Familiaridade

1 Memórias esquecidas


Notas iniciais
Não ficou uma das melhores coisas, mas até que gostei.

Mami Tomoe e Homura Akemi nunca notaram o quão familiar eram uma para a outra. É natural que o ser humano esqueça do que ocorreu anos atrás, mesmo Mami Tomoe não conseguiu manter as memórias de um único dia em que arranjou uma amiga no hospital.

É estranho que ela não se lembre justo daquele dia. Você esqueceria o que aconteceu depois que seus pais morreram?

A loira acordou numa cama que não era sua, passou um tempo tentando entender o que havia acontecido e onde estava, então lembrou-se: o local era um hospital, o carro da família havia se chocado contra outro em algum momento... também havia um bichinho branco que apareceu para ela num momento de agonia.

— Eu sou Kyuubey. Você gostaria de fazer um contrato para virar uma garota mágica?

Sem nada entender, confusa e ferida, ela apenas chorou e implorou por ajuda:

— Me salva... Por favor... me salva...

Foi algo estranho, nunca havia visto uma criatura como aquela, pensou que poderia ser apenas uma ilusão. Onde estavam seus pais?

Ela tentou se mexer, mas seu corpo doía. Nesse momento, um homem do lado de fora do quarto a notou através do vidro (grande demais para ser uma janela, pensou), que ocupava boa parte da parede. Ele entrou e fez gestos apressados para que ela ficasse deitada.

— Não se esforce, menina... Tomoe, não é? Mami Tomoe. Você teve sorte de não se machucar muito, mas deve descansar.

Ele tinha um jeito engraçado e apressado, ao mesmo tempo, era gentil, seu rosto expressava animação, isso a trouxe uma sensação de paz e ela se permitiu um sorriso.

— Senhor, onde estão meus pais?

Aos poucos, a face alegre se transformou em algo sombrio e triste. Mami já sabia o que viria a seguir, não era boba, apenas não queria acreditar. Ela reprimiu a vontade de chorar.

— Conversamos sobre isso depois, não se mexa demais, logo, logo uma enfermeira lhe trará seu jantar.

Assim que o homem saiu, ela se preparou para chorar, o triste acontecimento foi interrompido por uma voz fofa, vinda da janela com uma vista para o lado de fora do prédio.

— Ei, Mami, você deve começar seu trabalho como garota mágica logo! Seu desejo já foi concedido.

A partir disso, uma conversa confusa e esclarecedora, para Mami, se iniciou. Ela havia traçado o próprio destino com apenas algumas palavras: "me salve". Depois de se alimentar, a garota dormiu pensando "por quê?".

Foi acordada de um pesadelo pelos enfermeiros e médicos que trouxeram uma garota, eles a deitaram numa cama ao lado da sua. Depois de realizarem todo procedimento de emergência (parece que ela tinha problema cardíaco, pelo que Mami entendeu), ela conseguiu vê-la. A menina tinha o cabelo escuro e dividido em duas tranças, parecia uma boneca viva enquanto dormia. Estranhamente, ela continuou parecendo uma boneca quando acordou surpresa. A morena olhou em volta, mas logo se adaptou.

Aconteceu novamente. Até quando ela seria um peso na vida dos outros?

— Você está bem? — perguntou Mami, que ainda não conseguira dormir.

Assustada, a menor quase deu um pulo na cama, não havia reparado que tinha uma companheira de quarto. Ela parecia bem desajeitada, mas muito amável.

— Sim, obrigada... — gaguejou, um tanto envergonhada.

— Meu nome é Mami Tomoe. — Sorriu.

— Eu sou Homura Akemi...!

Homura procurou pelos seus óculos, os pais haviam colocado bem ao lado, os colocou no rosto. "Ela é bem tímida", pensou Mami. Depois de um tempo hesitando, Homura se arriscou:

— Tomoe-san... eu posso perguntar por que está aqui? — Pensou que questionar diretamente qual era sua doença seria muito rude.

— Acidente no trânsito. — Esboçou um sorriso triste. — E você, Akemi-san?

— Eu tenho uma doença no coração.

Homura se encolheu, envergonhada, se perguntando se a loira também acharia que ela é uma existência insignificante. Mami apenas sorriu, se comparada à Akemi, seu problema era passageiro.

— Seus pais cuidam de você, Akemi-san? Então você vai viver muito bem, mesmo com isso! — Ela estava destacando aquilo que nunca teria novamente.

Pela primeira vez no dia, o rosto de Homura Akemi se iluminou com um sorriso verdadeiro.

Notas finais
É, ficou bem curtinho mesmo. Eu amo tanto essas duas. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!