Família

1 Capítulo 1


Se existia uma coisa que Jimin amava mais do que animais, era o sorriso doce de Min Yoongi. Era simplesmente, absurdamente adorável- pensava enquanto analisava seu hyung sentado confortavelmente do outro lado da sala, apenas observando os outros falando pelos cotovelos.

Pra maioria das pessoas ele poderia parecer insensível e frio, mas os meninos sabiam melhor, conheciam o outro o suficiente pra saber que ele tinha sim seus momentos (quem não têm?) mas que ele também era na mesma medida doce e carinhoso, à sua própria maneira, mas era.

A preocupação que ele demonstrava em sempre enfatizar que não era nossa culpa e que faríamos melhor da próxima vez sempre que fazíamos ou dizíamos algo errado, ou no modo como ia junto com o Hoseok buscar o Kook no colégio, ou quando ficávamos doentes, ele aparecia várias vezes ao longo do dia com desculpas de precisar de algo do ambiente em que estávamos apenas pra checar se estávamos bem, quando estávamos desanimados ou entediados e ele propunha coisas para fazer, mesmo não gostando. São pequenos gestos mas que revelam muito sobre ele.

Enquanto que algumas outras pessoas o consideravam perfeito, mas cara, somos apenas seres humanos, com medos, sonhos, esperanças, desejos, inseguranças, momentos de querer mandar todos irem a merda. Sim, por mais que não pareça temos nossos momentos de rebeldia.

Em resumo, nós somos seres humanos e não máquinas, somos propensos a erros, e por mais que amemos o Army, por mais que nos amemos, por mais que amemos uns aos outros, tem horas em que nos cansamos, nos sentimos exaustos, não só fisicamente, mas mental e emocionalmente também.

Tinha dias em que ficávamos tanto tempo trabalhando e tão duro que todos voltávamos pra casa arrastando os pés e íamos direto pro quarto.

Os olhos de todos estão em mim hoje, todos preocupados, era uma apresentação importante, mas minha voz falhou, eles apenas me deram um tapinha no ombro e disseram que estava tudo bem, por mais que eles não me culpem, eu já faço o suficiente sozinho.

Sinto uma mão no meu ombro e olho pra cima dando de cara com o olhar preocupado de Namjoon, ele sorri levemente e diz:

— Você fez bem, hoje.

Sinto meu ombro ser apertado de forma suave e em seguida meu cabelo é bagunçado, antes de Namjoon se afastar em direção a um animado Junkook e um sorridente V.

Quando minha voz falhou hoje, me senti mal, várias pessoas riram de mim, mas também ouvi os fãs gritando em incentivo, nós somos uma família acima de tudo, não falo só entre nós, mas sim todos.

Eu gosto de dizer que tenho duas famílias que se dividem em três:

A de sangue;

E a que eu escolhi que se divide em dois:

BTS — sinto que assim como os outros mais novos, (o Kook e o V) fui de certa forma criado pelos meninos na última fase da minha vida adolescente e pelo tempo que passamos juntos, nos adaptamos e aprendemos a encontrar meios termos pra evitar brigas ou confrontos por personalidades e pensamentos diferentes. Esse tempo grande em que passamos juntos acabou por nos fazer adquirir hábitos e até traços da personalidade do outro, mas talvez por estar conosco desde muito jovem, esses traços são mais latentes no Kook, mesmo que sutis se você parar para prestar atenção é possível ver ali: a risada brilhante do Hoseok, a simpatia e disposição para fazer novos amigos do V, a força, dedicação e paciência do Namjoon, o jeito ofuscante e diferentão do Seokjin, a serenidade e criatividade do Yoongi. Quanto a mim, não consigo enxergar nada, mas beleza, dizem que o dono nunca enxerga mesmo.

Army — que nos ama e nos apoia. Nosso desejo é conhecer todo o Army do mundo mas como mesmo que tentemos muito isso não é possível, seguiremos viajando o mundo e conhecendo o máximo possível.

— Ei, Jimin-ssi?

Olho para Seokjin e sorrio instantaneamente.

— Você sabe porque a formiga tem 4 patas?

O olhei pressentindo que lá vinha mais uma das suas. Os outros reviraram os olhos e o ignoraram. Sorri de lado antes de responder:

— Não hyung, porque?

— Porque se ela tivesse 5 patas seria fivimiga kkkkk.

Mordi o lábio inferior tentando não rir e desviei os olhos pra um canto qualquer da sala.

— Não, agora é sério. Era uma vez, uma ovelha que construiu uma casa com seu pelo e chamou de Lã House. Entendeu? Lã House.

Não consigo me controlar e acabo rindo, me jogo contra o encosto do sofá e tento cobrir minha boca com a mão. Mesmo que para os outros não tenha tanta graça, por algum motivo minha barreira de resistência as suas piadas ruins parecia inexistente. Não quando seus olhos brilhavam de forma tão intensa, não quando ele batia as mãos na própria coxa, se inclinava ligeiramente pra frente e ria de forma tão escandalosa.

Devo admitir que a risada do hyung era mais engraçada que a piada em si, começava meio que HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ e acabava pegando um embalo e passava a fazer um som de limpador de para-brisa.

Eu percebia que mesmo lutando contra, algumas vezes nem Yoongi hyung conseguia controlar o sorriso involuntário que surgia ao som da risada do mais velho.

Naquele momento, observando cada um deles, dava pra ver as características mais distintas em cada um: o sorriso gengival do Yoongi, as covinhas do Namjoon, a risada escandalosa do Hoseok, o sorriso quadrado totalmente adorável do Taehyng, o sorrisinho de coelho do Jungkook, ou talvez além da risada, senso de humor estranho de Seokjin hyung.

Suspeitava que por mais que todos as vezes reclamassem, gostavam de formas e níveis diferentes do senso de humor de nosso amado hyung.

Pela primeira vez desde o incidente de algumas horas atrás, sorri genuinamente, porque percebi que por mais que as coisas ficassem ruins, por mais que o hate fosse ficando insuportável, temos uns aos outros, e temos as nossas famílias enquanto tivermos isso ficaremos bem.

Estávamos longe de nossos pais, da casa onde nascemos e fomos criados, mas o Army nos dá forças pra seguir em frente, quando a escuridão ameaça nos cercar, a luz de suas existências extremamente importantes ilumina nosso caminho e nos faz seguir adiante. Somos uma família e enquanto formos capazes e nosso Army precisar de nós daremos o nosso melhor pra estarmos aqui.

Porque no fim do dia, não importa o quão ruim tenha sido, o melhor momento dele é poder se despir de sua armadura contra o mundo e relaxar, por mais que tenhamos nossas diferenças, por mais que briguemos, no fim das contas somos uma família e apoiamos uns aos outros, afinal o mais importante é sempre a família seja ela qual for.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!