Família Em Las Noches
21 Capítulo 21
Notas iniciais
POV’S Hikaru:
O portal se abriu e eu entrei nele. Agradeci mentalmente por não ter sido seguido por Aizen. Fiquei realmente impressionado ao saber que Nobu, Kazu e Hiko seriam úteis para a rainha do Mundo Hueco. Eles só servem para atrapalhar e ficarem admirando arrankars que eles consideram superiores... Como eu. É sério! Diz-me um dia que eles não me deixavam em paz!
Enfim, abri os olhos e eu estava na floresta, que é mais escura e, aparentemente, mais perigosa que Las Noches. Eu achava que não existia lugar pior que perto do palácio, que é um deserto escuro e triste. Eu dei os primeiros passos á procura de Kei. Quanto mais eu caminhava, mais perdido eu ficava.
Eu comecei a ficar cansado. O que eu só via nesse lugar era árvores de quartzo e escuridão. Sentei-me no chão, apoiando as costas em uma das árvores, e observei a brilhante pedra. Por que Aizen se interessaria por uma coisa tão pequena?
Eu estava tão distraído que nem percebi que alguém estava sentado na minha frente. Assustei-me e segurei firmemente a pedra para não perdê-la. A pessoa era uma moça de pele quase pálida, cabelos negros e seus olhos eram dourados.
– Finalmente posso falar com você pessoalmente, Hikaru Schiffer! – Ela comentou enquanto me encarava com um sorriso de satisfação.
– Me conhece? – Perguntei quase em sussurro.
– Conheço todas as vidas e histórias do Mundo Hueco. Aqui pode estar um pouco abandonado, mas acredito que devemos ir até um lugar mais seguro. – Ela segurou a minha mão livre e me guiou por toda a floresta. – Não entendo como chamam esse lugar de Floresta Menos. Gosto de Floresta de La Muerte! – Ela se divertia com o comentário.
– Você gosta de coisas que aparentam ser... Assustadoras? – Perguntei.
– Sim! Digamos que é... Divertido! A guerra que aconteceu no Mundo Hueco foi a melhor coisa que já assisti! Pena que... Os Espadas haviam partido e... Tudo ficou tão triste... – Ela parecia magoada.
Avistamos uma casa muito, mas muito velha. Nós entramos e observei tudo que havia lá. Na sala, havia um sofá, uma mesinha e uma estante com livros. Também vi uma mesa de jantar, onde havia algo um pouco grande e brilhante semelhante a uma bola.
– O que é isso? – Perguntei, observando a coisa brilhante.
– É um cristal. Eu vejo tudo o que quero por ele. Foi assim que eu encontrei você... E Nnoitra. – Ela disse, ainda sorrindo.
– Nnoitra esteve aqui?! – Perguntei curioso.
Escutei passos vindo do corredor. Alguém estava se aproximando. Eu reconheceria aquela magreza em qualquer lugar: Nnoitra. Mas ele estava diferente: Suas roupas estavam rasgadas e ele estava um pouco ferido.
– Está se sentindo melhor, Jiruga? – Perguntou a mulher normalmente.
– Eu já disse que estou! Por que você não devolva a minha foice e me deixa em paz, mulher?! – Perguntou Nnoitra, irritado.
– Eu sei quando você mente. Não irá embora até estar totalmente curado. – Respondeu ela friamente. Nnoitra bufou.
Ele me encarou e perguntou:
– O que você está fazendo aqui?!
– Pergunto o mesmo. Neliel deve está chorando até agora.
– Ela deve é estar satisfeita com o meu desaparecimento! – Comentou o moreno enquanto encarava o nada.
– Por incrível que pareça, ela está preocupada com você! Que ideia é essa de sumir? Tem gente que acha que você está morto, sabia?! – O repreendi. A mulher dos olhos dourados observava com diversão.
– Você acha que eu sumi por que eu queria?! Depois de perder a minha casa, eu não queria voltar para aquele maldito palácio! Eu sabia que não foi o Yammy quem destruiu o único lugar que eu gostava e fui á procura do verdadeiro responsável! Mas alguém aproveitou que eu estava sem companhia e fez ISSO comigo! – Ele apontava o dedo indicador para seus ferimentos.
– E eu o encontrei aqui na floresta! Eu não queria que ele morresse e deixasse a esposa e os filhos! A diversão não seria a mesma sem Nnoitra! – Explicou a moça.
– E por que você me mantém preso aqui, Kei?! – Nnoitra insistia em perguntar.
– Espere! Você é Kei?! – Perguntei chocado. Ela afirmou com a cabeça. – Eu não sabia... Eu... Tenho que te entregar uma coisa!
– Está falando da Hou-Gyoku? – Eu dei a pedra para ela, que observou curiosa. – Finalmente a tonta da Ken se livrou disso!
– Como assim? – Perguntei.
– De novo não! – Reclamou Nnoitra enquanto se sentava no sofá.
– Há muito tempo, menino Schiffer, a Ken descobriu que isso era o que Aizen mais desejava. Essa pedra pode ser capaz de transformar um shinigami em hollow. E isso seria um perigo se ficar nas mãos de alguém como Sousuke. – Ela colocou a pedra na mesa. – Ken, após derrotar Aizen e Loly, pegou a Hou-Gyoku e a engoliu como se fosse um alimento qualquer. Eu achei um absurdo, mas Ken é muito teimosa e nem sabia das consequências.
– Então foi assim que Ken esteve com a Hou-Gyoku. – Encarei o cristal. – E esse cristal... Mostra tudo mesmo?
– Tudo. Eu assisto tudo o que acontece. O que eu mais gostei... Foi observar o seu pai. – Ela sorriu e fechou os olhos. – Seu pai era o arrankar mais bonito de Las Noches. Eu o observava cada passo sem me importar com o tempo. – Eu escutava cada palavra. Ela abriu os olhos. — Um dia, ele recebeu a ordem de sequestrar a Orihime. E tudo ficou mais interessante e fiquei mais ansiosa para o que vinha em seguinte! Ele a levou para Las Noches. Quando ele a provocava dizendo que os amigos dela iriam morrer, eu fiquei maravilhada! Para mim, aquilo não passava de um ciúme!
– Isso não faz sentido. – Comentei.
– Tem certeza? Tinha que ter visto! Parecia que o morcego queria que ela se sentisse só e que ele fosse único para ela! – Kei falava isso com ansiedade. Sua mente era repleta de imaginação. Ela continuou. – Mas ele não sabia que aquela humana era mais forte do que ele pensava. Ela deu um tapa nele e ele não fez nada. Só saiu e foi atrás de Ichigo, que havia invadido o Mundo Hueco. Depois disso, Grimmjow sentia um desejo de lutar com o shinigami e para isso, ele precisava de Orihime.
– Grimmjow sequestrou a minha mãe? – Perguntei indignado.
– Como se fosse isso. É... Acho que sim! – Kei afirmou. Seu sorriso quase não saía da boca.
– E o que aconteceu? – Percebi que Nnoitra também escutava a história com atenção.
– Grimmjow usou algo para fazer Ulquiorra desaparecer de vez. É que após descobrir do sequestro, Ulquiorra foi atrás dela e ficou com aquela decepção ao ver que a humana tão amada estava curando o shinigami. Naquela época, Orihime só tinha olhos para o ruivo! – Fiquei enojado. Na verdade, Nnoitra e eu ficamos enojados.
– Não sei o que aquela mulher viu no shinigami!– Comentou Nnoitra.
– E eu não sei o que Neliel viu em você para se casarem e ficarem juntos até hoje! – Rebateu Kei. Nnoitra se calou, mas a encarava completamente irritado.
– E o meu pai desapareceu por causa da Caja Negación? – Perguntei.
– Hum... Ken lhe ensinou bem as coisas! – Ótimo! Até das aulas da Ken ela sabe! – Infelizmente, ele desapareceu sim. Tempos depois, ele voltou de outra dimensão e teve a conversa mais marcante com a humana. Ele jogou toda a sua curiosidade para fora. Ele queria saber mais sobre os sentimentos, o coração. Mas suas perguntas não foram respondidas, pois Ichigo atacou Ulquiorra. E foi a primeira vez que eu fiquei angustiada com uma luta.
Angustiado estava eu ao imaginar meu pai sendo ferido por Ichigo. Eu já sabia que eles já lutavam, mas Kei falava como se fosse algo grave.
– Liberando a resurrección, Ulquiorra até que iria vencer. Ele fez um buraco... – Ela deu uma pausa e colocou a mão no peito. – Aqui em Ichigo. Eu já sabia que Ulquiorra tinha um costume de fazer um buraco no local do coração das pessoas, mas eu nunca tinha visto algo tão grave assim. Orihime ficou preocupada e queria ajudá-lo. Ulquiorra até tentou mantê-la distante do shinigami, mas o quincy Ishida não deixou. Ichigo se transformou em hollow. Eu queria estar lá e... A minha vontade era pedir para que Ulquiorra fugisse e levasse Orihime com ele, mas eu só fiquei olhando pelo cristal.
Nnoitra e eu percebemos uma pequena lágrima escorregando pelo seu rosto.
– Para minha tristeza, Ulquiorra foi derrotado, estava virando pó e Orihime não o ajudou. Na verdade, nem tentou. – Eu quase me assustei com o tom de voz de Kei. Ela estava se irritando com as próprias lembranças. – Ela só o observava. Ele perguntou se ela tinha medo dele e ela respondeu que não. Então Ulquiorra desapareceu. Foi a primeira vez que eu chorei em toda a minha vida. – Mais lágrimas caíam. — Logo depois, a guerra acabou. Tudo voltou a normal em Karakura. – Kei percebeu que estava chorando e limpou rapidamente o rosto. — Até que eu descobri que, de alguma maneira desconhecida, os arrankars estavam voltando. Fiquei feliz ao ver todos bem. Estranhei porque eles haviam mudado. Pareciam menos violentos... Tentavam ter mais companheiros. Las Noches parecia um lar feliz para os arrankars.
Kei voltou a sorrir.
– E como ele reencontrou a minha mãe? – Perguntei.
– Urahara contou á Ichigo que os Espadas voltaram. Ele contou á Rukia, á Ishida, á Sado... E á Orihime. Todos eles foram para o Mundo Hueco para verificar e ver se eles eram uma ameaça. Porém, os arrankars não queriam mais lutar. Não queriam guerra. Orihime havia se esquecido completamente de Ulquiorra e ao revê-lo, procurou se aproximar. Os arrankars só a aceitaram por que ela não é uma shinigami. Tempos depois, se apaixonaram e você e seu irmão nasceram. – E assim, Ken finalizou a história de meus pais.
– Antes de recebermos a visita deles, o Ulquiorra sempre visitava o quarto daquela mulher. – Nnoitra começou. — Ficava horas lá e só saía quando queria ou quando Harribel chamava. Ás vezes, eu, Grimmjow e Szayel fingíamos que Harribel o procurava e ele finalmente saía, mas quem acabava levando bronca ou quase apanhando era a gente.
– Já pensou em crescer? – Perguntei.
– Olha quem fala!– Rebateu o Quinto Espada.
Voltei a atenção á Kei.
– Então eu e o Hiroaki somos os primeiros arrankars a não nascerem através de poderes de Aizen ou Harribel?
– Na verdade, não. A primeira foi a Ken, fruto de um amor de Zommari e uma alma perdida chamada Kori. – Fiquei chocado. Até nisso, a Ken se mete?
– O Zommari desapareceu e deixou aquela coisa com a gente quando cresceu, trazendo Aizen junto.– Nnoitra provocava.
– Espera aí! A Ken trouxe Aizen de volta para o Mundo Hueco?
– É que naquela época, a Ken enxergava Aizen como o único amigo dela. Mas ele queria meter Tesla em um de seus planos e Ken já era apaixonada pelo fracción. Foi uma briga até divertida! – Explicou Kei.
– A Ken não sabe fazer nada direito desde quando?! – Perguntei ironizando.
– Desde sempre. – Respondeu os dois ao mesmo tempo.
– Então tá! Já sei sobre o como Nnoitra sumiu, sobre passado dos meus pais, a Hou-Gyoku, os desastres da Ken... Ah! Tem algo que eu não sei! A explosão da montanha! Quem foi que fez aquele estrago? O seu cristal vê tudo! Deve ter visto isso!
– Se quiser saber, só posso lhe dizer isso: Foi uma pessoa que você menos espera. – Essa foi a resposta.
– Kei, estou farto de tanto mistério! É uma coisa sem sentindo atrás da outra! Eu quero saber! – Insisti impaciente.
– E você é forte o suficiente para saber o responsável? Deve ser, não é? Conseguiu não chorar quando seu pai começou a desprezá-lo por causa do seu preconceito com os arrankars, não é?! – Igualzinha á Ken, que sempre lembra nossos desastres — Que é isso, menino? Você, a sua família, seus amigos e seus companheiros são arrankars! E seu pai é amado até hoje pela humana e pelo seu irmão não importando a espécie! Em minha opinião, ele não merecia isso! Não! Ele merecia um filho melhor! Eu queria lhe dar uns tapas para ver se cria juízo nessa cabeça de morcego que você tem! – Realmente, Kei é igual á Ken: Adoram provocar e esfregar os nossos erros na cara! Nnoitra segurava as risadas.
– Você está fugindo do assunto! – Tentei parecer firme o suficiente. Felizmente, Kei, ao contrário da Ken, é facilmente enganada!
– Se é isso que deseja... Eu conto.
Dei um sorriso discreto. Nnoitra encarava, curioso para ouvir.
– Foi um Schiffer. – Ela não falou diretamente quem foi, mas fiquei chocado da mesma maneira.
– Um Schiffer?! — Nnoitra se levantou do sofá, pois estava até agora sentado. Pela sua expressão, dava pra ver que também estava chocado
– Como assim?! Foi alguém da minha família?! Impossível! Todos estavam lá e...
– Você observou todos que estavam lá sem desviar os olhos? – Kei me interrompeu com tom firme.
– Foi o meu pai? – Perguntei sem pensar.
– Meu arrankar do céu! Não dá vontade de dar um bater nesse rosto pálido, Nnoitra?! – Perguntou Kei sem paciência. Nnoitra nem respondeu, porque estava sentindo a mesma impaciência dela. – Menino morcego estúpido do deserto, por acaso o vilão de toda essa história é seu pai?
– Não. Acho que... Desde o começo, Aizen fez muita coisa ruim.
Kei sorriu satisfeita como se eu tivesse acertado a resposta.
– Mas se Aizen explodiu a montanha, como pode ter sido um Schiffer?
– Eu nunca disse que Aizen explodiu a montanha. – Comecei a tremer. — Eu disse que Aizen é o principal vilão de toda essa confusão.
– Agora eu quero saber.– Nnoitra bateu as mãos fortemente na mesa. Eu me assustei, mas Kei permanecia tranquila. – Chega de conversa! Fala de uma vez! Muitos estavam naquela montanha! Até Naoto e Naoko! Eu quero saber quem que queria matá-los!
Kei abriu um sorriso sarcástico e me encarou.
– O menino mais fofo de toda a história... Hiroaki Schiffer. — Ela falava ainda com um sorriso no rosto. Eu quase nem respirava.
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