Familia Rivera

1 Día de Los Muertos — Capítulo Único.


Día de Los Muertos.

Miguel viveu bons anos até o fatídico dia de sua morte, aos 89 anos. Formou uma linda família, casou-se aos vinte, foi pai aos vinte e dois de um lindo garotinho e depois novamente aos vinte e cinco, de gêmeas. Aos quarenta e três foi avô, aos 68 bisavô e, quando morreu, sua bisneta estava grávida de seu tataraneto.

Viveu uma vida longa e muito feliz, seguiu seu sonho de ser músico mas, ao ver que não poderia se manter com isso, assumiu seu emprego na sapataria da família e, mesmo assim, continuou tocando em pequenos bares e nas festas e reuniões familiares.

Mas, agora, no Día de Los Muertos, sua foto estava num retrato em cima da pequena mesa na Sala da Oferenda. A pele enrugada, os cabelos grisalhos... O pequeno altar se encheu de fotos, Mamá Imelda estava lá, assim como Papá Héctor, Tia Victória, Tia Roselita, Papá Julio, Oscar e Felipe e Mamá Coco. Também estavam lá sua abuelita Elena, seus pais, tios e primos. A mesinha estava repleta de retratos, mostrando o quão grande a família Rivera era.

E fora da Sala de Oferenda, havia outra prova de que os Rivera eram realmente uma família grande: crianças correndo para lá e para cá, seus filhos, seus sobrinhos, sobrinhos-netos, netos, bisnetos, o pequeno tataraneto no colo de sua irmã mais nova, Rosalinda.

E, do outro lado, no Mundo dos Mortos, Miguel estava pronto para a Travessia, não aguentando-se de saudade. Ao seu lado, Madalena, sua linda esposa.

Passaram pelo scaner, posando para uma foto que não seria tirada e, assim que a luz verde se acendeu, revelando que sua foto estava na Oferenda, a guarda disse:

— Aproveite sua visita!

Encontrou-se com seus familiares. Mamá Imelda estava ao lado de Papá Héctor, juntamente de Mamá Coco e de seu marido, Papá Paulo. Seus tios também estavam ali, seus pais, seus primos... E Tia Roselita, que o recebeu com um abraço apertado e milhões de beijos, dizendo:

Miguelitititito!

E quando finalmente chegou à casa dos Rivera, viu o pequeno Miguel, juntamente com Héctor – seus bisnetos -, com o violão em mãos e cantando músicas que aprenderam com ele mesmo.

E no meio de outros familiares, lá estava o pequeno Henrique, apontando sua única covinha na bochecha e depois apontando para o outro lado, que era liso, e dizendo:

— Com covinha, sem covinha, covinha, sem covinha!

O Día de Los Muertos era para a família, e mesmo que no do ano passado ele estivesse vivo e, neste ano, era apenas um amontoado de ossos, ele finalmente estava com a família.

Os mortos, os vivos. Mas a família.

Notas finais
O nome da esposa de Miguel, da sua irmã mais nova (a que nasce no final do filme, que mostra ele dizendo o quanto a família é importa e tal) e de seus bisnetos/netos citados, são invenção minha. Mas, seguindo a ordem do filme e a origem, são nomes mexicanos. Beijinhos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!