Fangirl-ily

12 11. Jily is real


Notas iniciais
Capítulo dedicado a linda Sam Bloom pela recomendação maravilhosa que deixou na fanfic ♥ Acho que o título é bastante sugestivo, portanto vou me abster de comentários. Boa leitura! ♥

[QUINTA-FEIRA — 14 DE JULHO, 2016]

— Ah... — Ela começou a falar, mas calou-se, sentindo-se totalmente perdida enquanto seu peito continuava extremamente acelerado.

James, por outro lado, tinha a expressão ilegível. Seus olhos que segundos atrás pareciam derreter sobre ela, estavam negros e sem brilho. Ele a mirava como se ela fosse uma estranha e não alguém que havia acabado de beijar. Se é que aquilo podia ser chamado de um simples beijo. Lily ainda conseguia sentir o sangue fervendo dentro de suas veias, a sensação de ter acabado de correr uma maratona enquanto sua respiração saía ofegante.

— Você estava se arrumando para um encontro? — Ele perguntou e de sua voz escorria sarcasmo. — Me desculpe, não quis te atrapalhar. — E, como se fosse a coisa mais absurdamente normal do mundo, se encaminhou em direção a porta.

Lily observou-o, completamente chocada, até que seu cérebro percebeu o que estava acontecendo e ela reagiu, praticamente correndo até a porta e parando em frente a ele.

— James... — Ela disse e então parou novamente, tentando organizar os pensamentos e achar as palavras certas para dizer. — Não é o que você está pensando. — Falou e sentiu-se a personagem mais clichê da fanfic mais clichê do universo. — Eu... não sabia que... não era para... eu... — Bufou, irritada, sem conseguir expressar o que estava sentindo. Encarou-o.

James parecia sequer ter ouvido o que ela havia dito e a encarava como se estivesse vendo a coisa mais absurdamente entediante do mundo. Lily sentiu as bochechas corarem.

— Eu tenho que ir, Lily. — James disse. — Tenho coisas realmente importantes para fazer. — Deu ênfase na palavra “importante” deixando bastante claro que estar ali, com ela, era algo que não merecia mais nenhum segundo de seu tempo. — E tenho certeza de que você também tem. — Completou, o sarcasmo novamente lá, preenchendo suas palavras de forma que elas ficassem inegavelmente ofensivas.

Lily sentiu uma sobrancelha arquear, a expressão em seu rosto mudando rapidamente de confusa para irritada.

— Tem razão. — Ela disse, surpreendendo até mesmo ele que a encarou como se não conseguisse acreditar que ela havia dito aquilo. — Tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar aturando essa sua atitude completamente babaca.

Piscando algumas vezes diante da atitude agressiva da garota, foi a vez de James sentir suas bochechas esquentarem, a irritação que já ardia em seu peito pareceu se incendiar, tornando-o ainda mais imprudente. O restinho de controle que possuía sobre si desapareceu por completo, o que fez com que ele voltasse completamente de frente para Lily, inclinando a cabeça em direção a ela, diminuindo o espaço que havia entre eles.

Pela segunda vez naquele dia, James a beijou. Encostou os lábios nos dela, pegando-a completamente desprevenida. Como todas as outras vezes, James sentiu um calor infernal preenche-lo, tudo à sua volta sumiu e somente a sensação dos lábios de Lily e o que eles causavam dentro dele fixou-se em sua mente.

Lily soltou um suspiro que fez com que James sentisse todo o seu corpo arrepiar. Uma necessidade absurda de fazê-la repetir aquilo se instalou dentro dele e ele imediatamente aprofundou o beijo, segurando-a pela cintura, sentindo um calor descomunal subir através de suas mãos, que tocavam a pele descoberta de suas costas, por todo seu corpo.

Ele poderia continuar fazendo aquilo pela noite a fora, James sabia. Podia esquecer de todas as responsabilidades que possuía, todas as coisas que deveria fazer, apenas para ficar ali, com ela, sem nunca parar de beijá-la. Mas, no andar de baixo, havia outra pessoa esperando por Lily. E James não conseguia ignorar aquilo, por mais que adorasse beijá-la.

Juntando forças quase inexistentes em seu ser, James se afastou, sentindo-se extremamente ofegante. Lily tinha os lábios inchados, os olhos verdes brilhantes encaravam-no cheios de algo que ele não compreendeu. Vê-la daquele jeito mexeu com algo dentro dele, porém James ignorou o sentimento, afastando-se em direção à porta antes que voltasse a beijá-la.

Saindo pelo corredor, respirou fundo e nem mesmo se preocupou em arrumar a roupa ou os cabelos, portanto, ao descer as escadas e deparar-se com Helena e uma garota loira parada perto de um dos sofás da sala, não se surpreendeu ao receber uma expressão de interrogação como resposta.

— Tchau, Sra. Evans. — James acenou para ela e, sem esperar por uma resposta, apressou-se para a saída.

Quando finalmente chegou em sua casa, percebeu que estava trêmulo. Cerrando os punhos, tentando firmá-los, inspirou longamente.

— Deus, James, o que está acontecendo com você?

X—X

— Desculpe a demora! — Lily disse enquanto sentava no banco do carona ao lado de Emmeline. — Meus cabelos não estavam em um bom dia. — Resmungou e puxou o cinto, sentindo suas mãos suarem de nervosismo.

Emmeline sorriu para ela, terminando de se ajeitar na direção.

— Tudo bem, Lily, não estamos com pressa. — E piscou para ela, fazendo-a corar.

Emme deu partida no carro e, enquanto a observava sair da frente de sua casa e cruzar pela do vizinho, Lily sentiu o aperto em seu estômago aumentar, o que era totalmente ridículo, pois não era como se estivesse fazendo alguma coisa errada, afinal eles não tinham nada!

James Potter não possuía nenhum direito sobre ela ou qualquer tipo de relação a não ser a de vizinhos-quase-amigos. Vizinhos que se beijaram. Por três vezes. Mas ainda assim, eles não tinham nada. E o fato de estar saindo com Emmeline logo após tê-lo beijado não poderia ser considerado uma traição ou fosse lá o que mais pudesse parecer, afinal de contas aquilo já estava premeditado desde antes de James Potter decidir invadir seu quarto e beijá-la novamente, como se aquilo fosse a coisa mais absurdamente natural do universo.

E, claro, ele havia feito aquilo logo após Lily ter vomitado várias verdades sobre sua vida de fangirl o que, com certeza, não ajudava muito para que ela conseguisse se acalmar. Por Vader, que diabos ela estava pensando ao dizer uma coisa daquelas? James Potter deveria controlar a força, pois não era possível que, somente com um olhar, ele conseguisse fazê-la falar de seus segredos mais obscuros!

Lily imaginou que, caso ele tivesse continuado a encará-la, provavelmente teria contado a ele a vida inteira, incluindo os vexames na escola. Céus, porque as coisas precisavam ser tão difíceis para ela?

— Lily? — A voz de Emmeline arrancou-a de seus devaneios, fazendo-a corar fortemente ao perceber que a garota deveria estar chamando-a há alguns bons minutos e ela não percebera.

— Oi. Desculpa. — Ela disse, sentindo a vergonha aumentar. — Estava falando alguma coisa?

Emme encarou-a com o canto do olho, parecendo achar graça no desconforto de Lily.

— Estava perguntando qual a sua relação com o James Potter. Eu sei que você é superfã dele. Fiquei muito feliz por você quando te vi nos snaps dele. Sabe, eu acompanho o canal dele também e o do Wormtail. Adoro as narrações que ele faz das partidas de futebol: são hilárias. — Emme sorriu, fazendo com que Lily sentisse a culpa povoar sua mente, apertar seu peito e fazer com que sua respiração saísse com dificuldade.

— Eles são ótimos mesmo. — Lily comentou, forçando um sorriso para a garota. — James Potter é meu vizinho. Eu... hm... ajudei ele num vídeo o outro dia e... viramos amigos.

Emme não parecia notar o desconforto ou a óbvia mentira nas palavras de Lily, pois sorriu para ela de forma simpática.

— Meu Deus, você deve ter surtado tanto! Eu ainda lembro de você na escola, falando desse menino que ninguém conhecia, era super viciada no canal dele. Deve ser muito louco, né?

— É... muito louco. — Lily resmungou e tentou se ajeitar no banco, mas nenhuma posição parecia confortável o suficiente para aguentar o peso dela e da culpa que sentia. — Mas, e você, tem falado com a Guga? Faz dias que não a vejo... — Falou, mudando de assunto e rezando para que Emme caísse.

Para a surpresa de Lily, Emme pareceu inegavelmente desconfortável e corada.

— Ah, sim... — Emme disse simplesmente e Lily percebeu que aquilo seria o máximo que ela iria dizer.

Um silêncio esquisito se abateu sobre elas e, enquanto Emme dirigia pela cidade, Lily lembrava. Lembrava do tempo em que eram colegas na escola e de como sempre haviam se dado muito bem. Lembrava de ficar surpresa ao descobrir que Emmeline era lésbica e de quando ela começara a namorar com Alecto Carrow, com quem terminara depois de um ano conturbado. Lembrava de Emme, depois de solteira, chamando-a para sair e de todas as vezes que inventara desculpas para não ir. Lembrava de quando um impulso incontrolável a havia acometido e a fizera beijá-la; do quanto se divertira a noite inteira na companhia da garota.

Contudo, nenhuma daquelas lembranças eram fortes o suficiente para ofuscarem as sensações que reverberavam pelo corpo de Lily: seus lábios que ardiam depois de ser beijada por James Potter mais vezes do que jamais havia sonhado. Suas costas, onde as mãos de James haviam se cravado, fazendo com que calafrios de desejo percorressem por toda sua espinha. Por Vader, ela conseguia lembrar até mesmo do sabor dos lábios dele e, se fechasse os olhos, podia vê-lo em sua frente, próximo demais, instigante demais, caótico demais. E ela queria sentir tudo aquilo de novo. E de novo e de novo.

— Emme... — Lily a chamou, sentindo um gosto amargo na boca. Vader, ela nunca havia se sentido daquela forma. Como era possível alguém passar de completamente-nocauteada-por-um-beijo a monstro-destruidor-de-corações em tão pouco tempo? — Você pode... parar o carro?

— Aconteceu alguma coisa, Lily? Você está bem? — Emme perguntou, parecendo sinceramente preocupada enquanto manobrava o carro em uma vaga bem em frente a uma sorveteria. Ela estacionou e tirou o cinto, voltando-se para Lily.

— Eu... não posso fazer isso. — Lily disse e colocou as duas mãos na cabeça, sentindo a culpa e o nervosismo aumentarem quando Emmeline tocou em seu ombro. — Eu... Emme, eu não posso. — Ergueu os olhos para a garota, sentindo-se totalmente zonza, não pelo olhar que ela lhe lançava, mas pela lembrança de outro olhar que, mesmo há vários quarteirões de distância, ainda parecia perfurá-la. — Me desculpe.

— Não pode... ah... está falando de nós duas? Você não...?

— Não é isso. — Lily sacudiu a cabeça, sentindo-se claustrofóbica. — Não tem nada a ver com o fato de você ser garota nem nada disso, aliás, eu deveria agradecê-la, pois foi uma ótima experiência, mas...

— Mas você percebeu que não gosta de garotas. — Emmeline completou e retirou a mão de seu ombro, arqueando uma sobrancelha, uma expressão ilegível instalando-se em seu rosto.

Lily sentiu um tremor percorrer por todo seu corpo e xingou-se mentalmente pela completa falta de controle ao lidar com aquela situação. Tentando se acalmar – sem conseguir entender exatamente o porquê de estar tão nervosa – Lily respirou fundo várias vezes, fechando os olhos por alguns instantes antes de voltar-se novamente para Emmeline.

— Não é isso. — Ela começou e manteve sua voz em um tom neutro. — Eu gosto de garotas. — Disse, convicta. — E de garotos. — Adicionou. — Mas não é esse o problema, embora que depois do nosso beijo eu tenha ficado mais confusa do que sou naturalmente, não é por causa disso que eu não posso continuar.

— É por causa dele? — Emmeline indagou, firme, sem nem ao menos piscar ao encará-la. Lily soube imediatamente a quem ela estava se referindo. — Eu vi o jeito que ele saiu da sua casa. Bagunçado, os olhos brilhando. E ele me encarou como se me odiasse. — Ela respirou fundo. — Não quis te perguntar antes, porque talvez não fosse da minha conta e eu estivesse imaginando coisas, mas, por favor, Lily, não minta para mim.

Os olhos azuis da garota brilhavam sobre ela, determinados e extremamente expressivos.

— É. — Lily falou e respirou fundo. — Não sei como tudo isso aconteceu, Emme, juro. Até uma semana atrás nós dois éramos apenas fangirl e vizinho, mas então tudo ficou esquisito. Eu... eu não sei o que está acontecendo entre nós dois, na verdade. Era para eu estar super feliz e aproveitando sua companhia agora, mas tudo o que eu consigo fazer é pensar em... ah... estou tão confusa. Eu...

— Você gosta dele. — Emmeline completou novamente e então suspirou. — Eu deveria ter imaginado.

Lily encarou-a, surpresa com a afirmação, sem saber o que falar. Emme sorriu, embora o sorriso não chegasse até seus olhos.

— Ele é o seu ídolo, Lily. E agora ele, além de ser seu ídolo, também é seu vizinho. E, muito provavelmente, algo a mais a julgar pelo estado no qual ele desceu as escadas.

Lily ofegou, estupefata.

— Emme, não... — Ela ia dizer que não era nada daquilo que Emmeline estava pensando, mas, ao parar para analisar toda a situação, percebeu que era sim o que ela estava pensando. Lily havia marcado um encontro com Emme e, minutos antes de ela chegar, já estava aos amassos com outra pessoa. — Por Vader, eu sou um monstro. — Lily disse, sentindo-se horrorizada com o que havia feito. Lembrou-se, também, que aquela não era a primeira vez em que fazia aquilo com Emmeline: apenas algumas horas depois de ter beijado a garota pela primeira vez, James Potter a havia surpreendido com um beijo antes de ir embora. E sequer tentara se afastar da investida do garoto. — Desculpe, eu não quis fazer isso! Eu... ah... — Meneou a cabeça, erguendo os olhos para a garota, sabendo que em sua expressão a culpa deveria estar estampada. — Fui horrível com você, Emme. Sábado não retornei suas mensagens e, mesmo assim, você continuou tentando. Agora eu marquei um encontro com você e estraguei tudo antes mesmo de sairmos!

Emme meneou a cabeça, suspirando novamente.

— Tudo bem, Lily. — Ela disse simplesmente, encarando a ruiva e sorrindo levemente. Daquela vez, parecia mais sincero. — Acho que acabei forçando as coisas. Sei que você não queria me magoar e, juro, não o fez. Eu gostei mesmo de sair com você... fazia muito tempo desde que não saia com uma garota legal. — Deu de ombros. — Acabei jogando todas as minhas expectativas sobre você quando você deveria estar mais confusa do que antes... não deveria ter forçado tanto a barra. Eu que deveria me desculpar por estar te pressionando tanto.

— Emme, está tudo bem. — Lily interrompeu-a. — Não tem necessidade de fazer isso. Eu... queria muito que as coisas entre nós fossem diferentes. Eu te conheço desde sempre, crescemos juntas, você é uma garota ótima, compreensiva e legal demais. Sem falar que beija muito bem. — Lily piscou para ela, sentindo as bochechas corarem. — Sei que nos daríamos muito bem, que poderíamos dar super certo, mas...

— Mas você está apaixonada por outra pessoa. — Emme tocou o rosto de Lily e sorriu para ela. — Tudo bem, Lily. — E, sem dizer mais nada, voltou a colocar o cinto, girando a chave e dando a partida. — Acho que vai chover daqui a pouco. — Ela comentou, olhando para o céu, o que deu tempo o suficiente para Lily conseguir se recompor. — É melhor eu te levar para casa antes que isso aconteça.

— Obrigada. — Lily disse, sentindo a admiração que sentia por Emme aumentar milhares de vezes ao perceber o que ela estava fazendo. A reação da garota fora, sem dúvidas, surpreendente. De todas as coisas que ela poderia ter feito, Lily jamais havia pensado que agiria de forma tão madura. Emmeline, com certeza, merecia alguém mais legal do que ela. Alguém que não saísse beijando os vizinhos toda vez que estava longe. Ao pensar naquilo, lembrou das palavras da garota: “mas você está apaixonada por outra pessoa”.

Sentindo um tremor percorrer por seu corpo, Lily afastou o pensamento.

[SEXTA-FEIRA — 15 DE JULHO, 2016]

Depois de ter sofrido o dia inteiro com a internet lenta da loja de Aberforth, Lily suspirou em alívio ao pegar seu celular, colocar seus fones e dar início em sua playlist, ativar o uso de dados e acessar seu Twitter.

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@fangirlily: pensei que o dia hoje nunca mais fosse acabar

@fangirlily: estou cansadíssima

@fangirlily: saudades do meu antigo user

@fangirlily: por que a vida precisa ser tão difícil para mim?

@fangirlily: nem mesmo sobre meu Twitter eu ainda tenho controle

@fangirlily: por VADER

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Teve de interromper seus tweets porque seu celular começou a vibrar ao receber uma ligação de Alice.

— Alie! — Lily atendeu, sentindo-se meio esquisita ao usar o fone de ouvido para atender a ligação. Parecia que as pessoas a encaravam pensando que estava falando sozinha. Ignorando este fato, decidiu que se o Superman podia usar um collant apertado com a cueca por cima e ainda assim parecer ridiculamente sexy, ela podia muito bem atender usando os fones sem parecer uma louca. — Tudo bem?

Lil’s, tudo sim! Você está bem? Então, o que acha de irmos dormir na casa da Marley essa noite? Os pais delas vão ir para Londres com o Jonas, portanto teremos toda a mansão dos McKinnon para nós.

Sorrindo diante da ideia, Lily aceitou.

— Com certeza! Estou querendo há dias arranjar um motivo para sair de casa. — Suspirou. — Tenho milhares de coisas para contar para vocês, sério, vocês vão surtar.

Envolve James Potter?

— Como você sabia?

Ultimamente sua vida se resume a esse menino. Não que antes não fosse assim, é claro. Você sempre foi doida pelo Prongs. — Lily podia imaginar Alice rolando os olhos.

— Deixe de ser tão ridícula. — Lily reclamou e ouviu a amiga gargalhar.

Okay, Lily. As nove horas na casa da Marley! Sem falta! Leve seus DVD’s de Star Wars. Frank está me enchendo o saco por causa desses filmes.

Lily ofegou, chocada, dobrando a esquina para entrar na rua de sua casa.

— Eu não acredito que, depois de tantos anos tentando te convencer a assistir Star Wars, você só vai fazer isso agora por causa do Frank! Que tipo de monstro você é?

Lily, sejamos sinceras: as nerds do grupo são você e a Marley. Eu sempre fui o ser humano normal.

— Você está me ofendendo, Alice Fawcett! — Lily reclamou, irritada. — Meu Vader, Alice, vou fazer você engolir esses filmes, juro pela força. Você vai decorar cada nome de cada ser, tudo sobre os Jedis e vai sofrer muito, mas muito mesmo por causa do Han Solo e, quando você estiver totalmente destruída, vou te obrigar a ler The Life and Stars para você perceber que o que antes achava ser sofrimento não passava de uma dorzinha ínfima perto da dor que aquela fanfic causa. Escreva minhas palavras.

Quem é o monstro agora?

— É claro que sou eu. — Lily bufou e sorriu, animando-se diante da expectativa de ter mais uma amiga apaixonada por Star Wars. — Por Vader, vou ter que agradecer ao Frank por isso.

É, ele vai adorar. — Mas Alice não parecia tão animada.

Depois de trocar mais algumas palavras com a melhor amiga, Lily desligou, voltando a colocar suas músicas bastante aleatórias a tocar antes de continuar o caminho para casa.

Estava cantarolando a música nova do Shawn Mendes – que estava no repeat pelo que parecia ser a milésima vez – quando chegou em frente à sua casa. Parou diante dos portões, xingando-se por não ter procurado a chave antes de sair da loja enquanto enfiava a mão na bolsa e tentava achar o chaveiro no meio da bagunça de seus pertences. Ela sempre amara o bairro onde morava, mas não conseguia entender a necessidade daqueles portões de ferro. Nas ruas laterais, todas as casas tinham a frente livre, mas naquela ali, todas possuíam portões com grades firmes para impedir que invadissem o terreno. Ela tinha certeza de que aquele era um ótimo método de segurança, mas não conseguia simpatizar com aquilo quando, toda vez que chegava em casa, precisava batalhar para encontrar as chaves. Principalmente quando estava apertada para ir no banheiro.

— Por Vader, mas que grande merda. — Resmungou.

O som de portões abrindo desviou sua atenção de sua tarefa. Erguendo os olhos, deparou-se com seu adorável vizinho, James Potter, saindo com o carro pela garagem de sua casa. Sentada no banco do carona, Mary Macdonald parecia mexer em seu celular. Como se tivesse notado o olhar de Lily sobre si, James encarou-a e, por alguns instantes, Lily esqueceu completamente onde estava, o que estava fazendo ou como se respirava. Sentindo o calor subir para seu rosto de forma absurda, Lily, em um esforço hercúleo, afastou o olhar, dirigindo-se à Mary que também a encarava, uma expressão de interesse em seu cenho. A garota arregalou os olhos e apontou para ela. Lily pôde ver claramente ela exclamar “a ruiva do Snap” antes de finalmente voltar a procurar a chave dentro de sua bolsa.

Para sua completa indignação, acabou deixando o celular cair e, soltando um gritinho de revolta, abaixou-se para pegá-lo, rezando para que não houvesse quebrado. Vader sabia como doeria para ela, principalmente porque teria de ficar vários meses sem um celular antes de conseguir juntar dinheiro para comprar um novo.

Suspirando de alívio, tanto pelo celular que continuava intacto quanto pelo fato de James Potter finalmente ter ido embora, Lily finalmente achou a chave e a encaixou no portão.

Tentou não pensar muito sobre o que havia acabado de ver ao entrar em casa e soltar sua bolsa.

— Lily! — Helena apareceu na porta da cozinha e sorriu para ela. — Como foi de trabalho?

— Ótimo. E você, mãe? Aproveitou a folga? — Lily encaminhou-se para a cozinha, seguindo a mãe e sentando-se na beirada da bancada.

— Na verdade, sim. Seu pai e eu vamos sair hoje à noite. É dia de pôquer! — Helena passava pano pelos armários enquanto conversava com Lily, os cabelos acajus presos no alto da cabeça, dando a ela uma aparência mais jovem. Lily observou-a, percebendo o quanto Petunia e ela eram parecidas. Quando sua mãe terminou de limpar, voltou-se para ela, soltou o pano dentro de um balde e suspirou. — Lily, você precisa ficar de olho na Petunia essa noite.

Franzindo o cenho diante das palavras da mãe, Lily tentou assimilar o que Helena estava tentando fazer.

— Mãe! A Tuney já é grandinha, sabe se cuidar. — Lily reclamou, bufando para a mãe.

— Tuney pode até ser grandinha, Lily, mas está louca depois do término com aquele... aquele... ele. — Helena franziu os lábios como se somente a menção à Vernon fizesse com que ela sentisse um gosto ruim nos lábios. — Ela não está pensando direito, Lily, e você precisa ajudá-la. Deus sabe que não vou conseguir me concentrar no jogo se tiver de me preocupar com o que Petunia está fazendo. E eu ficaria muito furiosa se acabássemos perdendo para os Fawcett.

Rolando os olhos para a mãe, Lily assentiu, sabendo que de nada adiantaria contestar. Helena sabia ser muito teimosa quando queria.

— Vou deixar biscoitos para vocês e a janta pronta. — A mãe continuou e então inclinou-se para Lily. — E amanhã, quando eu voltar do trabalho, você irá me contar sobre o que está acontecendo entre você e o James.

Sentindo as bochechas ferverem, a lembrança de minutos atrás, ao vê-lo junto de Macdonald, Lily remexeu-se no banco onde estava sentada.

— Mãe, não é nada...

— Lily, vocês estavam definitivamente bagunçados quando entrei naquele quarto.

— Oh, isso me lembra. — Lily aproveitou a deixa para mudar de assunto. — Você precisa aprender a bater na porta, mãe.

Helena teve a decência de corar, desviando o olhar, começou a remexer nas frutas sobre a bancada.

— Sei que você está passando por uma fase difícil, Lily. E queria te pedir desculpas pela forma como reagi no outro dia. — Helena disse e puxou um banco para sentar em frente à Lily. — Eu... não vou negar: é bastante chocante pensar em você com meninas. — Corou ainda mais. — Mas eu queria que você soubesse que pode contar com o meu apoio, independente das suas escolhas. — Ela sorriu, esticando a mão para a filha. Lily imediatamente entrelaçou os dedos com os da mãe, sentindo algo em seu peito aquecer. — Exceto se você decidir apoiar o Voldemort. Aí, infelizmente, não serei capaz de te defender e irei te deserdar.

Caindo na gargalhada, Lily rolou os olhos para a mãe diante de suas palavras absurdas. Helena sabia bem demais que Lily preferiria tirar um braço a apoiar aquele cara, principalmente depois de Snape.

— Obrigada, mãe, sério. — Ela disse quando, finalmente, conseguiu recuperar o fôlego. — É muito importante para mim.

Helena sorriu, carinhosa e esticou uma mão para o rosto de Lily, acariciando-a.

Quando Lily finalmente subiu para seu quarto, ainda pensando na conversa que tivera com sua mãe, lembrou-se de Sirius e de seu irmão Regulus que, aparentemente, havia feito escolhas ainda piores do que o Snape.

Puxando seu celular, acessou seu Twitter a fim de mandar uma mensagem para Sirius. Havia dois dias desde que @Padfoot pedira para segui-la e, depois de surtar bastante, começaram a se comunicar através das mensagens privadas.

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Lily: Sirius, está aí?

Lily: como você está?

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Mandou as mensagens e atirou o celular sobre a cama, encaminhando-se para o banheiro a fim de tomar um banho rápido. Fazia mais de uma hora desde o último tweet de Sirius, o que deveria significar que ele estava ocupado com outras coisas, como, por exemplo, sua família insuportável.

Lily sabia que estava fazendo um pré-julgamento sem ao menos conhece-los, mas não conseguia simpatizar com qualquer outro Black além de Sirius depois do que ele havia contado. Sentia arrepios só de imaginar os perrengues pelos quais ele estava passando junto daqueles seres humanos desprezíveis.

Antes, porém, que entrasse para o chuveiro, ouviu a notificação e, enrolada na toalha, correu para o quarto, pegando o celular e desbloqueando-o.

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Sirius: você precisa baixar o WhatsApp!

Sirius: é realmente péssimo conversar por essas mensagens privadas no Twitter

Sirius: 140 caracteres é pouco demais para que eu possa te zoar de forma decente

Sirius: e nem dá para ver se você visualizou e não respondeu

Sirius: e isso é muito frustrante!

Lily: ugh

Lily: odeio o WhatsApp

Lily: não tenho paciência para digitar naquele negócio

Lily: e também não tenho paciência para ficar ouvindo áudios

Sirius: mas você está escrevendo pelo celular agora!

Lily: sim, mas aqui só pode 140 caracteres

Lily: o que é mais do que suficiente

Lily: para me expressar de forma satisfatória

Sirius: você sabe que seu argumento não fez o menor sentido, não sabe?

Lily: vê se me erra, Sirius!

Sirius: [imagem de alguém rolando os olhos]

Sirius: Lily, adoraria continuar falando com você por aqui, mas, infelizmente

Sirius: tenho coisas mais importantes para fazer

Lily: okay

Lily: como estão as coisas com a sua família?

Sirius: como sempre

Sirius: uma merda

Sirius: beijos, ruiva

Sirius: depois vou te encher bastante para saber do seu encontro

Sirius: ontem

Sirius: me mantenha atualizado sobre as novidades

Lily: ah

Lily: talvez não seja tão interessante assim

Lily: quando você volta?

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Mas, após minutos terem passado, Lily percebeu que Sirius não iria responder tão cedo. Suspirando, voltou para o banheiro, abrindo a torneira do chuveiro e desenrolando-se da toalha. Estava no meio do banho quando percebeu uma coisa: como ela conseguiria dormir na casa de Marlene e cuidar Petunia ao mesmo tempo?

— Argh! — Reclamou, enchendo a boca de shampoo.

X—X

Petunia suspirou pelo que parecia ser a milésima vez enquanto observava Lily e as amigas conversarem. Ela sabia que estava sendo uma péssima acompanhante, mas não conseguia se deixar levar pelo divertimento daquelas garotas.

Tudo o que queria era ficar em sua cama, deitada, e sofrer em silêncio enquanto ouvia músicas dramáticas da Lana Del Rey. Qual era o problema das pessoas em entenderem que aquilo era o máximo que iria fazer?

Não era como se ela fosse sair correndo atrás de Vernon assim que alguém se distraísse. Talvez, alguns dias atrás aquele fosse exatamente o tipo de comportamento que iria ter, mas, depois de vê-lo de braços dados com Bellatrix Black, cruzando em frente ao escritório de advocacia onde trabalhava, Petunia sentia vontade de fazer tudo, exceto correr atrás daquele traidor.

O grande problema era que, depois do último final de semana, Helena Evans havia se transformado em uma maníaca e praticamente não a deixava em paz desde então. Petunia, no auge de seus 22 anos, jamais havia imaginado passar por alguma coisa como aquelas depois de tanto tempo sendo independente.

— Hey, Tuney, venha cá! — Alice Fawcett, uma das amigas de Lily de quem Petunia mais gostava, aproximou-se. — Não fica aí sozinha.

— Estou bem aqui, Alice. — Petunia murmurou em resposta.

— Anda, Tuney. — Marlene, a amiga espalhafatosa de Lily, aproximou-se. — Beba um pouco. Já passei por mais términos de relacionamentos do que gostaria de lembrar e, embora nenhum deles tenha sido sério como o seu, posso afirmar que até eu conseguir superá-los fiz muita coisa errada. Vamos lá, Petunia, vamos beber e ficar bêbadas e, depois, vamos ir até a casa dele e gritar xingamentos em sua janela.

Horas mais tarde, Petunia se arrependeria de ter aceitado aquele conselho.

X—X

— Oi, Frank! — Alice atirou-se sobre o namorado, quase derrubando-o ao tropeçar sobre ele. Frank segurou-se no beiral da porta, firmando a namorada para que ela não acabasse caindo sobre ele. Erguendo os olhos para Lily, arqueou uma sobrancelha. — Ao que parece, vocês andaram se divertindo bastante.

Sorrindo, Lily se aproximou.

— Elas se empolgaram bastante com as bebidas. — Disse enquanto observava Petunia e Marlene caírem na gargalhada sem qualquer motivo aparente.

Bastante. — Ele resmungou, mas parecia divertido. — Então, para onde vamos?

— Um lugar com... bebida. — Alice disse, tentando se equilibrar nos braços do namorado. — Muita bebida.

— Eu não deveria fazer isso, pois você já bebeu demais... — Frank disse e suspirou ao ver a expressão no rosto da namorada.

— Não era para ela estar assim, mas ela acabou ficando alta muito rápido. — Lily comentou, tentando segurar o riso ao observar o estado da amiga. — Era para estarmos maratonando Star Wars..., mas não deu.

Frank encarou-a, abismado.

— Alice ia assistir Star Wars? — Indagou, como se não acreditasse nas próprias palavras.

— Na verdade, foi ideia dela eu trazer meus DVD’s. O firewhisky obviamente veio antes. — Lily meneou a cabeça. — E aqui estamos nós.

Frank lançou mais um olhar para a namorada, o conhecimento de que ela havia tentado – mesmo que não com muito afinco – assistir algo que ele amava porque ele amava, parecia pesar sobre sua decisão.

— Ótimo, eu levo vocês. Mas você vai tomar só água e refrigerante. — Ele disse, segurando Alice pela cintura e encaminhando-se para fora.

— E a Emme? — Indagou, um sorrisinho malicioso nos lábios. — Não vai ir também?

— Vamos lá, Frank, eu te ajudo com as bêbadas. — Lily disse, numa óbvia tentativa de mudar de assunto (a qual ele pareceu entender e não insistiu), enquanto ia até Petunia e Marlene, que não estavam tão zonzas como Alice que, com certeza, era a mais fraca para bebidas.

— Ouvi falar que tem uma festa ótima no Três Vassouras. — Marlene comentou, sorrindo para Lily. — Vai ser legendário!

— Marlene, você precisa parar de tentar imitar o Barney toda vez que fica bêbada.

— Eu não estou bêbada! — Reclamou a morena, desequilibrando-se levemente. Franziu o cenho. — Estou levemente desequilibrada.

— Sim, sim. — Lily resmungou, ajudando ela e Petunia a entrarem no banco traseiro do carro.

— Prontas? — Frank indagou, assim que sentou no banco do motorista, logo depois de ter praticamente amarrado uma Alice muito sorridente no banco do carona. — Okay, então vamos nos divertir.

[SÁBADO — 16 DE JULHO, 2016]

— AI MEU DEUS, VOCÊ É O JAMES POTTER! — A garota de cabelos escuros pulou em sua frente, fazendo com que ele soltasse uma exclamação de surpresa. Era a madrugada de sábado e ele, junto de Remus e Mary, haviam decidido sair para comemorar a chegada de Peter que, para a surpresa deles, chegara uma semana antes do esperado. Estavam no Três Vassouras, um pub bacana que ficava próximo do Centro Universitário de Hogwarts e, também, onde James pretendia fazer a sua festa de 3 milhões de seguidores. O lugar estava lotado, mas não deixava de ser confortável. Até aquele momento, conseguira ficar escondido, longe dos olhos de algum possível fã, mas, como sempre, alguém o havia descoberto.

— Eu mesmo. — Ele disse e sorriu para a garota que hiperventilava ao encará-lo.

— Hey, James. — Mary, que estivera conversando com uma amiga até então, chamou-o. James percebeu a fã quase deixar os olhos caírem ao ver Mary se aproximar. — Ah, oi! — Mary sorriu para a menina, o que fez com que ela soltasse uma exclamação bastante confusa.

— Ah, meu Deus, vocês estão juntos? — A garota perguntou, sem parecer acreditar em seus olhos.

James e Mary trocaram um olhar, risonhos.

— Não. — Disseram, juntos. A forma como disseram era convincente demais para que a expressão no rosto da garota murchasse.

— Ah. — Ela murmurou, mas então voltou a sorrir. — Posso tirar uma foto de vocês dois juntos? Para eu mostrar para as minhas amigas? Elas não vão acreditar que eu vi vocês dois se eu não tiver fotos!

Depois de terem posado para uma sessão de várias fotos, incluindo a de outras pessoas que, ao verem a inquietação da primeira garota, começaram a se amontoar em volta deles, finalmente voltaram para onde Peter e Remus estavam sentados, conversando.

— Pensei que nunca fossem largar vocês dois. — Peter comentou e sorriu, esticando uma garrafa de cerveja para James que prontamente aceitou. Sentando-se em frente ao amigo, percebeu que Mary e Remus trocavam algumas palavras, contudo, a música alta e o burburinho tornavam impossíveis quaisquer tentativas de ouvi-los. — Eles estão tendo mesmo alguma coisa? — O amigo perguntou e James percebeu que Peter também estivera observando-os. Remus e Mary se ergueram da mesa, voltando-se para eles.

— Já voltamos. — Remus disse e então eles sumiram no meio da multidão.

— Eu acho que sim. — James respondeu e então suspirou. — Sirius não está nada feliz com isso.

— E como estaria? Depois de tudo o que eles dois tiveram? — Peter respirou fundo, parecendo inconformado com a situação. — E o que o Remus está pensando ao usar essa menina desse jeito? Pensei que ele fosse o mais inteligente entre nós quatro.

James deu de ombros e passou as mãos pelos cabelos, sem querer se preocupar com toda a confusão que era a relação entre Sirius e Remus. Aquela novela durava há anos.

— Eles precisam se entender em algum momento. — James resmungou. — Eles vão ter de resolver isso. Essa briga toda pode acabar prejudicando a nossa amizade e, por Deus, isso é tudo o que eu não quero.

— É. — Peter concordou e bebericou a cerveja antes de sorrir de forma maliciosa para James. — Mas, e então, o que foi aquele Hangout? Todo aquele clima entre a ruiva do snap e você não parecia ser nada arranjado, Prongs. Por muitas vezes pensei que vocês fossem se atracar na frente das câmeras e tudo.

— Peter! — James reclamou, sentindo suas bochechas esquentarem diante das palavras do amigo. A verdade é que Peter não estava errado. Ao gravar aquele hangout, por várias vezes quis beijá-la. E, bem, ele o fizera. Não apenas uma vez, mas três. E, em todas elas, sentira ainda mais vontade de repetir a dose.

Mas ele precisava parar de pensar naquilo. Principalmente depois da forma como agira com ela depois de seu ataque de ciúmes. Ele sabia muito bem que Lily não tinha culpa e sequer quisera magoá-lo, mas, por Deus, depois de ouvi-la explodir sobre o fato de ser fangirl dele e dos Marauders e, logo em seguida beijá-la daquele jeito só para ter de ir embora e deixá-la com outra pessoa... doera. James tinha certeza de que demorariam muitos anos até conseguir reconstruir seu ego.

— O quê? Não estou mentindo! — Peter riu da expressão de James. — Qual é, James, você está totalmente caído por ela! Nem mesmo quando você namorou a Doe ficou babando desse jeito e ela foi sua única namorada séria.

— Eu... — James começou a falar, mas meneou a cabeça, dando de ombros. Não podia negar o que era óbvio. Como ele chegara naquele ponto tão extremo de adoração pela ruiva louca que era sua vizinha era um grande questionamento.

Peter riu mais um pouco, piscando para uma garota de pele dourada que passou perto da mesa. Ela sorriu e, mais do que prontamente, Peter ergueu-se. Surpreso com a atitude do garoto, James sorriu.

— Vou buscar mais bebidas. — Peter comentou, mas ele tinha os olhos na garota que se afastava.

— Boa sorte. — James comentou, divertindo-se ao ver o amigo se afastar, totalmente distraído.

Percebendo-se sozinho, James suspirou e voltou sua atenção para a cerveja, seus pensamentos inevitavelmente voltando-se para Lily Evans e tudo que ela fazia com os sentidos dele.

Se James fechasse os olhos, podia imaginá-la à perfeição, em sua frente, com os lábios entreabertos enquanto ele se aproximava para beijá-la. Podia lembrar perfeitamente de sua pele branca e todas as sardas que cobriam seu rosto. A cor de seus olhos, um verde tão desnorteante que fazia com que ele perdesse o fôlego. Lembrava, também, do gosto de seus lábios contra os seus, a forma como se encaixavam perfeitamente nos dele. James estava tão concentrado pensando nela, que podia jurar que havia sentido seu perfume.

— Pare com isso, James. — Bufou, sentindo-se idiota. Terminou de beber o líquido em sua garrafa, suspirando ao se erguer para buscar mais. Estava voltando-se em direção ao bar quando viu: os cabelos estupidamente vermelhos, parecendo brilhar entre as pessoas, movendo-se um pouco à sua frente.

Sem pensar no que estava fazendo, James apressou-se naquela direção, surpreendendo-se ao perceber que, na verdade, ele não havia imaginado o perfume de Lily: ela estava lá.

Um nó de nervosismo pareceu se formar em seu estômago e ele tentou se controlar. Não era algo tão importante assim, era? Quer dizer, tudo bem que ela estava ali, no mesmo lugar que ele, mas, francamente, eles moravam há metros de distância. Não era nenhuma novidade eles estarem próximos. E daí que ela estivesse se balançando no ritmo da música junto de, James reconheceu, duas amigas e sua irmã. Todas pareciam se divertir e rirem, duas delas, uma mais baixinha de cabelos pretos que dançava junto de um garoto que James supôs ser seu namorado e Petunia, pareciam um pouco mais desnorteadas do que o habitual. Ele viu Lily esticar, não apenas uma, mas várias vezes, as mãos para segurar a irmã que havia se desequilibrado.

Sacudindo-se internamente, James precisou de muito esforço para conseguir desviar o olhar e voltar a caminhar em direção ao bar. Ele sentia-se nervoso, suas mãos suavam. Xingou-se mentalmente pela babaquice.

— Mais uma, por favor. — James disse, esticando a garrafa vazia para o barman. O homem rapidamente repôs sua cerveja e, ao se virar para afastar-se do bar, acabou dando um encontrão em alguém, fazendo-o virar o conteúdo da garrafa recém-aberta sobre o que James supôs ser uma garota pelo grito que ela soltou. — Me desculpe! — Ele disse e esticou as mãos na direção dela, contudo, antes de tocá-la parou ao perceber, para seu completo horror, que era Lily.

Xingando até mesmo os antepassados do traste que havia acabado de destruir seu vestido, Lily ergueu os olhos, as palavras de baixo calão na ponta de sua língua, prontas para serem usadas. Contudo, ao encarar o garoto que se desculpava, deparou-se – é claro que sim – com ninguém menos que James Potter.

Um palavrão escapou de sua boca, fazendo-o arquear uma sobrancelha.

— Para você também. — Ele disse.

Respirando fundo, Lily tentou acalmar os batimentos de seu coração que parecia ter pisado no acelerador. Seu rosto imediatamente inundou-se de sangue, deixando-a corada do pescoço até as orelhas.

Pensando que o melhor a fazer, depois de tudo, seria ignorá-lo, Lily simplesmente cerrou os punhos e desviou dele, encaminhando-se para o balcão do bar a fim de pedir algo com o que pudesse se secar. Quando o barman esticou para ela um guardanapo, ela resignou-se a tentar tirar o máximo de álcool de seu vestido que, infelizmente, deveria estar cheirando terrivelmente.

Por que a sorte precisava simplesmente ignorá-la? Como era possível ela ter tanto azar daquele jeito? Não era normal, por Vader, que toda vez que saía para se divertir, alguma coisa precisasse dar errado.

Ela saíra para, além de tentar divertir sua irmã, também espairecer, esquecer dos últimos dias e de como eles haviam sido torturantes. Não precisava de mais uma noite destruída por James Potter e todo aquele maldito poder que ele parecia ter sobre ela.

— Você pode me conseguir uma garrafa d’água? — Ela pediu ao barman, devolvendo o guardanapo de pano para ele. O homem sorriu para ela, entregando em suas mãos a garrafa.

Ela estava prestes a voltar para onde havia deixado a irmã completamente bêbada quando, é claro que sim, James Potter prostrou-se em sua frente, impedindo sua passagem.

— Com licença. — Ela pediu, tentando ser educada embora tudo o que quisesse fazer era pular no pescoço dele e... respirou fundo.

— Eu quero conversar com você. — James disse, após encará-la com uma expressão ilegível por alguns segundos. — Por favor, Lily.

Ah, e lá estava: aquela expressão de novo. Os olhos castanhos derretendo sobre ela, fazendo-a sentir-se como uma gelatina: trêmula e totalmente desestabilizada.

— Eu preciso entregar essa garrafa para a minha irmã, James. Ela vai entrar em coma alcóolico a qualquer momento. — Lily disse, tentando esquivar-se dele, porém, novamente, James se colocou em sua frente.

Por favor. — Pediu novamente, quase uma súplica. Lily quis beijá-lo, mas controlou-se, contentando-se em concordar com um aceno de cabeça.

Ela o seguiu, enquanto encaminhavam-se para o lado oposto do pub, onde teriam um pouco mais de privacidade para conversarem. Antes, porém, que chegassem lá, uma menina apareceu repentinamente em frente a eles, uma expressão abismada pendendo de seu rosto.

— James Potter e a ruiva do snap! — Ela disse e sua voz soava histérica. Algumas pessoas pararam para encará-la, mas ela não pareceu se importar. — Por favor, por favor, posso tirar uma foto com vocês?

— Ah...

— É melhor n-

Mas, antes que eles pudessem reagir, a menina já havia passado o celular para um garoto que estava ali perto, pedindo para ele tirar uma foto deles três, enquanto se ajeitava entre James e Lily, puxando-os para perto.

Lily tentou não parecer muito retardada ao sentir a luz do flash piscar sobre eles, mas sabia que sua expressão de atordoamento com certeza estragaria a foto.

— Meu Deus! — A garota voltou a ficar na frente deles. — Vocês são lindos juntos! Eu super shippo! — E, sem dizer mais nada, afastou-se, eufórica, para perto de um grupinho de garotas que dançavam.

Lily percorreu o pub com os olhos, encarando o local onde havia deixado Petunia sentada. A irmã ainda estava lá e, embora estivesse obviamente bêbada, parecia levemente melhor. Alice, Frank e Marlene dançavam próximos a ela. Lily sentiu uma leve pontada de culpa por não estar junto dela enquanto se afastava com James, mas, assim que haviam chegado no outro lado e o garoto voltou a ficar em sua frente, ela esqueceu até mesmo de seu nome.

— Então? — Ela reuniu toda coragem que possuía ao encará-lo diretamente nos olhos, sentindo como se estivesse sendo engolida por eles.

— Eu queria me desculpar. — James disse, parecendo estar tão constrangido quanto ela pela proximidade. — De novo. Eu fui um babaca. — Falou e, talvez fosse a bebida em seu sangue, mas ele não sentia tanta dificuldade em fazer as palavras saírem. — Não tinha qualquer direito de ficar irritado com você ou de fazer o que eu fiz. Sequer deveria ter te beijado! Eu... me desculpe, Lily.

A garota sentia-se desnorteada, pois, mais uma vez, James Potter estava se desculpando por tê-la beijado. Será que ele não entendia que ela não se importava nenhum pouco com aquilo? Será que, por Vader, ele realmente pensava que ela não havia gostado de seus beijos? Certo, ela se sentira infernalmente confusa depois do que ele havia feito, mas, por Vader, não podia negar que haviam sido os melhores beijos de toda sua vida. Portanto não precisava de James Potter pedindo desculpas por tê-lo feito, a menos, é claro, que ele se arrependesse.

— Não precisa pedir desculpas por ter me beijado. — Ela disse, sentindo todo o constrangimento de segundos atrás se transformar em determinação. — E, tudo bem, eu entendo como você deve ter se sentido péssimo ao perceber que eu estava indo para um encontro logo depois de nos beijarmos. — Ela passou a mão de forma distraída pelo vestido úmido, sentindo a vermelhidão voltar a tingir seu rosto.

— Eu fiquei... ah... foi difícil para mim. Mas isso não exime minha culpa. Você não fazia ideia de que eu iria ir na sua casa e que eu pretendia te beijar. Para falar a verdade, nem eu sabia. Eu só queria te pedir desculpas por deixar as coisas estranhas entre nós, jamais quis que acabássemos agindo feito dois estranhos.

— Como estamos fazendo agora? — Ela perguntou, um sorrisinho irônico se estendendo por seus lábios.

James meneou a cabeça, mas sorriu.

— É.

— Tudo bem. — Ela disse e respirou fundo. — Está tudo bem, James.

Ele estreitou os olhos, encarando-a com desconfiança.

— Tem certeza? Porquê da última vez que você falou isso acabou explodindo logo em seguida.

Como se fosse possível, as bochechas de Lily esquentaram ainda mais.

— Ah, sobre isso... — Ela murmurou, lembrando da forma como praticamente cuspira na cara dele todas as verdades sobre ela ser uma fangirl de carteirinha dele e de seu canal.

James sorriu, divertido.

— Está tudo bem, @fangirlily. — Ele piscou, fazendo-a ofegar. Rindo de forma descarada, James esticou uma mão, tocando-a na bochecha. Sem parecer perceber, James deixou sua mão ali, acariciando seu rosto de maneira íntima. E então baixou a mão, percorrendo a linha de seu maxilar. Lily ficou imóvel, exceto por um suspiro audível que escapou de seus lábios. Arregalando os olhos, finalmente parecendo perceber o que estava fazendo, James afastou a mão, parecendo desmedidamente sem graça. — Me desculpe, eu...

— Pare com isso! — Ela irritou-se e cerrou os punhos, o sangue pulsava com força em sua cabeça, fazendo-a sentir-se extremamente irritada com as desculpas do garoto. James calou-se, assustado diante da reação dela. — Pare de me pedir desculpas por coisas que não precisam ser desculpadas!

— Eu... — Ele começou a falar, mas interrompeu-se, sem parecer encontrar palavras para responde-la.

Um silêncio esquisito recaiu sobre eles, fazendo parecer que todo burburinho em sua volta havia desaparecido. Lily sentiu sua respiração tornar-se ofegante, sem ter a menor ideia de como aquilo havia acontecido.

— Não quero que você... sinta muito por ter me beijado ou me tocado. — As palavras escaparam de sua boca, preenchendo o silêncio de maneira avassaladora. Lily percebeu quando James prendeu a respiração.

Eles encararam-se fixamente pelo que pareciam ser longos minutos, fazendo com que até mesmo o ar em volta deles se tornasse extremamente tenso.

— E eu não sinto muito por isso. — James quebrou o silêncio com sua voz absurdamente rouca. Lily sentiu algo quente percorrer por seu íntimo, a sensação de eletricidade percorrendo por sua corrente sanguínea.

— Ótimo. — Ela disse e, sem que pudesse controlar, como se seu lado instintivo e animal houvesse tomado conta de sua mente, Lily esticou-se para ele, grudando seus lábios nos de James da forma que, nos últimos dias, parecia ser natural.

James prontamente respondeu, puxando-a para si e imediatamente aprofundando o beijo. Ele enredou seus dedos em seus cabelos, puxando-os enquanto ela lhe arranhava a nuca. Eles suspiravam, juntos, sem conseguirem parar de beijar, grudando seus corpos de modo que não havia qualquer espaço entre eles.

Somente quando uma luz branca brilhou sobre eles, foi que se separaram minimamente, piscando, atordoados, enquanto procuravam o causador daquele incômodo. A garota que se empoleirara sobre eles minutos antes a fim de tirar uma foto, estava lá novamente, a câmera do celular apontada diretamente para eles, contudo, daquela vez, parecia extremamente envergonhada por ser pega no flagra.

Antes que qualquer um deles pudesse falar qualquer coisa, a garota já havia se afastado, praticamente correndo, deixando-os completamente sem reação por, mais uma vez, terem se beijado.

James afastou-se de Lily de forma lenta e ela percebeu uma mancha úmida na camisa dele, indicando o lugar onde ele encostara sobre o vestido molhado dela. Aquilo era desconcertante, tanto quanto encará-lo.

Estavam ofegantes e total e completamente sem graça. James tentava encontrar qualquer coisa para dizer, contudo nada parecia bom o suficiente. Lily, por outro lado, estava controlando sua boca para não acabar dizendo para ele voltar a beijá-la.

Por Vader, que diabos era aquilo? Não podiam mais ficar perto um do outro que já estavam aos amassos? Que tipo de pessoa agia daquela maneira, pela força? Ela precisava aprender a controlar aqueles instintos totalmente selvagens que pareciam possuí-la quando estava perto dele. Estava prestes a forçar-se a dizer que eles precisavam parar com aquilo, pois era insanidade, quando seus olhares se encontraram. Os olhos de James estavam quase negros, tão brilhantes e desejosos que fizeram-na perder o fôlego. Ela sabia que não deveria estar muito diferente, talvez pior.

— Lily... — Ele a chamou com a voz rouca. Sem parar para pensar (aliás, desde quando ela pensava quando estava perto dele?), Lily puxou-o pela mão, encaminhando-se mais para a esquerda onde havia um corredor vazio que levava à saída de emergência. A pouca iluminação colaborava para a sensação de necessidade de Lily aumentar, portanto, quando parou de caminhar e voltou-se para James, não se surpreendeu ao ser prensada contra a parede, seus lábios imediatamente cobertos pelos dele.

Era como uma forma nova de beijar. Algo totalmente selvagem e sem limites que a fazia soltar suspiro atrás de suspiro sem que pudesse se conter. James cravou seus dedos sob o tecido fino do vestido que estava sobre sua cintura e Lily soube que deixaria marcas. O lado perverso dentro dela rogava à força para que ficasse marcado, para que ele a apertasse tanto contra si que acabassem sendo apenas um.

Sem conseguir se conter, Lily baixou as mãos da nuca de James, descendo até a barra de sua camisa e enfiando-as sob ela. Ouviu-o gemer quando percorreu com as unhas toda a extensão de suas costas. Um sorrisinho escapou de seus lábios, mas logo foi calado por mais um beijo de tirar o fôlego.

Eles se moviam um contra o outro de forma quase violenta, sem se importar se iriam acabar machucados ou com roxos. James desceu sua boca pelo maxilar de Lily, distribuindo beijos até seu pescoço e focando-se lá. Ela precisou morder os lábios para não gemer alto demais quando sentiu os dentes dele arranharem sobre sua pele.

Cravou ainda mais suas unhas nas costas dele, descendo as mãos até que chegasse no cós de sua calça jeans, passeando por ele, brincando com a barra de sua cueca boxer enquanto o arranhava levemente na região. Rosnando, James puxou as mãos dela que se aventuravam cada vez mais longe, e colocou-as acima da cabeça de Lily, prensando-as contra a parede assim como seu corpo. Com uma única mão, James segurou seus pulsos enquanto que, com a outra, puxava sua cintura de encontro à dele.

Lily ofegou ao senti-lo.

Eles se beijaram novamente, de forma intensa e avassaladora. Lily não conseguia imaginar quando eles parariam e, por Vader, eles não teriam parado não fosse o celular que vibrava insistentemente entre eles.

Soltando uma exclamação de frustração, James se afastou um pouco de Lily, fazendo com que ela, extremamente envergonhada, puxasse o telefone de dentro dos seios, onde havia guardado para não precisar carregar a bolsa. Tentando estabilizar a respiração o suficiente para que pudesse falar, Lily atendeu enquanto sentia arrepios percorrerem sua espinha enquanto James brincava com uma mexa de seu cabelo.

— Alô?

Lily, onde você está? — Era Frank e, pelo tom de voz, estava preocupado.

— Ah, oi. — Lily disse e precisou morder os lábios para não acabar gemendo ao sentir os dentes de James se fecharem sobre o lóbulo de sua orelha. Ela fechou os olhos, lutando fracamente contra as sensações que preenchiam seu corpo. — Aconteceu... aconteceu alguma coisa?

É a Petunia. — Frank disse, mas foi interrompido quando alguém gritou alguma coisa perto dele. — Você está aonde, Lily? Não estou te vendo aqui no pub...

— Vim no banheiro. O que aconteceu com a Petunia? — Lily segurou o rosto de James, impedindo-o de mordê-la novamente. A preocupação com a irmã pareceu despertá-la, mesmo que levemente.

Ela sumiu. Estava sentada onde você havia deixado, mas, agora eu fui ver e ela não estava mais lá. Perguntei no bar e disseram que ela havia saído. Não pude ir atrás porque a Alice estava tentando subir em cima de uma mesa e Marley a estava estimulando. — A voz de Frank era trêmula de riso. — Te liguei porque não te encontrei e pensei que pudesse ter ido atrás dela, mas se você ainda está aqui é melhor procurarmos por Petunia antes que ela faça algo de que se arrependa depois.

— Ah, merda. Ela pode ter ido atrás daquele traste. — Lily reclamou, sentindo toda a euforia de segundos atrás sumir. — Obrigada, Frank. Já estou indo. Me encontre no lado de fora, perto do carro. — E, sem esperar pela resposta do garoto, Lily desligou.

James a observava de perto, porém não mais tentava mordê-la.

— Aconteceu alguma coisa com a Petunia? — Ele perguntou, visivelmente preocupado.

— Ela sumiu. — Lily suspirou e afastou uma mexa de cabelo para longe do rosto. — Então é melhor eu ir atrás dela antes que ela acabe fazendo alguma merda. — Encarou-o, sentindo o constrangimento voltar com força total ao perceber o que haviam acabado de fazer. — Ah... James, eu...

Mas ele a impediu de continuar inclinando-se em sua direção e beijando-a levemente. Fora um beijo tão doce e tão carinhoso, que Lily sentiu suas pernas tremerem. Seu coração parecia estar dando mortais dentro de seu peito e ela não conseguia lembrar o que deveria fazer a seguir.

— É melhor você se apressar. — Ele disse, quase sussurrando, fazendo-a estremecer por inteiro. — Mas a gente se fala, Lily.

Juntando o último resquício de suas forças, Lily assentiu e sorriu fracamente para ele.

— Até mais, James. — Ela disse, meio zonza e começou a se afastar. Contudo, antes que saísse do corredor, sentiu os dedos de James se fecharem sobre sua mão direita. Voltou a encará-lo e sua expressão era totalmente diferente do que ela jamais havia visto.

— Eu gosto de você, Lily. Gosto muito.

Lily sorriu para ele, sentindo uma estranha felicidade a invadir.

— Também gosto de você, James. Muito. — E, dizendo aquilo, deu as costas para ele, saindo do corredor para o pub que parecia ainda mais cheio do que antes, fazendo com que a caminhada até a saída fosse muito mais difícil do que havia sido para entrar.

Lily sentiu o rosto esquentar ao perceber que a garota da foto a observava sair do pub, mas preferiu não pensar muito sobre aquilo, pois imaginar o que ela faria com aquela foto poderia deixa-la ainda mais confusa e desmedidamente nervosa do que já estava.

Saiu do pub e o ar fresco da noite a atingiu em cheio, colaborando para que ela organizasse os pensamentos. Ou tenta-los organizar o máximo que podia depois de toda aquela loucura.

— Onde você estava, Lily? — Marlene indagou assim que Lily sentou no banco do carona ao seu lado. — Você sumiu. — A voz da amiga estava meio abafada, contudo, Lily percebeu, ela não estava tão embriagada quanto Alice que estava praticamente deitada no banco de trás, as pernas em cima de Marlene, totalmente apagada.

— Longa história, Marley. — Lily disse e respirou fundo, voltando-se para Frank que a encarava com desconfiança. — Vamos para a casa do Vernon, tenho quase certeza de que, se Petunia foi para algum lugar, é para lá que está indo.

Lily estava certa quanto aquilo, é claro, porém, como tudo na vida dela: era tarde demais para que pudesse tentar mudar alguma coisa.

[DOMINGO — 17 DE JULHO, 2016]

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Lily: Sirius, pelo amor de Vader

Lily: quando puder, vê se fala comigo

Lily: eu PRECISO te contar umas coisas antes que enlouqueça

Lily: EU ESTOU SURTANDO

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@fangirlily: não sei como reagir

@fangirlily: acho que estou meio morta

@fangirlily: ou meio viva

@fangirlily: EU PRECISO MUITO GRITAR COM ALGUÉM, MAS AS MINHAS AMIGAS ESTÃO

@fangirlily: TODAS MORTAS E DORMINDO ENQUANTO QUE EU NEM OS OLHOS CONSEGUI

@fangirlily: FECHAR AINDA PORQUE

@fangirlily: estou morta

@fangirlily: falando em morte

@fangirlily: minha mãe vai me matar quando eu chegar em casa sem a Petunia

@fangirlily: acho que vou dormir aqui na casa da Marlene essa noite

@fangirlily: e pelo resto da semana

@fangirlily: POR VADER, DEU A LOUCA NA MINHA VIDA

@fangirlily: que morte

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[SEGUNDA-FEIRA — 18 DE JULHO, 2016]

Lily sentia o estômago embrulhado de fome enquanto abria o portão de sua casa. Havia se acordado tão atrasada que tivera de ir para a Movie-Maker sem almoçar. Nem todas as barrinhas de cereais que havia comido durante a tarde pareciam ter feito mossa à fome brutal que sentia corroer suas entranhas.

E ela ainda tivera de ir buscar sua fantasia novamente, pois, depois de experimentar, percebera que havia emagrecido e precisava de alguns ajustes. Como se ela precisasse ficar ainda mais magra do que já era, francamente.

E, é claro que, num momento desesperador como aquele, James Potter precisava se materializar, com toda sua beleza e expressão de quem sabe que beija muito bem, bem ao seu lado.

— Hey. — Ele cumprimentou-a, sorrindo de forma marota.

O rosto de Lily imediatamente fez cosplay de tomate maduro e tornou-se extremamente vermelho em questão de segundos. Desde que saíra da festa no Três Vassouras, Lily não o havia visto, pois ficara na casa de Marlene. Portanto, obviamente, precisou de todas as suas forças para evitar gritar ou sair correndo devido à loucura que a acometeu ao vê-lo tão perto, o que fez com que ela lembrasse com perfeição da forma como haviam trocado amassos no corredor mal iluminado do pub.

— Hey. — Forçou-se a dizer, sentindo que estava muito perto de sofrer um infarto. Pela força, como ele conseguia ficar mais bonito a cada dia? — Tudo bem?

James se encostou nas grades do portão, inclinando-se para ela.

— Tudo. — Ele sorriu ainda mais e esticou a mão, arrumando uma mecha de cabelo dela que insistia em cair sobre sua testa. Lily sugou o ar, sentindo-se imediatamente tensa. — Chegando do trabalho? Não te vi ontem.

— Fiquei na casa de uma amiga. — Ela comentou, contendo um tremor.

— Hm. — James murmurou, encarando-a de modo divertido. — O que vai fazer hoje à noite?

Lily estava quase tendo um ataque cardíaco diante de suas palavras quando os gritos a distraíram.

— COMO VOCÊ OUSA TRAZÊ-LO PARA NOSSA CASA? — A voz aguda de Helena pareceu explodir de dentro da casa, exalando fúria e ressentimento. — DEPOIS DE TUDO O QUE ELE TE FEZ, PETUNIA! COMO OUSA? COMO ISSO ACONTECEU? EU DISSE PARA LILY QUE...

— Ah, merda. — Lily disse, sentindo sua euforia esfarelar ao ouvir os gritos furiosos da mãe. — Merda, merda, merda. — Reclamou e voltou os olhos para a rua percebendo pela primeira vez o conhecido carro prateado de Vernon. — Merda.

— O que...? — James começou a perguntar, obviamente curioso por conta dos gritos.

Lily sacudiu a cabeça, respirando profundamente antes de terminar de abrir o portão.

— Você me perguntou o que eu faria essa noite e a resposta é que: provavelmente vou ser morta e enterrada sem direito a um funeral. — E, cruzando o portão, sorriu para ele. — Tchau, James.

[QUARTA-FEIRA — 20 DE JULHO, 2016]

Era tarde da noite e Lily estava trancada em seu quarto. Sentia fome, contudo, se recusava a descer para afanar algo da geladeira enquanto sua mãe não estivesse totalmente apagada.

Os berros de dois dias atrás ainda faziam Lily se remexer incomodada. Nunca vira Helena Evans tão furiosa. Com razão, é claro.

Petunia, aparentemente, havia perdido toda sua razoabilidade depois da bebedeira de sábado. Ao fugir do pub, correra para a casa de Vernon, esquecendo-se completamente do fato que ele não deveria estar lá, pois naquele final de semana iria acontecer a janta de noivado com a Bellatrix Black.

Só que ele estava em casa. E, se as coisas na casa dos Evans estavam feias, na casa dos Dursley estava duplamente pior. Ao que parecia, Vernon havia desistido do casamento em um ato de revolta contra os pais. Lily ficara realmente surpresa ao descobrir aquilo, pois, francamente, jamais pensara que Vernon seria capaz de falar qualquer coisa que não fosse para agradar aos pais, mas, ao que parecia, ele realmente gostava de Petunia.

Como a vida andava surpreendente desde então.

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Pelo pouco que a irmã contara, as coisas na casa dos Dursley haviam sido quase uma terceira guerra mundial. E, é claro, de forma muito racional, Petunia decidira levar Vernon – que fora chutado de casa – para a casa dos pais.

Era pedir muito para que Helena não sofresse um infarto.

Nem mesmo Lily, que entendia razoavelmente o lado da irmã, conseguia encontrar um motivo para ela ter feito uma coisa absurda daquelas. Mas Petunia fizera e, depois da explosão da mãe delas, Edward, com muito custo, conseguira acalmá-la e convencê-la de que não havia nada a fazer a não ser deixar a poeira abaixar até que pudessem conversar com os Dursley e tentar resolver toda aquela situação.

Desde então, a casa dos Evans se tornara um inferno. Os almoços eram em um silêncio mórbido e, por mais que Vernon fosse amigável e simpático, o clima parecia apenas piorar com o passar dos dias.

Era apenas um alívio muito grande quando Lily ia para o trabalho, pois, daquela forma, ficava longe da ira de Helena Evans por algumas horas que parecia culpa-la pelo erro da irmã.

O estômago de Lily roncou novamente, fazendo-a suspirar. Ela precisava comer alguma coisa. Decidira não jantar, após mais uma briga entre Petunia e Helena, mas a escolha parecia muito errada então.

Puxando o celular pelo que parecia ser a milésima vez, Lily acessou seu Twitter e, de forma automática, entrou na conta dele. Não havia nada novo por lá. Só um aviso de que a “Festa dos 3 milhões” seria no próximo sábado, no Três Vassouras, e que todas as fãs estavam convidadas a comparecerem e mais alguns tweets aleatórios sobre a Odette e algumas menções à Sirius que, até então, não havia respondido.

Lily sentiu o estômago apertar, imaginando o que estaria acontecendo com Sirius e porquê ele não estava entrando em sua conta. Deu mais alguma fuxicada por lá, desinteressada. A verdade era que fazia dias que Lily não tuitava de forma decente. Qualquer coisa desde que beijara James/Petunia levara Vernon para casa, parecia desmedidamente desinteressante.

Estava quase fechando o aplicativo quando algo lhe ocorreu: a menina da foto com flash.

Tudo bem que Lily havia tido muitas coisas com as quais se preocupar desde aquela festa, mas como pudera esquecer alguém com tamanha informação em suas mãos?

Clicando no balão de pesquisas, Lily jogou “a ruiva do snap” e apertou em pesquisar. Enquanto esperava, sentia o estômago reclamar dos maus tratos e da falta de comida. Quando, por fim, a pesquisa foi concluída, ela demorou um longo tempo até perceber o que estava lendo.

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@prongslove: AI MEU DEUS, JILY É REAL, A RUIVA DO SNAP PEGOU

@ALOKADOPRONGS: EU TO BEM MORTA COM ISSO DA RUIVA DO SNAP

@andielove: QUERIA ESTAR VIVA PARA PODER ESTAR MORTA DEPOIS DESSA NOVIDADE SOBRE O @JamesPotter E A RUIVA DO SNAP

@aruivadosnaaap: COMO PODE ESSA RUIVA DO SNAP SER TÃO SORTUDA?

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E, cada vez que atualizava a página, mais tweets parecidos apareciam. Esquecendo-se completamente da fome que corroía suas entranhas, Lily sentiu a agitação se abater sobre ela enquanto ela descia pelo feed. Estava tentando achar o motivo de toda aquela loucura – embora já tivesse suas desconfianças – quando viu o tweet que fez com que ela perdesse todo o oxigênio que havia em seus pulmões.

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@iolanthepotter: @JamesPotter E LILY AKA RUIVA DO SNAP ESTAVAM SE BEIJANDO ASAUSHAIISOHAUIOSJKLOAAI ADEUS MUNDO [Imagem dos dois se beijando na parte mais reservada do Três Vassouras]

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Lily reconheceu a foto, pois sabia o momento em que havia sido tirada. Lembrou a expressão de surpresa no rosto da garota quando o flash estourou sobre eles e o modo como ela praticamente saiu correndo antes que os dois falassem alguma coisa.

Clicando sobre a foto, Lily deu zoom, abismada com o que seus olhos viam.

— Ah, meu Vader...

Notas finais
E aí, pessoas? Tudo bem com vocês? Acho que nunca mais vou conseguir escrever capítulos pequenos nessa fanfic, me perdoem por isso, é totalmente involuntário. Para quem me acompanha nas redes sociais: acabei mudando algumas coisas e tive de cortar o capítulo senão ele acabaria do tamanho do universo, portanto, embora os spoilers sigam valendo, tive de deixar boa parte deles para o próximo capítulo hehe Enfim, gente, me contem o que acharam, right? Espero que tenham gostado tanto quanto eu de escrever ♥ Dúvidas, sugestões, xingamentos e etc, estou sempre nas redes sociais: Twitter: @prongsnitch Facebook: https://www.facebook.com/groups/millerfics/ PS: desculpem por qualquer erro aqui contido, é que o capítulo ainda não foi betado (sou afobada demais para esperar) ♥ PS²: GENTE, postei uma oneshot Jily (+18), inspirada nas Olímpiadas, onde eles dois são jogadores de futebol e estão concorrendo com suas respectivas seleções pela medalha de ouro ♥ Link: https://fanfiction.com.br/historia/705540/Medalha_de_Ouro/ Beijinhos e até breve ♥