Família Em Las Noches
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Como assim, Ken? – Perguntou Ulquiorra.
– Eles possuem resurrección como todos nós. Nobu, Kazu e Hiko também! E outros! Eu preciso treiná-los. Já que sabemos que mais cedo ou mais tarde, Aizen irá aprontar, temos que estar preparados. Hoje, eu adoraria treinar os meninos e... E eu interrompi alguma coisa? – Perguntou Ken ao ver Hikaru bem aproximado do pai. – Já entendi! Que fofo! Eu daria um abraço, mas eu não encosto no perigo. – Ken encarou para Ulquiorra e depois para Hikaru. — Estejam na minha casa em uma hora!
E Ken saiu, ainda com seu sorriso travesso e sarcástico.
– Depois de anos, permanece insuportável. – Comentou Ulquiorra, encarando Ken com desaprovação. Hikaru deu um discreto sorriso.
– Agora entendo porque me chamam de ‘’pequeno morcego’’. – Os dois se encararam em silencio por alguns minutos. — Vou chamar o Hiroaki.– O menino foi para casa.
Enquanto isso, Ken caminhava pelo deserto.
– Deixe-me ver... Os meus filhos já estão treinados... Será que Kingo também? Não! Com a mente ambiciosa do pai, vai nos matar! Eu sei que Aizen ficará uma fera, mas dele eu não tenho medo!– Ela parou de caminhar com uma expressão assustada. – Ai! A Neliel deve estar matando o Nnoitra e os filhos devem estar assistindo um barraco agora!
Infelizmente, Ken estava certa. Assim que Nnoitra chegou, não foi recebido agradavelmente.
– QUER PARAR, MULHER?! – Nnoitra tentava segurar os braços de Neliel, que tentava acertá-lo sem parar.
– Seu imbecil! Sabe que podia ter morrido?! Quem mandou sair daquele jeito?! – Lágrimas caíam dos olhos da moça de cabelos verdes.
– Calma, mãe! Não bata no papai! – Pediu Naoko.
– É, mamãe! Assim você o mata! – Disse Naoto, desesperado.
– Mas é isso o que eu quero no momento!– Exclamou Neliel, agora com os braços presos nas mãos de Nnoitra, mas ela ainda se debatia.
A porta foi arrombada por Ken, que se assustou com a briga e correu para separá-los.
– Mas o que é isso, pessoal?! Parem de brigar! Parecem meus filhos no café da manhã! – Gritou a morena enquanto segurava Neliel por trás.
– Foi ela quem começou! – Acusou Nnoitra. Neliel agora chorava no ombro de Ken.
– Para falar a verdade, foi você quem começou, pai. Afinal, ninguém pediu para que você saísse de casa naquela hora!– Disse Naoko.
– Cala a boca, garota! – Mandou Nnoitra, fazendo a filha dar a língua em resposta. – Ora, sua...
– EPA! Não bata na Naoko na minha frente ou você fica sem o seu único olho! – Ken ameaçou. – E eu vim aqui só para te salvar e evitar que seus filhos vissem uma tragédia! Eu preciso testar a resurrección dos filhos do Schiffer, mas parece que me atrasarei!
Nnoitra encarava Ken, demonstrando desinteresse.
– Naoto! Naoko! Vão brincar com os meninos! – Os filhos de Nnoitra correram para fora. Ken largou Neliel e encarou Nnoitra. — Converse com ela e, por favor, não se matem!- E ela saiu.
Agora Neliel estava de costas, ainda chorando. Nnoitra nem se aproximou, estava machucado demais para tentar se defender de mais tapas.
– Por culpa sua, estou dolorido agora! – Começou o moreno.
– Por culpa sua, meus olhos estão inchados. – Rebateu a dona dos cabelos esverdeados.
Nnoitra percebeu que se continuarem assim, iriam brigar. Ele resolveu sair, mas assim que tocou na porta, dois braços envolveram em seu peito para um abraço forte. Neliel chorava, molhando seu uniforme branco por trás. O que mais o incomodava do que se sentir molhado pelas costas é o abraço de Neliel que estava cada vez mais apertado.
– Neliel!– Ele chamou, mas a mulher o ignorava. – Me larga!
Ele saiu dos braços da esposa brutalmente, a empurrando, e se virou para ela.
– Por culpa sua, eu podia ter um ataque, sabia? – Ela sussurrou, mas Nnoitra ouviu.
– Quem me dera que isso aconteça. – Provocou.
A moça sorriu triste. Eles ficaram se encarando por alguns segundos até ela perceber melhor seus machucados.
– Deixe que eu cuide disso. – Ela pegou sua mão.
Enquanto isso, atrás da casa de Ken, Hikaru e Hiroaki já estavam presentes.
– Bem, meninos! Primeiramente, eu quero agradecer por estarem aqui! Eu os ensinei a lutar seriamente em uma batalha! Sei que devem ter herdado os poderes de seu pai, portanto, acredito que há um morcego dentro de vocês.
– Ken, como é a sua resurrección? – Perguntou Hiroaki. Hikaru percebeu que Ken o encarava tristemente, mas depois sorriu.
– Eu não tenho resurrección, querido. Eu... Herdei isso de minha mãe. – Hikaru percebeu que era mentira. – Mas voltando ao assunto, eu não posso simplesmente pedir para que se transformem então eu quero só ver o nível de poder dos dois.
Em um piscar de olhos, perceberam que não estavam mais perto de Las Noches. Estavam no local onde a montanha explodiu no outro dia.
– Por que nos trouxe aqui, Ken? – Perguntou Hiroaki.
– Preciso ver se são fortes o bastante para derrotar alguém como Kingo ou Aizen. – Ken caminhou até perto de uma das montanhas, um pouco distante dos meninos. – Hikaru, me ataque com um Cero!
– Como?!
– Não seja covarde! Eu já ensinei isso! Apenas me ataque! – Ken sorriu desafiante.
– Mas e se...
– Nada irá me acontecer. Sou forte o suficiente para aguentar sete Ceros. – O sorriso da mulher aumentou. – Só porque abraçou o papai, enfraqueceu o seu coração, pequeno morcego?
Hikaru sentiu o sangue subir e não pensou duas vezes.
– Cero. – Ele apontou o dedo indicador para a sétima Espada, que parou o enorme Cero esverdeado com as mãos e as fechou fortemente, o destruindo. Hikaru e Hiroaki encararam chocados. – Não pode ser...
– Fraco demais. Isso só serviu para aquecer as mãos. Você não tem força o bastante, Hikaru. – Disse Ken, sem medir as consequências de suas palavras. Hikaru se sentiu inútil. Já havia ganhado pequenas brigas contra Kingo, mas pelo tom de voz de Ken, ele não poderia ser capaz nem de defender aqueles que ama. – Venha, Hiroaki!
Mesmo inseguro, o ruivo se preparou.
– Cero. – Ele apontou o dedo indicador para Ken e um enorme Cero amarelo surgiu. Ken não sentiu mais a confiança de parar o Cero como o de Hikaru, mas mesmo assim, esticou a mão.
Uma explosão fez espalhar areia por todo lado, obrigando os meninos a fechar os olhos. Quando recuperaram a visão, avistaram Ken um pouco machucada e com roupas queimadas.
Preocupados, eles correram até ela. Com dificuldade, ela abriu os olhos.
– M-muito... Muito bem... Hiroaki... É... Forte... O bastante... – Ken quase não falava e estava tão fraca que desmaiou.
Quando acordou, estava em sua casa, na sua cama. Seu marido, seus filhos, Hikaru, Hiroaki, Ulquiorra e Orihime estavam presentes.
– Que bom que está bem, Ken! Estávamos preocupados! – Disse Orihime, sorrindo docemente.
– Você explodiu, mamãe? – Perguntou Yoshihiko.
– Sim, Hiko. Eu explodi.– Respondeu a morena, sarcástica. – Será que eu poderia conversar a sós com o casal aqui, pessoal?
Tesla e os meninos saíram. Assim que Tesla foi para a sala, as crianças se empurraram uma na outra para ouvir a conversa atrás da porta.
– O que aconteceu, Ken? O Hikaru estava desesperado e Hiroaki estava tremendo mais que o normal! – Disse Orihime aflita.
– Eu... Descobri que Hikaru não é forte como um Espada normal. – Ulquiorra e Orihime arregalaram os olhos. — Acredito que ele está tão fraco, quase como um humano. Eu me defendi do Cero dele facilmente. Se houver guerra, ele e você, ruiva, terão que ir embora enquanto os outros lutam.
Orihime tremeu com suas palavras. Hikaru sempre achava que era forte como um arrankar, mas isso deve ter sido um choque para ele. E pensar em ir embora enquanto outra guerra ocorria, era doloroso.
Hikaru também estava aflito. Tantos anos de treinamento para agora desistir?
– Já Hiroaki é mais forte que Hikaru, apesar de parecer um menino frágil e sensível. – Ken continuou. – Ele parece ser mais forte que Kingo, Harribel, eu ou você, Ulquiorra. O Cero que me queimou era como se fosse 20 ou mais Ceros de uma vez. Eu estou impressionada por ter sobrevivido.
Os meninos encararam Hiroaki surpresos, fazendo-o ficar corado.
– Impossível esse poder ser tão forte assim. – Ulquiorra comentou.
– É impossível, mas é verdade. Quando mais nova, eu era capaz de destruir o Mundo Hueco, mas agora sou incapaz de me defender de um Cero como aquele. Como Hikaru, me sinto fraca para participar. E eu também não posso me transformar como vocês.
Ulquiorra andou até a porta, fazendo Ken e Orihime ficarem confusas. Ele a abriu com brutalidade, fazendo os meninos caírem no chão.
– Trigêmeos... – Começou Yoshinobu.
– ... E Quarto Espada... – Continuou Yoshikazu.
– Não é com a gente! – Finalizou Yoshihiko. Os três saíram correndo, levando Wonderweiss e Hiroaki com eles. Hikaru ficou.
Ele se levantou e se aproximou de Ken.
– Aquela conversa de ter herdado a fraqueza de sua mãe não me fez acreditar, Ken. – Disse o menino ruivo friamente. Ken arregalou os olhos. – Por que você não pode se transformar?
A mulher de cabelos negros suspirou.
– Tão esperto. Se parece com seu pai.– Ela deu um sorriso fraco. – Tudo bem, morceguinho. Confesso que eu posso me transformar. Mas eu tenho um defeito. Você está fraco como humano e sofre por isso, mas eu sou diferente. Posso me transformar, mas... – Ken desviou o olhar e começou a pensar. – Lembra daquele dia que vocês avistaram uma explosão na minha casa? Foi o meu lado hollow querendo ser libertado. Eu nasci, cresci, fiz amigos, me casei, tive filhos, mas nunca precisei de resurrección.
– E por que você nunca liberou sua resurrección? – Perguntou Orihime.
– Porque fico incontrolável... E perigosa. E o único jeito de me fazer parar... É se me matarem.
Fale com o autor