Family's Love.
19 Cap. 19 - Your name will be ...
Notas iniciais
Sete meses após o –segundo- pedido de casamento que Rachel fizera para Quinn. Oito meses –já beirando os nove- de gravidez para Kitty. E ela não sabia mais o que queria fazer sobre o assunto. Era fácil dizer que não queria o bebê antes, mas na primeira vez que ele chutou, tudo parecia mais real, a ficha caiu. E quando ela sonhou que o entregara para a adoção então? Acordou assustada no meio da noite e não voltou a dormir. Oh, aliás, era ‘o bebê’ mesmo. No quarto mês, descobriu que esperava um garotinho saudável. Depois disso foi mais difícil ainda sequer pensar em dá-lo.
Mamá Sant estava paranoica com isso tudo. Ela nem podia sonhar em descer as escadas sem ajuda. Mas mamãe Britt ficava mais e mais ansiosa com a chegada do pequeno. Estava sempre lhe levando para ver roupinhas e carrinhos de bebê e vez ou outra tentava tirar de sua cabeça a ideia de dar o pequeno Elliot. Marley o chamava assim.
Ela amadureceu muito rápido com a chegada do filho se aproximando. Ainda defendia a ideia de manter o bebê e Kitty sabia que não iria desistir. Ela simplesmente surtou quando descobriu que era um menino, e ficava dizendo que o fantasiaria de personagens para eventos nerds, e que também o ensinaria como jogar vídeo-games e conversar com garotas. E Kitty considerou a ideia de ficar com ele. Ele não era descartável como uma folha de papel amassada. Não. Era muito mais do que isso. Talvez fossem os hormônios bagunçados ou o tal instinto materno, mas ela não conseguia mais se imaginar longe daquele pequeno ser que se desenvolvia em seu útero.
O relógio marcava 3h30 quando o telefone tocou. Era uma segunda-feira, mesmo que seu corpo ainda clamasse pelo sábado. Mas Marley acordou em uma fração de segundos ao ver que quem ligava era Valerie.
— Lima Memorial Health System. – Foi o que a garota ruiva dissera. –
— Não está na hora ainda! – A morena praticamente gritou de volta, ao se levantar para buscar seu casaco no guarda-roupas. –
— Oh, espere algumas horas que você poderá dizer isso ao seu filho pessoalmente! – Retrucou Valerie com sarcasmo. Céus, quando ela começou a se tornar uma versão alta de Beth mesmo? –
— Marls, seu pirralho está nascendo! – Por falar em Beth ... –
Ela entrou no quarto da irmã com uma velocidade incrível. Vestia jeans desbotados, tênis desamarrados, apenas um braço da jaqueta de lã, e o cabelo escuro estava preso num rabo-de-cavalo desajustado, a franja que roçava suas sobrancelhas estava de lado. Atrás dela vinha Quinn trajando um sobretudo bege por cima da camisola branca, e uma Harmony sonolenta puxando seu coala de pelúcia pelo braço. O pequeno Freddie se esforçava para morder as perninhas da pelúcia, mas logo desistiu e foi até a cama de Marley, deitando-se no meio do colchão de casal.
— Não chame seu sobrinho de pirralho! – Quinn adverte, e mais nova apenas assente, fazendo movimentos confusos com a cabeça. – Vamos logo, Santana deve estar surtando! –
—--
Sim, Santana estava surtando. Ela não foi permitida entrar na sala de parto pois acabaria estressando Kitty, e poderia fazer mal tanto para a garota quanto para o bebê. Atualmente, ela andava de um lado para o outro na sala de espera e amaldiçoava em espanhol, enquanto Valerie tentava em vão acalmá-la, e Sugar, alheia a tudo, apenas dormia numa posição nada confortável naquelas cadeiras duras e azuis de plástico.
— Mamá, todo va a estar bien! Katrina es fuerte y el bebé está sano, no tiene que preocuparse ... – Era o que dizia a ruiva, tentando fazer com que Santana não perdesse a cabeça de vez e fizesse algo estupido. Como Brittany conseguia controlar a fera que era aquela latina? Uma Santana irritada era praticamente impossível! –
— No me diga que se calmara, mi hija es tener um bebé, y antes de la hora! Los niños no nacen antes de tiempo! Por lo geral no! –
— Mamá! – A ruiva chamou, segurando os ombros da latina e forçando-a ao contato visual. – Vai ficar tudo bem. Eu sei que é normal ficar nervosa nessas horas, mas realmente, não vai adiantar em nada. –
Santana suspirou; Valerie tinha razão, é claro que não adiantaria em nada, mas sinceramente, ela estava se sentido inútil pela primeira vez na vida. Kitty, sua garotinha, estava tendo seu próprio bebê agora, mesmo tendo apenas dezesseis anos. Isso seria uma pressão devastadora e dessa vez, ela teria apenas que sentar e observar. Kitty teria que passar por isso sozinha, ela não podia mudar a visão que o mundo teria da sua garotinha a partir dessa noite. Lima era uma cidade pequena, as notícias se espalhavam rapidamente. Principalmente se fosse uma Lopez-Pierce grávida de uma Berry-Fabray. Ela podia apoiar e amar Kitty, mas isso não mudaria os olhares daqueles que julgam.
— Eu sei ... Eu só ... Como Kitty vai ficar depois disso tudo? As pessoas vão falar dela. Vão lhe olhar como se tivesse cometido um assassinato. Vão julgá-la. –
— É, mas, e daí? Mamá, nós somos lésbicas e filhas de lésbicas, somos vistas assim todo dia, mas não nos importamos. Nós somos Lopez! Se alguém fizer mal algum para Kitty, vão ter que se ver com o estilo Lima Heights Adjacent! – A garota ruiva sorriu adoravelmente, e logo Santana fez o mesmo. Daria tudo certo, não é? Afinal, ela era de Lima Heights Adjacent. Sabe o que acontece lá? Coisas ruins. –
—--
As Fabray chegaram poucos minutos depois disso. Rachel havia ido para Nova York fazer algo relacionado à Broadway e Funny Girl, mas já estava voltando para Lima, mesmo que Quinn tenha insistido para que ela viesse em outra hora pois seria perigoso viajar de noite. Mas não é como se ela não fosse fazer isso de qualquer jeito.
Marley estava na sala de parto acompanhando Kitty junto de Brittany, Harmony e Sugar dormiam escoradas uma na outra, e enquanto Quinn tentava acalmar Santana, Beth e Valerie estavam do lado de fora, fumando. Certo, certo, tinha todo aquele negócio de sobriedade e tal, mas a verdade é que apesar de serem quietas, ambas estavam parecendo duas pilhas de nervos por dentro. Não fazia bem pra saúde –aliás, nunca façam isso-, mas ao menos estava mantendo-as calmas.
— Você acha que vai ficar tudo bem? – Beth perguntou. Ela encarava vagamente o céu escuro e de poucas nuvens e estrelas. Apesar de estarem em maio, aquela noite estava um tanto fria. – Marley não vai conseguir se separar tão fácil do pirralho. Vai ser difícil, ela estava animada. -
— Independente da decisão final, vai ficar tudo bem. Mas isso pode acabar comprometendo o relacionamento das duas. Sinceramente, eu quero conviver com o garoto. Mas é Kitty quem decide, não é? –
— Eu estou preocupada, Lerie. De verdade. –
A ruiva abraçou-a por trás, beijando o topo de sua cabeça e descansando a testa ali. Beth era, ao seu ver, adorável. Uma baixinha irritada e de pavio curto que cabia perfeitamente em seus braços.
— Você já percebeu que tem alguns traços de verde no azul dos seus olhos? –
Valerie riu, fazendo os pelinhos do pescoço da mais baixa eriçarem.
— Não tinha percebido, mas agora eu vou ficar notando isso toda vez que me olhar no espelho. –
...
— Você o nomeou de Elliot. –
A voz de Marley interrompeu seus pensamentos. Kitty estava parada em frente à área do berçário, observando o vidro, no qual do outro lado, vários recém-nascidos com roupas de várias cores se encontravam um ao lado do outro, como se estivessem numa vitrine especial. Elliot vestia uma manta branca com detalhes azulados, assim como a touca que escondia seus poucos fios loiros.
— Elliot Harry Lopez-Fabray. – A loira continuou, sem tirar os olhos do pequeno bebê que dormia serenamente ao outro lado. Ele era perfeito de mais para um recém-nascido. Kitty sempre achou bebês adoráveis, mas Elliot ... Ela estava apaixonada por ele. –
— Por quê? Por que colocou nossos nomes nele? –
— Ele é nosso filho, e então deve ter os nossos nomes. Não é? –
E então Marley se tocou. O azul de seus olhos se tornou mais claro, sendo acompanhado por um brilho excitado. No rosto se abriu um sorriso infantil.
— S-sério?! – Ela praticamente voou em cima de Kitty, abraçando-a com tanta força que a menor jurou escutar seus ossos estalarem. – Isso é ótimo! Kitty, eu, eu ... Eu te amo, Katrina! Você e o nosso Elliot. –
O beijo foi eletrizante, doce e viciante, sem malicia alguma. Era apenas simples e puro amor.
— Eu também te amo. Mas nunca mais me chame de Katrina, ou eu juro que ele ficará órfão por sua parte! – Seu tom é brincalhão, mas Marley sente a pontada da verdade. –
— Tá bem, Katrina. –
— Eu estava falando sério, Marley Rose Berry-Fabray! –
— Desculpe. -
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