Family don't end with blood
5 Pesadelos e culpa
Notas iniciais
POV’S LUNA
Quando levei Amanda, Brenda e as crianças para os seus quartos (Camilla já sabia onde era o dela, pois era de casa), fui para a sala e liguei a TV. Não passava nada legal, por isso botei a televisão no AV2 e fiquei vendo a minha irmã dormindo. Alexis estava tendo pesadelos, como sempre desde o acidente. Ela não parava quieta na cama e ficava gritando com voz de choro:
– Não! Não!
Nesse mesmo instante, Amada apareceu na arcada da sala, perguntando sonolenta:
– Que barulho é esse? – bocejou – E o que faz aqui? Está com insônia? – entrou no recinto e se sentou ao meu lado.
– Eu nunca vou para o meu quarto dormir. Acabo ficando por aqui mesmo. – respondi – E esse barulho que está ouvindo é Alexis gritando. Ela está assim desde o acidente, tendo pesadelos toda noite, por esse motivo que acabo dormindo na sala, para ela não fugir.
– O que aconteceu? – indagou.
– No que? No acidente? – a Pflichttreue assentiu – Bem... Eu não sei direito, porque não estava quando aconteceu, mas minha irmã sim. Foi um...
– Que gritaria é essa? – interrompeu-me Brenda na entrada da sala (arcada).
– Alexis. – disse Amanda.
– Ela bem que poderia ter consideração conosco, não? – comentou a Blutbad – Nós queremos dormir.
A Pflichttreue virou-se para mim e falou: — Agora, continue Luna.
– Com o que? – quis saber.
– Ela está me contando sobre o acidente de Alexis. – explicou a Brenda e a mesma se sentou do lado oposto ao de Amanda, prestando atenção.
– Continuando... – comecei – Foi um acidente de carro e nele estavam Alexis, nossos pais e a mãe de Camilla. – a Fuchsbau apareceu na arcada de três metros de altura com uma porta dupla de madeira com os olhos cheios d’água e tristonha. Direcionou-se a poltrona restante do cômodo. Interrompi-me para dar as minhas condolências novamente (meu semblante estava igual ao dela), mas retornei para a história – Pelo que a polícia contou, nosso pai, que estava dirigindo, perdeu o controle do carro e eles bateram em um prédio em construção. Entraram em uma pilastra. Sorte que não tinha ninguém no canteiro de obras àquela hora. Enfim... Todos morreram menos a minha irmã. Ela ficou entre a vida e a morte; quebrou quase todos os ossos do corpo; e ficou com uma viga enfiada barriga. Teve que ficar um mês no hospital, sem se movimentar direito. Quando voltou, no dia de seu aniversário, eu e Jenkins fizemos uma festa para Alexis, para quebrar o clima pesado, mas só piorou o que já estava ruim. Ela fez fisioterapia todos os dias. Não faltou um por minha causa e por sua força de vontade. Passou a andar de muletas cinco meses depois. Continuou fazendo por mais alguns meses e voltou a andar sem ajuda. Ela está curada fisicamente, mas não psicologicamente. Antes, Alexis era uma menina reservada como agora, porém não era mal-humorada e violenta. Era uma pessoa de bem com a vida e bem diferente do que é atualmente.
– Nossa! – comentou Brenda com os olhos cheios de lágrimas – Nunca imaginaria uma coisa dessas. A minha é ruim, mas a da grandona é pior.
– Também. – disse Amanda com o semblante igual ao de Brenda.
De repente, ouvi passos na escada. Era Alexis. Levantei-me rapidamente e fui para porta da sala.
– Para onde está indo? – perguntei.
– Você não é minha mãe, então não devo lhe dar satisfações. – respondeu rudemente.
Ela passou e voltei para a sala cabisbaixa. “O que estou fazendo de errado?”, pensei. Botei a TV para mostrar todas as câmeras do primeiro andar e lá estava Alexis, indo em direção ao ginásio.
POV’S ALEXIS
Só consegui dormir mesmo por duas horas, pois comecei a ter pesadelos após esse tempo. No pesadelo, ouvia pessoas gritando: “Você devia estar morta!”; “Você é a culpada de tudo isso acontecer!”. E também via o momento do acidente. Eu o vivenciava todo dia. No instante da batida, acordei assustada, tentando encontrar ar. Olhei em volta procurando saber onde estava e fiquei feliz em saber que estava em casa, no meu quarto, porque tinha vezes que recobrava a consciência no meio da estrada.
Levantei-me e desci para o hall de entrada.
– Para onde está indo? – perguntou Luna na porta da sala.
– Você não é minha mãe, então não devo lhe dar satisfações. – respondi rudemente.
Sendo assim, segui para o ginásio, passando pelo corredor ao lado da sala. Entrei lá, coloquei a minha luva e comecei a socar o saco de pancadas. Um turbilhão de coisas veio a minha mente quando iniciei a sequência do boxe, “Jab-direto”.
“Você é a culpada do acidente!”, dizia a voz da minha mãe, Rose.
“Você nos matou!”, dessa vez, foi o meu pai, John.
“Por que fez isso conosco?”, perguntou Julie, mãe de Camilla.
Aquilo era uma tortura sem fim!
– NÃO! – gritei mais chorando do que com raiva. Ao falar isso, sem perceber, dei um soco que o saco de pancadas foi ao encontro da parede da outra extremidade – Não fui eu! – tive forças para dizer.
Naquele momento, desabei no chão. Botei as mãos no rosto e comecei a chorar.
Só percebi que não estava só, quando minha irmã se aproximou de mim e me abraçou, acolhendo-me em seu corpo. Chorei mais ainda por conta disso. Eu sabia que não era minha culpa a morte dos nossos pais, mas, no fundo, me sentia culpada por tê-los matado e ter sido a única sobrevivente do acidente. E essa ponta de culpa falava mais alto do que a não culpa.
– Desculpe-me, irmã! – disse soluçando. Minha voz estava um pouco abafada pelo corpo de Luna e as minhas mãos no rosto – Eu matei papai e mamãe. Desculpe-me.
– Não fique assim. – tentava me acalmar, acariciando o meu cabelo, cujos fios caiam levemente sobre os meus ombros – A culpa não é sua.
– É SIM! – gritei tirando as do rosto e me libertando do abraço sufocante. Parei de chorar na hora.
Luna ficou em pé e me estendeu a esquerda para me apoiar ao me levantar. Recusei a sua ajuda e me ergui sozinha. Lágrimas indesejadas caíram dos meus olhos. Enxuguei-as antes de minha irmã percebê-las.
– Venha, vou te colocar na cama. – chamou-me para a porta do ginásio.
– Eu vou sozinha. – falei o mais normal possível e deixei-a só, lá no ginásio. Segui direto para o meu quarto.
POV’S LUNA
Quando a perdi de vista, lágrimas caíram dos meus olhos. Enxuguei-as e deixei-as no esquecimento. Saí do ginásio e fechei a porta do mesmo. Sendo assim, direcionei-me para a sala de estar, onde se encontravam Brenda, Camilla e Amanda.
– Complicado... – comentou a Pflichttreue quando cheguei.
– Sim... – consenti sentando-me no sofá.
E foi assim que a noite se passou, com nós quatro em uma conversa sem fim. Para ter ideia, fomos até as sete da manhã. Só houve uma interrupção de Alexis as seis. Ela estava toda enfaixada (não literalmente, só em algumas partes como perna) e seu tênis e meia estavam completamente vermelhos.
POV’S ALEXIS
Ao chegar ao meu quarto, joguei-me na cama e enfiei a cara no travesseiro. Comecei a gritar. Cansei-me de fazer aquilo, por isso peguei o mesmo e atirei-o na outra extremidade do cômodo. Levantei-me rispidamente. “Preciso espairar as ideias!”, pensei.
Por esse motivo, procurei no closet um cobertor velho para sair pela varanda. Encontrei um ideal e abri a cortinha. Destranquei a porta que dava para a sacada e saí. Encostei a mesma e apaguei a luz, para não perceberem a minha ausência. Lancei o lençol por entre as grades e desci.
Quando estava no meio do caminho da corda improvisada, a mesma se soltou e eu cai de três metros direto para a piscina.
– AH! – gemi de dor ao conseguir sair da mesma. O nado até a margem foi complicado, pois estava toda dolorida.
Ao me encontrar fora da piscina, em pé, cambaleei para o lado, mas me segurei em uma cadeira que ficava na beira da mesma. Caminhei com dificuldade até a cerca e a pulei. Uma das pontas de ferro me cortou e a minha perna direita, a partir do ponto do corte ficou toda ensangüentada. O sangue cor escarlate pintava minha meia e tênis branquinhos.
Como a mansão ficava na fronteira de New York e Washington DC, fui mancando até a estrada deserta, onde parei um pouco para descansar. Enquanto andava, minha visão ficou turva cambaleei novamente. Estava ficando fraca pela perda de sangue. Olhei para o meu membro inferior e na escuridão, o vermelho do meu sangue que manchava a minha perna, sapato e meia sobressaía. Parecia que estava florescente, sei lá. Acho que estava alucinando ou a coisa estava muito feia para o meu lado.
De repente, algo grande esbarrou em mim e cai, batendo de cara no chão. Perdi a consciência na hora.
POV’S SAM
Não tinha mais o que fazer, nossa relação tinha chegado ao fim. Só o que vinha a minha cabeça eram suas últimas palavras, antes de sair por aquela porta: “Você é um canalha sem coração! Nunca mais quero te ver, imprestável!”. O motivo disso tudo? Ela encontrou um lingerie no meu armário. Eu tinha acabado de comprar para dar para a minha namorada. Foi tudo uma confusão, mas se ela quer assim, assim será. Carol nem m deixou explicar, foi logo insinuando coisas, mentiras.
Para espairar as ideias, subi na bicicleta e fui pedalando sem rumo por horas, até que esbarrei em alguém. Parei bruscamente a poucos metros do encontrão e corri para socorrer a pessoa ou ver o que derrubei. Ao chegar ao local, lá se encontrava uma menina linda como... não, nada se compara a sua beleza. Ela estava desacordada. Peguei-a no colo e direcionei-me para a bicicleta. Acomodei-a no banco comigo e segui para casa.
Fale com o autor