastante empolgados. — Riu, divertida.

Sentindo as bochechas corarem ao lembrar do ocorrido, Lily voltou a caminhar de um lado a outro no quarto, tentando acalmar a respiração o suficiente para conseguir falar sem ficar suspirando ao pensar nos beijos de James Potter.

— Eu esbarrei nele no bar e ele me derrubou cerveja-

Vocês tinham combinado de se encontrar lá? — Marlene estava em seu modo detetive, Lily podia até mesmo imaginar sua expressão: a testa franzida e os lábios semicerrados, olhos brilhantes e estreitos enquanto imaginava mil e uma cenas diferentes. Conhecia a amiga há tempo demais para saber que ela não descansaria até ter todos os detalhes.

— Não, Marley, a gente simplesmente se esbarrou. Não fazia a menor ideia de que ele estaria lá. Até porque quem decidiu ir para lá foi a Alice e o Frank. De qualquer forma, esbarrei nele e ele acabou virando cerveja no meu vestido. Quando fui xingar o ser humano inconsequente que estragou o tecido maravilhoso daquela peça que paguei em várias prestações, deparei-me com ele e aí-

Aí vocês se agarraram no meio do povo todo? — Marlene voltou a interrompê-la, fazendo com que Lily exclamasse, irritada.

— Pela força, Marley, me deixe terminar e fique quieta! — Lily reclamou e, sem se dar conta do que estava fazendo, foi até a janela, abrindo-a para observar a noite, algo que sempre fazia toda vez que estava nervosa ou entediada.

O único problema era que ela havia esquecido do pequeno detalhe de que: James Potter era seu novo vizinho e que o quarto de gravações dele ficava exatamente à frente da janela de seu quarto. Portanto, é claro que, quando ela abriu a cortina para observar a noite de modo totalmente inconsequente, deparou-se com o quarto azul onde, obviamente, James Potter estava.

Sugando uma respiração, Lily ficou imóvel, sem saber o que fazer a seguir. Estava prestes a voltar a fechar a cortina quando ele ergueu os olhos para ela parecendo surpreso ao vê-la.

Sabendo que de nada adiantaria fechar a cortina, Lily acenou para ele, sentindo-se a pessoa mais estúpida do universo. Como pudera esquecer algo tão crucial quanto o fato de que era vizinha de seu ídolo virtual? Francamente, quem esquecia uma coisa daquelas?

Bem, aparentemente, ela, Lily Evans.

Lily? — A voz de Marlene soou em seu ouvido, assustando-a e fazendo com que ela quase derrubasse o celular.

— Merda. — Lily reclamou, firmando o celular o ouvido enquanto observava o sorriso aparecer nos lábios de James. Sentiu vontade de xingá-lo... ou seria de beijá-lo? Por Vader, ela enlouqueceria.

O que aconteceu? — Marlene parecia impaciente com a amiga que se recusava a falar.

— Marley, eu te ligo depois, okay? — Lily disse assim que viu James erguer-se da poltrona onde estava sentado e encaminhar-se para a janela.

QUÊ? VOCÊ NÃO VAI FAZ-

— Marlene, eu disse depois, pelo amor de Vader. — Lily bufou e, sem esperar por uma resposta, desligou a ligação.

— Hey. — Ouviu James chama-la e somente o som de sua voz fez com que um calafrio a percorresse. Pela milésima vez, Lily se perguntou como diabos ele conseguia fazer aquilo com ela.

— Hey. — Ela tentou sorrir para ele, mas sentiu seu rosto formar uma careta. Sentia-se muito constrangida ainda para conseguir encará-lo por muito mais do que poucos minutos antes de derreter e virar uma poça de ossos e pele no chão.

— Acordada a essa hora? — Ele brincou, escorando-se no beiral da janela enquanto a encarava. Lily precisou se esforçar um pouco para ouvi-lo, pois ele estava, obviamente, se controlando para não acordar todos os vizinhos.

— Não estou com sono. — Lily disse, embora aquilo não fosse exatamente verdade. Ela não conseguia dormir porque a) estava com fome, pois não havia jantado, b) estava chocada demais com os tweets que havia visto e c) não conseguia parar de imaginar nas consequências que aquela imagem dela e de James aos beijos poderia causar. Isso para não falar da falta de ar repentina que sentira ao vê-lo e falar com ele, mesmo estando há vários metros de distância. — E você, o que faz acordado a essa hora? — Ela indagou, fingindo-se de despreocupada quando na verdade adoraria gritar para ele e perguntar que diabos iriam fazer com relação àquela foto.

— Estava editando alguns vídeos. — Ele disse e passou as mãos pelos cabelos. — E tomei café demais, acabei ficando sem sono. — Deu de ombros e inclinou-se um pouco mais para fora da janela. — Como estão as coisas por aí?

Lily deixou os ombros caírem, olhando para a janela do lado esquerdo que era a do quarto de sua mãe, imaginando se ela finalmente havia ido dormir.

— Péssimas. — Ela disse, sentindo-se cansada. Afastou aquela mecha teimosa do rosto, voltando-se para ele. — Mas vão melhorar. Espero.

James encarou-a em silêncio por alguns instantes, deixando-a sem jeito e desconfortável. E então ele sorriu, roubando todo o fôlego que ela possuía.

— Vai ficar acordada por muito tempo? — Ele perguntou no que ela simplesmente deu de ombros, sem encontrar forças para fazer sua boca funcionar ou encontrar palavras para dizer. — Quer dar uma volta? Quero dizer, para espairecer? As coisas parecem complicadas do seu lado do muro. — E sorriu novamente.

— Ah... — Lily sentiu as bochechas esquentarem um pouco mais e mordeu os lábios, imaginando o que deveria fazer. Por um lado, ela queria com todas as forças sair de casa para ficar perto de JAMES POTTER, mas, por outro, não sabia como sua mãe reagiria caso ela saísse e não a avisasse.

— Ou você pode vir até aqui e a gente senta na beira da piscina para tomar café. É uma combinação ótima. Na verdade, eu estava indo fazer isso agora mesmo, mas, como boa apreciadora de café que você é, talvez goste de provar os que Peter trouxe. São maravilhosos. Você, definitivamente, não vai querer perder uma coisa dessas. — E, piscando para ela de forma marota, adicionou: — E eu tenho certeza de que sua mãe não vai se importar se você vier até aqui, afinal é quase como estar em casa, hm?

— Oh, que jogo baixo, James Potter. — Lily ouviu-se dizer, estreitando os olhos em descrença. — Me oferecer um café diferente à essa hora da madrugada, só porque eu sou fraca demais para resistir. Que péssima pessoa que você é.— Lily reclamou, embora um sorrisinho divertido insistisse em escapar de seus lábios.

A quem ela queria enganar, afinal de contas? Se estava mais do que óbvio que adoraria passar qualquer mísero segundo perto de James Potter?

X—X

— Piscina e café? — Lily comentou, rindo, enquanto mexia os pés dentro d’água. Era uma noite quente de verão e ela não podia negar que se sentia aliviada em poder se refrescar.

— Pode parecer estranho, mas é uma ótima combinação. Fazia sempre enquanto estava em casa. Como você deve saber, nós, adoradores de café, sofremos muito nessa época do ano. Portanto, enquanto me refresco na água, posso tomar café sem medo de acabar morrendo de calor. — Ele disse e tomou mais um gole de sua caneca com a ilustração da T.A.R.D.I.S. exatamente igual a que ela segurava. Lily observou-as por alguns instantes, admirando os detalhes. Assim como por café, Lily tinha uma tara por canecas.

— Onde estão os outros? — Ela perguntou, após tomar mais alguns goles do maravilhoso café que James havia preparado. Havia uma mistura de café com canela e mais alguma coisa que ela não conseguia descobrir o que era que fazia com que ela se sentisse mais quente que o normal.

— Remus e Peter? — James indagou e ela assentiu. — Remus saiu com a Mary para Deus sabe onde e, Peter, está em coma sobre a cama. É sério, juro que não sei como ele consegue dormir tão pesado. — Sorriu.

Lily, porém, não conseguiu achar graça no comentário dele, pois estava mais concentrada na primeira informação.

— Então Remus e a Mary estão tendo mesmo algo sério? — Ela indagou e não pôde disfarçar o desgosto em sua voz.

Suspirando forte, James deu de ombros.

— Acho que sim... — Murmurou.

— Sirius não deve estar feliz com isso. — Lily comentou, ignorando o olhar surpreso que James lançou para ela ao dizer aquelas palavras. — Não consigo entender... — Sacudiu-se. — Mas isso não é da minha conta.

— E nem da minha. — James disse, embora estivesse óbvio de que tudo aquilo o irritasse mais do que estava deixando transparecer.

— Você tem falado com o Sirius? — Lily perguntou, de repente, franzindo o cenho ao lembrar do fato de Sirius estar sumido há alguns dias.

— Eu falei com ele ontem. — James comentou. — Liguei, mas foi rápido, ele falou que estava ocupado e que depois retornaria.

— E ele retornou?

— Não. — James encarou-a e passou as mãos pelos cabelos, em um gesto automático. Lily precisou segurar-se para não suspirar. — A família de Sirius é complicada.

— Eu sei. — Ela assentiu e, mais uma vez, deparou-se com a expressão de surpresa de James. O garoto arqueou uma sobrancelha.

— Vocês parecem ter conversado bastante. — James disse e Lily não pode deixar de perceber um tom tanto quanto esquisito na voz dele.

Sentindo as bochechas corarem – como era de praxe ao estar perto de James Potter – Lily voltou a encarar a piscina, tentando não pensar na proximidade na qual se encontravam e no que havia acontecido da última vez em que haviam estado tão perto.

— Nós conversamos bastante, sim. — Disse, lembrando de todas as vezes em que Sirius havia invadido seu quarto e sentindo um aperto no peito ao perceber o quanto sentia falta daquilo. — Ele me contou sobre o irmão dele. E da família, na verdade.

— É? — James parecia resignado. Lily achou engraçada a reação, imaginando que aquele assunto deveria ser um dos tópicos que somente “melhores amigos” deveriam saber. Ao pensar naquilo, sentiu-se imediatamente enternecida pelo fato de Sirius ter confiado a ela algo tão importante. E, mais uma vez, sentiu-se preocupada pelo sumiço do garoto.

— Sim. Sirius consegue ser realmente insuportável quando quer, mas acho que acabou gostando de mim.

— A pergunta é: quem não gosta? — James brincou, fazendo-a corar ainda mais.

Lily rolou os olhos, sentindo uma vontade absurda de afundar na piscina até que todo o calor de seu corpo esvaísse, mas sabia que seria muito ridículo fazer uma coisa daquelas.

— Você se surpreenderia. — Lily comentou. — Minha mãe, por exemplo, está furiosa comigo. Acha que é culpa minha a Petunia ter enlouquecido por causa do ex.

James arqueou uma sobrancelha.

— O que está acontecendo, afinal? — Ele parecia realmente curioso, embora obviamente constrangido de perguntar aquilo tão diretamente. — Quero dizer, não que você precise falar, é claro, mas...

— Você lembra que a Petunia e o Vernon terminaram, não é? — Ele assentiu. — Pois bem, os pais do Vernon são donos dessa grande empresa de brocas e acharam que seria muito mais produtivo casar o filho único e herdeiro com outra herdeira de outra empresa e, de preferência, de um dos sócios. — James imediatamente estreitou os olhos, parecendo entender aonde ela iria chegar. — Eles arranjaram um casamento para o Vernon e ele acabou com a Petunia, o que não é nada surpreendente, afinal ele sempre se deixou levar pelos pais.

— Babaca. — James bufou e Lily concordou, mas então soltou um suspiro resignado. — E com quem ele iria casar?

Lily riu diante da pergunta, pensando na coincidência absurda que tudo aquilo era.

— Você deve conhecer uma tal de Bellatrix Black?

Os olhos de James arregalaram de surpresa e incredulidade.

— Não... A Bellatrix? Prima do Sirius? Você tem de estar brincando! — James não parecia acreditar. — Depois de todo esforço que ela fez para casar com o Rodolphos... meu Deus, ela deve ter ficado furiosa! E foi por isso que Sirius teve de ir! Eles iriam comemorar ou algo assim, não? — Voltou-se para ela, abismado.

— Na verdade, era uma janta de noivado. Só que, aparentemente, Vernon se revoltou nesse dia e acabou desmanchando o noivado antes mesmo dele acontecer.

— Você está brincando! — James disse, encarando-a, estupefato.

Lily riu e rolou os olhos.

— Quem me dera. Vernon nem chegou a ir para Godric’s Hollow.

— E então ele procurou a Petunia e seus pais ficaram furiosos? — James completou, pensativo, encarando-a enquanto esperava a confirmação.

Lily riu, perguntando-se se ele realmente pensava que a vida dos Evans era assim tão fácil.

— Não. Petunia foi atrás dele e, ao saber que ele havia desistido do noivado, voltou com ele. Os pais, furiosos, expulsaram ele de casa. E agora ele está morando aqui. — Respirou fundo, abismada com a quantidade absurda de merda em que aquilo tudo havia se tornado. —Meus pais não estão nada felizes. Bem, meu pai não está muito preocupado, mas minha mãe...

— Ela realmente não gosta do Vernon. — Ele comentou, óbvio.

— Não. — Lily assentiu e então o silêncio voltou a recair sobre ambos, enquanto bebericavam seus cafés.

Continuaram assim, apenas o som da água enquanto balançavam os pés ocupando o espaço entre eles, e Lily percebeu o quanto se sentia à vontade quando estava perto dele. E o quão estranho tudo aquilo era.

— Estou tentando imaginar como Petunia acabou indo atrás do Vernon. — Ele quebrou o silêncio, encarando a piscina de forma pensativa.

— Ah, ela estava muito bêbada, acabou agindo por impulso. — Lily disse e deu de ombros.

— Ah, então foi no sábado, quando ela bebeu demais e você foi embora depois de... — James interrompeu-se e Lily percebeu que o pescoço dele estava vermelho, assim como suas bochechas.

Sentindo o próprio rosto pegar fogo, Lily limpou a garganta antes de responder.

— Sim, foi naquele dia, depois de... — Mas também se interrompeu, sentindo o constrangimento atingi-la em cheio.

Ambos se encaravam, o ar ameno e amigável de segundos atrás estava completamente desaparecido. Lily podia ver nos olhos castanhos de James que ele estava lembrando das mesmas coisas que ela: o modo como haviam se beijado no sábado, a forma como haviam trocado toques e quando admitiram um para o outro que se gostavam.

Lily sabia que estava se inclinando na direção dele e que deveria parar, mas nenhum músculo de seu corpo parecia responder ao comando de seu cérebro. James também estava se aproximando, encarando-a com aquela expressão de tirar o fôlego, fazendo-a sentir-se imediatamente necessitada dos lábios dele sobre os dela.

E foi o que ele fez: terminou com os centímetros que faltavam entre eles e grudou seus lábios aos dela. A princípio o beijo foi calmo, suave e lento, o que fez com que o sangue de Lily parecesse engrossar dentro de suas veias, tornando cada batida lenta de seu coração um martírio para o desejo que eclodia em seu peito.

James esticou-se mais em direção a ela, soltando a caneca e segurando o rosto de Lily entre suas mãos, fazendo com que ela se sentisse estranhamente emocionada.

Era diferente beijá-lo daquela forma, tão terna, tão carinhosa.

Lily aproximou-se ainda mais, ouvindo a água protestar enquanto se movia de forma imprudente ao ir de encontro a ele, abraçando-o enquanto suspirava com a proximidade.

Ela ouviu perfeitamente quando a respiração de James pareceu oscilar, assim que os braços dela o puxaram para mais perto e então ele soltou seu rosto, usando as mãos para cavar dentre os cabelos dela, fazendo com que arrepios percorressem por toda extensão de sua nuca e costas. James afastou a mão esquerda de seus cabelos, descendo-a de modo que pudesse segurar Lily pela cintura. E então apertou-a ainda mais contra ele.

Estavam em uma posição inegavelmente desconfortável ali, sentados, tortos e com os pés na piscina, portanto foi muito natural para James rolar com ela sobre si, deitando-a na grama baixa e deitando sobre ela.

Lily abriu os olhos que, antes de um verde tão vívido, estavam escuros. Suas pupilas totalmente dilatadas indicavam a quantidade de desejo que sentia.

James precisou conter um gemido ao sentir toda a extensão do corpo dela contra o dele: languido, macio e quente. Ele sentiu-se endurecer imediatamente e, pela expressão no rosto de Lily, ela sentiu também.

Sorrindo de uma forma tão perversa que o surpreendeu, Lily puxou-o para mais um beijo, deixando-o totalmente sem fôlego.

A combinação de grama fria contra o corpo quente de James Potter fazia Lily suspirar, deixando-a totalmente trêmula e entregue àquele momento. James a beijava com afinco, aprofundando o beijo e mordendo seu lábio inferior em tempos intercalados. Logo ele desceu para seu pescoço enquanto ela tentava controlar-se para não acabar gemendo.

Era como reviver o corredor escuro, contudo, talvez porque sabiam que estavam sozinhos – exceto por Peter que, segundo James, estava morto sobre a cama – tudo parecia muito mais intenso. Lily sentia o suor escorrer por suas costas, tamanho era o calor que sentia, mas não conseguia se importar.

Tudo em que ela conseguia pensar era em James Potter e em seus lábios que não paravam de descer, desenhando uma trilha de fogo por todo seu maxilar, passando para seu pescoço onde, ela tinha certeza, deixaria uma marca de suas mordidas e então descendo ainda mais em direção ao seu colo.

Ela afundou as mãos nos cabelos dele, sentindo-se totalmente à mercê dos beijos de James Potter. A constatação de que nada os impediria de dar continuidade aquela situação tornava tudo mais real e sensível.

Percebendo onde ele iria chegar, Lily forçou-se sobre ele, impedindo-o de baixar ainda mais sua blusa e empurrando-o para baixo, ao seu lado. Sem dar muito tempo para que ele pudesse pensar, subiu por cima dele, não escondendo o gemido que escapou de seus lábios ao encaixar-se sobre ele. James xingou baixinho, fazendo-a sorrir.

Aproveitando-se da posição privilegiada em que estava, James enfiou as mãos por dentro da blusa dela, apertando-a e arranhando-a enquanto Lily o beijava e mordiscava em seu pescoço.

Eles suspiravam, desejosos e Lily parou de pensar no amanhã ou como tudo aquilo acabaria e se acabaria. Eles estavam sozinhos em uma casa enorme, os muros altos que cobriam a área da piscina eram suficientes para deixá-los escondidos dos olhares alheios e não havia ninguém que pudesse interrompê-los.

Ou, bem, era assim que Lily pensava quando, ao sentir James tatear com as mãos pelo fecho de seu sutiã, soltando-o, o latido alto que ecoou pelo pátio fez com que ambos se sobressaltassem.

De um pulo, Lily afastou-se de James, sentindo o coração quase sair pela boca ao olhar para os lados a fim de descobrir a origem do barulho: era Odette. A cadela de James que até então havia estado escondida Vader sabia onde, decidira aparecer para interromper o que, com certeza, iria muito longe.

Erguendo-se de onde estivera deitada, Lily sentiu-se total e completamente constrangida ao dar-se conta do que estivera prestes a fazer ali, na grama do pátio de James Potter.

Imaginando que sua vergonha não poderia ser maior, percebeu o olhar do garoto – que havia acabado de se levantar do chão, aparentemente tão constrangido quanto ela – sobre seus seios.

Baixando o olhar captou o que ele deveria estar vendo: seu sutiã havia sido aberto, portanto sua blusa estava toda torta o que fazia com que seus seios ficassem um pouco à mostra demais para o gosto dela.

Cruzando os braços sobre o peito, tentou parecer bastante madura ao comentar:

— Acho que a Odette está querendo a sua atenção, James. — Disse, sentindo-se extremamente estupida por conta daquilo.

James, que parecia tão surpreso com tudo aquilo quanto ela, foi até onde a cadela estava, abaixando-se para acaricia-la no pescoço, acalmando-a. Lily agradeceu, pois, assim que ele virou de costas, ela se aproveitou para arrumar a lingerie e tentar encontrar uma forma de tudo aquilo parecer menos constrangedor.

— Eu... ah... — James começou a falar quando soltou a Odette, voltando-se para Lily e encarando-a parecendo tão constrangido quanto ela. — Me desculpe por isso, a Odette é um pouco ciumenta, eu acho. — Ele brincou, fazendo com que Lily corasse ainda mais.

Imaginou quando na vida iria conseguir passar mais do que poucos minutos junto de James Potter sem acabar passando alguma vergonha. Sentindo-se prestes a surtar – como sempre acontecia quando o via – Lily soube que precisava ir embora. Somente pensar no que estiveram tão próximos de fazer a deixava zonza. Ela queria, muito, estar com ele daquela forma, contudo, pela segunda vez, o destino havia deixado muito claro que ainda não era o momento. Odette que o dissesse.

— Tudo bem. — Lily comentou, pensando em quantas vezes já havia repetido que “tudo estava bem” para James e imaginando quando é que ela diria aquilo de forma sincera. Suspirando, limpou a grama que havia em sua roupa enquanto falava: — Eu vou indo para casa, James. Devem ser quase as duas da madrugada e eu tenho algumas coisas para fazer amanhã de manhã. — Ergueu os olhos para ele, percebendo que o sorriso em seu rosto havia diminuído.

— Certo. — Ele disse, assentindo em concordância. —Vou te levar até lá.

— James, não precisa. Eu moro ali do lado. — Lily apontou em direção à sua casa, rolando os olhos para ele.

James deu de ombros.

— As ruas são perigosas essa hora da madrugada, Lily, então todo cuidado é pouco. — Sorriu para ela e, pegando-a pela mão, caminhou com ela pelo corredor que ficava ao lado da casa e que os levaria até a frente.

Quando, depois de menos de um minuto, chegaram em frente à casa da Lily, ela voltou-se para, sorrindo de forma besta.

— Muito obrigada, James. Me senti muito protegida no caminho até em casa. — Brincou e encostou-se no portão, sentindo o ar fugir de seus pulmões ao percebê-lo tão perto.

Da mesma forma que havia feito ao se despedir dela no Três Vassouras, James selou seus lábios aos dela, lento e preciso. O beijo era totalmente diferente dos que haviam dado minutos atrás, contudo a atingiam com a mesma intensidade. Talvez até mais.

Quando ele se afastou, beijou-a na ponta do nariz, fazendo com que um sorriso escapasse de seus lábios, os olhos verdes transpareciam um sentimento que nem mesmo ela conseguia explicar.

— Obrigada pelo café. — Ela disse com a voz rouca.

Em sua mais nova mania, James afastou os cabelos do rosto de Lily, piscando para ela.

— Obrigado pela companhia. — Disse. — Agora é melhor você entrar, antes que sua mãe descubra que está aqui fora falando com estranhos.

— Você não é estranho. — Lily resmungou, rolando os olhos para ele, embora abrisse o portão.

— É muito bom ouvir isso. — Ele disse, fazendo-a estremecer. — Boa noite, Lily.

— Boa noite, James. — Ela respondeu e então abriu o portão, caminhando em direção à sua casa, tentando fazer menos barulho possível. Não queria deparar-se com uma Helena Evans enfurecida. Não depois da noite incrível que havia tido.

Ao apagar as luzes de seu quarto e deitar-se na cama, ergueu os dedos até os lábios, tocando-os com cuidado enquanto lembrava de todos os beijos que havia trocado com James e da quantidade infinita de beijos que ainda sentia vontade dar nele.

Poucos metros dali, James resmungava com Odette que o encarava com uma expressão de satisfação animal.

— Céus, Odette, porque você não está dormindo? — James bufou e então pegou as duas canecas próximas da piscina, sorrindo enquanto voltava para dentro da casa sem conseguir afastar Lily de seus pensamentos.

X—X

Sentindo-se bem como se houvesse dormido uma semana inteira e não apenas algumas poucas horas, James acordou de muito bom humor. Saindo do meio das cobertas, encaminhou-se para o banheiro a fim de tomar um banho e eliminar os resquícios de sono de seu corpo.

Estava descendo as escadas, ainda secando o cabelo com a toalha, quando deu um encontrão em Peter que vinha na direção oposta. Estava prestes a abrir a boca para reclamar quando o amigo colocou um dedo sobre a boca e indicou o andar de baixo de onde, James percebeu tardiamente, o som de gritos irritados ecoavam.

—... não consigo acreditar! — Mary dizia e em seu tom de voz estava clara a mágoa e o ressentimento. — Por que não me contou desde o início? Você achou que seria legal me tratar como uma palhaça, como uma segunda opção, Remus? Eu... não consigo acreditar.

— Mary, não é o que você está pensando, eu apenas... — Remus parecia desesperado. Somente ao ouvir sua voz James percebeu que o amigo não estava em uma situação confortável. — Me desculpe, eu realmente não queria mentir para você.

— Queria tanto que acabou mentindo, Remus.— Mary retrucou e então ambos ficaram em silêncio até que, por fim, ela voltou a falar. — Eu preferia que você tivesse me avisado, sabe, para que eu não entrasse tão de cabeça como fiz. Para que eu tivesse me preparado. Sabe o que mais dói? É perceber o quanto você mente, Remus, e o quanto isso machuca as pessoas que realmente se importam com você. Você magoou o Sirius e agora eu. Quem vai ser o próximo?

— Eu...

— Eu vou para o hotel. Sinto que não tenho mais nada a fazer aqui. — E então o som de passos foi ouvido e, antes que James e Peter pudessem sair da escada e se esconderem, Mary cruzou na outra ponta, erguendo os olhos para eles.

James sentiu o peito apertar ao perceber que a garota estava chorando.

— Tchau, James. Tchau, Peter. — Acenou para eles e, pegando a bolsa de cima do sofá, encaminhou-se em direção à porta sem nunca olhar para trás.

Somente quando ouviram o som da partida de carro é que ousaram se mover e desceram as escadas, deparando-se com um Remus pálido e com a expressão totalmente desgostosa. Ele ergueu os olhos para os amigos, forçando um sorriso para eles.

— Hey, meninos... A Mary...

— Foi embora. Nós ouvimos. — Peter disse, sem um pingo de culpa e então desviou do amigo, indo em direção à cozinha. — Sabe, Remus, ela tem razão.

— O quê? — Remus, parecendo atordoado com o amigo, também foi para a cozinha, sendo seguido de perto por James. — Do que está falando?

Abrindo a geladeira para pegar coisas para o café da manhã, Peter disse:

— De você ter medo de se assumir. — Respondeu, calmo e totalmente direto.

Até mesmo James ficou chocado com a absurda sinceridade do amigo. Remus sugou o ar, estupefato.

— O quê? — Remus conseguiu falar, após muito tempo no qual apenas encarou Peter colocar as coisas na mesa e preparar um sanduíche. —Você não pode estar falando sério.

— Remus, fala sério você! Eu te conheço desde sempre, cara. — Peter disse e rolou os olhos, voltando-se para James. — Diga para ele, James. Diga que está sendo babaca por ficar mentindo para si mesmo.

Sentindo-se encurralado, James olhou de Peter, que parecia a calma em pessoa, para Remus, que parecia prestes a explodir. Ambos esperavam por sua resposta e James gemeu internamente, sentindo todo o bom humor com o qual havia sido agraciado naquela manhã evaporar.

Suspirando, concordou com Peter.

— Ele tem razão, Remus. — James disse, por fim, sentindo-se estranho. Claro, ele sempre soubera do “segredo” de Remus, embora o amigo nunca falasse sobre aquilo. Assim como sempre soubera que havia alguma coisa entre ele e Sirius, mesmo que nenhum dos dois tocasse no assunto. Como Remus nunca havia falado qualquer coisa a respeito e parecia receoso demais de se abrir para ele sobre aquilo, James havia deixado para lá, pois sabia que aquilo não mudaria em nada o que sentia por ele.

Mas não podia negar a burrice de Remus e a forma como estava fazendo mal a si mesmo ao ficar tentando mudar algo que era de sua natureza.

— Vocês não podem estar falando sério! — Remus olhou de James para Peter como se esperasse que algum dos dois gritasse “Primeiro de Abril”, mas, como nenhum deles o fez, esbravejou: — O que vocês pensam que eu sou para ficarem dizendo que “estou mentindo” para eu mesmo?

Gay? — A palavra escapou tão facilmente da boca de Peter que, novamente, James sentiu-se chocado. Ele sempre soubera que Peter não tinha muito tato para as coisas, mas daí falar uma coisa daquelas tão facilmente era insano! — Qual é, Remus, você não acha mesmo que a gente se importa com isso, né? Como se não soubéssemos. — Mordeu o sanduíche, mastigando-o calmamente.

Sem dizer uma única palavra, Remus lançou um olhar fulminante na direção de Peter e saiu da cozinha, subindo as escadas de dois em dois degraus e sumindo no segundo andar.

James, ainda parado perto da porta, não soube como reagir.

— Quer, James? — Peter perguntou, indicando o pão e o queijo para ele. — Está ótimo.

— Peter! — James finalmente disse, encaminhando-se para o armário e pegando o pacote de café.

— O quê? — O outro perguntou, indiferente. — Estava na hora dele ouvir umas verdades, James. O cara estava só enrolando essa menina porque tem medo de admitir o que é para si mesmo, porque tem medo de assumir para nós, que somos os melhores amigos dele, o que ele é. Se nos importássemos com isso, já teríamos falado há muito tempo, porque, francamente, era muito óbvio.

— Meu Deus, Peter, você tem a mesma delicadeza que aquela janela. — James comentou, assombrado com a sinceridade do amigo, embora concordasse com ele. Suspirando, colocou o café na cafeteira e foi procurar uma caneca enquanto esperava ficar pronto. Nenhum dia poderia começar bem sem café.

— Se fizer efeito e ele parar de agir como um babaca covarde, então minha sinceridade vai ter valido a pena. — Peter deu de ombros. — Ah, James, a McGonagall ligou e disse que queria falar com você.

— Oh, deve ser sobre a palestra em Hogwarts. — Comentou e então foi até o telefone fixo, pegando-o do suporte. — Ela te falou mais alguma coisa?

— Perguntou bastante sobre o Brasil e o que eu estava fazendo lá.

— E você gostou de lá?

— É um país incrível, James! Claro, agora eles estão enfrentando uma crise danada, mas é lindo. — Peter disse. — O povo é muito mais amigável do que por aqui, as pessoas se importam. É estranho voltar para a Inglaterra e não ter pessoas dando bom dia enquanto caminho pelas ruas. Isso para não falar nas maravilhas naturais que tem por lá.

— Você só foi para o Rio e São Paulo? — James perguntou, caminhando até a cafeteira enquanto digitava o número de McGonagall.

— Sim. — Peter assentiu. — Mais no Rio, na verdade, afinal o meu convite é para acompanhar as Olímpiadas e elas irão passar por lá. Estou bastante animado sobre os jogos, muitas ideias de vídeos e coberturas. — Os olhos dele brilhavam enquanto imaginava as ideias.

James sorriu e estava prestes a falar que estava feliz por ele ter sido chamado para algo tão importante quando McGonagall atendeu sua ligação.

James.

— Minnie! — James cumprimentou-a, alegre. — Bom dia.

Queria saber se você já decidiu o que vai fazer com o contrato de Slughorn. — A voz dela pareceu se contrair ao pronunciar o nome do ex-marido.

— Ah, sobre isso... — James suspirou e passou uma mão pelos cabelos. — Eu pensei bastante e a proposta é realmente boa...

Então?

— Mas eu preciso me dedicar à faculdade esse ano. Fiz uma promessa de que iria dar o melhor de mim e é o que farei. Os meninos concordaram comigo, portanto não, nós não vamos assinar.

Ótimo. — McGonagall parecia tão satisfeita que James soltou um risinho. — Bem, era isso. Ah, amanhã irei até o Três Vassouras para arrumar os papéis do aluguel e, depois, voltarei para Londres. Diga ao Peter que falei com o Alex e que é para me avisar quando ele voltar para o Brasil, preciso discutir algumas coisas com a empresa que fez o convite.

— Okay. Nos falamos, Minnie. — James disse. — Beijos.

Tchau, James.

— Simpática como sempre. — James murmurou fazendo Peter sorrir. — Ela disse que falou com um tal de Alex e que é para você avisá-la quando estiver de volta ao Brasil, pois quer conversar com a empresa que fez o convite. — Pegou a caneca de café e foi até a mesa, sentando em frente ao amigo.

— Quando ela diz que quer conversar com alguém eu fico até com medo. — Peter brincou, fazendo com que James concordasse.

— Você não é o único, Worm.

X—X

E você desligou na minha cara! Que tipo de amiga você é que, além de me esconder que fica aos beijos com outra pessoa, ainda por cima desliga na minha cara?

— Marley, por favor, não foi assim. Eu desliguei porque tive de fazer outra coisa...

Outra coisa? À uma da madrugada, sério? A quem você quer enganar, Lily Evans? Ande, me conte, que diabos está acontecendo? — Marlene parecia impaciente e Lily sabia que, em partes, a amiga tinha razão, contudo não era culpa dela que o destino decidisse agir e interferir justo quando estava ligando para Marlene.

— Okay, Marley, eu vou te contar, está bem? — Lily suspirou e segurou o celular entre o ombro e o ouvido enquanto terminava de arrumar a cama.

Deviam ser onze horas da manhã e, embora ela tivesse acordado há várias horas – sem ter conseguido dormir muito depois de toda a agitação da madrugada – somente naquele momento decidira fazer alguma coisa em relação à bagunça de seu quarto.

Anda, fala logo, Lily!

— Okay, bem, eu esbarrei no James lá na festa...

Céus, Lily, você já contou essa parte. Não precisa enrolar tanto! Quero saber é da pegação, amiga! —Marlene bufou, contrafeita, fazendo com que Lily gargalhasse.

— Certo. Depois que eu esbarrei em James, ele pediu para conversar comigo e então procuramos por um local mais calmo onde pudéssemos-

Dar uns amassos.

— Marley! Não! James queria mesmo conversar. Ele pediu desculpas por ter agido feito um idiota no dia do encontro com a Emme-

No dia do encontro com... LILY EVANS! Por que eu não estou sabendo como foi esse encontro também? Céus, parece que não te conheço mais! — O drama de Marlene era quase palpável.

Lily rolou os olhos para a amiga e estava prestes a reclamar da dramaticidade da ligação quando bateram na porta de seu quarto.

— Só um minuto, Marley. — Lily disse e, pulando por cima dos travesseiros que havia deixado no chão, abriu a porta. A sensação de déjà vu que a tomou a deixou sem fôlego ao deparar-se, mais uma vez, com James Potter parado no corredor, encarando-a, divertido.

Lily? — Marlene chamou-a.

— Depois eu te ligo, Mar’.

Depois... DE NOVO? Lily Evans o que-— Mas Lily já havia desligado.

— James.

— Bom dia. — Ele sorriu para ela, deixando-a imediatamente sem fôlego.

— Bom dia. — Lily repetiu com a voz fraca. — Ah! — E, dando-se conta de que ele estava esperando ela dar entrada para o quarto, saiu da porta, deixando-o adentrar na bagunça que estava tentando arrumar. — Parece que um furacão passou por aqui, mas eu estava apenas procurando meus sapatos. — Lily brincou e fechou a porta, tendo o cuidado de girar a tranca, gesto que não passou despercebido aos olhos de James que sorriu, divertido. As bochechas de Lily tingiram-se de vermelho em uma velocidade recorde. — Você sabe, as pessoas dessa casa têm essa mania de ficar entrando nos quartos sem bater antes. É realmente constrangedor. — Rolou os olhos, tentando disfarçar o constrangimento de ter sido pega trancando a porta.

— Eu lembro. — Ele comentou, divertido, fazendo-a, se era possível, corar ainda mais. — Mas então, Lily, não sei se você tem acompanhado os últimos vídeos do canal... — Lily sabia que a expressão de surpresa dela deveria ser muito hilária, afinal ela, depois de tudo, não estava preparada para vê-lo reagir de forma tão natural com o fato dela ser uma fangirl, conversando como se o fato dela “acompanhar” os vídeos do canal de James fosse algo absurdamente normal e não amedrontador, afinal ela já havia confessado que era praticamente uma stalker. — O meu canal alcançou os três milhões de seguidores e, nesse sábado, haverá uma festa de comemoração. Será no Três Vassouras e... eu realmente gostaria que você fosse.

Alguma coisa esquentou no peito de Lily, fazendo com que o coração dela parecesse acelerar milhões de quilômetros, fazendo-a ficar imediatamente ofegante diante do convite. De todas as coisas que poderia ter imaginado, de todas elas, jamais havia pensado que viveria o dia em que James Potter a convidaria pessoalmente para ir em sua festa. E nem que ele demonstraria tanto carinho em tão poucas palavras ou o modo como os olhos dele pareceriam derreter sobre os dela, tornando-o ainda mais bonito do que o normal.

Por alguns segundos, Lily pensou que havia acontecido: ela finalmente havia enlouquecido. Passara tanto tempo escrevendo e lendo fanfics que acabara tendo sua mente transportada para um Universo Alternativo onde James Potter era seu vizinho em quem ela dava alguns beijos vez ou outra e que a chamava para sair.

— Lily? — James chamou-a, arrancando-a de seus devaneios.

— Ah, oi. Desculpa eu... — Ela meneou a cabeça enquanto tentava organizar os pensamentos de forma que conseguisse expressar o que estava sentindo. Decidiu que, já que James estava sendo tão legal com ela, seria sincera. — É muito estranho isso. — Disse e ergueu os olhos para ele, percebendo a expressão de confusão em seu rosto. — Te ouvir falar de mim como fã, como se fosse alguma coisa normal-

— Mas é normal.

— É, mas parece que você descobriu o segredo mais íntimo da minha alma e agora está falando dele como se fosse algo recorrente e... é estranho. — Então sorriu para ele, soltando a respiração que nem havia percebido estar segurando. — Mas eu gosto. Gosto muito. É libertador saber que não preciso mais mentir e fingir que nunca te vi na vida, quando estava óbvio que eu sabia quem você era. — Rolou os olhos, sentindo-se envergonhada ao lembrar-se de como, há apenas uma semana, agia de forma totalmente dissimulada para que James não descobrisse sobre seu fanatismo. — Mas, infelizmente, não vou poder ir na sua festa.

O sorriso que aparecera no rosto de James enquanto Lily falava pelos cotovelos sumiu ao ouvir suas últimas palavras.

— Por quê? — Ele perguntou, confuso. — Você não quer ir? É por causa dos... beijos? Lily, eu realmente não quis te constranger ou...

— Não, James, não é isso. — Ela interrompeu-o, descartando as preocupações dele com um gesto da mão. — É que eu tenho uma Convenção no sábado. É de Cosplayers e-

— Você é cosplayer? — Ele a encarava, surpreso. — Que demais!

— Sim! — Lily disse. — Então, eu tenho essa convenção no sábado e, por mais que eu queira muito ir na sua festa, afinal eu não posso negar que, por trás dessa minha postura extremamente comportada estou dando gritinhos e pulinhos de fangirl, já havia combinado com a minha amiga de ir. E eu tenho certeza de que, se eu avisar que não irei mais, minha família não vai encontrar nem mesmo os meus restos mortais. — Fingiu estremecer.

— Sua amiga parece ser legal. — James brincou.

Lily rolou os olhos.

— Ela é. Um pouco dramática, às vezes, mas ótima. — Encarou-o, sentindo-se com dois corações. Embora estivesse muito animada para ir na convenção com Marlene, uma parte dela queria com todas as forças jogar tudo para o alto e ir na festa para a qual James Potter a havia convidado pessoalmente. — Me desculpe mesmo, James, eu adoraria ir. Mas não posso.

Parecendo muito mais chateado do que ela havia esperado, James assentiu e então colocou as mãos nos bolsos, dando de ombros.

— Tudo bem. — Ele disse e então, suspirando, voltou a sorrir. — Sempre tive curiosidade de ir numa dessas convenções. Parece ser muito legal!

— É! — Lily prontamente assentiu. — Eu adoro! Marlene e eu vamos todos os anos, há cinco anos. É realmente divertido ver a criatividade do pessoal com as fantasias. Isso para não falar que é ótimo fingir ser um personagem, às vezes.

— Um dia eu vou. Aí você vai ter que me ajudar com uma fantasia. — James brincou com ela e então começou a percorrer os olhos pelo quarto. — Você gosta mesmo de Star Wars.

— Todo mundo fala a mesma coisa quando entra aqui. — Lily bufou, embora sorrisse. — E, sim, eu gosto. É meio óbvio.

Por Vader que é. — Ele brincou, imitando-a. Vê-lo fazer aquilo fez, se era possível, Lily gostar ainda mais dele.

Gostar... pensar naquilo fê-la lembrar da noite no Três Vassouras onde ele havia dito que gostava dela. E Lily respondera da mesma forma.

Talvez tivesse sido a expressão no rosto dela, mas James pareceu perceber no que ela estava pensando, pois se aproximou, contornando um dos travesseiros até estar em frente a ela.

— Isso está ficando bastante comum. — O comentário escapou dos lábios dela, fazendo-a ofegar logo em seguida.

James arqueou uma sobrancelha, divertido.

— O que está ficando comum? — Ele perguntou com seu tom de voz divertido.

— Nós dois, assim... perto. — Ela indicou o pequeno espaço entre eles. Os olhos de James brilharam, um sentimento ilegível espocando por eles.

— Eu gosto disso. — James disse e então tocou no rosto dela, delicado e carinhoso, fazendo-a suspirar. —Gosto muito, Lily.

— Eu também. — A voz dela era um sussurro, mas ele estava tão perto que ouviu.

Inclinando-se para ela, James capturou os lábios dela nos seus, num beijo de tirar o fôlego. Bem, e que beijo de James Potter não era de tirar o fôlego? Lily pensou, irônica, antes de perder todo o foco de seus pensamentos, deixando-se levar – como sempre o fazia quando estava com ele – pelas sensações que a invadiam ao sentir os lábios dele novamente sobre os seus.

O coração de Lily acelerou mais do que antes, fazendo parecer como se estivesse prestes a romper seu peito. A respiração dela saia entrecortada enquanto sentia James segurá-la pela nuca, aprofundando o beijo enquanto ela se aproximava. Estava tão concentrada que demorou para perceber que o que vibrava entre eles não era o ar, mas sim o celular de James que estava em seu bolso esquerdo.

— Você sabe, parece que estamos tentando fazer algo impossível para o cosmos. — James reclamou para Lily, encarando-a de forma irritada enquanto puxava o celular do bolso. Soltando uma exclamação nada lisonjeira que fez com que Lily risse, James se afastou e atendeu a ligação. — Oi, mãe.

Lily tentou não prestar muita atenção no que ele estava falando enquanto voltava-se para a arrumação de sua cama, erguendo os travesseiros do chão e organizando-os sobre o colchão. As palavras de James ecoavam em sua mente, fazendo-a rir consigo mesma. Se James soubesse o tamanho do azar dela, jamais colocaria a culpa no cosmos. O cosmos não tinha culpa que ela era uma atração para interrupções ou vexames.

Assim que terminou com a cama, voltou-se para a escrivaninha, pegando as duas canecas que haviam ali em cima e levando-as para o banheiro para lavá-las na pia de lá. Ela sabia que não era nada higiênico, mas gostava de ter duas canecas em seu quarto e demoraria demais ir até o primeiro andar, lavá-las na pia da cozinha e então leva-las novamente para o quarto.

Enquanto ela fazia aquilo, James caminhava de um lado a outro no quarto, conversando com a mãe. Lily lembrou-se de Euphemia Potter, a mulher que, em várias ocasiões, havia aparecido nos vídeos e snaps de James. Ela parecia ser alguém divertida, embora Lily sempre houvesse pensado que ela parecia segurar bastante as rédeas do filho. No fundo de sua mente ouvia James responde-la e contar sobre coisas como a cidade, a mudança e divagar sobre Sirius, Remus e Peter.

Quando se deu por satisfeita com a limpeza das canecas, deixou-as sobre a pia e voltou para o quarto. James a esperava.

— Você também lava as canecas no banheiro. — James constatou, encarando-a com a sobrancelha arqueada.

— Dá muito trabalho levá-las até a cozinha, na verdade. — Lily deu de ombros e então lembrou-se de uma coisa que queria dizer a ele há várias semanas. — Sabe de uma coisa, James Potter, tenho uma reclamação a fazer. — Disse, encarando-o, séria.

Parecendo assustado com a mudança súbita de comportamento de Lily, James encarou-a, apreensivo.

— Você me deve anos de meio salário gasto em café. — Falou e cruzou os braços sobre o peito. James piscou algumas vezes, sem conseguir entender o que ela estava falando. — Sabe, anos atrás eu odiava café, daí você começou a falar toda a maldita hora sobre o quanto era maravilhoso e como servia para todos os momentos da vida e eu acabei sendo digitalmente influenciada. — Apontou um dedo para ele. — Agora eu preciso manter o meu vício, James Potter, e isso não é nada fácil.

Finalmente parecendo entende-la, James caiu na gargalhada, divertindo-se da expressão estampada no rosto dela.

— Juro que te recompenso. — James disse após se recuperar do riso e passou as mãos pelos cabelos, suspirando. — Preciso ir, Lily, tenho muitas coisas para fazer, infelizmente. As coisas lá em casa estão bastante confusas e eu tenho certeza de que Minnie vai acabar me matando se eu não começar a comprar as coisas para a festa ainda hoje.

— Você não comprou? — Lily assombrou-se. James pareceu sem graça e passou as mãos pelos cabelos novamente.

— Eu tenho essa mania de deixar as coisas meio que para cima da hora. — Deu de ombros, fazendo-a rir.

— Por Vader, James, faltam apenas dois dias! Você precisa correr! — Ela disse, surpresa com a calma na qual ele se encontrava. Se fosse ela, já estaria totalmente ansiosa, conferindo tudo para ter certeza de que estaria em ordem e, claro, surtaria muito com suas amigas.

— Estou indo fazer isso, Senhorita Evans. — James disse, insolente, enquanto saíam para o pátio da frente da casa dela e era escoltado até os portões. — Obrigado por me pressionar ainda mais do que a McGonagall.

— Sua agente?

— Oh, você está bem inteirada, hm? — Ele brincou com ela, fazendo-a corar. — Mas eu gosto disso. — E então beijou-a na ponta do nariz como havia feito na noite anterior. — Tchau, Lily. Nos vemos.

— Tchau, James. Boa sorte! — Lily disse e observou-o se afastar, um sorriso bobo estampado em seus lábios.

[SEXTA-FEIRA — 22 DE JULHO, 2016]

—___________________________

Lily: Sirius, você está bem?

Lily: fazem dias que não aparece por aqui, estou preocupada

Lily: Sirius, por favor, me responde, tá?

Lily: sei que você é insuportável às vezes, mas eu me importo com você e estou ficando

Lily: REALMENTE PREOCUPADA

Lily: aconteceu alguma coisa com a sua família?

Lily: foi com o Regulus?

Lily: Aí meu Vader, Sirius Black, odeio você por me fazer ficar assim!

Lily: fala comigo quando entrar, okay?

Lily: tenho muitas coisas para te contar, portanto preciso de você vivo! Hehe

Lily: sério, Sirius.

Lily: beijos.

—__________________________

Lily sentia-se inquieta enquanto encarava a tela do computador, as mensagens do Twitter abertas e nenhuma resposta de Sirius. Há dias. Estava, obviamente, preocupada. Tentou pensar em motivos razoáveis para ele estar tão sumido, mas nenhum deles parecia ser razoável.

Ela sentia a raiva borbulhar em seu peito só de imaginar o que poderia estar acontecendo na casa de Sirius, se estavam fazendo alguma coisa com ele. Estava devaneando sobre possíveis intervenções à Godric’s Hollow – que não ficava mais do que uma hora e meia de distância de Hogsmeade – a fim de buscá-lo, quando Guga Jones estalou os dedos em frente aos seus olhos.

Piscando, desnorteada, Lily focou o olhar sobre ela.

— Oi, Guga! — Cumprimentou-a, sentindo-se constrangida por causa de sua completa falta de atenção.

— Ainda bem que era eu, imagina se é alguém querendo assaltar a loja? — Guga brincou. — Ou alguma das Jily Shippers?

Sentindo-se corar, Lily soltou uma risadinha sem graça, sem conseguir se importar muito com o fato de Guga saber da foto, afinal somente naquela sexta-feira, pelo menos seis Snitches haviam aparecido a fim de especular sobre sua vida amorosa e se ela estava mesmo namorando James Potter. Algumas delas eram mais discretas, fingindo que escolhiam CD’s e discos enquanto faziam perguntas no ar, mas outras – inclusive uma delas até mesmo tirou uma foto – pareciam não ter qualquer pudor ao indagá-la sobre o beijo.

Lily estremeceu só de lembrar.

— Ah, então você já sabe. — Lily rolou os olhos.

— Bem, e quem não sabe?

A ruiva não soube como responder, afinal aquela era mesmo uma pergunta retórica.

— Precisa de alguma coisa, Guga? — Lily questionou, fechando a página do Twitter e fazendo a volta no balcão. — Algum CD, disco...?

— Na verdade, eu queria falar com você. — A garota parecia levemente desconfortável, o que Lily estranhou.

— Hm, tudo bem. — Ela assentiu e pegou o espanador, preparando-se para tirar o pó antes de ir embora como sempre fazia nas sextas-feiras. — O que você quer falar, Guga?

— É sobre a Emme. — Guga disse, de supetão, fazendo com que Lily parasse de se esticar para limpar a prateleira mais alta e volta-se para encará-la. — Queria saber se você realmente não quer nada com ela.

Piscando algumas vezes, imaginando se não havia ouvido errado, Lily encarou-a e tinha certeza de que em sua expressão deveria haver um “QUÊ?” bem grande.

Guga suspirou.

— É que eu gosto dela, sabe. E acho que estava meio óbvio, pois ela foi muito gentil quando me disse que estava saindo com você.

Soltando uma exclamação de surpresa, Lily segurou-se na prateleira, sem saber ao certo como reagir. E então percebeu porque Emme parecia tão constrangida quando ela havia indagado sobre Guga.

— Ela disse isso?

— Sim, foi na quinta passada. Ela disse que vocês tinham um encontro ou algo assim. Então eu fiquei na minha, sabe. Só que ontem eu a vi e ela não parecia muito feliz. Quando eu perguntei sobre vocês, ela disse que você estava em outra.

— Ah... — Lily não sabia ao certo se sentia mais constrangida ou mais culpada ao ouvir a menina. — Ah, Guga, sobre isso... Emme e eu não funcionamos. Acho que ela estava com expectativas grandes demais... e eu não pude alcança-las.

— Hm... — Guga encarou-a fixamente, como se quisesse ler seus pensamentos através do olhar. — Então se eu tentar-

— Você pode ficar à vontade. A Emme é muito especial, Guga. E ela merece alguém especial também! Vocês ficariam ótimas juntas. — Lily sorriu para ela, querendo mais do que tudo que estivesse certa e que elas realmente dessem certo. Não conseguia pensar num casal melhor e, bem, como boa shipper, estava mais do que torcendo.

— Obrigada! — Guga, surpreendendo Lily, atirou os braços sobre ela, abraçando-a com força e então se afastou. — Eu estava com medo que você pudesse se ressentir ou...

— Está tudo bem, Guga, sério.

— Hm... isso é porque você está com o Potter? — A menina perguntou, cedendo a curiosidade que parecia se abater sobre ela.

Lily corou.

— Não! Quer dizer, não sei... quer dizer, ah... é complicado. — Lily deu de ombros, porém franziu o cenho ao perceber que não fazia ideia do que diabos estava acontecendo entre ela e James Potter.

— Bem, seja o que for, acho que vocês ficam ótimos juntos. — Guga piscou. — E eu sei que não sou a única. — Sorriu. — Bem, Lily, vou te deixar trabalhar. Obrigada pela conversa, foi... ótima. — E, sorrindo ainda mais, deu tchau para Lily, cantarolando enquanto saia da loja.

Lily sorriu também, feliz por pelo menos uma coisa no meio de todo aquele azar e constrangimento parecer estar no caminho certo.

— Que a força esteja com vocês. — Murmurou e então voltou a tirar o pó.

X—X

Uma hora mais tarde, Lily fechou as grades da loja, aliviada por saber que teria dois dias de descanso antes de voltar à loucura que trabalhar no Movie-Maker havia se tornado. Ela amava aquela loja, mas não tinha estrutura para lidar com aquelas fãs de James que pareciam ser stalker profissionais e sabiam coisas demais sobre ela.

Colocando seus fones e preparando-se para a caminhada na chuva até sua casa, Lily abriu o guarda-chuva, deu play e começou a caminhar. Estava tão perdida em pensamentos, embalados pela música, tentando desviar das poças que se acumulavam em seu caminho e se proteger da chuva que caía a cada segundo mais forte, que demorou um pouco até perceber que havia um carro andando lentamente ao lado dela.

Assustando-se e imaginando mil e uma coisas sobre assaltos, abusos e várias outras tragédias, soltou um suspiro de alivio quando reconheceu o motorista.

— Oi, James. — Ela cumprimentou-o, parando de andar quando o viu estacionar na vaga em frente onde ela estava.

— Não quis te assustar. — Ele disse, desculpando-se. Seus cabelos estavam bagunçados e sua barba por fazer. Lily quis se atirar para dentro do carro e beijá-lo ali mesmo. — Você estava distraída.

— Eu realmente preciso prestar mais atenção por onde eu ando. — Ela deu de ombros e então encarou-o. Ele inclinou-se na direção do banco do carona e abriu a porta.

— Sobe, eu te dou carona. — Ele disse e piscou para ela.

Não vendo motivos para recusar, Lily fechou o guarda-chuva, sentindo alguns pingos caírem sobre seu rosto e cabelo antes de entrar no carro, sentando-se e fechando a porta. Os vidros escuros davam a impressão de que era noite do lado de fora.

— Aqui. — James esticou uma mão para o banco de trás e puxou um casaco de lá e colocou sobre os ombros dela, espanando um pouco das gotas de chuva de seu rosto e, como sempre, fazendo-a ficar sem fôlego sem qualquer esforço. — Está com frio?

Agora não.— A resposta de Lily saiu com mais maldade do que havia esperado, contudo, o que ela poderia fazer, afinal? Eles estavam em um espaço apertado, separados do mundo por conta daqueles vidros fumê, totalmente sozinhos e, James, como sempre, estava perto demais. Não era como se ela fosse conseguir controlar algo tão simples como sua voz.

Os olhos de James fixaram-se nos dela quase por um minuto inteiro – ou foi o que pareceu para Lily – prendendo-a ali, imóvel, enquanto pareciam tentar ler a mente um do outro. E os pensamentos estavam muito claros, os desejos estavam muito claros. Lily podia dizer exatamente o que ele queria naquele momento, pois era o mesmo que ela estava desejando desde a primeira vez em que haviam se beijado.

De uma forma que parecia estar sendo bastante comum nos últimos dias, James inclinou-se para Lily ao mesmo tempo em que ela se inclinou para ele, unindo seus lábios, terminando com a distância que havia entre eles.

Lily sentiu mais do que viu quando James desafivelou o cinto que o prendia em seu banco, dando a ele mais liberdade para puxá-la para perto.

Ela sabia que, talvez, eles estivessem indo rápido demais, que nem mesmo se conheciam o suficiente para estarem ali, prestes a fazer algo irrevogável, mas não conseguia se importar ou se arrepender. Lily o queria. Mais do que jamais havia querido alguém em toda sua vida.

Somente os lábios de James sobre os dela causavam mais sensações do que todos os seus ex namorados juntos. Ele a fazia sentir milhares de coisas ao mesmo tempo e todas essas coisas eram estupidamente maravilhosa.

Portanto, apesar deles não se conhecerem por muito tempo, apesar de que nem mesmo eram namorados ou qualquer outra coisa, foi absurdamente natural para Lily aprofundar o beijo, deixando-o acaricia-la com mais afinco do que nunca, o casaco que ele havia emprestado a ela segundos atrás totalmente esquecido.

Quem precisava de um casaco quando se tinha um James Potter? Principalmente um James Potter totalmente concentrado em esquentá-la? Por Vader, Lily estaria suando em menos do que alguns minutos se continuassem daquele jeito.

E, pela força, eles continuaram.

James cravou as mãos em sua cintura enquanto Lily inadvertidamente desabotoava sua camisa, botão por botão, até que estivesse totalmente aberta e ela pudesse acariciá-lo com liberdade por toda extensão de seu tórax, fazendo-o arfar enquanto o arranhava sem qualquer cuidado.

— Lily... — Ele murmurou, entre beijos, a voz rouca de desejo, e então puxou-a para o seu colo com uma mão, enquanto que, com a outra, apertava o botão de empurrar o banco mais para trás, dando assim mais espaço para que se movimentassem e Lily não ficasse tão espremida contra o volante. Não que ela se importasse, pois, naquele momento, James havia terminado de tirar sua camisa totalmente aberta, e estava focado em fazer o mesmo com a dela.

Facilitando para ele, Lily tirou a camiseta de manga longa que vestia, sem sequer lembrar o que estava vestindo por baixo.

James apreciou-a por alguns instantes, fazendo com que ela se sentisse desejada sob seu olhar quente, e então, erguendo os olhos para ela, sorriu.

Star Wars? — Comentou, fazendo-a rolar os olhos.

— Eu achei eles bem fofos na época.

— Confie em mim, Lily, eles estão bastante longe de serem fofos neste momento. — James disse, fazendo-a sorrir, e então puxou-a para si. Ambos soltaram gemidos quando suas peles desnudas se encostaram, quentes, fazendo com que o que pareciam ser choques percorressem por todo o corpo de Lily, deixando-a ultra-sensível.

James beijou seu maxilar, inclinando-se até a orelha dela, mordendo seu lóbulo e então baixando para seu pescoço, distribuindo beijos e mordidas por ali também, deixando-a tensa de tesão.

Ela nunca havia pensado que sentiria algo como aquilo em toda sua vida. Era avassalador, irreal, sufocante. E, mesmo assim, ela amava.

Ele a tocava em lugares inexplorados e cada terminação nervosa em seu corpo parecia estar esticada ao máximo, perto da ruptura.

James continuou descendo por seu colo, finalmente roçando sua barba por fazer na pele de seu seio esquerdo. O gemido que Lily soltou foi gutural, fazendo-o retesar-se de desejo ao vê-la tão entregue. Para ele tudo aquilo também era novidade. Nunca havia sentido tanto desejo por uma garota ou tanto prazer tão somente com toques. Cada parte do corpo dela parecia se encaixar perfeitamente em suas mãos ou em sua boca, tornando tudo mil vezes melhor e mais intenso.

Cada suspiro de Lily era um novo suspiro dele. Mordiscou a parte de cima do seio esquerdo dela, subindo com uma mão para o direito, acariciando-a por cima do sutiã.

Ele sabia que estava sendo desmedidamente imprudente, mas a chuva que caia do lado de fora, o modo como ela fazia com que ele sentisse que estavam sós naquele pequeno pedaço de mundo, dentro daquele carro, longe de toda realidade, fazia com que ele não conseguisse se preocupar com nada além das sensações que podia causar a ela.

E do efeito que ela tinha sobre ele.

Lily arranhava-o, massageando seus ombros e descendo com suas mãos, procurando qualquer espaço de pele onde pudesse deixar sua marca.

Suas pernas, encaixadas como estavam nos quadris dele, deixavam-na senti-lo totalmente abaixo de si. De forma provocadora, Lily remexeu-se sobre ele, inclinando a cabeça para trás quando sentiu as mãos deles fecharem sobre seus seios, o sutiã totalmente torto sobre o peito dela.

Gemendo, baixou suas mãos em direção à calça de James, sentindo-se totalmente excitada enquanto os lábios dele fechavam sobre seu seio direito, fazendo-a ofegar, sôfrega. Brincou com os botões de sua calça jeans e sentiu-o mordê-la mais forte quando ela se aproximou demais de .

Ajudando-a, James soltou-se levemente, voltando a beijá-la nos lábios enquanto terminava de desabotoar a calça, deixando mais espaço para que Lily pudesse se divertir.

Estavam tão concentrados no que estavam fazendo, tão absortos um no outro, que se esqueceram completamente de algo crucial até que não restava mais nenhuma preliminar a ser feita antes de finalmente darem vazão a todo aquele desejo.

Arfando, Lily grudou sua testa na de James, sentindo o coração pular em seu peito enquanto tentava recuperar o fôlego por tempo suficiente para conseguir falar.

— James... precisamos... de camisinha. — Ela conseguiu falar, sentindo-se muito corada. Não sabia dizer se por constrangimento ou pelo tanto de tesão que estava sentindo naquele momento.

James assentiu, voltando a puxá-la para um beijo enquanto que, com as mãos, tateava por trás dela, em busca do preservativo. Mas, após algum tempo, com o cenho franzido de frustração, James afastou-se dela, interrompendo o beijo enquanto esticava-se para o porta luvas, abrindo-o e deparando-se com ele totalmente vazio.

Lily sentiu-se murchar ao perceber o que havia acontecido.

— Merda. — James reclamou, recostando-se no banco e fechando os olhos. — Eu vou... matar o Peter.

Sem conseguir se conter, Lily começou a rir de toda aquela situação.

Ela estava com o torso praticamente nu, sentada em cima de James Potter, dentro de um carro em plena luz do dia. Mesmo que ninguém conseguisse vê-los através do vidro escuro, sem falar na chuva torrencial que caía do lado de fora sem parar, ainda assim era uma grande loucura.

Jamais havia pensado que iria fazer uma loucura como aquela, contudo lá estavam eles: aos amassos, quase transando, dentro de um carro. Porém não havia camisinha, portanto, por mais que Lily quisesse – ansiasse – continuar, sabia que, mais uma vez, teriam de deixar para lá.

James a encarava, os olhos castanhos estavam totalmente negros de desejo contido. Ela inclinou-se para ele, de modo automático, beijando-o levemente sobre os lábios.

— É melhor nos vestirmos. — Lily comentou, a voz trêmula de riso. — Antes que a gente pegue uma gripe ou sei lá. — Disse e, sem conseguir sem conter, começou a rir.

— Lily, isso não é engraçado.

— Não, você está enganado... é engraçadíssimo. — Lily disse, ofegante, gargalhando enquanto tomava noção do que estavam fazendo e de como tudo aquilo havia acabado.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Parecendo se deixar levar pelo divertimento dela, James também começou a rir, rolando os olhos para ela enquanto Lily voltava para o banco do carona e ajeitava o sutiã sobre os seios.

Quando, por fim, estavam vestidos e um pouco menos risonhos, James deu a partida no carro, o silêncio novamente caindo sobre eles. Lily pegou o casaco que havia ficado esquecido sobre o banco, colocando-o por cima de sua blusa fina, sentindo-se fria agora que estava longe do corpo de James. Eles não falaram nada até estarem entrando na rua de casa.

— Bem, estamos chegando. — James comentou, quebrando o silêncio ensurdecedor e absurdamente tenso que pairava dentro daquele carro.

— É. — Lily disse, mordendo os lábios enquanto tentava pensar no que dizer.

Ela queria falar alguma coisa para ele, qualquer coisa para que aquela tensão sumisse, mas sabia que não havia nada o que fazer. Ou, bem, havia sim. Contudo, não tinha maneira de dizer aquilo em voz alta sem parecer desesperada demais.

E, por Vader, não era como se ela precisasse parecer mais desesperada.

A lembrança do que a esperava quando chegasse em casa a deixava imediatamente de mau humor. Teria de aturar sua mãe, que logo chegaria do trabalho, Vernon e Petunia, juntos, batalhando na terceira guerra mundial.

Era pedir muito querer ficar mais algum tempo dentro daquele carro, junto de James, para esquecer qualquer coisa que não fosse o toque e os beijos dele?

Estavam quase na frente das casas deles, James manobrou, de modo que seu carro encaixasse na porta de sua garagem. Lily hesitou, sabendo que aquela era a hora para descer, que deveria descer.

Mas James segurou sua mão, fazendo com que ela o encarasse.

— Sei que isso pode parecer loucura, Lily e entenderei totalmente se você não quiser..., mas... fica comigo?

Você não precisa pedir isso duas vezes. — Ela não precisou nem mesmo pensar antes de dizer isso e receber um sorriso de alívio em resposta. James abriu os dois portões de sua garagem, entrando com o carro enquanto Lily sentia a agitação voltar a tomar conta dela.

Antes mesmo de saírem da garagem já estavam aos amassos novamente, James prensou-a contra o carro, beijando-a até que ambos estivessem sem fôlego. Quando se separaram, ele grudou sua testa na dela e sorriu, beijando-a na ponta do nariz.

— Eu estou muito feliz por você ter ficado.

— Eu também. — Ela respondeu, voltando a puxá-lo para um beijo.

Eles se agarraram por todo o caminho até o segundo andar, sem qualquer interrupção, o que indicava que, ou os amigos dele haviam saído, ou estavam em algum lugar longe o suficiente para não os ouvir. James parou em frente a terceira porta do corredor, ao lado da que Lily sabia se tratar do quarto de gravações e a abriu, puxando-a para dentro junto com ele.

Ela não teve tempo de prestar atenção na organização do quarto ou da quantidade de pôsteres que ele possuía lá dentro, nem mesmo na disposição dos móveis, exceto a cama que era para onde estavam se encaminhando.

Por Vader, em qualquer outra ocasião, ela estaria surtando muito por estar dentro daquele lugar, mas naquele momento tudo em que conseguia pensar era que eles estavam com roupas demais e que, se James não desse jeito naquilo logo, acabaria entrando em combustão.

Ela voltou a desabotoar a camisa dele, sem qualquer cuidado, percebendo a mesma pressa nele enquanto ele atirava a camisa e tirava os sapatos longe. Lily apressou-se para a calça dele, tendo muito mais facilidade para desabotoá-la ali do que no carro apertado. Agradeceu por isso, pois, em menos de trinta segundos, James Potter estava de cueca boxer em sua frente.

Ela teria apreciado a visao não fosse o fato de que estava desesperada e havia coisas mais importantes com as quais se preocupar como, por exemplo, na forma como ele puxava a camiseta dela, apressando-se para o sutiã logo em seguida, tirando-o em tempo recorde.

Lily não conseguiu sentir constrangimento algum sob o olhar dele, pelo contrário: sentia-se apreciada. Antes que ele o fizesse, desabotoou a própria calça, sendo ajudada por James a tirá-la logo em seguida.

E então eles voltaram a se beijar, deitando-se na cama, James por cima, grudando seu corpo no dela enquanto procuravam-se e sentiam-se com suas bocas, línguas e mãos.

Eles tinham pressa, todas as preliminares tendo sido mais do que trabalhadas dentro do carro apertado, não havia muito mais o que fazer, exceto entregarem-se um para o outro antes que acabassem em combustão ali mesmo, sem qualquer esforço. Lily já estava tensa ao limite e, James, aparentemente, também. Parecendo pensar como ela, James esticou-se para a mesinha que ficava ao lado da cama, abrindo a gaveta e puxando de lá um quadradinho prateado exatamente igual ao que a mãe de Lily havia dado a ela uma semana atrás e que ela sequer havia usado.

Voltando para perto dela, buscando seus lábios, James beijou-a apaixonadamente, de forma lenta e apreciativa enquanto que, com as mãos, descia pelos lados do corpo de Lily, acariciando-a ternamente antes de, finalmente, tocá-la em seu lugar mais íntimo. Ela suspirou, sem forças para conseguir gemer ou fazer qualquer coisa. Os dedos de James afastaram o tecido de sua calcinha, acariciando-se de forma precisa enquanto continuava a beijá-la. Lily sentia-se inebriada, túrgida, e sabia do que precisava mais do que tudo naquele momento.

Abrindo os olhos que havia fechado, Lily encarou-o, sentindo-se mergulhar no castanho dos olhos dele.

— James. — Ela disse e quase não reconheceu a própria voz, tão rouca que estava.

Ele entendeu, sem que ela precisasse falar mais nada, e então, com as duas mãos, desceu as alças da calcinha dela, beijando-a por toda extensão de suas pernas enquanto o fazia, fazendo-a estremecer. Quando, por fim, ela estava totalmente nua, James fez o mesmo consigo, abrindo o pacote prateado e protegendo-se antes de voltar sobre ela.

James encarou-a por um longo tempo, como se quisesse sua aprovação antes de fazê-lo. Sem precisar pensar, Lily o puxou para um beijo, sentindo-o mover-se sobre ela, ajeitando-se e, por fim, penetrando-a, unindo-os de forma irrevogavelmente íntima, tornando-os um.

X—X

Horas mais tarde, Lily se afastou de um James adormecido, vestindo-se e calçando suas sapatilhas, sentindo um aperto no peito ao observá-lo dormir e saber que não poderia continuar lá com ele, depois de terem compartilhado o momento mais incrível da vida dela.

Sabendo que estava sendo idiota, porém sem conseguir conter-se, Lily inclinou-se sobre ele na cama, beijando-o na ponta do nariz assim como ele sempre fazia. Sentiu os batimentos descompassarem ao fazê-lo, observando-o tão de perto e com a expressão tão singela. Cobriu-o com a coberta que estava totalmente extraviada na beira da cama.

De forma impulsiva – assim como todas as suas ações desde que encontrara com James, horas mais cedo – pegou o casaco que ele havia emprestado para ela, vestindo-o por cima de sua camiseta antes de se direcionar para a porta. Ao tocar na maçaneta, olhou para trás e soube que estava indo embora, mas que um pedaço muito grande de seu coração havia ficado ali, ao lado de James Potter, depois de tudo o que haviam feito juntos.

[SÁBADO — 23 DE JULHO, 2016]

— Que grande amiga a que eu tenho! — Lily resmungava enquanto se afastava da multidão. Estava frio e ela usava uma fantasia curta da Estelar. As pedras que havia prendido em sua testa incomodavam-na terrivelmente e, embora o lugar estivesse cheio de coisas legais, não conseguia prestar atenção em nada, pois estava furiosa.

Marlene McKinnon aparecera furiosa na casa de Lily horas mais cedo, indignada pelo fato de a amiga tê-la ignorado em mais de uma ocasião e, em todas, esquecera de ligar de volta.

Lily precisara ouvir mais de meia hora de sermão antes que Marley se acalmasse e ela pudesse começar a explicar toda a situação. Mas, claro, não conseguira, pois, antes que Lily terminasse de contar, Marlene já estava no telefone, trocando mensagens com um tal de Elias, esquecendo-se completamente da existência de Lily ou da importância do que ela estava prestes a contar.

Portanto, sabendo que de nada adiantaria contar todos os detalhes dos últimos acontecimentos para uma Marlene totalmente avoada e focada num possível pretendente, Lily começou a se arrumar, vestindo-se e maquiando-se, horas e mais horas em frente ao espelho, até que ambas estivessem contentes com o resultado.

Quando, por fim, estavam prontas, Lily pegou a chave do carro que dividia com a irmã e separou as últimas libras do salário do mês, rezando para que não precisasse gastá-lo, pois havia algumas HQ’s novas do Flash que precisava muito comprar.

Ao chegarem na Convenção, Lily tentou a todo custo afastar os pensamentos de uma outra festa em outro lugar que estaria acontecendo simultaneamente e no quanto adoraria estar lá. Queria aproveitar a noite com Marlene e, quem sabe, finalmente terminar de contar tudo para ela.

Pela força, só Darth Vader sabia o quanto ela estava sofrendo por não poder gritar e surtar a plenos pulmões depois de todas as emoções da última semana.

Mas elas não haviam ficado nem vinte minutos juntas, confraternizando com um grupo de amigos com os quais sempre combinavam de se encontrar naqueles eventos, quando Marley sumira. Lily caminhara vários minutos até que, por fim, a encontrara, aos amassos com um menino vestido de Mutano.

Seria bastante engraçada toda aquela cena – Marlene vestida de Ravena e o seu novo pretendente de Mutano, um dos OTP’s de Lily – se não fosse desoladora.

Lily havia se esforçado tanto e lutado tanto contra a vontade de furar aquele compromisso com a amiga, somente para chegar lá e ser tratada como uma vela.

— Mas que grande merda. — Lily bufou, irritando-se a cada segundo mais.

Estava tentando manter-se longe de olhares constrangedores – pelo menos três pessoas já a haviam reconhecido como a ruiva do snap — e, por conta disso, de cabeça abaixada, quando puxou seu celular, certa de que sua única distração por horas seria o Twitter.

Aliás, poderia até mesmo desabafar um pouco por lá, já que Marlene estava ocupada com o Mutano e, Alice, deveria estar fazendo-se sabe lá o que no apartamento de Frank.

Quem dera Lily pudesse estar aos amassos com... mas afastou aqueles pensamentos.

Acessou sua conta, clicando sobre o aplicativo meio à esmo, sentindo-se entediada demais para se animar com as 20 novas notificações. Abriu-as deparando-se com alguns tweets de Marlene – que fingia-se de animada por ir à convenção com ela, quando na verdade já estava cheia de esquemas para se agarrar com um menino – outros de Alice que a havia marcado em alguns tweets divertidos e, por fim, um do @snapeseverus.

—___________________________

@snapeseverus: @fangirlily você caiu no meu conceito depois dessa exposição toda ao lado daquele babaca

@snapeseverus: @fangirlily que decepção

—___________________________

Sem a menor paciência para aquele babaca, Lily rapidamente respondeu, sem muita educação:

—___________________________

@fangirlily: @snapeseverus e quem te perguntou se eu me importo com o que você acha?

@fangirlily: @snapeseverus se eu sou decepção para você, nem queira saber o que você é para mim

@fangirlily: @snapeseverus VÊ SE ME ERRA

—___________________________

Irritou-se.

Mesmo após Lily ter falado tantas verdades na cara dele, o garoto continuava agindo feito um babaca. Talvez algumas coisas fossem congênitas.

Desceu pela timeline, retuítando algumas coisas enquanto curtia outras. Estava começando a ficar entediada quando recebeu um aviso de nova mensagem.

Era Sirius.

—___________________________

Sirius: ruiva, você está aí?

Sirius: eu preciso falar com você

Sirius: por favor, liga para esse número XXXX-XXXX

Sirius: por favor

—___________________________

Mais do que rapidamente, Lily clicou sobre o número, sendo redirecionada para a tela de ligações. Clicando sobre o “ligar”, Lily sentiu o coração palpitar no peito, a ansiedade dominando qualquer outro sentido dentro dela.

Lily? — Era Sirius.

— Oi, Sirius! O que aconteceu, por Vader, você está-

Lily, por favor, eu preciso da sua ajuda.

Notas finais
UM MUITO OBRIGADA DO TAMANHO DO UNIVERSO PARA MINHA QUERIDÍSSIMA JULY EVANS, por betar essa fanfic com tanto amor e entusiasmo! Você é a melhor, Juzinha ♥ AAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEE, TEVE SMUT! Gente, sério, eu até ia deixar o smut pro próximo capítulo, mas não consegui me conter, sério. James e Lily, tadinhos, já estavam sofrendo demais com todas essas pegações interrompidas. E o Remus, heim? E o Sirius? E como James e Lily irão reagir na próxima vez em que se verem? Muitas perguntas, muitas respostas. Mas eu espero que tenham gostado do capítulo! Não esqueçam de me contar o que estão achando, okay? Dúvidas, sugestões, xingamentos e etc, estou sempre nas redes sociais: Twitter: @prongsnitch Facebook: https://www.facebook.com/groups/millerfics/ Beijinhos e até breve ♥