– Senhorita Haruno?

– Entre!

A maçaneta daquela porta antiga e mal pintada soou, gerando um ruído estridente naquela sala quase vazía e silenciosa. Dentro do lugar mal iluminado somente havía uma maca cirurgica e um pequeno móvel com duas gavetas onde supostamente se guardavam as ferramentas necessarias de um médico comum.

Sem dúvida aquele lugar era suspeita, já que aquele pequeno móvel parecia tão inutilizado quanto uma antiga árvore. Os vãos entre uma gaveta e outra tinham teias de aranha, e em cima dele se encontrava uma camada considerável de poeira. E o elemento mais suspeita de todos é que ninguém nunca havia visto de perto a Sakura Haruno utilizando algum instrumento para suas operações.

Ela continuava concentrada no corpo que estava deitado sobre a maca. Sua boca estava coberta por uma mascara cirúrgica branca, e seu corpo coberto por um avental medico igualmente branco. Ela parecia não fazer caso a voz que lhe havia chamado, e que agora entrava em sua sala. Simplesmente continuou concentrada em seus afazeres médicos, apesar de que seus olhos aproveitavam sua visão periférica, estando assim atentos a situação.

Aparentemente se tratava de um homem de estatura razoavelmente grande, porém magra. Ele também possuía um jaleco medico branco que ia até a altura um pouco abaixo de seus joelhos. Ele se aproximava com passos lentos em direção a Sakura.

Aquela situação se poderia interpretar de maneira cotidiana, já que supostamente era um simples médico qualquer que vinha atrás de alguma informação. Porém, algo naquela ocasião chamou a atenção de Sakura. O primeiro elemento examinado era que aquele suposto médico era desconhecido. E, sendo Sakura a encarregada da equipe médica daquele hospital, ela seria a primeira pessoa em saber se fosse o caso de haver chegado algum novo doutor ali. O segundo elemento era que, desde que abriu a porta, continuava a acercando-se a ela sem dizer uma palavra sequer. Em dada situação Sakura se viu obrigada a olhá-lo mais diretamente, e assim o fez. Sua cabeça estava abaixada, igual aos seus olhos, já que naquele instante ela se encontrava examinando um paciente deitado em uma maca que estava a altura de sua cintura. Sendo assim, quando começou a virar o rosto levemente a fim de olhar ao estranho homem que ali se encontrava, o primeiro de seu corpo com que se depararam seus olhos foi com um par de sapatos sujos de barro. Aquilo era um elemento importante para que Sakura concluísse que não se tratava de um médico de nenhum tipo.

Ao perceber o olhar de Sakura em direção a ele, o homem de deteve. Seus pés agora se encontravam alinhados, e Sakura manteve seu olhar concentrado naqueles sapatos sujos, a fim de não encara-lo diretamente. Se aquilo não era um medico ainda estando vestido como um, só podia se tratar de alguma ameaça. A final, por qual motivo alguem se aproximaria a ela caraterizado como um médico sem ser um? Porque alguem teria que esconder sua identidade na entrada do hospital? Ou, raciocinando melhor, será que ele teria passado pela entrada principal, onde existia uma averiguação natural da identidade de todos aqueles que entravam a unidade médica?

Sakura continuava naquela posição, respirando e enquanto pensava em que fazer. Internamente se preparava para atacar, mas ao mesmo tempo não queria equivocar-se na decisão, já que uma atitude assim com a pessoa errada poderia significar a revelação de sua verdadeira identidade.

O homem agora continuava a aproximar-se dela, dando alguns passos que o fizeram suficientemente cerca como para uma conversa. Ela se mover naturalmente, como se continuasse a examinar o corpo deitado sobre aquela maca. O homem com sua voz meio nasal logo começou a falar:

– Tenho um informe pra você…

Ao dizer essas palavras ele colocou sua mão esquerda na parte esquerda do jaleco a fim de abri-lo, e em seguida levou sua mão direita ate um bolso interno da roupa como se fosse tirar algo dali. Naquele instante Sakura sentiu como se o tempo caminhasse lentamente, e como equivalente a este tempo o movimento dele se tornou em câmera lenta. Era como uma premonição de que aquele movimento não se tratava de um informe, e sim de alguma especie de armadilha.

Rapidamente Sakura empurrou a maca que estava diante dela, abaixou levemente tomando impulso para um dar um salto para trás. Justo nesse instante o homem que se encontrava parado diante ela também fez um rápido movimento com a mão, e como se esperava sua intenção não era nada amigável, já que aquele movimento veio acompanhado de uma Kunai muito afiada que atravessou de esquerda a direita com a clara intenção de feri-la seriamente. Com sorte Sakura já havia percebido seus movimentos com antecipação, e seu salto fez com que a kunai somente cortasse seu jaleco. Ela caiu de maneiro algo desequilibrada para trás, e agora o olhava fixamente com a sobrancelha franzida, enquanto se apoiava com sua mão direita no chão, em uma posição semelhante a de um animal que se equilibrava com somente uma pata.

O homem, ao contrario dela, parecia tranquilo. Se poderia dizer que até mantinha um leve sorriso no rosto, ainda que isso parecia algo absurdo em dadas situações.

– Quem é você e o que você quer? – Sakura continuava naquela mesma posição, e seu tom de voz era algo imperativo, como costumava ser quando ela se encontrava em situações de perigo.

– Eu só quero que voce se entregue como uma boa menina, sem reclamar.

– Rggh… – Ela resmungou com raiva. Seu rosto agora transmitia mais tenção e fúria, até que aquela voz nasal novamente soou:

– … Antes que alguém muito querido saia machucado – O homem que pronunciou aquelas palavras era possuidor de um rosto magro, cabelos em um tom de cobre, sobrancelhas grossas, um nariz algo grande e pontiagudo, e que agora esboçava um sorriso sinistro.

Sakura abriu os olhos e soltou uma expressão de claro espanto. Sua pupila se tornou menor, e seu rosto demonstrava o desespero de uma mãe:

– .. Tenshi!

Notas finais
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