Família Ocean
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Alguém bate à porta do apartamento de Debbie, mas quem atende é Rose.
— Posso falar com a Debbie? — Rusty pergunta escorado no batente da porta com uma bebida em mãos.
— Quem gostaria? — Rose tinha a impressão que conhecia aquele homem, talvez o tivesse visto em algum clube de luta.
— Um velho amigo.
Não esperou resposta e adentrou na casa. Debbie gritou da sala perguntando quem está batendo na porta, mas teve a infeliz surpresa de presenciar o homem chegar na sala das garotas.
— Ah, não! — deixou as cartas de sua mão cair.
— Oi, Debbie.
— O que faz aqui? Vai embora!
Se levantou do chão causando certa confusão com as outras garotas. Debbie empurrou o loiro, mas este não saiu do lugar.
— Devo chamar a polícia? — Lou se prepara para ligar.
— Chama! Ele vai ser preso sem problemas.
— Adoraria conversar com a polícia. Acha que iríamos juntos no mesmo carro? — Rusty se afastou da mulher e começou a andar pela casa. — Você tem problemas maiores que eu, senhorita. Se alguém for preso aqui, será você e suas amigas.
Debbie estreitou os olhos. Antes que falasse alguma coisa, o homem loiro continuou dizendo que não veio ali para brigar e nem ameaças, quer apenas conversar.
— Quem é ele? — Daphne quis saber.
— Muito prazer, Daphne — pegou a mão da mulher da sociedade e depositou um beijo. — Me chamo Rusty, ex-namorado da Debbie e…
— E mais nada.
A ladra se aproximou e afastou o homem de sua amiga. Não queria que elas soubessem do seu irmão, já era demais saber sobre seu ex-namorado.
Daphne quis saber como ele sabia seu nome, mas a dona da casa queria se livrar do ex o quanto antes.
— O que quer, Rusty? — cruzou os braços com a cara fechada.
— Te levar a um lugar. Tem alguém querendo você por perto, longe de problemas.
Debbie desmontou na hora e suas amigas perceberam, mas não falaram nada.
— E mandou você me buscar?
— Ele não sabe sobre nosso… passado.
Debbie sentou-se no sofá incrédula. Ela jurava que seu irmão estava morto.
— É claro que ele não está morto — falou sozinha com um sorriso irônico no rosto.
— Ele quem? — Lou pergunta curiosa.
Debbie olhou para a amiga, respondeu apenas que era alguém importante.
— Danny está ótimo. Ele e a Tess estão melhores que nunca. E você precisa conhecer as crianças — Debbie sorriu. — Aqui! Viajo amanhã. Se quiser ir, conto tudo o que aconteceu nesses anos.
Deu uma piscadela para a morena quando colocou as passagens e pegou algum aperitivo.
— Prazer conhecer vocês garotas. Daphne, Lou e Rose. Cuidado com ela. Sempre aumenta uma pessoa no grupo.
— O bonitão é seu ex? — Lou pergunta.
— Mais ou menos… É sim!
Debbie se afundou no sofá ainda mais, pensava se deveria ir ou não. Mas é seu irmão. Ele está vivo e a quer ver.
— O que ele queria?
Debbie contou, em parte, sobre o irmão e que Rusty é o melhor amigo e braço direito de Danny, como Lou é dela.
— Você vai? — Lou pergunta já sabendo a resposta.
— Por mais que eu esteja com ódio do meu irmão, ele ainda é meu irmão. É minha única família. E eu tenho sobrinhos! Preciso conhecê-los.
Sorriu imaginando ser titia. Teria que aguentar Rusty? Talvez! Está com vontade de matar seu irmão por fazê-la achar que estava morto? Sim! Mas amava sua cunhada e tem seus sobrinhos. Vale o esforço. Não é como se ela fosse ficar por lá para sempre.
— Nada discreto — Debbie disse ao entrar no avião particular. — Pensei que íamos como gente normal.
— Somos normais. Só cobrei um favor para termos privacidade para conversar.
Respondeu largando o celular. Debbie se acomodou na poltrona à frente do ex-namorado e foi servida com champanhe, a qual não recusou.
— Como sabia que eu vinha?
— Você ama seu irmão. Apesar dele ter fingido a morte e te deixado na cadeia.
— Que você vai me explicar, não é mesmo? — relaxou na poltrona apreciando a bebida.
Rusty confessa então que tinha tentado tirá-la da cadeia, mas mesmo com contatos e tentando subornar as autoridades não tinha conseguido.
— Por que está contando isso?
— Porque quando Danny descobriu, ele precisou fugir e não podia manter contato com você. Ele achou que seria mais seguro você permanecer lá, mas não concordei.
Debbie recordou uma visita que teve de Linus na cadeia anunciando a morte do irmão e o aviso da tentativa que Rusty estava fazendo para tirá-la da prisão. Como ficou abalada pela morte de Danny e como continuou a pensar na sua vingança, esqueceu-se deste detalhe. O piloto avisa que partiriam e o casal sentiu o avião se mexer. Debbie permaneceu em silêncio absorvendo as palavras do melhor amigo do seu irmão.
— Espera que eu agradeça a tentativa? — Rusty nega. Debbie percebeu que ele queria falar mais alguma coisa, mas deixou o assunto para lá.
— Posso contar todas as gigantes atrapalhadas que seu irmão me meteu? Bem pior que roubar o Met Gala. Falando nisso… Foi incrível, Debbie. Oito mulheres para roubar um colar do pescoço da famosa. Fantástico!!
— Esse é o poder das mulheres! — brindou sozinha. O piloto anunciou a partida e ambos esperaram o avião estar no ar antes de continuarem a falar. — Vocês não ficam atrás, fizeram grandes roubos também.
— Por favor… roubamos o cassino do ex-namorado da Tess, depois tivemos que roubar outra coisa para pagar o cara, no fim acabamos nos unindo com o Terry para roubar outro cassino. Os dois últimos foram movidos pelo desespero.
— Mas ainda assim conseguiram tais proezas — bebeu mais champanhe.
Continuaram a conversar sobre o passado e sobre os roubos que realizaram durante toda a viagem. Debbie se sentiu confortável com Rusty, coisa que ela não esperava, pois o término deles tinha sido doloroso para ela.
O senhor Ryan conseguiu por todos os principais assunto em dia com Debbie. Claro que não contou tudo, pois queria deixar este momento para a Ocean compartilhar com o irmão. Em determinado momento, acabou trocando de lugar e sentou-se ao lado da mulher para mostrar fotos dos conhecidos de ambos.
A irmã de Ocean acabou dormindo apoiada no ombro de Rusty, que não achou ruim, muito pelo contrário, viu aí uma oportunidade de recomeço com ela. Danny sempre diz que o Jalapão é um lugar de recomeço.
Rusty mandou uma foto para Tess, aproveitando que Debbie estava dormindo. Era o que achava.
“Danny te mata, se sequer cogitar você com a irmã dele. Ele é mais ciumento que a irmã que comigo”
“Ele não roubou um cassino pela irmã. Além do que mata nada. Onde ele vai achar babá melhor que eu?”
“Kkkkkk. Verdade. Mas agora tem a Debbie. Ela pode te substituir.”
“Achei que você ficaria do meu lado, Tess.”
“Sabe que estou. Principalmente em relação a vocês dois”
Debbie despertou, aproveitando o chamado do piloto avisando que ia pousar.
— É… desculpa. Eu… — fingiu.
— Tudo bem. Café?
Rusty, não percebe a encenação, pergunta servindo uma xícara para a mulher, que se toca que não sabia para onde estava indo. Era mesmo a Malásia que seu irmão estava escondido?
— Claro que não. Brasil.
— Brasil? Por que?
— Não tem cassino e nem eventos de luxos das celebridades para roubar.
Debbie sorriu e achou a resposta bem convincente. A Ocean pergunta mais detalhes sobre o país que estava visitando e Rusty dá alguns detalhes sobre sua nova morada.
— Então você está morando aqui?
— É um bom lugar. Chega de golpes. E… só tenho seu irmão, a Tess e agora as crianças.
Confessa sem querer. Debbie brinca que precisa gravar isso, mas o homem sorri dizendo que ninguém acreditaria nela, nem mesmo com a gravação.
— Passei uns anos longe, mas a vida se tornou solitária — deu de ombros. — Seu irmão é como um irmão para mim. Me sinto parte da família. E como família devemos permanecer juntos.
Pousaram poucos minutos depois. Rusty e Debbie ainda tinham que percorrer uma distância de carro para chegar ao destino. Foram duas horas a mais de viagem, com Rusty dirigindo.
Debbie se sentiu confortável com a presença dele e se permitiu abrir um pouco.
O ar brasileiro é agradável, um pouco quente, mas se acostumaria. As paisagens são belíssimas e o povo acolhedor. Debbie poderia se acostumar a morar num lugar desse, com uma nova vida, sem grandes roubos. Grandes.
— Minha irmã preferida!! — Danny tentou abraçar a irmã mais nova, mas recebeu tapas dela. — Ai! Aí! Aí! Debbie?!
— Você forjou sua própria morte. Mentiu para mim. Me fez acreditar que estava morto. Por que?
Cada palavra, Danny levava um tapa. Não revidou, porque era merecido. Então esperou a irmã se acalmar para dar a explicação.
— Para te proteger, irmãzinha…
— Não me chama de irmãzinha!!
— Debbie. Foi para proteger vocês. Menti até para a Tess.
Danny mostrou a mulher, que confirmou a história. Debbie foi abraçar a cunhada, ignorando o irmão. Durante o abraço, observou Rusty com as duas crianças no colo através dos óculos escuros. Achou a cena fofa, pois o homem brincava com a menina mais velha.
— Essas são suas sobrinhas. Lisa e Megan.
Tess apresentou e Rusty se aproximou. A mais velha, Lisa, quando foi apresentada para a tia, escondeu-se no abraço do tio postiço.
— Ela é tímida.
— Ela sabe quem é o melhor tio, não é mesmo, Lisa? — Rusty brincou e a criança concordou.
A bebê de pouco mais de um ano, Megan, foi mais receptiva e foi para o colo da tia sorridente.
Após Debbie se instalar, Danny pode enfim ter uma conversa a sós com a irmã. Aproveitou o momento em que Tess e Rusty foram levar Lisa num aniversário e buscar comida para eles.
— Então você roubou o Met Gala — sentou-se ao seu lado oferecendo um martini para ela.
— Roubei. Como uma vingança. Anos e anos para me vingar.
— É o que fazemos não? Vingança e depois desespero.
Debbie concordou e terminou seu drink.
— Senti sua falta — confessa.
— Também senti — abraçou-a e depositou um beijo na cabeça. — Quem sabe agora não permanecemos juntos? Isso é claro se você ficar.
— Vamos ver. Acho que posso me acostumar a morar aqui.
Foi sincera. Sentiria falta de suas amigas? Sim. Mas se falariam por telefone, poderia ir visitá-las sempre que quisessem. Não seria ruim. Estaria ao lado do seu irmão, de Tess, até mesmo Rusty.
— Me conta como foi os seus grandiosos roubos.
— Desesperador. Divertido. Recompensador.
Falaram sobre os quatro roubos, quando Tess e Rusty chegaram complementaram as histórias. Mais tarde, quando Tess foi colocar as meninas para dormir com a ajuda de Rusty, Debbie teve a coragem de perguntar o motivo que o fez se afastar dela.
— Te proteger. Bonnie estava de volta.
Bonnie foi um homem que os pais deles colocaram na cadeia e como vingança, jurou destruir toda a família Ocean, matando os pais deles.
— Não poderia perder você, nem a Tess. Até mesmo Rusty poderia sofrer as consequências.
Debbie sorriu com a preocupação.
— Fingi a morte para a Tess, quando ela estava grávida. Eu nem sabia na época.
Danny disse com a cabeça baixa. Foi a vez da Debbie consolar o irmão e o abraçar.
— Você fez o que era necessário. Obrigada por me proteger — Danny colocou o braço em volta dela. — O que aconteceu com ele?
— Morto.
— Espero que não tenha nenhum filho dele querendo vingança daqui a uns anos — brincou. — Se tiver, me prometa que vamos enfrentá-lo juntos.
— Prometo. Rusty fica de babá com a Tess.
— Os irmãos Ocean em ação — brindou.
— Irmãos Ocean. Os melhores e maiores ladrões irmãos do mundo.
Após algumas semanas vivendo com o irmão, ela decidiu que queria ficar. Só não queria continuar na casa com ele, por respeito a privacidade dele.
Ela e Rusty tinham se aproximado e a mulher vendo a mudança do loiro decidiu que poderia dar uma chance a ele.
Aproveitaram que Danny saiu com a família para conversarem. Rusty queria saber se eles poderiam ter uma segunda chance.
— Se você disser que eu sou a mulher da sua vida, te jogo daqui de cima.
Rusty olhou para baixo e viu que não correria tanto risco de vida se Debbie o jogasse de lá.
— Você é a mulher da minha vida — a puxou pela cintura e a beijou.
Debbie demorou para corresponder, mas deixou-se levar. Entrelaçou os braços no pescoço do loiro para aprofundar o beijo e dar uma chance para o recomeço.
— TIRE SUAS MÃOS IMUNDAS DA MINHA IRMÃ!
Separaram o beijo e Rusty levantou as mãos para o alto sem desviar o olhar da morena, que sorria divertida, mordendo o canto do lábio.
— Será uma morte que valerá a pena.
Rusty disse roubando mais um beijo da nova namorada antes que Danny se aproximasse.
Ele quebrou uma promessa que existem entre amigos homens. Jamais beije a irmã de seu melhor amigo.
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