Family Confusion
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Sabe aquele desafio do Mannequin Challenge? Pois é, eu estava me sentindo nele. O rapaz ficou parado me olhando por 1 minuto sem dizer nada, pra logo depois um sorriso presunçoso se formar na sua boca. Seus dentes eram completamente brancos e alinhados.
Senti uma mão no meu ombro e escutei a voz do meu pai.
— Castiel! Quanto tempo, como você está? — que animação era essa do meu pai?
— Dom! Estou muito bem, e o senhor? — o tal de Castiel respondeu apertando a mão estendida do meu pai.
— Estou ótimo! Mas pare de me chamar de senhor. Vejo que já conheceu minha filha Lisa.
— Elisabeth! Meu nome é Elisabeth. — falei com raiva e Castiel me lançou um olhar divertido nunca deixando seu sorrisinho de lado.
— Filha, esse é o Castiel! O filho mais velho de Luce.
Mas é claro; não me julguem por não me lembrar dele, quando Sam me contou eu estava quase hibernando!
— Muito prazer, Lisa. — se ele estava esperando "o prazer é todo meu" com certeza se decepcionou.
— O que está fazendo com minhas malas? — perguntei o que ele já deveria ter respondido a muito tempo.
Ele soltou um sorriso anasalado, e eu escutei passos e vozes vindo na nossa direção. Lúcia caminhava com Clary em seu colo, Sam na sua frente e Matt ao seu lado.
—Oh Lisa querida, seu pai me falou como eram suas malas e eu mandei Castiel pega-las para você. — desviei o olhar de Castiel que agora tinha um sorriso de lado e uma sobrancelha arqueada para mim. — Não tem problema né?
— Não, claro que não, está tudo bem. — dei um sorriso amarelo e cruzei os braços.
— Certo — Lúcia sorriu. — Você e meu filho podem ir ao apartamento agora e eu, Dom e as crianças vamos para casa. Eu quero vocês dois — apontou para mim e Castiel — em casa as oito horas para o nosso primeiro jantar em família! — ela falou com entusiasmo dando um sorriso maravilhado. E eu até poderia dizer o quão branco eram seus dentes mas eu estava com o cenho franzido olhando para ela como se a mesma tivesse três cabeças.
— Anh...Lúcia, eu vou com vocês para a nossa nova casa. Lembra do lance de família? Eu, você, meu pai e mais 7 crianças morando na mesma casa? Pois é.
Todos estavam confusos. Menos meu pai. Olhei para ele pedindo silenciosamente para ele falar que Lúcia tinha batido a cabeça e esquecido de tudo. Mas ele estava vermelho, vamos colocar a culpa novamente no calor.
— Lisa querida, me acompanhe. Precisamos conversar.
Precisamos conversar é uma das frases que me faz ter uma reflexão de toda a minha vida e lembrar se em algum dia eu atirei em alguém depois de te-la torturado e jogado seu corpo para os cachorros. Bom, eu não me lembro de ter feito nada disso; e isso me fez ficar ainda mais apavorada.
Acompanhei meu pai até estarmos longe o suficiente da nossa família.
— Lembra quando me pediu permissão para fazer intercâmbio na Ásia? — foquei minha atenção em meu pai, que antes estava na criança que passou do meu lado chorando. — Sim, mas o que... — meu pai continuou a falar me cortando.
— Lembra de todo o seu discurso sobre privacidade e liberdade? Lembra do quanto me falou que amava seus irmãos mas que já tinha 17 anos e nunca tinha feito nada realmente para você? Sem se preocupar com ninguém além de si mesma? — ele agora me olhava ansioso.
— Sim, eu lembro. — eu estava suando ainda mais, mas mantinha minha expressão neutra como se ele estivesse me contando a história da chapeuzinho vermelho; que devo dizer que era a preferida da Clary.
— Então, eu pensei que estava na hora de dar a você a oportunidade de ter mais liberdade e privacidade. Mas eu sabia que morando com 9 pessoas na mesma casa isso não seria possível.
— Com certeza. — falei trocando o peso do corpo para a outra perna.
— Mas foi aí que Luce, me falou que seu filho Castiel, queria a mesma coisa que você. E ela queria que ele criasse também mais responsabilidade já que ele já tem 18 anos e começou a fazer faculdade de direito á 3 semanas, mas ela não queria dar um apartamento de luxo somente para ele. Então eu falei que vocês dois poderiam morar juntos, e eu e ela iriamos arcar com todas as despesas de vocês.
Eu tinha certeza que o menino que passou chorando por nós mais cedo tinha acabado de passar de novo, mas agora ele estava segurando um sorvete de pistache. E eu adoro pistache; é o meu sabor de sorvete preferido depois de chocolate. E chocolate me lembrava chocolate quente, e isso me levava até o frio do Canadá onde eu estaria enrolada no sofá com meus irmãos assistindo mais um episódio de Hora de Aventura e ...
— Lisa? Lisa? Elisabeth! — despertei do meu transe e olhei para o meu pai que me encarava desesperado.
— Não. — falei simplesmente me virando para ir me juntar aos outros. Mas Dom segurou no meu braço me virando para ele e suspirou cansado.
— Lisa, por favor.
Observei o seu rosto marcado por traços fortes e seus olhos cansados sendo denunciados pelas olheiras em baixo dos mesmos, resultado de duas noites sem dormir por causa dos seus plantões no hospital.
A realidade me acertou em cheio. E eu me lembrei do homem que teve que criar 4 crianças sozinho e que agora estava tentando fazer com que fossemos felizes tendo uma coisa que nunca tivemos. Uma mãe.
— Guarde um quarto para mim. Quando eu estiver com vontade de socar o Castiel eu vou dormir lá. — ele soltou uma risada me abraçando logo depois.
— Isso não vai acontecer, Castiel é um cara legal e eu confio nele. Mas é claro que você terá um quarto na casa dos Seatle's, afinal você é a mais velha deles. — dei um soco de leve em seu braço enquanto caminhávamos de volta até meus irmãos, Lúcia e Castiel.
Todos estavam sorrindo quando chegamos; pelo visto já estavam se dando bem. Mas eles nos olharam quando paramos entre Matt e Sam.
— Lisa vai com Castiel. — Clary esticou os braços em minha direção e eu a peguei. Matt e Sam caminharão até mim, e essa última com uma expressão furiosa no rosto.
— Que história é essa de ir com o Castiel Lisa? E apartamento? Eu não estou entendendo nada, pode começar a explicar. — me encarou com seus braços cruzados e com a expressão de como eu estivesse escondido dela a cura do câncer.
— Eu também não sabia Sam, é uma longa história. Te conto tudo de noite.
— Matt e Sam vamos logo para casa. — meu pai falou pegando Clary do meu colo e sorrindo para mim. — Até mais filha.
— Até. E vocês monstrinhos vejo no jantar, se comportem.
— Digo o mesmo a você. — Sam falou ainda emburrada lançando um olhar suspeito para mim e Castiel.
— Sam! — exclamei fazendo todos sorrirem e depois caminhavam até a saída do aeroporto.
— Vamos para casa, Lisa.— Castiel sussurrou atras de mim e eu me virei o fuzilando com o olhar e seguindo em direção ao estacionamento.
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