Notas iniciais
POV (Mary) Sophie Housenberg Gomide - Annielbs

Não precisamos de nenhuma educação
Não precisamos de controle mental
Chega de humor negro na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Pink Floyd Another brick in the wall parte 2


Sabe aquelas pessoas que anseiam pelo primeiro dia de aula? Os que esperam ansiosamente ver os amigos, saber o que eles fizeram nas férias, de matar a saudade e tudo mais? Bem, eu não sou uma dessas pessoas. Era completamente o contrário. Eu realmente gosto de ir pra escola pra aprender, adquirir conhecimento para me livrar da ignorância.

Suspirei alto e olhei-me novamente no espelho. Estava vestida com a minha calça jeans preferida, que eu mesma havia customizado, tinha rasgos no joelho e nos bolsos, que estavam num tom de azul mais claro, que contrastava com azul escuro do resto da calça. Ajeitei minha camiseta preta dos Beatles e meu all star vermelho. Passei um pouco de corretivo pra tirar as olheiras da festa de anteontem.

Só de lembrar sobre festa me deu arrepios. Após o fim do carnaval que teve na Mansão que foi lá pras seis horas da manhã, a casa estava num caos. Garrafas de bebidas pra tudo quanto é lado, sem falar nos copos amassados, que tinham até no candelabro da sala. Um dos sofás da sala estava quebrado, o outro tinha uma grande mancha vermelha em uma das almofadas. No chão a cada passo que você dava em alguma coisa você tropeçava, alguma coisa porque quando não eram copos, garrafas, papeis, quadros que deveriam estar nas paredes da casa, eu tropeçava em alguma pessoa desmaiada pelo chão.

Lembro- me muito bem dos gritos que me acordaram na manhã anterior

Flash back on .

Eu havia escutado um grito vindo do andar de baixo. Levantei-me jogando meu edredom de lado e colocando meus chinelos. Peguei um prendedor do lado da cama e prendi meu cabelo em um coque alto. Desci, cambaleante de sono, às escadas do sótão. Abri a porta que levava ao corredor principal, que se encontrava vazio e sujo, havia serpentinas nas luminárias e copos no chão. Mais gritos vozes misturadas e altas. Pareciam tão exaltadas.

Andei ainda mais devagar com receio de descer as escadas. Comecei a descer olhando fixamente para o lugar aonde as vozes vinham que era da copa, que era ao lado da sala. Então senti algo prender no meu pé e meu corpo ser puxado para frente. Prevendo a queda coloquei a mão na frente até sentir algo me segurar pela cintura e me puxar pra trás. Coloquei a mão no lugar do meu coração e vi que parecia que eu havia corrido uma maratona. Olhei para o que tinha me segurado e vi que era o indesejável número 2. Ou Matthew, tanto faz. Olhei para baixo e vi que tinha tropeçado num garoto que parecia estar morto na escada. Empurrei-o com o pé e ele gemeu. Ótimo, pelo menos estava vivo.

-Olha por onde anda, Sophie – A voz de Matthew me fez lembrar que ele estava do meu lado. Percebi que seu tom de voz parecia paternal apesar da rouquidão causada pelo sono.

-Obrigada, Matt. Eu teria virado presunto que nem esse cara se você não tivesse me segurado. — Sorri e olhei pra Matt. Ele estava com o cabelo curto e castanho escuro totalmente bagunçado, seus olhos estavam envoltos em duas marcas roxas que significava que sono esse garoto não teve, a regata branca estava amassada e o moletom preto estava baixo de mais mostrando sua cueca azul. – E por Deus, suba sua calça. – Disse balançando a cabeça e descendo as escadas. Ele gargalhou e entrelaçou meu braço no dele. Estranhei novamente. O que estava acontecendo com Matthew?

- Colé irmãzinha, no ritmo que você está indo daqui a pouco você vai rolar essa escada que nem bolinha de ping-pong. — Ri e descemos as escadas. Fiquei impressionada com a zona que estava à sala, parecia que um furacão bêbado havia passado por ali, tudo ou estava manchado ou quebrado.

- O piano não quebrou, né?! –Perguntei baixinho começando a me amedrontar com as vozes vindas da cozinha.

- Não, só está um pouco... Digamos que ele está desgastado. – Arregalei os olhos. O piano da tia Blair era o bem mais precioso da casa, todos tinham que ter um cuidado extremo para não danificar, nem desafinar, por que segundo Blair era muito cara para concertar.

- Por um momento pensei que você estava encrencado. Agora tenho certeza que não. – Ele me olhou com a testa franzida e um sorriso de canto.

- Não?

- Não. Agora eu sei que você está mesmo é fuuu... — Só falei a primeira palavra da sílaba, ele entenderia.

- Acha que minha mãe vai ficar raivosa? – Perguntou receoso.

- Olha, acho que não. –Falei pensando na possibilidade – Mas, acho que você vai ter um castigo muito pesado. E ela ficar bolada contigo por uns dias.

-Ai – Ele gemeu contrariado.

-Olha, se você falar pra alguém vou negar, mas eu tenho uma solução.

-Tem?

Suspirando não acreditando que eu salvaria a pele dele. Mas a Kaah entraria em depressão e pularia de uma ponte se soubesse que Matthew sairia de casa novamente porque a tia Blair estava decepcionada com ele.

-Vamos entrar e você da continuidade ao que eu falo. –Ele balançou a cabeça afirmando.

Ouvi o garoto que sempre achei inabalável parecia muito nervoso como uma criança com medo de decepcionar as pessoas que ele amava.

Separei-me dele e entrei na cozinha sozinha vendo os pais de Matthew e minha mãe que antes gritavam se endireitarem e calarem a boca.

- Bom dia á todos. – Eles responderam com um bom dia bem muxoxo. Fui até a mulher de cabelos ondulados escuros, tinha a mesma idade de Blair e vestia uma calça azul bem escura tênis e uma blusa social azul bebê.

- Bença mãe. – E dei um beijo na bochecha dela.

-Bom dia, Sophie – Disse com a voz estranhamente calma e com um sorriso. Eu sempre me sentia melhor com aquele sorriso. Fui até a geladeira e peguei meu suco de goiaba e me sentei na bancada que tinha no centro da cozinha. Mandei um beijo pra Tio Dan e Tia Blair que sorriram em resposta.

Ninguém havia reparado no ser que estava parado na soleira da porta do local. Balancei a cabeça pro lado, ameaçando-o com os olhos para que ele entrasse. Ele se assustou saindo da sua zona de conforto vindo até nós e sentando ao meu lado. Presumo que era pra me chutar caso desse errado.

- Matthew, você alguém problema psicológico? –Perguntou seu pai, Daniel, um senhor de cinquenta anos bem sucedido. Seus cabelos eram curtos, loiro acinzentado devido à idade.

Eu tenho um carinho enorme por Daniel, ele pegou o papel de pai vago que o irmão de sua esposa deixara na minha vida e agiu como tal. Ele sempre me tratou como uma filha do mesmo modo que ele trata Karly e Matthew. Ensinou-me o poder das palavras, que elas podem fazer uma pessoa se sentir a mais feliz do mundo ou até mesmo do universo. Assim como a mais infeliz.

Balancei a cabeça tentando me manter na conversa que parece que eu havia perdido uma boa parte.

- Você destruiu a casa. O que você pensa em fazer uma festa dentro de casa sendo que é estritamente PROIBIDO? Por acaso esse é o seu problema? NÃO saber o significado da palavra PROIBIDO?

-Pai deixa de ser....

-Tio – Chamei em uma voz alta e firme enquanto bebia meu suco. Fiz meu rosto ficar o mais neutro o possível – A culpa não é de Matthew. Quer dizer, não inteiramente. –Falei e todos olharam pra mim.

-Não? – Todos perguntaram inclusive Matthew, que a propósito chutei a canela. Ele arregalou os olhos e se sentou passando a mão no local chutado.

- Não. Ele falou que iria chamar uns amigos para.. Ver um jogo, ou algo assim. Não que eu me importe. – Disse e senti alguém chutar meu tornozelo olhei ferozmente para o individuo do meu lado perguntando discretamente “Você quer morrer? ’’. Peguei o braço dele e disse — Mas, sabe como que é, vocês conhecem Matthew, ele gosta muito de socializar. Ele acabou de voltar pra cidade e quis reencontrar seus amigos, certo Matt? –Todos estavam chocados por estar defendendo Matthew.

Cravei minhas unhas no seu braço e ele pareceu reagir balançando a cabeça como se fosse um daqueles cachorrinhos de pescoço mole.

Tia Blair instantaneamente pareceu relaxar na cadeira, a minha mãe deu um sorriso pra mim como se eu fosse uma heroína, no entanto, Daniel nem tanto continuava com a expressão de que não tinha caído muito na minha desculpa. Droga sabia que o Tio Danny ia ser um problema! Ele sempre sabia quando estava mentindo.

-E todos esses amigos foi toda a população adolescente da China? –Perguntou desconfiado.

- A festa saiu um pouco fora do controle... –Disse relembrando dos adolescentes que pareciam se multiplicar dentro da casa como se fosse uma população de bactérias. – Eu vi Matt correndo de um lado pro outro tentando controlar as coisas e as pessoas. Mas vocês sabem que adolescentes não são seres muito controláveis. –Disse firmando meu olhar no de Tio Danny.

Parecíamos estarmos em uma negociação pelo olhar vendo quem desviaria primeiro. Sorri confiante e ele desviou o olhar.

– Então, Tio Danny, acho que você não devia culpar Matthew ele tentou mandar as pessoas irem embora, o DJ, evitar que quebrassem o piano da Tia Blair – Nessa hora percebi que tinha falado de mais. Blair levantou o olhar da mesa olhando justamente pra mim. Matt congelou no lugar e me mandou um olhar mostrando que eu havia falado de mais.

- Ah, relaxa tia. Matthew vai pagar com a mesada dele. Então, acho que se vocês confiscarem o carro dele será de bom tamanho. – Disse me levantando e saído da cozinha rapidamente, tentando evitar que eu fosse chutada do outro lado do continente. Já que a coisa que Matthew mais amava nesse mundo era seu carro.

Flash Back off

Sai da frente do espelho já que ele me fazia voar para outro mundo. Peguei minha mochila e sai do porão. Atravessei o corredor até a segunda porta a esquerda e dei uma batidinha ritmada e entrei.

- Olha só que aprendeu a bater antes de entrar! –Gritou Karly do banheiro do seu quarto.

- Eu sempre soube só que não achava necessário. –Dei de ombros jogando minha mochila no chão e pulando na sua cama, olhando para o teto.

-Hahaha dormiu com o bozó é? –Riu da sua própria piada. Retorci os lábios. Coloquei os braços na cabeça e encarei o teto.

-Engraçadinha que nem um balde.-Balancei o pé na batida de uma melodia que se formava na minha cabeça.

- Essa é velha Soph. – Karly gritou novamente, colocando a cabeça pra fora do banheiro me vendo deitara na sua cama. Dei um sorriso grande pra ela.

- A senhorita vai fazer moradia nesse banheiro? Estou com fome.

- Já acabei! – Disse e eu me assustei com ela.

- Meu Deus. –Disse assustada.

- O que foi. – Disse olhando para a roupa dela. –Tem algo errado?

-Pra mim estávamos indo pra escola não um desfile de alta costura. – Ela bufou fazendo sua franja levantar.

- Não sei como você pode saber tanto de moda e não aplicá-la a você. Parece que você passou a noite num bar de caminhoneiros. –Eu ri.

-Um dia eu te levo lá. Você vai adorar! –Sorri abertamente com uma falsa animação- Alta costura é mais arte do que moda. – Sai da cama e peguei minha mochila no chão. – Anda logo princesa Aurora estou com fome.

- Você não está com fome. –Disse me observando.

- Não? –Perguntei confusa.

- Não. Você está com medo de que acabem com o suco de goiaba. – Bufei, ela realmente tinha razão. Olhei pra ela apavorada.

- Então vamos logo! Eles vão acabar com o meu suco. – Disse e abri a porta andando rapidamente pelo corredor. Ouvi a risada de Karly de dentro do quarto.

- Você não cresce não S? –Perguntou atrás de mim. Olhei para ele sobre o ombro.

- Você realmente está falando de altura comigo, pintora de rodapé? Além do mais você sabe que goiaba é fundamental pra mim. – Andamos pelo corredor. Bem K andou, eu praticamente corri. Desci as escadas de dois em dois degraus e foi direto pra cozinha.

- Bom dia família — Disse sorrindo – E John. – Abri a geladeira olhei em cima do balcão. Nada de suco.

-Cadê meu suco? – Perguntei. Todos olharam pra mim.

-O de goiaba? – Perguntou minha mãe enquanto eu me dava um beijo no rosto e procurava meu suco na mesa.

- Esse é o último copo. – Disse a voz mais irritante do mundo com o copo de vidro mostrando o liquido rosa bebê lá dentro. Ele levou o suco até a boca e deu um gole. Contornei a bancada e fui até onde ele estava sentando.

- O suco é meu. –Disse

- Não é não. Está no meu copo. – Esticou o copo balançando ele em frente do meu rosto. Segurei o braço dele bem na articulação da mão e apertei ele soltou o copo bem na minha mão que estava posicionada em baixo da mão dele. Sorri carinhosamente e passei a mão na cabeça dele despenteando o cabelo dele.

- Eu falei que o suco é meu. –E assim voltei para o lugar que estava antes.

Olhei para Karly que me olhava balançando a cabeça negativamente. Há duas coisas na vida que você não pode me irritar: Quando falam mal do meu gosto musical ou quando somem com meu suco de goiaba.

Fomos para a escola em um dos carros de Daniel que eu havia esquecido o nome. Matthew foi dirigindo sorridente com Karly ao seu lado no banco do passageiro e eu encolhida no banco de trás ao lado de John.

- Sophie – O indesejável 1 sussurrou e eu olhei – Você sabe que eu não ... –Ele pegou seu próprio braço e mordeu. Em um claro sinal de que ele não mordia. Como estava com ótimo humor depois de quase ter perdido meu suco de goiaba apenas mostrei um dedinho que se encontra no meio da minha mão.

Assim que o carro estacionou fui direto para o andar da 1ª série do ensino médio com Karly ao meu lado. A miss universo passava sorrindo e cumprimentando a todos enquanto eu apenas sorria forçadamente.

- Você tem que aprender a ser mais sociável. – Karly me repreendeu.

- Não, obrigada.

- Sophie, você é tão difícil. – Disse suspirando. Apenas sorri sarcástica achando graça de tudo aquilo.

- Faz parte do meu charme. – Pisquei pra ela e entramos na sala que tinha nossos nomes.

Sentei em uma das primeiras carteiras e Karly como sempre ao meu lado. E fui assim pelo menos até o sinal de fim do terceiro horário. Sem alegria nenhuma a não ser os professores se apresentando e falando um pouco da matéria. Acompanhei tudo o que eles falavam percebendo que a matéria desse ano seria mais revisão do que tudo.

Karly foi para o recreio e eu avisei pra ela que hoje estava no clima de ficar sozinha. Saí da sala com meus fones de ouvido me deixando surda até que eu trombei em algo.

- Desculpe – Murmurei sem olhar pra pessoa e comecei a andar até que seguraram meu braço.

- Cara, o que foi? – Perguntei olhando para a mão firme em meu pulso. Olhei pra cima e vi Christopher. Que parecia falar algo só que foi abafado pela música.

- O QUE? –Gritei e ele puxou meus fones de ouvido.

- Nossa você é surda mesmo. – Sorriu o seu sorriso era tão contagiante que eu sorri.

- Eu não sou surda. O fone de ouvido faz isso com as pessoas. E interrompeu no auge da música! – Disse contrariada

- Me desculpe então à senhorita deveria ser mais cuidadosa por onde anda. – Sorriu e pude perceber que seus olhos tinham um tom de verde folha com umas pintinhas pretas, seus cabelos eram um tom de castanho escuro mais ou menos do mesmo tom que o meu. Seu cabelo curto tinha um pequeno topete totalmente desalinhado. Ele vestia uma jaqueta de couro preta e a língua símbolo dos Rolling Stones ficava bem no meio da sua camiseta preta desbotada e uma calça jeans num azul escuro e um coturno preto. Bem rockeiro da parte dele.

- Ok, prometo não interromper enquanto você escuta suas músicas se você me emprestar um fone. – Eu sorri enquanto roubava um dos meus fones que estava em sua mão já que ele havia tirado-os do meu ouvido.

- Trato feito — Apertamos nossas mãos. Ele entrelaçou meu braço no dele e descemos a escadas do colégio indo para a parte mais afastada da escola onde havia diversas árvores. Sentamos embaixo de uma e ficamos em silêncio apenas apreciando a música ‘’I don’t feel anymore’’.

Olhei para Chris ao meu lado ele tão confortável quanto eu com o silêncio. Parecia que não precisava ter palavras para estarmos bem um do lado do outro. E isso eu achava estranho mas e daí? Surpreendi-me ao pensar que todos os recreios podiam ser iguais a esse.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.