Fanfic Naruto - A História de Tenshi - Pt-br
3 O Presente Surpresa
Notas iniciais
Tenshi corria por um deserto. Sua respiração estava ofegante e seu coração batia muito rápido. Ela não sabia exatamente de que, mas corria e corria para alcançar a algo que parecia muito distante A areia a puxava para o sentido contrario e ela ia afundando lentamente.
Um sentimento de desespero encheu seu coração, e ela não pode evitar as lagrimas que caiam do seu rosto. Esticou sua mão para estar de alguma maneira mais próxima daquilo que buscava mas suas tentativas eram inúteis. Seu corpo não aguentava mais e queria desistir, mas sua meta por alcançá-lo era muito maior.
De repente toda a areia que estava sob seus pés desapareceu, e ela caia em um abismo escuro. A sensação do seu corpo era como se estivesse em outra dimensão, até que a sensação do impacto no chão a fez despertar com o susto.
Tenshi abriu os olhos desorientada; a luz da manhã fez com que seus olhos doessem. Seu corpo estava parado como se não pudesse se mover, e estava exatamente na mesma posição na qual havia adormecido.
Ela se lembrava de partes dos muitos sonhos que havia tido na noite, até que o ruído da porta que se abria fez com que virasse a cabeça, ainda que já soubesse quem era.
Haruno Sakura entrava no quarto com pequeno bolo com cobertura cor de rosa e uma vela laranja em cima. Sua mãe tinha um sorriso de orelha a orelha, e a expressão infantil e entusiasta no seu rosto fez com que Tenshi sentisse um carinho.
– Feliz aniversário! — Sakura agora caminhava em sua direção com um sorriso no rosto. Colocou o bolo em sua mesa de cabeceira e se sentou na beira da cama, esticando os braços para que Tenshi se sentasse. Tenshi sentiu no seu coração o calor familiar de ser amada. Segurando as mãos de sua mãe se sentou na cama e esfregou os olhos.
– É hoje, não é?! — perguntou Tenshi enquanto olhava para o chão com um olhar vago.
– Você esta tão grande. Como tempo passou -Sakura parecia nostálgica — Me lembro como se fosse ontem do momento que te segurei pela primeira vez nos meus braços; quando senti o calor do seu corpo, e escutei o seu chorinho de fome. Desde esse dia eu descobri que não poderia amar tanto a ninguém mais nessa vida. — Sakura agora tinha sua mão no rosto da filha, que a olhava com um olhar um pouco surpreso. Sakura continuou — Quando você abriu seus olhinhos, e com a sua mão tão pequena apertou o meu dedo... Eu sempre soube que você era forte. Sempre soube que você se tornaria uma mulher incrível. Sempre soube que dentro de você existia a Vontade de F... — Sakura não pôde terminar a frase.
– Okaasan (mãe)... Você esta falando como se eu tivesse salvado o mundo — Tenshi agora tinha um sorriso inocente e tão grande que chegava a fechar levemente seus olhos.
– É que você está tão grande... — Sakura acariciava o cabelo vermelho-alaranjado de Tenshi — Está tão grande que eu sinto como se fosse te perder pro seu destino — Tenshi parecia confusa.
– Que papo estranho é esse?! Eu não entendo do que você esta falando mãe. É muita filosofia pra mim, eu acho — Tenshi seguia com uma expressão doce e descontraída.
– Me desculpa — disse Sakura, que sorria e secava secava os olhos das lagrimas que haviam caído — Desculpa por te tratar como criança. Acho que eu exagerei.
– Tudo bem! Eu gosto de ser considerada como criança. Os adultos são muito complicados pra minha cabeça.
Sakura agora a olhava com um ar de nostalgia. Com um aperto no coração as memórias chegam em sua cabeça: [... Você se parece tanto ao seu pai...], pensou Sakura, que a fim de se esquecer de tudo isso sacudiu a cabeça e se levantou da cama.
– Bom, já é tarde e tem um menino muito bonito aí fora te esperando há meia hora — disse Sakura sorrindo.
– Um menino muito bonito? Aaah, Okaasan! Espero que não esteja falando de Yuri, porque se for ele e...
– Ele mesmo. AGORA ANDA LOGO QUE O MENINO ESTA TE ESPERANDO! — disse Sakura nervosa, que em seguida deu um golpe forte na cabeça de Tenshi.
Tenshi agora corria apressada pelo medo de sua mãe nervosa e facilmente irritável.
Tenshi finalmente saiu de sua casa. Olhou para cima e viu o profundo azul do céu, ouviu o som de pássaros que voavam e sentiu o vento que vinha da floresta. Sentia como se o Sol fosse um abraço. Costumava imagina que era o abraço do pai que ela nunca conheceu, o qual nunca sua mãe nunca falou nada sobre.
A figura entediada de Yuri estava sentada na frente de sua casa.
– Me diz, por que você demora tanto se você nem sai bonita de casa — disse Yuri com o seu sorriso de lado e o seu ar sarcástico de sempre — Se supõe que quando as mulheres demoram é pra se arrumar, não é certo?
– Cala a boca, Yuri! — disse Tenshi enquanto golpeava a cabeça de Yuri, que reclamou de dor.
– Dizem que as mulheres são iguais as suas mães. Têm razão.
– Não reclama. Agora, conta, qual é a surpresa de aniversário?
– Ah, claro. A surpresa. Você vai gostar muito.
– ... E...?
– O.k., como é uma surpresa eu sugiro que você feche os olhos.
Tenshi o olhava com cara de impaciência, e como Yuri já a conhecia muito bem não se atreveu a demorar mais tempo. Segurou no braço de Tenshi e a arrastou pelo caminho que levava até a floresta.
– Tá bom, tá bom. Você é muito impaciente, Tenshi-chan. Acaba com a magia dos meus planos... — Yuri seguiu resmungando coisas que Tenshi não podia entender bem. E que em realidade não a importavam muito, pois a ansiedade da surpresa mantinha sua mente presa.
Os dois caminharam um tempo pela floresta em silencio. Pareciam ter suas mentes absortas em pensamentos. Chegando em um determinado lugar da floresta, Tenshi parou.
– Yuri... Este caminho... — Tenshi comentou desconfiada.
– Sim, Tenshi-chan. Finalmente chegou o momento. É o caminho para Montanha Sagrada.
Tenshi agora sentia uma mistura de surpresa, entusiasmo e medo. Seu rosto era expressivamente surpreso, mas Yuri parecia tão descontraído como sempre.
– Mas, Yuri-kun... Seus pais, eles... — Yuri a interrompeu.
– Eles não precisam saber. Meu pai teve que sair da Vila e não está aqui. Mas, ei, você quer ou não?! Se não quer não tem problema. Existe um par de meninas da Vila que adorariam dar um passeio comigo pela montanha... — Yuri disse enquanto sorria e fingia ir embora a fim de irritar a sua amiga. Tenshi pegou Yuri pela blusa e o puxou pra perto com força enquanto falava quase gritando:
– Está louco?! Claro que quero! Não tem nada que eu queira mais desde que falamos com o sacerdote da montanha. Mas, igualmente, sua família me preocupa. Se eles descobrem poderia prejudicar a minha mãe e a mim — Yuri agora parecia surpreso com o comentário de Tenshi, que olhando para frente prosseguiu — Você pode estar relaxado porque é o filho de Masato, mas muitas pessoas já desapareceram da Vila por terem desobedecido as leis do seu Clã. Eu não posso morrer assim tão fácil.
– Hey, hey! Relaxa, Tenshi-chan! Não exagera, meu pai não seria capaz de...
– Me matar?! — Completou Tenshi rapidamente.
– Sim. Ele não faria isso. Além disso, as pessoas que desapareceram haviam desobedecido leis muito, muito sérias.
– Yuri-kun, entenda uma coisa: não existe nada mais sério pro seu pai do que a Montanha Sagrada, e nenhuma lei mais absoluta do que as leis que protegem a Montanha Sagrada. Se o seu pai descobre, é o meu fim. Mas, enfim, muito pessimismo. Vamos logo com isso, a final, não há outra maneira de falar com o Sábio da Montanha, não é?! — Tenshi agora havia mudado sua expressão. Voltou a ser menina confiante e entusiasta de antes.
– Certo, vamos — respondeu Yuri que em seguida começou a subir a montanha.
Os dois seguiram caminhando em silencio. O caminho para subir a montanha ficava agora mais difícil, e as grandes arvores cobriam a entrada do Sol. A floresta agora estava muito mais densa e fria e parecia tão misteriosa quanto uma noite de Lua cheia.
Após caminharem por muito tempo, Yuri parou e olhou para o chão.
– Chegamos — disse Yuri. Tenshi observava as coisas ao seu redor e somente via as mesmas arvores de todo o caminho.
– É aqui? Onde está o Sábio? — Perguntou Tenshi com um ar confuso.
De repente, Yuri começou a fazer sinais com as mãos de maneira muito rápida: Cavalo, Rato, Dragão, Boi, Macaco, Coelho, Javali:
– Kaitsuu Suru no Jutsu! (lit: Jutsu de Abertura) — Yuri agora tinha as duas mãos entrelaçadas. Ao invocar jutsu uma grande e linda construção antiga que se assemelhava a um castelo japonês começou a aparecer bem diante de seus olhos, como se sempre estivesse aí.
Tenshi estava surpresa tanto pelo jutsu de seu amigo quanto pelo esplendor do templo. Há alguns metros do lugar onde estavam, o templo que parecia ser feito de ouro e pedras preciosas apareceu diante de sua visão.
Suas paredes e colunas eram altas, e estavam cobertas com palavras escritas em uma língua muito antiga. Havia um portão que parecia ser o único portão do templo e que era feito de ouro a pedras preciosas vermelhas. A estatua de dois grandes leões igualmente feitos de ouro estavam diante da entrada principal como se estivessem guardando a passagem.
Os olhos de Tenshi nunca haviam visto nem imaginado que, em cima dessas montanhas pudesse existir algo tão bonito. A voz de Yuri tirou Tenshi de sua mente, que estava totalmente absorta na surpresa que lhe havia causado o templo de Amenoukihashi, a Montanha Sagrada.
– O jutsu que eu fiz agora há pouco era para invocar o Templo. Ele não pode ser visto nem tocado sem essa invocação. Essa é uma técnica muito avançada que o Clã estabeleceu.
Tenshi seguia impressionada com tudo aquilo, e não pôde fazer nenhum comentário a respeito.
Os dois agora avançavam em direção ao portal principal. Por algum motivo Tenshi sentia que não seria tão fácil sua entrada no templo. Quando chegaram diante dos das estátuas-leões que guardavam o portão, Yuri começou a falar com elas como se tivessem vida, e como era esperado, as estatuas tomaram vida e olharam na direção onde estava os dois.
Tenshi olhou para cima para poder ver seus rostos. Apesar de sentir a proteção do amigo, sentiu nesse momento certo temor e se acercou a Yuri por isso.
– Necessito falar com o Sábio — disse Yuri as estátuas de leões. Com uma voz grave e estranhamente humana, um dos leões respondeu.
– Você pode passar, mas ela não deveria nem estar aqui — Yuri tinha o rosto tão sério como Tenshi nunca havia visto.
– Tenshi, afaste-se — pediu Yuri. Tenshi rapidamente caminhou para longe do amigo. Yuri novamente começou a fazer os sinais de mão: Tigre, Coelho, Cavalo, Macaco, Cachorro.
– Kuchiyose no Jutsu! — Yuri abaixou rapidamente colocando toda sua mão da terra. No mesmo instante, o sinal de invocação apareceu na terra, e de dentro dela saiu um enorme tigre de bengala. Tenshi se assustou tanto que no mesmo instante que o tigre apareceu ela caiu no chão como um reflexo descoordenado de defesa.
O tigre tinha pelo menos quatro metros de altura, seu pelo era laranja como os cabelos de Yuri e seus olhos eram grandes e doces. Apesar disso, o tigre começou a falar com uma voz grave como um trovão:
– Yuri-sama — o tigre agora olhava em direção a Yuri, que estava a sua esquerda — em que posso ajudar? — continuou o tigre.
– Fique aqui por enquanto, Ooki Tora. Precisamos entrar. Se demorarmos muito já sabe o que fazer — disse Yuri, fazendo um sinal a Tenshi com a mão indicando que se aproximasse. Tenshi se levantou rapidamente, ainda estava muito surpresa com toda a situação e novamente não pode comentar nada. As voz de um dos leões soou nesse momento:
– Ela não pode entrar, Oono Yuri! — o leão agora parecia nervoso e em um posição de ataque.
– Não se preocupe, essa é ''a garota''... — enquanto dizia isso, Yuri segurou sua mão e entrelaçou seus dedos com os dela. Tenshi sentiu um certo incomodo, não havia entendido o que Yuri quis dizer com ''a garota'', e tampoco entendeu porque o amigo segurou sua mão de forma tão diferente. Mas a voz do leão soou novamente sem dar tempo para que ela pensasse muito:
– Que seja! — Em seguida de dizer isso os portões do templo começaram a abrir automaticamente. Conforme iam abrindo, se podia notar a beleza do palácio adentro. Era ainda mais bonito dentro do que fora.
Haviam arvores de Cerejeiras que espalhavam suas flores sobre todo chão. Havia também uma pequena lagoa que estava diante da porta principal, e em cima dela havia uma ponte de madeira. Todo o ambiente era tão bonito que Tenshi não conseguiu proferir uma só palavra. O Sol iluminava a todo o lugar, e o cheiro das flores caminhava com o vento.
– Yuri... kun... — ela olhava impressionada — É lindo!
– Sim. Mas temos que ir logo, não temos muito tempo.
Yuri começou a caminhar tão rápido que praticamente corria, Tenshi o seguiu.
Entraram no templo e passaram por um grande salão de entrada, em seguida por um corredor escuro. Tenshi tentava perceber ao máximo os detalhes do lugar. Logo, começaram a subir uma grande e larga escada em formato de caracol. Quando chegaram ao final da escada, deparados com um grande salão, Tenshi e Yuri viram centenas de monges sentados no chão.
Eles estavam alinhados de maneira perfeita, vestiam roupas laranjas e suas expressões eram como se não pudessem pensar em nada. Cada um tinha ao lado uma vela acessa. Essa visão novamente surpreendeu a Tenshi.
– Tire os sapatos — sussurrou Yuri.
Os dois começaram a caminhar cuidadosamente em direção ao final da sala. Apesar da escuridão do lugar, se podia perceber que havia um homem sentado na mesma posição dos outros monges; ele estava sentado em uma parte do salão que era tres degraus mais alta, e a má iluminação do lugar não permitia era ver seu corpo da cintura para cima.
Tenshi sentia uma mistura de surpresa com ansiedade. Finalmente poderia falar com o Sábio da Montanha. Os dois se aproximaram cada vez mais, até chegar na ponta dos tres degraus. Yuri se ajoelhou no chão e reverenciou ao Sábio, Tenshi tratou de fazer o mesmo. De repente ouviram a voz doce de um homem ancião:
– Haruno... Tenshi... — enquanto pronunciava seu nome, o monge finalmente abriu seus olhos. Ainda que não era possível ver o seu rosto, os olhos do Sábio eram cor de Mel-florescente, e brilhavam como se estivessem acesos. Tenshi não podia se mover. Agora estava ainda mais confusa que antes. Como ele sabia quem ela era? O que ele diria sobre o que lhe havia dito o Monje das Montanhas? Que significado tinha Konoha em sua vida?
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