Family's Love.
1 Cap. 1 - You again.
Notas iniciais
É mais uma manhã normal na casa Fabray. Quinn escuta Harmony e seu falatório incessável sobre seu desenho animado favorito, enquanto Marley leva colheradas do cereal para sua boca num estado um tanto adormecido, e Beth nem se importa em fingir que ao menos gostava da mãe e das irmãs. Eram assim todo dia, todo ano, há oito anos.
Há oito anos atrás, Quinn ainda era casada com a outra mãe de suas três filhas, Rachel Berry, e elas eram uma família invejável, repleta de amor e carinho. O primeiro livro de uma vasta coleção que a Fabray escrevera havia acabado de ser lançado e já era um sucesso mundial, e Rachel era uma diva nata, a estrela de qualquer filme musical que se possa imaginar. Elas eram realmente felizes.
E então tudo começou a desmoronar. Os tabloides inventavam boatos e histórias que de início eram apenas ignorados pelas duas, mas chegou num ponto que aquelas mentiras estavam simplesmente enlouquecendo-as. Elas brigavam o tempo todo, e ainda com toda a pressão do trabalho, o relacionamento terminou em um divórcio sofrido.
Após a separação, Rachel simplesmente sumira, vez ou outra ligando para as filhas, mas nunca realmente aparecia. Até que saiu a notícia de que a maior diva da Broadway havia se internado numa clínica de reabilitação, e fontes confiáveis afirmavam que ela estava com um problema realmente sério com o alcoolismo. Foram tempos difíceis.
Gradualmente, após anos Rachel se recuperou e voltou com a sua carreira, frequentando o A.A. e seguindo fielmente os doze passos. A única coisa que realmente nunca fora recuperada, era o seu relacionamento com as suas filhas. Ou ao menos, duas delas, uma vez que Harmony idolatrava sua mãe judia, talvez por ser muito pequena na época do divórcio. Já Beth mal suportava Rachel por ter trocado elas e suas irmãs por algo idiota como o conteúdo em uma garrafa, e Marley ainda se lembrava da noite em que viu Quinn chorando no sofá, e em seu notebook estava aberto a página que afirmava que Rachel havia se tornado mais uma dos vários dependentes do álcool.
— E você, Marls – Quinn chama, uma vez que Harmony havia decidido que precisava respirar após minutos incessáveis de falatório. – Como vai a escola? –
— Bem ... A semana de provas começa segunda-feira, então é capaz de que eu passe o fim de semana trancada no meu quarto. – A morena responde, sua falta de interesse evidente em sua voz. –
— Beth, como vão as coisas com a sua banda? Você quase nunca fala sobre isso. – A loira pede, sorrindo para a filha mais velha, que a encara fixamente com seus olhos castanhos, até que suspira e busca algo para dizer; -
— Vai bem. – Ela diz simplesmente, antes de voltar a atenção para suas torradas com manteiga. Quinn suspira e assente, imaginando se o problema de Beth era com ela ou com a ausência de Rachel. –
Harmony voltou a falar e assim seguiu o café da manhã, monótono e repetitivo.
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Assim que chegaram no McKinley, cada uma seguiu seu próprio caminho. Marley foi em direção ao seu armário, Beth disse que tinha coisas para fazer, e Quinn sorriu gentilmente para Harmony quando a pequena apertou sua mão, provavelmente um tanto assustada com todas aquelas pessoas, os alunos que gritavam e se insultavam com xingamentos baixos e inapropriados. Ela era bem tímida com quem não conhecia.
Deixando a nostalgia tomar conta de si cada vez mais, Quinn lembrou-se de quando tinha a mesma idade das filhas, e de como era uma líder de torcida implicante com cada ser humano dali. Riu com a lembrança, realmente ela havia sido terrível. Lembrou-se também de como o namoro com Finn em busca da popularidade fora um fracasso, e de como se viu apaixonada pela líder do coral, uma garota tão incrível, confiante, determinada e ... Droga! Não era isso que ela deveria pensar de sua ex-mulher, era?
— Quinn! – Uma voz chamou atrás de si, tirando-a de seus devaneios. Ela se virou e então deparou-se com uma latina sorridente segurando firmemente a mão de sua esposa loira, e junto delas, um homem alto e de roupas um tanto formais de mais para ele mesmo. –
— Sant, Britt, Puck! – A loira diz animada, e antes que algum deles pudesse dizer algo, ela os puxa para um abraço demorado, correspondido segundos depois. –
— Ok, ok, agora já deu. Eu não quero começar a gostar de vocês. – A latina diz em tom de brincadeira, mas mesmo assim acaba levando um olhar nada amigável de sua esposa. – E aí, pequena? – Ela se abaixa para Harmony, e a garota de oito anos a abraça repentinamente. –
— Oi, tia Sant. – Santana acabou ficando sem reação, o que fora motivo de risadas para Puck. –
— Tá com medo de uma criança, Lopez? – O homem pergunta e então desarruma os cabelos escuros de Harmony, e a garota faz uma careta irritada, que logo some quando Quinn ajeita os fios escuros, deixando-a novamente semelhante à uma boneca. –
— Falou o homem que entrou em pânico quando a filha menstruou pela primeira vez. – Santana rebateu, e Puck lhe encarou, incrédulo. –
— Claro, Norah estava sangrando! – Diz ele, cruzando os braços infantilmente, e a latina copia o gesto. –
— Ok, vamos parar de falar sobre como vocês são ótimos pais e vamos indo, já está na hora. Aliás, todo mundo está nos encarando. – É a vez de Brittany dizer algo, e eles assentem, ainda mantendo contato visual. –
Quinn ri baixinho, mas mesmo assim não escapa de Santana.
...
A sala do coral não estava nem um pouco diferente, tirando o número de troféus que aumentara e as fotos nas paredes com os membros que vieram depois deles mesmos. E também o fato de que agora o professor de suéter estranho é Finn, para o desespero de Sue Sylvester, a mulher que se banha em sangue de virgens e dorme no formol, de acordo com Santana.
Mercedes e Sam estavam casados, assim como Tina e Mike, e Blaine e Kurt. Puck havia se casado com uma garota que conhecera num jogo dos Yankees, e Artie estava em um divórcio recente. Eles também tinham seus filhos, mas apenas Quinn levara Harmony, e logo todos que não a conheciam estavam apaixonados pela garotinha que era uma mistura fofa de Quinn e Rachel.
Todos estavam conversando animadamente, contando sobre seus empregos e o tempo que ficaram sem contato algum. Brittany e Santana deixam Quinn rapidamente para irem se servir do ponche, quando uma figura conhecida se aproxima da loira, sorridente e despreocupado.
— Então, Quinn, como vai você? – Finn pergunta ao se sentar ao lado da loira, justamente na cadeira na qual Rachel se sentava na época de coral. –
— Ah, você sabe ... Trabalho, filhas, trabalho, trabalho, filhas ... O de sempre. – Ela sorri gentilmente, sem tirar os olhos de Harmony, que agora estava no colo de Sam. Ela era pequena para a idade. –
— Cara, você tem que sair mais. – Diz o homem com seu famoso sorriso de lado, e Quinn franze o cenho. – Que tal sairmos algum dia desses? –
Ele estava a chamando para sair? Sério?
— ... Eu- Ela ia começar um fora bem elaborado, quando alguém lhe chama a atenção. Aqueles olhos castanhos ... -
— Meu Deus, o transito estava uma bagunça. – Uma voz vem da porta, e todos os que estavam ali presentes se viram para ver quem era. –
Uma morena baixinha e naturalmente charmosa, de olhos escuros e cabelos castanhos que caiam como cascatas sobre seus ombros, seu rosto belíssimo e portador de uma beleza incomum lhe deixava parecer bem mais nova do que realmente era.
— Mamãe! – Harmony grita animada, se soltando dos braços de Sam para correr em direção à mulher baixinha. –
— Monie, o que você está fazendo aqui? Nossa, você cresceu! – Rachel diz animada, logo se agachando para ficar na altura da filha, abraçando-a demoradamente e logo em seguida bagunçando os cabelos da garotinha, arrancando um riso da menina. –
— ... Rachel? – Quinn murmura, e a morena tira o olhar da garota para se encontrar com o par de olhos âmbar que sempre lhe causara inúmeras sensações, sejam elas boas ou ruins. –
O silêncio reinava, todos sabiam da relação conturbada do casal que antes do divórcio, deixavam diabéticos os outros alunos de tanto amor e carinho que emitiam uma pela outra.
— Quinn. -
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