Family don't end with blood
7 A chegada de um familiar
POV’S LUNA
Quando acordei no dia seguinte, Alexis ainda estava na cama, o que era meio estranho, já que ela costuma levantar mais cedo do que eu. Sentei-me a mesa e em poucos minutos depois, as nossas convidadas me acompanharam no café da manhã. A mesa já estava posta, então não esperamos e começamos a refeição mais importante do dia.
— Hummmm... Está delicioso... – elogiou Brenda de boca cheia.
— Está mesmo... Quem fez? – indagou Amanda.
— Foi o Jenkins. – respondeu Camilla – Ele faz cada coisa mais gostosa que a outra... Vocês precisam provar...
Eu nem prestava atenção na conversa. Estava era preocupada com minha irmã. Olhava para o prato sem ânimo e suspirava vez ou outra de tristeza. Não sabia o que fazer em relação a ela. Era tudo tão difícil... Por quê?!
Alexis apareceu na porta de entrada da sala de jantar. Mancou até uma cadeira e sentou-se. Seu semblante estava sério. A cada movimento que fazia dava um gemido quase imperceptível. O que poderia ter acontecido para ela estar assim? Resolvi perguntar, mas levei uma patada.
— Não te interessa. – foi tudo o que disse a refeição inteira.
Ao acabar, levantou-se e seguiu para o quarto. As meninas só me observavam como se eu fosse um cachorro que caiu da mudança. Talvez fosse, ou talvez não. Quem sabe?
POV’S ALEXIS
A minha vontade de descer era zero, mas fazer o que... Tinha que me alimentar. Voltei o mais rápido que pude para o meu quarto. O que mais queria era ficar sozinha. Esse era o meu único desejo naquele momento (além do de encontrar os assassinos dos meus pais e da mãe de Milla).
Meu corpo inteiro doía e mal conseguia me mexer. Por isso, fiquei olhando para o teto e com a mente vazia. De vez em quando, bocejava e fechava meus olhos por poucos segundos. Nessa fechada de olhos, dormia algumas vezes e só percebia quando acordava. As horas foram se passando e a dor não passava de nenhuma forma. Lacrimejava na tentativa de não gritar. Uma película de água e sal se formou nas maçãs de minhas bochechas.
Uma batida na porta me tirou do torpor. A maçaneta virou e Brenda entrou no quarto.
— O que quer Olho Roxo? – fui direta e grossa.
— Eu quero saber se está bem e... sua irmã mandou te entregar isso. Ela saiu e já volta. – avisou colocando uma carta e um brownie em uma embalagem de plástico na cama.
No início, ela ficou com vergonha, mas tomou coragem e sentou-se ao lado dos meus pés.
— É... – começou hesitante – Sei que temos nossas diferenças e... Que não gosta de mim. Mas... – engoliu em seco – Gostaria de começar novamente, com o pé direito, não mais com o esquerdo. O que acha?
Trocamos olhares e não aguentei ficar por muito tempo, abaixei-o e ergui-o.
— Tudo bem. – Suspirei. Fitei a parede enquanto dizia.
{...}
As horas passaram e, às dez da noite, Luna ainda não havia chegado. Levantei-me com dificuldade e fui tomar um banho. Minha pele colava de tanto suor e isso me irritava. Em baixo do chuveiro, ao piscar, uma lembrança dolorosa do dia do acidente veio à tona.
***
Eu estava pendurada de cabeça para baixo no carro capotado. Uma dor estridente na barriga não me deixava pensar direito, nem enxergar. Uma ardência tomava conta do meu corpo inteiro. Gemi. Gemi até não poder mais.
***
Quando voltei, tentava procurar ar, mas não o encontrava. Lágrimas escorriam e se misturam a água que caia. Terminei o banho em poucos minutos e me enrolei na toalha. Sai do banheiro e dei de cara com um homem no auge da idade (trinta e poucos anos) e com 1, 80 m. Usava uma calça jeans e camisa meia manga preta. Seus músculos eram como o de um aventureiro. Seus fios de cabelo loiro escuro tinham alguns intrusos brancos. Sua pele era branca e estava com a barba mal feita. Encontrava-se deitado em minha cama King size, esperando-me. Encarei-o sem paciência.
— Vejo que ainda está rabugenta... – ele comentou. Ignorei-o. Tirei a toalha e fiquei nua na sua frente. Peguei uma roupa e a vesti – E que tem mais machucados...
— O que quer? – fui direto ao assunto.
— É assim que trata seu tio Carl? – repreendeu-me na brincadeira – Anyway, sua irmã me contou que você estava pior do que nunca e que precisava de minha ajuda. E aqui estou eu. – levantou-se e se aproximou de mim. Apoiou suas mãos em meus ombros – Olha só... – continuou o discurso – Eu sei que é difícil passar por tudo isso sem ter sequelas, mas, mesmo que tenha, move on! Siga em frente! Siga seu caminho e não olhe para trás! Isso só atrapalha a sua vida e a vida das pessoas que a rodeia!
Não consegui segurar um choro. Não, aquilo não foi um choro, foi uma cachoeira que saiu dos meus olhos. Ele me acolheu em seus braços. Quando já estava normalizada, guiou-me para a cama e me acomodou.
— Pense no que falei, está bem? – assenti. Deu-me um beijo na testa e seguiu para a porta. Ao ver o brownie na minha escrivaninha, pegou-o e me mostrou – Posso? – perguntou e confirmei com um gesto. Abriu-o no meu quarto mesmo e antes de sair, avisou: — Estarei nos meus aposentos. Qualquer coisa é só chamar.
Não disse mais nada. Fiquei apenas calada e o esperei fechar a porta. Passaram-se dez minutos e resolvi pegar um livro para ler. Dormi uma hora depois.
POV’S LUNA
Cheguei a casa por volta das dez, juntamente com Tio Carl, irmão mais novo do papai. Liguei para ele mais cedo pedindo ajuda com Alexis. Carlton Skellington era uma das minhas últimas esperanças em relação à recuperação de Lê.
— Vou vê-la. – avisou depois que deu seu casaco e mochila para Jenkins.
— Boa noite, senhor. – o mordomo falou, enquanto ele subia as escadas.
— Boa noite, Jenkins. Como vai? – parou no meio do caminho e se apoiou no corrimão, olhando para baixo.
— Muito bem, senhor. E o senhor? – retribuiu.
— Estou bem, também. Agora, acho melhor... – retornou para sua rota original. Cessou os passos no topo da escada – Ah! Jenkins! Pode fazer um sanduíche para mim e deixar no meu quarto, junto dos meus pertences?
— É claro, senhor. – ele o reverenciou. Tio Carl deu um sorrisinho e seguiu para os aposentos de Alexis.
{...}
— Quer ajuda, minha senhora? – perguntou Jenkins quando o perdeu de vista.
— Não, não precisa não. Você já está carregando coisa demais. Mas, obrigada mesmo assim. – foi gentil com o homem de cabelo branco.
— Eu vou levar os pertences do Sr. Skellington. — fez uma reverência e se virou.
Cheguei ao meu quarto poucos minutos depois. Troquei minhas roupas e fui dormir.
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