Family
4 Another of Them
Notas iniciais
Ainda 1 Dezembro de 2015
Rose Willard
— Quem é ela? — Outra delas. "Delas" eu estaria claramente me referindo às jovens persistentes que continuam no caminho de James Crawford. São muitas, muitas mesmo. James é um galinha, se analisássemos com atenção. Atrás dele estão várias mulheres e, ao final da noite, vão-se todas embora e na cama dele só está ele.
No entanto, por algum motivo, isso parecia deixá-las totalmente intrigadas — excitadas— a seu respeito. O sexo masculino, concordante com a mente não evoluída e minúscula desses seres, era mais atraente se fizesse sexo com todas da Cidade, como uma verdadeira vagabunda.
James é uma vagabunda. Que dá de graça e com prazer.
— Eu sou a Rose. Quem é você? — Ele olha para mim, suplicando para que eu não respondesse à Beyoncè ali, rebolando à nossa frente - a mulher não parava de mexer a cintura, provavelmente desconfortável com o vestido—.
— A namorada dele. — James olha para ela, confuso e irritado. Assunto delicado, já entendi. Hora de procurar outra mesa para comer. Peguei o meu hambúrguer de peixe e o suco aguado do restaurante, e procurei por uma mesa suficientemente longe para eles não notarem a minha presença, entretanto, perto o suficiente para que eu conseguisse ouvi-los.
— Verônica, porquê você está aqui? — James sussurrava, irritadiço. Com certeza absoluta, aquela não era a sua namorada. Provavelmente, já havia dormido com ele vezes o suficiente para se intitular como tal. — Não era suposto estar com o seu noivo? — Caramba. A vida daquele cara era sem dúvida interessante. Muito mais do que a minha.
— Eu não estou mais noiva. Eu só quero você, James. — De certa forma, eu senti pena do noivo dela. Dois pares de chifres não são nada legais. E, ainda assim, é capaz de que ele tenha muito mais do que apenas dois desses. — Só quero estar pelada, cavalgando em cima de você como um Cowboy do velho Oeste no seu velho cavalo branco. — Ah, Céus. Ela não fez isso, são apenas os meus ouvidos. Vejo a expressão interessada de James dissipar-se tão rapidamente como o meu suco aguado, em meio ao meu interesse no diálogo dos dois.
— Verônica, vá para casa. — Isso me lembrou o meu Colegial, quando eu fiz testes para líder de torcida. "Rosalie, vá para casa. Ah, e suicídio é uma óptima opção." Aquelas garotas eram más desde 1991. Felizmente, eu consegui provar para elas que eu era boa o suficiente. Quando a Tiffany quebrou o pé — Obrigado Inanna— eu a substitui no jogo final.
— Verônicobra? — Eva perguntou, confusa. O mais adequado seria Verônicawboy. Ela foi embora antes que Eva pudesse questionar o motivo pelo qual ela estava ali, aprumada, numa hamburgueria peculiar onde só servem peixe.
— Desculpe Rose, Verônica não é lá muito agradável. — James explicou, encabulado. Eva concordou expressivamente, arregalando os seus olhos enquanto acenava com a cabeça. Ela dá uma última mordida no seu lanche, e vai brincar na piscina de bolas coloridas.
— Ela é bastante criativa. — Brinco, observando-o revirar os olhos, como sempre.
— Venha, eu vou te levar em casa. —
[...]
James sobe pelas escadas, após lermos o aviso de Manutenção do Elevador. Apressados e com a respiração ofegante, os nossos corpos chocam contra a parede de gesso. Porquê aquele corredor é tão apertado? Procuro a chave em meus bolsos, mas é extremamente complicado por não conseguir enxergar. Tento colocá-la para dentro do buraco e, com sucesso, viro-a e abro a porta atrás de mim. Deixo cair as bolsas no chão e, ao entrarmos no cômodo, temos uma surpresa ao encontrar Vane, Inanna, Harry e Amy Lee assistindo à série American Horror Story no tapete da sala de estar.
— Nós sabíamos que vocês tinham um caso! — Amy grita, histérica.
— O quê? — Eva levanta-se do peito de James, ainda aflita para fazer xixi. Ele corre com ela para o banheiro, aliviado por termos chegado antes que ela tivesse um acidente no seu colo. Soltei o ar, liberando a tenção.
— Você está louca? — Pergunto, nervosa. Vane e Inanna dão risada perante ao mal-entendido. Porquê eles continuavam pensando que James e eu tínhamos algo? Nós já havíamos esclarecido a situação, inclusive com a revista, apesar do método de chantagem não me agradar absolutamente nada. — Eva precisava fazer xixi. —
— Olha, ele é um gato, e eu estou começando a shipar. Vocês não têm nada que impeça para que estejam juntos. Porquê continuam na friendzone? —
— Amy, eu tenho um namorado. Inclusive, você foi a um jantar na casa dele, há um mês atrás. Eu pensei que você tinha gostado dele. — Comento, chateada. Era certamente irritante ouvi-la a toda a hora questionando o porquê 'deu não me envolver com o James. Não seria correto, tendo em conta as circunstâncias. James é um galinha, ainda por cima. Havia uma imensidão de coisas que me afastavam dele.
— Quem se importa com o Henry? Ninguém se importa com o Henry, Rose. Foquemos no James, que claramente está louco para beijar você. —
— Eu não diria louco. — James entrou na conversa, sendo tão inconveniente quando sempre. — Entretanto, eu não negaria. — Amy sorri, completamente satisfeita. Harry acena para James do sofá e, entretanto, eu reparo que Vane e Inanna estão adormecidas.
— James. Já é tarde, o que você acha de levar a Eva para casa? —
— Você tem razão. Já passou da nossa hora, não é, Eva? — James pega a filha no colo, embalando-a em seu peito. Amy Lee junta as mãos e balança a cabeça, encantada. Acompanho ambos até a porta, enquanto Harry arruma as caixas de pizza do tapete.
— Nos vemos amanhã? — Pergunto, ansiosa para poder ver Eva — e James— amanhã, no café. Eva olha para ele tímida, questionando se poderia responder à minha pergunta.
— Claro. Você já sabe o que nós queremos, não vou ter o trabalho de pedir quando chegar, não é? — James comenta, brincalhão. Está escuro no corredor, a luz está queimada. Pergunto-me se ele conseguirá levá-la sozinho, mas eu acho que James é ágil o suficiente. Os olhos de Eva estão fechando lentamente e, sem dúvida, ela dormirá até amanhã.
— Você é um cliente como qualquer outro, Mr. Crawford. — Ironizo, cortando-o e às suas graças. James bufa, cautelosamente. Era engraçado vê-lo tão descontraído, outra face e muitíssimo diferente de como eu o vejo durante o dia-a-dia. Quase me tinha esquecido do quão divertido ele poderia ser, às vezes.
— Porquê você mente tanto à si própria? —
— O quê? — Questiono, confusa. Vejo, com alguma dificuldade, Amy escorar-se no sofá para conseguir ouvir atentamente. James é gentil, sorrindo para mim enquanto fala.
— Porquê você continua mentindo sobre o que você sente por mim? — Talvez fosse uma brincadeira — de mal gosto, eu diria.— ou qualquer outra coisa, semelhante ao humor negro. Porquê eu continuava mentindo? Eu nunca menti sobre o que eu sinto por ele. Não iria começar agora.
— É a sua deixa, James. — Falo, tentando livrar-me dele. Mas eu jamais conseguiria. Não, obviamente, se ele fizesse questão de continuar aqui. James sumiu pelo corredor e, irritada, fechei a porta do apartamento causando algum estrondo.
— James é arrogante. Inteligente, entretanto. Eu gosto dele, Rose. — Amy Lee partilha a sua análise, não abalada pelo facto de ninguém tê-la solicitado uma opinião elaborada sobre James Crawford. Não é como se eu necessitasse da aprovação dela para alguém.
— Amy, nós conversamos amanhã. Aposto que estão esperando você, em algum lugar, onde quer que você vá. — Coloco-a para fora do apartamento, despedindo-me com um abraço rápido e colocando o cachecol no seu pescoço.
Harry veste o seu casaco e, despedindo-se, regressa ao seu apartamento. Vane e Inanna estão adormecidas no confortável sofá da Sala. Não pretendia acordá-las. Aliás, não faria qualquer outra coisa senão adormecer, ali ou em qualquer outro lugar.
Ainda precisava lavar os paletós do Henry.
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