Famous Last Words
1 OneShot
Notas iniciais
Essa é minha primeira one shot do MCR, e como não deixei ninguem ler ainda, não sei se está boa. Sinceramente, a primeira parte eu não gostei, mas pensei bastante e não havia como fazer de outra maneira. Já a segunda eu gostei bastante, não sei se é por que eu adoro uma tragedia, ou se é por que ficou melhor mesmo. Espero do fundo do meu coração que gostem dela, pois eu fiz com muito carinho.
Boa Leitura.
Sou mais forte do que pensava. Resisti bem á ausência dele, e também a tudo que me foi tirado quando ele se foi. Mas sinto que podemos ficar juntos novamente, porém isso irá me custar mais do que posso me permitir pagar. Não gostaria de arriscar o que conquistei por mais um de meus momentos de puro egoísmo, uns dos quais eu sei que não poderei passar muito tempo longe daquele que me fez feliz um dia.
O destino é mesmo uma droga. Obviamente, se pudesse, desejaria estar no lugar dele, mas só o pensamento de vê-lo sofrendo como estou nesse momento, me abomina e espanta qualquer possibilidade de querer voltar no tempo e mudar isso. Claro que eu o amava, e por isso o deixei partir sem ao menos lutar por isso. A fraqueza me consumiu no momento em que ele me disse Fique comigo, nunca me abandone, nem nos piores momentos. Me prometa!. Eu prometi, e aqui estou eu. Descabelando-me em meio a lagrimas vendo uma foto do melhor dia de minha vida. O dia em que compramos nossa casa. Isso estava acabando comigo, literalmente.
Mesmo que tente esquecê-lo, as lembranças daquele momento infernal me voltam á cabeça e tudo naquela casa me faz lembrar ele. Seu sorriso, o jeito como acariciava meu cabelo, como gostava que eu o abraçasse caso estivesse com medo... Suas roupas, todas ainda estão nos armários. Não tive coragem de toca-las desde o acontecido. Se o fizesse, com certeza me lembraria de tudo o que passamos juntos, assim como acontecia quando nos abraçávamos, e isso me levaria mais uma vez a pensar estar ao seu lado.
Sinceramente, não sei se posso mais aguentar ficar longe dele. Rodei a faca algumas vezes na mão, cada segundo que passava, cada vislumbre que tinha de sua imagem em minha mente, mais me aproximava de enfiar o objeto cortante em meu coração, e assim, finalmente acabar com o que me matava por dentro. Porque senti que já não era mais a mesma pessoa. Não... Eu morri por dentro, sou só um corpo vagando friamente, sem mais emoções positivas ou coisas boas em minha mente. Eu não sou mais nada.
Pensando bem, o que conquistei que não tenha ido embora ou que não valesse a pena deixar para trás apenas para tê-lo novamente ao meu lado? Porque minha família me abandonou é muito tempo, agora estou só, e esse poderia ser o pior lugar do mundo. Apesar de que sem ele, qualquer lugar é horrível. Mas ainda sinto sua presença, ele me olhando, de noite sinto sua respiração em minhas costas. O sinto tentando me fazer dormir, e só assim penso que consigo seguir em frente. Minha alma e essência estão com ele, aqui está somente um corpo inútil no qual pretendo dar fim o mais rápido possível. Mas tenho detalhes a cuidar antes.
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Bom, se você está lendo isso, peço, por favor, que me enterre ao lado desse tumulo. A essa altura já esse corpo já deve estar frio, e claramente sem vida. Não tenho família, muito menos amigos. Todos me abandonaram a muito tempo. Minha historia não é das melhores, e caso se interesse em saber como cheguei aqui, continue lendo.
Eu era bem popular no colégio, sempre cercado de pessoas que diziam gostar de mim pelo que eu era não pelo que eu tinha. Meus pais me amavam e éramos uma família feliz. Eu, meus pais e meu irmão mais novo. Você percebe que há algo errado quando a vida te trai da pior maneira. Meu irmão, Michael, morreu de câncer á alguns anos, quando eu tinha 15 e ele 12, e sofri muito com isso, pois éramos muito próximos. Isso já foi o suficiente para que eu começasse a beber mais do que o normal. Cheguei a consumir duas garrafas de uísque por dia. Não dormia mais em casa toda noite. Já estive na cadeia algumas vezes por conta disso. Com o tempo, os que se diziam meus melhores amigos largaram de mim. Falavam que eu era um problema, e com 17 comecei a usar (e abusar) de drogas. Logo depois, em um acidente de carro, perdi meus pais.
O único que me apoiou nesse momento difícil foi meu verdadeiro melhor amigo, Raymond. Ele sim, me salvou e me deu motivos para não desistir da vida. Ele havia sido expulso de casa, pois seus pais o achavam que ele poderia ter se envolvido em um assassinato de uma garota perto de sua casa e pensavam que eu o havia levado para o mundo das drogas. Então fomos embora. Raymond também morreu anos depois, se atirou de uma ponte, e eu nada pude fazer para impedi-lo. Ainda não descobri o porquê disso.
Em meio a tudo, conheci Anthony. Ele mudou minha vida. Eu já havia me estabilizado e largado meus vícios, com dificuldade admito. Arrumei um emprego escrevendo historias em quadrinhos, vendia alguns HQ e abri minha própria loja. Anthony foi meu primeiro cliente e sempre comprava meus quadrinhos. Encurtando a historia, não demorou a me apaixonar por ele e logo conquista-lo. Fomos morar juntos por um longo e maravilhoso período de nossas vidas, e então descobrimos que ele sofria do mesmo tipo de câncer que meu irmãozinho.
Para mim, isso foi o fim. Desmoronei por completo. Porém o acompanhei em cada sessão de quimioterapia, todo o tratamento que ele precisava, lá estava eu, ao seu lado e segurando sua mão. A todo o momento, assim como fiz com meu irmão, falava e tentava demonstrar o quanto o amava. São nas piores horas que os bons momentos fazem sentido. Anthony se foi dia 18 de novembro. Não comia, não dormia. Minha loja foi á falência. Cheguei sinceramente a pensar que poderia morrer de fome, pois não havia dinheiro nem para isso. Em pouco tempo cortaram a luz e a água. Ás vezes conseguia assaltar um mercado ou outro, somente para me manter. Mas hoje, 27 de janeiro, decidi escrever isso e enfim, descansar em paz. Realmente, se sua vida é ruim, a minha foi muito pior. Mas não estou escrevendo isso como uma lição de moral. Afinal, quem escutaria um morto? Mas eu precisava desabafar.
Agradeço se leu isso até aqui. A essa altura estou ao lado de Anthony, e provavelmente estamos muito felizes. Lembre-se de não seguir esse meu exemplo de vida. Isso não é vida. Mas espero que ache um amor como eu achei e que viva feliz ao lado dele, para que envelheçam juntos. Boa sorte.
Arthur W.
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