Fanaa

4 Tentando fazer a Sophie morrer, não literalmente


Notas iniciais
POV (Mary) Sophie Housenberg Gomide - Annielbs

Eu posso dizer que isso foi sua culpa

Porque eu sei que você poderia ter feito mais

Naive- The Kooks

— Hey, Housemberg! –Gritou uma voz bem conhecida por mim e eu simplesmente continuei andando. Nossa, quanto barulho e luzes piscando ao som do Tum Tum da batida da música. Simplesmente horrível.

Um bando de adolescentes que mal acabaram de sair da infância dançando como se fossem se fundir, e bebendo como se fossem Homer Simpson. Pelo jeito essa casa estaria um nojo ao amanhecer.

– Sophie! – A pessoa chamou novamente. E eu ignorei. Tinha tantas pessoas na grande sala. E com isso, parecia que o espaço de cada um era contado por 2 cm². – GOMIDE — Ele disse novamente segurando o meu braço e eu parei abruptamente fazendo que o jumento que andava atrás de mim trombasse comigo. Meus pulsos se fecharam e olhei para o John com raiva.

— Quantas vezes terei que falar que meu sobrenome é HOUSEMBERG ? –Gritei, mas boa parte do meu grito foi abafado pelo barulho de conversas e da música. John puxou meu braço me virando para ficarmos frente á frente.

-Você não me ouviu da primeira vez. Além disso, quantas vezes terei que dizer que não ligo? –Sorriu maroto. Grunhi passando a mão no cabelo dando as coisas pro infeliz. Como aquele garoto consegue me tirar do sério tão fácil?

-Mas você sabe... -

— Eu sei o que? Que você é um saco? -Perguntei sentindo que meu rosto começara a ficar

vermelho- Per favore Josh fuori di qui!!** — Disse em italiano preparando para fugir. Para quem não parla eu disse: Por favor Josh, suma daqui

-Bem que me disseram que você arranhava. –Sorriu torto.

-E bem que me disseram pra fugir de casa. – Dei o meu sorriso mais falso.

-Você anda muito arisca.

-Sério? Eu acho que o ‘’Se manda’’ escrito na minha testa faria o trabalho – Ele abriu a boca pra retrucar ao invés ele esticou a mão para encostar na minha testa, como se realmente houvesse algo ali.Afastei sua mão batendo nela com força. Então continuei- Mas, se bem, que você não é muito inteligente.

Quando foi que pegaram uma máquina de tirar o ar da sala, á propósito? A sensação de que eu estivesse entrando numa lata de milho á vácuo. Senti alguém segurando meus dois braços com um pouco mais de força e me puxando pra mais pra perto.

-Você está bem? Você está mais pálida- Ele franziu a testa- Eu sei disso por que sua boca ta mais vermelha que o normal..-Disse olhando para minha boca. Olhei pra ele com uma interrogação praticamente estampada na minha cara.

-Eu te espancaria se eu não estivesse tão desesperada pra sair daqui. –Olhei ao redor procurando uma saída estratégica. Passei a mão na testa sentindo que estava suando.

-Cara, você está mau – Olhei pra ele com a minha melhor cara ‘’Sério imbecil? Eu não havia percebido’’.

-Tchau, Arsmtrong – Falei e fui em direção contrária a de que estava. Tente passar pelos corpos que subiam e desciam como se fossem minhocas com mais de um metro. Como eu disse, tentei sair dessa lata, mas não consegui. O que me deixou mais nervosa.

-Dá pra você parar de fugir de mim? – Disse o Sr.Irritante. – Não sei por que você está fugindo. Até parece que você não superou seu medo de lugares fechados e multidões. –Franzi a testa e continuei tentando ver através das pessoas altas. Se eu já estava pequena aqui a Kaká, se não tivesse cuidado, seria pisoteada. — Você ainda não superou? Você ainda tem claustrofobia?

- Que maravilha! O babaca descobriu a América!!

- Hey! Sei muito bem que foi o Cristão Colombiano! – Olhei pra ele como se estivesse vendo um alienígena na minha frente. Pra falar a verdade ele é um alienígena. Um bem pervertido. *

- Ok, ótimo. Agora, sai fora, Cristão - Enfatizei a última palavra. Comecei a andar e ele veio ao atrás, de novo. Onde está a saída? Será que não para de chegar gente por todas as portas e janelas?

- Não posso. – Eu pensei que morando aqui a minha vida toda pelo menos ia achar a saída.

- Por que não? -Perguntei distraída. Se as portas das salas e copa estão interditadas, será que eu usaria...

-Por que você tem fobia. – A porta dos fundos da cozinha que da pro quintal. Lógico! Como não pensei nisso antes?

-Que bom.

-E tenho que te salvar. – Parei de andar e olhei pra ele. Ele havia sido abduzido por alienígenas e virado um. Só pode. A lavagem cerebral que fizeram nesse menino foi muito mal feita.

Dei meu melhor sorriso de escárnio.

-Não sou o tipo de garota que gosta de ser salva.

- Todo mundo precisa ser salvo.

- Eu não sou todo mundo.

- Mas você esta nele. –Arregalei meus olhos e coloquei a mão na boca.

- Realmente, essa era uma informação que eu não tinha. – Com meu sarcasmo ele riu. Olhou para os lados e segurou minha cintura com a mão esquerda e aproximou meu corpo do dele ficando a poucos centímetros de distancia, com a mão direita ele pegou minha mão esquerda e colocou em seu ombro. Fiquei chocada por um momento depois tentei afastá-lo com minha empurrando seus ombros. Ele apenas me forçou mais seu aperto contra ele segurando minha cintura com as duas mãos. Será que ele faz academia? Por que ele ta bem fortinho. Zeus, vai ver que me abduziram também.

- John que merda que.. –Comecei a falar nervosa e passei a mão no cabelo atrapalhando-o um pouco.

-Shh, Housenberg fica quieta, prometo que ninguém vai ver. E cuidado com essa boca. Daqui a pouco vou ter que lavar ela com sabão. – Dizendo isso eu firmei meus pés no chão enquanto percebia que a música de rápida e agitada havia passado para lenta. Eu estava tensa ao contrario dele relaxado. Percebi como uma idiota que John queria dançar comigo. Por mais absurda que seja essa ideia. Ele tentou com muito custo me fazer mexer os pés, mas não deu certo. Então, ele apenas ficou balançando o corpo dele de um lado para o outro, me fazendo balançar com ele.

Ficar praticamente abraçada com ele era de certo estranho, ele emanava um calor, um aconchego de ficar em frente á lareira no inverno, mas, uma dica, caso você ficasse muito perto você esquentava rápido de mais e ficaria incomodada, pegando fogo. Não havia choques elétricos, só um conforto desconfortável. Seu queixo estava apoiado em cima da minha cabeça que estava apoiada no seu peito. Fechei os olhos relaxando.

Quando ele começou mexer um pouco mais ele fez que eu saísse do lugar dançando lentamente. Ficamos dando pequenos passos sem uma ordem precisa como dois pra cá, dois pra lá. Fiquei de olhos fechados ouvindo a música e tentando esquecer com quem estava abraçando.

Mas quando a música estava para acabar ele me afastou. Abri os olhos tonta e olhou pra mim sério.

-Te disse que você precisava ser salva. – Dizendo isso deu as costas e saiu. Tentei me situar e percebi que estava de frente para a porta que me levaria ao jardim na cozinha. Ele me tirou da festa.

Passei a mão em meus cabelos castanhos escuros e abri a porta sendo recebida por um vento frio que tanto gosto. Minha mãe e Kaká sempre dizem que sou louca por gostar de ficar parada sentindo o vento em meu rosto, e que um dia ficaria seriamente doente. Sempre falei pra elas que era a natureza e que elas tinham que parar de achar que o vento atrapalharia o cabelo delas e se juntarem a mim. Me abracei e olhei para o céu, sentindo o calor de quem estivera abraçada se esvaindo. Olhei para uma sombra em forma de uma pessoa perto das árvores frutíferas que tem no quintal.

-Você está muito nova pra ficar se abraçando com meninos desse jeito. – A voz vinda da direção das sombras falou. Havia um sarcasmo em seu tom de voz tipicamente masculina. Olhei ao redor pra ver se vinha alguém. Mas nada, além de um casal sentado num banco de madeira se agarrando.

Ri sem humor.

-Acredite, eu sei. Foi um acidente. –A pessoa que estava na sombra se aproximou. Receosa, dei um passo pra trás.

-Pelo visto, um acidente que te deixou atordoada. — Observou- Você gosta dele? –Eu gostar do John? Ri alto. O que ele falou era tão engraçado que quando percebi que ele também estava rindo. Riamos alto e o dono da voz veio até onde eu estava. A luz da cozinha o garoto parecia ter a mesma idade que eu e a Kaká. Sua pele era morena, seu cabelo diria que por estar escuro seu cabelo, era bem preto e ele estava meio desorganizado e arrepiado.

-Acho – Falei entre a risada- Que você sabe que eu não gosto dele. — Ri mais um pouco gostando da sensação gostosa de aconchego, mas ao mesmo tempo de medo.

- Não foi o que pareceu, você realmente parecia estar gostando. — Parei de rir e ele deu uma risada sem graça e cruzei os braços me sentido incomoda por estar sendo avaliada.

- Nada que venha do John eu gosto. -Praticamente cuspi no chão de raiva, como vi em um filme russo.

- Ah, esse é o nome dele. — Sorriu misteriosamente

- É, nome estúpido. — Revirei os olhos raivosamente

- Você fica nervosa muito rápido – Estreitou os olhos como se ele estivesse prestando atenção no meu jeito pra levar em alguma conclusão.–Há, em falar em nomes o meu é Chris. –Ele estendeu a mão. Estendi a minha.

- O meu é ...

- Sophie! – Ouvi alguém gritar. Olhei pra trás em reflexo e vi Kaká cruzando a porta da cozinha. Virei para o garoto em minha frente.

- Bem, acho que você já sabe o meu nome – Dei um meio sorriso e me afastei.

- Sophie, eu quero que você conheça uma pessoa ... — Ela disse afobada enquanto corria na minha direção, na hora que ela se aproximou ela olhou pra Chris e simplesmente parou.

-Opa, estou interrompendo alguma coisa?

-Não – Disse rápido — Vamos logo, me apresente a quem você quiser. –Disse e saímos do jardim. Respirei fundo me preparando mentalmente pra voltar á sala abarrotada de gente. Karly levantou os braços e falou ‘’um calma lá’’.

Mas ao entrarmos na cozinha percebi que talvez eu não precisasse ir até a sala. Karly, puxando meu braço, me levou a um canto da cozinha arejada, perto da geladeira e do freezer que a todo o momento era aberta e a pessoa saia com uma bebida na mão. O garoto tinha uma pele branca mas bem corada, ele era mais alto que eu e Karly, diria 1,74, ele estava usando uma calça jeans azul, e uma blusa preta com os seguintes dizerem em branco ‘’Dou aulas de sexo, a primeira é grátis’’. Seu rosto era anguloso que tinha um contraste com seus olhos bem grandes e castanhos.Seu cabelo curto e preto balançava pra cima e pra baixo quando ele mexia pouco a cabeça ao brincar com a borda do copo azul de papel.

-Vine sai do transe! –Karly falou parando na frente dele e olhou pra ela e deu um sorriso grande.

-Nossa, calma. Eu aqui quietinho no meu canto e parece a filha do Chuck pra me assustar. Kaká jogou a cabeça pra trás e deu uma risada extremamente alta aguda. Logo que acabou voltou com o rosto fechado como se tivesse chupado limão. Deu tapa alto e estralado no braço do tal Vine que encolheu.

-Muito engraçado.

-Eu sei. – Ele disse ela o fulminou com o olhar, mas ao mesmo tempo tentava controlar o sorriso que teimava para aparecer. Limpei a garganta fazendo os dois olharam pra mim.

-Hey, estou aqui. Meu nome é Sophie você não perguntou, mas acho sempre bom as pessoas saberem o nome das outras. –Ele deu uma risada baixa.

-Bem, sou Vinicius Kretek, se você também quiser saber. – Estendeu a mão. E peguei e apertei firme. Ele olhou pra mim assustado. — Garota do aperto forte ein!?

Dei de ombros.

-Só um pouco.

Então e Kretek juntamos para torturar um pouco a Karly. Nossa, conversa rendeu boas risadas e muitos tapas em Kretek, para qualquer um, Vine, apenas para Kaká ou Tequila, para os íntimos, que certamente ficaria marcado. Parando para reparar no meio da nossa conversa tive a sensação de que muitas dessas estariam para vir.

*Referencia a fanfic Maid Marmalade (http://fanficaddiction.com.br/fics/m/maidmarmalade.html)